Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
26 de Janeiro de 2010

 Marta Saraiva estava no sítio certo, à hora certa. No dia 12 de Janeiro, quando a terra tremeu no Haiti, com um sismo que atingiu 7.0 graus na escala de Richter, matou milhares de pessoas e deixou o país num estado inimaginável de destruição, a estudante portuguesa de Medicina na República Dominicana soube imediatamente o que tinha de fazer. Na capital do país vizinho, Santo Domingo, a 400 quilómetros, o terramoto também provocou "alguma turbulência", por isso Marta e os colegas portugueses da Universidad Nacional Pedro Henríquez Ureña fizeram as malas a correr, pediram autorização para faltar às aulas e, depois de quatro horas e meia de viagem, atravessaram a fronteira para o Haiti. A sua ajuda, como estudantes de medicina, foi bem-vinda no hospital de campanha improvisado na localidade fronteiriça de Jimani.

Nos dias que se seguiram, não há palavras para descrever o que os universitários portugueses viveram no Haiti a prestar auxílio a centenas de vítimas do sismo. O que o mundo viu, horrorizado, pela televisão, Marta Saraiva, João Rocha, Mara Rocha e António Pinheiro, naturais de Rubiães (Paredes de Coura), Mogadouro (Bragança) e Santo Tirso, sentiram na pele, em primeira mão. "É um cenário impressionante, que chega até a ser arrepiante, mas depois desta experiência ainda fico com mais vontade de ser médica. É nestes cenários que se percebe a verdadeira dimensão e a real importância desta profissão", disse Marta, de 21 anos, no primeiro dia em que chegou ao Haiti. Durante cerca de uma semana, os estudantes portugueses atenderam perto de 700 pessoas e trabalharam com outros universitários porto-riquenhos e médicos do México e Japão. "Nunca me vou esquecer desta experiência", disse a estudante, sem pôr de lado a hipótese de voltar ao Haiti nos próximos tempos.

Marta Saraiva chegou à República Dominicana há quase dois anos e meio, depois de uma média final de 15,5 valores no ensino secundário lhe ter "cortado" as hipóteses de se candidatar a um curso de medicina em Portugal. Com o sonho de ser médica em mente e sem aceitar escolher outro curso qualquer, foi à procura de alternativas no estrangeiro. A República Dominicana surgiu por sugestão de um amigo. O pai informou-se, a família concordou e a Universidad Nacional Pedro Henríquez Ureña foi a primeira escola a dar uma resposta positiva. Em Santo Domingo, Marta partilha casa com colegas portugueses. Ao todo, na universidade há cerca de 30 portugueses na licenciatura de Medicina. A instituição de ensino superior (a primeira privada no país, em 1996) é a mais procurada por estrangeiros: mais de três mil provenientes de 57 países (EUA, Canadá, Porto Rico, Espanha, etc.). Na UNPHU, a licenciatura de medicina tem a duração de seis anos, 12 semestres que podem ser concluídos em quatro anos. A propina é de cerca de 2400 euros por semestre (os estrangeiros, como Marta, pagam 500 euros por mês), e não estão incluídas as despesas de alimentação ou de alojamento.

Fonte: Diário Económico

publicado por Lacra às 14:16
21 de Janeiro de 2010

 Mara Rocha, de 26 anos, e João Rocha Palas, de 21 anos, dois jovens naturais de Mogadouro, estão há cerca de ano e meio em Santo Domingo, capital da República Dominicana, a estudar Medicina.

Após o sismo, os dois primos passaram a integrar uma das muitas equipas de voluntários que ajudam no socorro às vítimas do sismo que assolou o Haiti na última semana.

"Estávamos de férias em Portugal quando tudo aconteceu. Quando chegamos, reuniu-se um grupo de dez estudantes, a reitoria da universidade disponibilizou-nos batas cirúrgicas e fomos para Jamani, uma cidade fronteiriça. "Deparamo-nos com um cenário de horror e destruição", contou, ao JN, Mara Rocha.

Em Jamani, não havia praticamente médicos na região. Apenas o caos, desordem e centenas de feridos e mortos. Um cenário difícil de descrever pelos voluntários

"Havia crianças que choravam e chamavam pelos pais. Pessoas com os membros completamente esmagados. Encontramos pessoas a morrer de fome. Era um cenário de destruição horrível", explicou. No entanto, há relatos de que de alguns haitianos demonstram sinais de esperança num país pobre e arrasado por uma catástrofe natural, acreditando que um dia vão regressar às suas casas.

"A situação é caótica. São dezenas as ambulâncias que cruzam a fronteira várias vezes por dia", relata Mara Rocha.

Os dois estudantes garantem que a República Dominicana, ao contrário do que é dito, tem ajudado o seu vizinho Haiti. "Há muitos dominicanos a ajudar", asseguram. Contudo, João Rocha Palas garante que é preciso muito mais para fazer face a tanto sofrimento.

"Encontrei um cenário que mais parecia um filme de guerra. Fiquei impressionado. Apesar de tudo, foi uma experiência única do ponto de vista profissional", descreve o futuro médico.

Mara Rocha e o seu primo, que entretanto tiveram que regressar à República Dominicana para continuar as aulas, vão aproveitar o feriado local para regressar ao Haiti. Partem amanhã.

 

Fonte: Jornal de Notícias

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