Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
14 de Dezembro de 2009

As bruxas, os olharapos, almas penadas e demónios são alguns dos personagens que dão vida ao novo livro de Alexandre Parafita. “Contos ao vento com demónios dentro” reúne um conjunto de histórias inspiradas na tradição oral transmontana e que foram alvo de uma recolha, por parte do autor, junto de pessoas idosas dos vários concelhos da região.

Contos do maravilhoso popular em que os demónios são sempre combatidos pelos heróis da história, numa equação em que o bem tem sempre primazia sobre o mal. São, por isso, contos que Parafita quis “recontar” para as crianças, como explicou: “achei que se tratava de um conjunto de histórias que valia a pena recontar para as crianças, sob o ponto de vista didáctico, na medida em que utiliza a figura do demónio para com os exemplos negativos, enfatizar os exemplos positivos”.

O autor escolheu o Agrupamento de Escolas Augusto Moreno e Paulo Quintela, em Bragança, para apresentar mais esta sua obra e foi “presenteado” pelas crianças com a dramatização de duas das histórias do livro.

“As crianças revêem-se nos exemplos dos personagens”, constatou, lembrando que, por vezes, são “exemplos maliciosos”, mas “a malícia também faz parte do crescimento”.

Ao longo da tarde, o autor debateu ainda com os professores e educadores de infância, bem como com a comunidade interessada, a importância dos contos tradicionais. Parafita considera que a cultura popular contém a matriz identitária dos povos que os identifica e diferencia dos outros.

“Se as crianças e os jovens não se sentirem enraizados em relação a um povo, a uma identidade, a memórias, ao longo da sua vida vão encontrar-se sempre desorientados”, concluiu.

Alexandre Parafita é natural de Sabrosa e dedica-se, há vários anos, à literatura infantil. Muitas das suas obras integram o Plano Nacional de Leitura, manuais escolares de vários níveis de ensino e são bibliografia obrigatória em cursos de licenciatura e mestrado.

O escritor é também investigador do Centro de Tradições Populares Portuguesas da Universidade de Lisboa, nas áreas de mitologia e da literatura oral. Os estudos e pesquisas que tem vindo a realizar já permitiram resgatar mais de um milhar de textos inéditos e em risco de se perderem na memória oral.

 

26 de Novembro de 2009

O presidente da Mota-Engil, Antonio Mota, empresa de construção que ganhou há um ano a concessão do Douro Interior, avisou ontem na Sic Noticias que as obras em curso poderão parar dentro de um mês. E um pedido de indmenização ao Estado também está a ser ponderado.

 

"O que é preocupante, não só para os construtores mas para o país, é que este visto venha um ano depois do contrato ter sido adjudicado. Nós já investimos naquela concessão 100 milhões de euros. Face a esta recusa, quando este montante acabar, acabam-se as obras", afirmou o presidente da empresa, no programa Negocios da Semana, da Sic Noticias. Instado a clarificar quanto tempo mais poderá durar esse investimento, António Mota respondeu: "Dá para um mês. não dá para mais do que isso". Actualmente estão no terreno 950 postos de trabalho. E no próximo ano seriam necessários mais 1500 trabalhadores.

 

E, no caso do chumbo se mantiver, o pedido de indemnização ao Estado é inevitável.

O presidente da Mota-Engil resguardou-se, alegando não ser jurista, mas não se resistiu em considerar que no caso dos contratos de subconcessão, como aquele que assinou a Mota Engil no caso da Douro Interior, o Tribunal de Contas não tem de fazer fiscalização prévia.

 

"Estes modelo de PPP [parceria pública-privada] tem a ver com o modelo de financiamento do sector rodoviário, e com a gestão que foi entregue à Estradas de Portugal. Na altura foi tudo aprovado, em Assembleia da República, e definido que os contratos seriam feitos assim. Vir um ano depois, e dizer que é preciso andar tudo para trás... não faz grande sentido", afirmou.

 

Os pedidos de fiscalização previa dos contratos de subconcessão assinados pela Estradas de Portugal foram remetidos para o Tribunal de Contas algum tempo depois de eles serem assinados. Os chumbos sairam há cerca de um mês e versaram os contratos da Autoestrada Transmontana (adjudicado a um consórcio liderado pela Soares da Costa), Douro Interior (adjudicado a um consórcio liderado pela Mota-Engil) e Baixo Alentejo (adjudicado a um consorcio liderado pela Edifer. Estão em análise mais três subconcessões no TC, duas adjudicadas à Brisa e ainda uma outra à Edifer.

 

A Estradas de Portugal anunciou recurso.

 

Fonte: Público

 

16 de Novembro de 2009

 O livro “O Principezinho”, de Antoine Saint-Exupéry, está agora traduzido também em mirandês. A iniciativa foi de Ana Afonso, filha de pais mirandeses, depois de um desafio por parte do cônsul de França no Porto, Philippe Barbry.

“Philippe Barbry é o embaixador da obra “O Principezinho” por onde passa e, descobrindo a nossa língua mirandesa, lançou-me o convite que eu não pude recusar”, contou a autora.

O trabalho de tradução teve o apoio e a colaboração do professor mirandês Domingos Raposo e teve como base a obra na língua original, as diferentes versões em português e a versão em asturiano.

“Foi um trabalho muito pensado, as ideias e os sentimentos reflectidos na obra não podem ser traduzidos à letra, dão muito que fazer. Depois há vocábulos que não são típicos das terras de Miranda e que surgem na obra e que são muito difíceis de traduzir em mirandês”, explicou.

É que a língua mirandesa, a segunda língua oficial de Portugal, tem uma origem rural e tinha uma vocação mais oral do que escrita. Hoje em dia, no entanto, começam a surgir cada vez mais livros escritos em mirandês e a língua começa a estar cada vez mais presente na Internet, quer em blogs, quer já na wikipédia.

A tradução da obra mundialmente conhecida de Saint-Exupéry, traduzida já para mais de 160 línguas, vem dar ao mirandês uma outra “universalidade”.

“Cada vez mais se lê e escreve em mirandês, toda a gente quer que a língua viva e nós, filhos da terra, temos de defender o que é nosso. É o nosso património”, afirmou Ana Afonso.

“L Princepico” poderá ser também a versão mirandesa para as crianças estudarem já que a obra faz parte do Plano Nacional de Leitura. No entanto, para tal, será necessário encontrar uma editora disponível a publicar o livro em mirandês. Ana Afonso vai contar com o apoio da autarquia mirandesa e do cônsul francês para levar a cabo a publicação.

Philippe Barbry já se disponibilizou para ajudar na “missão” uma vez que tem conhecimentos junto da editora francesa Gallimard, que possui os direitos de publicação.

Da parte da autarquia, Anabela Torrão, vereador da cultura, diz que tudo será feito para que a obra possa ser publicada e divulgada.

“Temos peritos na língua mirandesa que irão analisar a obra e ver se foi respeitada a Convenção Ortográfica e estando tudo dentro dos termos legais será um orgulho para nós apostar nesta obra e divulgá-la”.

12 de Novembro de 2009

 Os cogumelos são agentes “protectores” das árvores, nomeadamente do castanheiro mas não só. Quando no subsolo estes fungos estão associados às raízes das plantas, estas são beneficiadas e ganham uma protecção extra contra doenças.

Anabela Martins, especialista em Biotecnologia Vegetal e Fungos, esteve envolvida  numa pesquisa que fez a aplicação na prática da associação de fungos com plantas acabadas de germinar. “Fizemos germinar castanhas, transportamos para uma quinta em Rossas, para terrenos que estavam infectados com a doença da tinta”, explicou. As conclusões foram surpreendentes: “as plantas que estavam associadas aos fungos tinham mais 25 por cento de sobrevivência do que as que não tinham nenhum fungo associado”.

O estudo foi divulgado durante o II Fórum Internacional da Castanha, um seminário onde estiveram vários especialistas de Portugal e Espanha para debater toda a fileira deste fruto.

A mensagem deixada aos agricultores é para que preservem os cogumelos, não os destruindo nem apanhando todos os que estiverem fruticados.

“É importante que as pessoas percebam que aqueles cogumelos que aparecem são fruto de um conjunto de organismos que vivem no solo e que esses organismos têm nenhuma outra função”, apontou Anabela Martins.

Mesmo os cogumelos não comestíveis são importantes e não devem ser destruídos.

A especialista recomendou também algum cuidado com as lavouras, para que não haja um “excesso” que destrua os fungos ao nível do subsolo.

“Todas as práticas são permitidas mas com conta, peso e medida porque é preciso que haja um equilíbrio ao nível dos soutos e do subsolo”.

A vida existente debaixo do solo é de tal modo fervilhante que, só para se ter uma ideia, há mais de 80 por cento de espécies vegetais com fungos associados às raízes, fungos benéficos que protegem contra as doenças.

Durante o Fórum foram ainda debatidos temas como a gestão dos soutos e a sua produtividade e sustentabilidade, ou a importância dos castanheiros no meio ambiente, nomeadamente ao nível da captura do carbono. As doenças que afectam os castanheiros, a fileira da castanha em Espanha e a situação da região foram também temáticas abordadas pelos especialistas.

Este foi o segundo ano que a autarquia, em parceria com o IPB, promoveu o Fórum Internacional da Castanha, uma iniciativa associada à Norcastanha que visa aproximar o sistema científico e tecnológico da produção e dos produtores.

Só a região de Trás-os-Montes e Alto Douro é responsável por 82 por cento da produção nacional de castanha. Desta produção, cerca de 70 por cento destina-se ao mercado externo, quer em fresco quer transformada, maioritariamente para países da União Europeia, em especial da orla mediterrânica e Reino Unido e ainda para o Brasil e Japão.

Por isso, os especialistas consideram que é útil e necessária toda uma reflexão em volta da castanha e do castanheiro, de forma a perceber a dimensão e a escala bem como a sustentabilidade futura desta fileira.

 

Mau ano de cogumelos 

 

Apesar das chuvas que caíram nos últimos dias e das temperaturas relativamente amenas para a época do ano, a produção de cogumelos continua a ser mais baixa do que aquela que seria normal ocorrer nesta altura do ano.

Os últimos anos também não foram muito produtivos e algumas pequenas empresas de exploração de cogumelos que estavam instaladas junto à fronteira, em Espanha, já se ressentiram e algumas têm mesmo aberto falência.

Anabela Martins, especialista em Biotecnologia Vegetal e Fungos, confirmou o cenário também numa outra região espanhola, em Soria, muito conhecida pela forte produção de cogumelos. Numa visita a uma empresa de exploração de cogumelos, os responsáveis terão mostrado as câmaras frigoríficas, “vazias por falta de cogumelos”.

No Nordeste Transmontano a apanha do cogumelo continua a movimentar milhares de euros e dezenas de pessoas que, todos os anos, aproveitam esta altura para fazer um “dinheiro extra”. Grupos de “apanhadores” percorrem quilómetros de floresta à procura dos chamados “míscaros”, “pinheiras”, ou as “sanchas”, entre outros. Estima-se que da região saiam cerca de 30 toneladas de cogumelos que são exportados para países como a França ou Itália mas este é um sector que ainda carece de maior organização. 

 

Carla A. Gonçalves

11 de Novembro de 2009

 A autarquia de Bragança quer promover, em parceria com a Confraria Ibérica da Castanha e com o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), a criação de um Observatório da Castanha. O objectivo é conhecer todo o mercado associado a esta fileira: desde a produção à comercialização passando pela transformação, pela gastronomia e até pelo turismo.

A ideia não é nova, mas o “primeiro passo” foi apenas dado na terceira edição da Norcastanha, um evento que termina nesta quarta-feira, , com a realização do típico magusto de S. Martinho.

À imprensa Jorge Nunes, presidente da câmara, avançou com o ano de 2010 como data possível para a constituição formal do Observatório, uma estrutura que deverá “congregar” os vários actores à volta deste produto.

“É preciso que haja informação precisa sobre o número de hectares plantados, a evolução das plantações, as doenças existentes, as soluções para superar fragilidades, os mercados de consumo que existem, a transformação que a castanha sofre ao sair da região... É necessário observar tudo isso e transmitir essa informação”, explicou o autarca.

Criada recentemente, a Confraria Ibérica da Castanha tem tido o papel de “mediadora” entre os produtores, especialistas e comerciantes desta fileira.

Actualmente estima-se que só o concelho de Bragança produza uma média de 25 mil toneladas de castanha, um valor bastante elevado que coloca este fruto como o “mais rentável” da economia transmontana. No entanto, os agricultores continuam a deparar-se com problemas para colocar a castanha no mercado ou para conseguir preços mais “justos” para a venda do produto. A isto acrescenta-se o facto da região não conseguir transformar castanha, deixando o produto ir para mercados estrangeiros, como França, onde é transformada e vendida a preços muito elevados.

Esta é uma tendência que a Confraria Ibérica da Castanha quer alterar, promovendo um maior uso do fruto na gastronomia local.

 

Castanha na gastronomia

 

A utilização da castanha na gastronomia regional, ao longo de todo o ano, poderia ser, no entender da Confraria, uma boa forma de rentabilizar o produto e valorizar a região. Actualmente há já quem introduza o fruto na doçaria com bastante sucesso, como é o caso dos “ouriços de castanha” vendidos ao longo de todo o ano, ou no “bolo-rei de castanha” feito agora na altura do Natal.

No entanto, Gilberto Baptista, grão-mestre da Confraria, defende que é possível fazer outras associações, nomeadamente a pratos de caça ou de carne em que a castanha funciona como um bom aliado.

Ao longo de cinco dias, e associados à Norcastanha, onze restaurantes da cidade promoveram estas ementas à base de castanha e alguns começam a ter disponível este tipo de pratos ao longo de todo o ano. É o caso, por exemplo, do restaurante Académico que já no Festival Nacional de Gastronomia apresentou um menu tradicional da região, no qual se destacava o bacalhau com castanhas, entre outros pratos regionais. Também por esta altura, na cantina do IPB é possível encontrar o pudim de castanhas, um doce que só recentemente reentrou no cardápio transmontano.

A nível nacional começam também agora a aparecer restaurantes interessados em incluir a castanha na “nouvelle cuisine”. Segundo Gilberto Baptista, há já vários restaurantes de Lisboa e do Porto interessados em explorar esta fileira através da gastronomia.

A Confraria vai por isso continuar a apostar na realização de eventos associados à cultura da castanha e do castanheiro, ao longo de todo o ano.

“Interessa-nos valorizar o consumo fora da época e integrar a castanha na gastronomia como um produto nobre”, salientou.

Este ano a Norcastanha promoveu também a realização de um Fórum Internacional para debater os problemas do sector, nomeadamente no que diz respeito às doenças que afectam os castanheiros.

Ainda em 2010 a Confraria deverá editar a primeira revista dedicada somente à castanha, uma espécie de “manual de boas práticas” que será entregue aos produtores e que compilará informação científica sobre a matéria.

 

26 de Agosto de 2009

A autarquia de Vimioso desafia o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) a deslocar-se ao concelho para verificar “in loco” a situação em que se encontra o rio Maçãs e o rio Angueira, as duas únicas fontes de reserva de água da localidade.

Actualmente, segundo o autarca, José Rodrigues, os dois rios encontram-se praticamente secos, o que está a conduzir a deixar sem água quase metade do concelho de Vimioso. As localidades mais afectadas, para já, são Argozelo, Carção, Santulhão, Avinhó, Matela e Junqueira. No entanto, se continuar sem chover, a situação poderá estender-se às restantes freguesias.

A câmara está, por isso, a ponderar estabelecer uma parceria com o concelho vizinho de Miranda do Douro no sentido de ir retirar água ao rio Douro. A “solução” não agrada ao executivo mas é a “possível”  face aos condicionalismos impostos pelo ICNB às alternativas já apresentadas para a resolução do problema.

A falta de água no verão é um problema que afecta Vimioso há já vários anos e que, segundo José Rodrigues, poderia ser resolvido com a construção de uma mini-hidríca no rio Angueira e com o alteamento de dois açudes no rio Angueira e no Maçãs. Os projectos já foram apresentados ao ICNB mas têm sempre sido chumbados devido aos condicionalismos inerentes a locais classificados como Rede Natura 2000. Segundo o autarca, o ICNB só aprovaria os projectos com determinadas condições que não servem os interesses das populações porque não resolveriam o problema da seca.

“O ICNB apontou limitações ao nosso projecto e, dessa forma, a situação fica na mesma. O melhor seria que viessem ao terreno ver como estão os rios Angueira e o Maçãs para terem noção da realidade”, apontou o autarca.

José Rodrigues assume mesmo estar “revoltado” com a posição do ICNB já que, para além dos prejuízos para as populações afectadas, há riscos para a fauna local, nomeadamente para a fauna piscícola.

Desde a semana passada que a vila de Argozelo e algumas aldeias estão a ser abastecidas com recurso a auto-tanques dos Bombeiros naquilo que o autarca classifica como “um verdadeiro crime ambiental”.

Recorde-se que também no concelho de Bragança há várias freguesias a ser abastecida por auto-tanques dos Bombeiros, uma situação que se repete ano após ano, por altura do Verão, um pouco por todo o Nordeste Transmontano.

10 de Agosto de 2009

Luzia Martins tinha apenas 15 anos quando aprendeu a dar uso ao linho, à semelhança de muitas outras jovens de então que, desde cedo, eram introduzidas nessas lides. Foi ela quem ensinou Olga Mariz, quando esta tinha 20 anos. Ensinou-a a semear e a fazer todo o ciclo, até à tecelagem. Hoje em dia, na aldeia de Baçal, Olga será das únicas pessoas que possui em casa um verdadeiro museu vivo do ciclo do linho a que ainda dá uso nos tempos livres. A vontade de preservar uma tradição, que era tão forte no Nordeste Transmontano, levou Olga a recriar o ciclo do linho uma vez mais, mas desta vez com os habitantes e idosos daquela localidade. Ao longo de uma tarde, puxando da memória antigas canções, os participantes foram completando cada uma das fases do linho e lembrando os duros trabalhos de outrora. Começando pelo início, Luzia Martins acompanha-nos até à horta para mostrar a sementeira de linho e explicar quando é que a planta se encontra pronta a colher. Por norma, as sementeiras são feitas em Março ou Abril, porque se o tempo estiver muito chuvoso a planta cai e apodrece. “Este foi plantado há pouco tempo, mas como esteve sol cresceu bem”, apontou Olga Mariz. Quando começa a ficar pronto para a colheita, a planta ganha uma cor azulada comparada ao “azul do céu” que “quem vê as toalhas brancas nem sequer imagina”. Com as mãos envelhecidas mas ainda ágeis, Luzia vai arrancando pequenos molhos, “maçadeiros”, que são cruzados e colocados uns em cima dos outros. “Fica assim metade de um dia, nas hortas, em cima de mantas ou lonas. Depois à tarde tem de se esfregar e deixar cair aquela flor porque se o linho for ao rio com a flor, depois fica preto”, explicam. A fase seguinte consiste em apertar os molhos para levar ao rio. Primeiro levam-se apenas dois, para “tirar a prova”. “Levam-se apenas dois molhos. Colocam-se na água e deixam-se lá ficar. Ao fim de três dias tiramos um dos molhos e deixamos lá ficar o outro. Depois de seco ao sol, é maçado e se estiver bom, colocamos os outros durante três dias”. Mas como saber se o linho está ou não pronto? “Se tiver água a mais, quando for espadelado, cai todo ao chão e fica com pouco fio”, explicam os mais velhos. “As coisas não se podem fazer à toa”, vai dizendo Olga Mariz. “É que se o linho ficar tempo demais na água, ao ser maçado e espadelado cai ao chão e não dá rendimento”. Tirada a prova, os maços com a planta do linho são então colocados no rio porque, de outra maneira, “não se faz vida dele”. Já sabendo o número de dias que este deve estar na água, as mulheres vão depois recolher os molhos que são colocados em maços bem abertos de modo a permitir a entrada do sol. Quando está seco, segue para ser “maçado”, ou seja, literalmente batido em cima um seixo branco com uma moca de madeira. Normalmente, este era um trabalho que cabia aos homens e também tinha os seus truques: “costuma-se usar uma moca de madeira de sardão, que é mais rija”. Depois de “maçado”, é esfregado e depois espadelado. Daqui segue para um instrumento de madeira com dentes em ferro que se assemelham a uma escova, para ser assedado. É nesta fase que se separa o linho da estopa. “O que cai ao chão é estopa, o que fica no sedeiro é linho. A estopa é semelhante à lã”, aponta Olga Mariz. As mãos hábeis das antigas tecedeiras pegam então na roca e no fuso e começam a fiar. Depois de fiado é colocado num curioso instrumento a que se dá o nome de “sarilho” que transforma os maços de linho em meadas. Estas são depois colocadas a num lato com água a ferver a que se junta sabão em barra e cinza, “cinza de videira, de preferência”. “Se for a cinza de uma madeira qualquer o linho fica escuro e depois não há quem o consiga aclarar”, vão apontando os mais velhos. Segue-se então a “dobadoura” e a “urdidura”. Na dobadoura as meadas são transformadas em novelos. Depois, com o fio do linho já pronto, faz-se a urdidura da tela que consiste em colocar os fios paralelamente uns aos outros, de modo a formar uma teia. Nesta fase está então o linho pronto a ser tecido e a transformar-se nas mais variadas peças de roupa ou artesanato. “O linho, para mim, é mais caro que o ouro e é preciso gostar porque para chegar ao tear leva muitas voltas”, assume Olga Mariz. A opinião é partilhada por todos aqueles que, durante anos a fios, mantiveram a tradição e repetiram, ano após ano, os mesmos gestos. “Não é difícil, mas é das coisas que dá mais trabalho”, vão dizendo. “É que para chegar a estar tecido no tear leva muita volta”. No entanto, antigamente, estes eram trabalhos que faziam parte do dia-a-dia. Era do linho que se faziam os panos para a cozinha, as toalhas da mesa, os lençóis da cama, as colchas... “Até as combinações de mulher e as camisas dos homens eram feitas de linho. Da mesma forma que os casacos e as calças eram de pardo. Fazia no serão da noite”, recordou Luzia. Também à estopa era dado um fim: servia para fazer lençóis mais grossos ou mantas. Já as rendas de linho não eram assim tão usuais, segundo se lembra Luzia Martins. “O linho para chegar a renda tem de ser muito bom. Tem de ser muito fininho e bem fiado e, para isso, tem de ser muito bom, porque há linho bom e linho mau. Até pode ficar como seda, mas isso dá muito trabalho”. Lembranças de outros tempos que Olga Mariz quis avivar. Como noutros tempos, também no pátio de sua casa, rodou a cabaça com vinho e cantaram-se antigas “modas”. Mas a realidade é que já poucos serão os que, como Olga, ainda se dão ao trabalho de fazer todo o ciclo do linho e dar uso ao tear. Lamentando, Olga vai dizendo que até podia ensinar os mais novos, “mas dá muito trabalho e não há interesse”.
04 de Julho de 2009

 O Governo dá luz verde ao abate de sobreiros na barragem do Baixo Sabor. É um dos últimos despachos do ministro Manuel Pinho, que decreta a barragem uma obra de "imprescindível utilidade pública".

 

O diploma, publicado hoje em Diário da República alega que, em nome da política energética nacional e da criação de postos de trabalho, a dona da obra, a EDP, pode avançar e abater todos os sobreiros e azinheiras, jovens e adultos, numa área superior a 200 hectares.

Ouvido pela Renascença, Eugénio Sequeira, da Liga para a Protecção da Natureza, mostra-se indignado e diz que esta é apenas uma forma de contornar a lei que protege estas espécies. Mas há outras mais importantes que vão ser destruídas, “para quase nada”.

Eugénio Sequeira lamenta abate de sobreiros no Baixo Sabor

O abate de sobreiros e azinheiras não estava previsto no estudo de impacto ambiental da barragem, daí este despacho do Governo. Em contrapartida, a EDP deve plantar cerca de 300 hectares de novas azinheiras e sobreiros noutras zonas.

 

16 de Junho de 2009

O britânico Black venceu a 2ª edição do Dirt Fest, na categoria Pró, uma prova de Dirt Jumping, organizada pela Casa da Cultura e Recreio do Cachão.
O evento contou com 28 pilotos, nacionais e estrangeiros.
Mais uma vez a prova foi um sucesso e os transmontanos mostraram-se apreciadores deste desporto radical.
Na prova esteve presente o campeão nacional na categoria Pró, Sandro Silva arrecadou o sétimo lugar. Ao Cachão vieram praticantes de vários pontos do país.

Pedro Santos tem 14 anos veio de Leiria, pratica Dirt Jumping há cerca de um ano.
No entanto gosta mais de Street Jumping, outra variante do BTT, que o obriga a algumas horas de treino:

“Na minha terra não tenho muito espaço para treinar, mas treino todos os dias meia hora não em Dirt mais em Street, que é andar pela rua”.

Do Seixal veio o jovem Paulo e arrecadou o primeiro posto na classe de iniciados. Tem 16 anos e desde os 13 que faz inúmeras acrobacias com a bicicleta. Para quem não sabe em que consiste o Dirt Jumping fica a explicação:

“Consiste em saltos em terra, como diz o nome, e nos saltos fazemos várias manobras, acrobacias”.

Para praticar a modalidade é preciso uma bicicleta com determinadas características cujo preço pode variar entre os 300 e os 1000 euros. Não esquecer o uso de capacete, joelheiras, cotoveleiras e colete para protecção da coluna:

“Uma bicicleta para Dirt Jumping tem que ser uma bicicleta com o quadro pequeno e baixo. O banco tem que estar sempre baixo. Se o banco estiver alto quando formos saltar a bicicleta embica e nós caímos porque não dá jeito para fazermos a manobra”.


Em Portugal, o Dirt Jumping ganha cada vez mais adeptos. Mas, ao contrário de países como Espanha, não é possível fazer da modalidade profissão:

“Em Portugal não podemos fazer profissão da modalidade, é preciso ser muito bom. Em Espanha dá mas no nosso país não”.

A participação nas provas nacionais e sobretudo internacionais exige patrocínios. Sandro Silva, actual campeão nacional na categoria Pró, refere que conta com alguns apoios mas para participações fora do país terá que fazer um investimento pessoal:

“A nível de transportes tenho a minha equipa para as provas e para as bicicletas tenho também patrocinador. Para o estrangeiro nunca fui, mas para a semana devo ir e o financiamento é por minha conta”.

Uma boa bicicleta e algum investimento financeiro são importantes para os que fazem do Dirt Jumping mais que um passatempo. Mas há que juntar dedicação, treino e uma grande capacidade acrobática.

Na 2ª Edição do Dirt Fest, que contou participantes portugueses e estrangeiros, o prémio da melhor manobra foi para o espanhol Serna.
A organização, a cargo da Casa do Recreio e Cultura do Cachão sonha agora com o europeu. Mas trazer uma prova desta categoria exige um investimento financeiro de cerca de 50 000 euros. Em tempo de crise torna-se praticamente impossível uma candidatura à competição.

 

Rádio Onda Livre

09 de Junho de 2009

Aproveitando uma ligação histórica com mais de 300 anos que se estende para além do nome, uma delegação da cidade brasileira de Bragança Paulista veio ontem a Trás-os-Montes dar-se a conhecer e recolher ideias para um desenvolvimento comum.

 

Para já, o secretário da Cultura e Turismo da cidade paulista revela um primeiro acordo com o Instituto Politécnico de Bragança para o intercâmbio de experiências e conhecimento.

“Propomos um convénio entre o IPB e a Universidade de São Francisco e nada melhor do que começar pela educação, mas também queremos trocar experiencia na área cultural, comercial e turística” refere o responsável.

 

Mas Alessandro Sabella diz que há outras áreas em que é possível estabelecer parcerias, como é o caso da “área gastronómica e tecnológica” acrescentando que “esta é uma cidade planeada e pensada e nós queremos aprender com os brigantinos”.

 

O presidente da câmara diz que também a Bragança de Trás-os-Montes pode ganhar com esta cooperação. “Podemos aprender em várias áreas como é o caso do ensino superior com intercâmbio de alunos e corpo docente” refere Jorge Nunes acrescentando que também “podemos aprender em áreas relacionadas com a pecuária e tecnologia de ponta, sendo indispensável fortalecer a identidade e a cultura da comunidade lusófona”.

 

Bragança Paulista é uma cidade brasileira de 150 mil habitantes, a 70 quilómetros de São Paulo, que pretende criar laços e negócios com o nordeste transmontano.

Para já, dá o nome a uma rua ontem inaugurada, na Bragança portuguesa.

Trata-se do novo arruamento que vai servir a Escola EB 2/3 Paulo Quintela.

Foi construído para assegurar o acesso a este estabelecimento de ensino e garantir a circulação automóvel enquanto decorrem as obras de duplicação da Avenida General Humberto Delgado.

últ. comentários
obrigado Cris:)
Bem vinda :))
Helder Fráguas sofreu a perda da sua companheira, ...
Para mim e para muita gente a volta às adegas para...
Estou habituado na leitura de blogs on line, adoro...
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