Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
12 de Abril de 2010

António Câmara, Prémio Pessoa 2006, falou ao DN sobre o futuro da comunicação, tema de conferência recente na Culturgest.

"Em 2050 teremos mais informação, mais formas de interagir uns com os outros, mas estaremos mais sós e, provavelmente, mais estúpidos." É assim que António Câmara, director executivo da YDreams, vê a comunicação nas próximas décadas. "As grandes mudanças provocadas pela tecnologia vão ser nas relações humanas", assume.

A possibilidade de "sentir tudo de todas as maneiras", como um dia escreveu Fernando Pessoa, chegará brevemente ao ciberespaço com o desenvolvimento de tecnologias multissensoriais, em que não se usará apenas a visão e a audição mas também o tacto , o olfacto e o paladar. "Nos próximos 20 anos vamos poder estar em casa sozinhos a interagir com amigos distantes como se estivéssemos na mesma sala. Ver um jogo de futebol na televisão e fazer que o nosso grito se ouça no estádio", diz o especialista.

"Acredito que as transformações mais marcantes ocorrerão na televisão, que há 40 anos não sofre evoluções tecnológicas. Agora estamos à beira da fusão entre TV e computador, que vai alterar todo o panorama televisivo", continua.

O fim dos jornais em papel, que tantas vezes tem sido anunciado, é algo em que António Câmara não acredita. "O formato em papel não vai acabar, o que vai mudar é o tipo de papel, que passará a ter propriedades interactivas, em que podermos ter gráficos animados, por exemplo. É uma via cara, o que tornará os jornais e as revistas em artigos de luxo, um nicho de mercado destinado aos ricos."

A comunicação com animais ou a reprodução de todo o tipo de conteúdos em materiais como cortiça, plástico, vidro são outras das possibilidades apontadas pelo director da YDreams.

Apesar de nos dirigirmos rapidamente para o digital, "não deixaremos de ter plataformas analógicas, porque a nossa essência humana é analógica", admite ain- da. "Os sistemas de comunicação pessoal, como os telemóveis ou iPhones, poderão fornecer informação vital e ambiental, recolhida em tempo real por sensores implantados em cada pessoa."

E como será então a nossa vida quotidiana em 2050?

Viveremos dentro de uma ou mais redes sociais, com uma quantidade brutal de informação inútil para gerir, diz ainda António Câmara, que admite "ter muitas reticências" em relação a estas novas formas de socialização como o Facebook.

"A nível profissional, os danos são enormes, cada pessoa perde imenso tempo de trabalho devido a essas redes. Estamos sempre a ser interrompidos, convocados para uma informação que não nos serve para nada e afastam as pessoas do contacto presencial."

Mas é nas novas formas de cidadania e vivência democrática que Câmara se mostra mais optimista: "As sociedades tenderão a ter formas de decidir mais distribuídas e haverá participação maior dos cidadãos. Essencialmente o poder deixará de ter um centro fixo e distribuir-se-á de forma mais aleatória por vários sectores, à imagem de uma estrela do mar."

O futuro não será, portanto, um lugar estranho mas também não será um lugar perfeito.

 

Fonte: DN

09 de Abril de 2010

</div>
Lídia da Conceição nunca tinha mexido num computador. “Não sei como é, nem como não é”, dizia à entrada do Instituto Politécnico enquanto aguardava pelo início da formação. Acompanhada por um casal com mais de 80 anos, os três ansiavam pelo primeiro contacto com as novas tecnologias e incitavam as crianças presentes a mostrar o que já sabiam. “Eles já sabem tudo, eu é que nunca mexi! Vamos ver o que consigo aprender”, atirava Manuel António. A iniciativa para o uso das novas tecnologias da informação e comunicação juntou idosos e crianças, avós e netos, em três dias de formação. Os mais novos queriam aprender mais e ensinar os avós e os mais velhos as “coisas” do mundo digital. “Vim com o meu avô mas eu já sei fazer algumas coisas”, contava Tiago, do alto dos seus oito anos. Dos “avós” presentes, alguns também reclamavam saber já “mexer nestas coisas”, mas diziam querer “aprender mais”. “Vim com o meu neto mas também sei algumas coisas. Quero aprender mais porque até morrer estamos sempre a aprender”, dizia Telmo Palas, um dos formandos mais novos, com 53 anos. Orlando Lobo, com 62 anos, também já trabalhava com a Internet há alguns anos mas queria “actualizar-se” e passar algum tempo com o neto. A promoção do conhecimento e o reforço dos laços familiares foram, precisamente, os objectivos definidos pelo projecto, denominado TINA – Tecnologias da Informação para Netos e Avós. Raquel Patrício, docente do IPB e uma das responsáveis pelo projecto, explicou que se pretendeu assim “estabelecer uma maior relação entre avós e netos e fazer com que a Internet e as novas tecnologias possam ser uma ferramenta de comunicação entre ambos”. A ideia de lançar esta formação já tinha surgido há alguns anos, aquando da criação do portal Catraios, um sitio da Internet direccionado para miúdos e graúdos, nomeadamente a crianças do jardim de infância e primeiro ciclo, aos pais e professores. A concretização surgiu agora, em 2010, abrangendo duas Bragança e Mogadouro. Os dois formadores, Raquel Patrício e Vítor Gonçalves, contaram com sete crianças e sete avós em cada uma das localidades. A matéria ensinada versou, essencialmente, o básico para ligar e desligar o computador, criar pastas, criar e editar documentos, navegar na Internet, fazer pesquisas em motores de buscas, criar e trabalhar com contas de correio electrónico, entre outros programas essenciais.
O balanço da primeira formação, que termina hoje, é francamente positivo, pese embora Raquel Patrício tivesse notado algumas “dificuldades iniciais”, nomeadamente junto dos mais velhos. “Alguns idosos mostraram algumas dificuldades iniciais em mexer no rato e no teclado, mas isso é ultrapassado com as restantes sessões”. No seu entender, tanto netos como avós estiveram de parabéns: “todos se mostraram bastante receptivos e interessados em aprender e os netos em ajudar os avós, pois são eles que mostram mais dificuldades com as tecnologias”. A segunda edição do projecto TINA regressa a 27, 28 e 29 de Abril, novamente em Bragança e Mogadouro. As inscrições já estão abertas e são gratuitas. Posteriormente serão ainda realizadas outras acções sobre ferramentas sociais, fóruns de discussão, entre outros, para uma maior dinamização deste projecto junto dos avós e netos.
últ. comentários
obrigado Cris:)
Bem vinda :))
Helder Fráguas sofreu a perda da sua companheira, ...
Para mim e para muita gente a volta às adegas para...
Estou habituado na leitura de blogs on line, adoro...
me llamo fedra soy de santa fe argentina tengo 9 ...
Carissimos,Eu não sei quem inseriu o comentário em...
todos os comentários estão disponíveis e vísiveis.
Como faço para ler os outros comentários ? Ou esse...
deixo aqui o meu comentário; por acaso pude apreci...
pesquisar neste blog
 
Janeiro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
blogs SAPO