Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
11 de Setembro de 2010

A freguesia do Lombo, no concelho de Macedo de Cavaleiros, inaugura, amanhã, o Lar de Terceira Idade. A infra-estrutura é da Santa Casa da Misericórdia de Macedo de Cavaleiros e custou 2,3 milhões de euros, financiados, em grande parte, pela Fundação Félix Chomé, do Luxemburgo.

Tal financiamento tem como contrapartida a admissão prioritária a familiares directos de emigrantes no Luxemburgo.

Esta nova infra-estrutura vem reforçar os equipamentos sociais de apoio à terceira idade de instituições sem fins lucrativos, num concelho com elevado número de idosos, muitos sem qualquer retaguarda familiar. Vem servir 95 pessoas nas valências de lar de idosos e serviço de apoio domiciliário.

O edifício reúne excelentes condições para o acolhimento dos idosos com qualidade e conforto. Está apetrechado com 31 quartos, sendo 23 duplos, 7 individuais e um de casal, 5 salas de estar, uma sala de actividades lúdicas e recreativas, consultório médico, barbearia/cabeleireiro e duas unidades de banho acompanhado.

O Lar, já em funcionamento, não tem ainda acordos de cooperação com a Segurança Social, situação que se espera resolvida a curto prazo.

A cerimónia de inauguração está marcada para amanhã, pelas 11 horas da manhã. No evento vão marcar presença o provedor da Santa Casa, Alfredo Castanheira Pinto; o embaixador do Luxemburgo em Portugal, Alain de Muyser; o presidente honorário da União das Misericórdias Portuguesa, o Pe. Vítor Melícias; entre outras entidades.

20 de Agosto de 2010

Um “cruzeiro” ferroviário pela Linha do Tua com os turistas a percorrer de comboio toda a região e a parar nos vários locais para visitas ao património histórico, natural, cultural e gastronómico, vindos do Douro Vinhateiro até à Terra Quente transmontana, subindo à Terra Fria e terminando na vizinha Espanha, na Puebla de Sanábria – é este o “sonho” de Daniel Conde. O jovem, ligado ao Movimento Cívico pela Linha do Tua, apresentou este projecto ao concurso realizado pela Associação Acredita Portugal, a par com mais de 700 outras iniciativas, e conseguiu chegar à final, arrecadando o terceiro prémio a nível nacional.

O objectivo é aproveitar a Linha do Tua para dinamizar o turismo naquela zona e em toda a região, prevendo um possível reaproveitamento da linha até Bragança, com ligação à Puebla de Sanábria, na vizinha Espanha, capitalizando tudo o que existe a nível de recursos turísticos para os aglomerar num só “produto” regional. A possibilidade da construção da barragem de Foz Tua, que, a avançar, deixará submersa parte da linha ferroviária, não é entrave ao projecto, como explicou Daniel Conde.

“O intuito é implementar este projecto, desde já, entre o Tua e Mirandela, a pensar numa futura reabertura de toda a Linha do Tua”, apontou, mas, “se houver barragem, o projecto pode continuar a implementar-se, embora perdendo potencialidade”.

No entender do jovem, a possível submersão de parte da linha compromete o projecto turístico mas não o deita por terra. Claramente contra a construção do empreendimento, Daniel Conde considera que, mais importante, é partir já para o terreno, congregar esforços e aproveitar as oportunidades, tirando partido da proximidade com o Alto Douro Vinhateiro, património da Unesco e terceiro destino turístico de Portugal.

“É preciso avançar e sair da letargia, mostrando que há forças na região e capitalizando as oportunidades existentes. As soluções para a região não caem do céu, não se pode esperar mais”, atirou.

Vencer o terceiro prémio de um concurso nacional que visa promover o empreendedorismo é motivo que leva Daniel Conde a acreditar, cada vez mais, no futuro da região a nível turístico. A título de exemplo, o jovem lembra projectos deste género, já implementados na Europa, com bastante sucesso, como acontece na vizinha Espanha com o Transcantábrico.

Numa primeira fase, ainda sem todos os estudos concluídos, o projecto turístico ferroviário prevê um investimento na ordem dos 350 mil euros, com previsões de lucro logo no primeiro ano e tendo o comboio a operar, no máximo, oito meses do ano. Para a implementação no terreno, Daniel Conde vai contar com a ajuda do prémio alcançado que prevê uma compensação monetária na ordem dos cinco mil euros, a par com 13 mil euros em serviços, publicidade online, serviços de gestão de relação com os media e serviços jurídicos. A par disso, o jovem empreendedor partiu já para o terreno para tentar estabelecer parcerias com outras entidades, como a CP para, por exemplo, trazer para Mirandela o comboio turístico do Corgo que, actualmente, se encontra parado na estação da Régua, sem aproveitamento e a ser alvo de actos de vandalismo.

 

Espanha responde positivamente

Recentemente, o Movimento Cívico pela Linha do Tua enviou um conjunto de propostas às câmaras do Vale do Tua, aos municípios de Bragança, Macedo de Cavaleiros e aos vizinhos espanhóis de Puebla de Sanabria e de Pedrabla de la Padreria, para a reabertura da linha.

Até ao momento, os únicos que terão respondido positivamente foram os municípios espanhóis, manifestando interesse numa possível ligação a Portugal pelo Nordeste Transmontano.

Daniel Conde revelou, no entanto, que o município de Macedo de Cavaleiros revelou, também, disponibilidade para reunir e debater algumas das propostas. Entre as iniciativas apresentadas, está uma que prevê a reabertura da linha entre Mirandela e Vale da Porca, com ligação até à Praia do Azibo por uma via com apenas 60 centímetros de largura.

Para concretizar o projecto, o jovem diz que há a possibilidade das autarquias de Macedo de Cavaleiros e de Mirandela se candidatarem a um programa do QREN, vocacionado para a ferrovia e dotado com cem milhões de euros.

“É um programa diferente do usual porque não tem prazo limite para a apresentação de candidaturas e é especificamente para a região Norte. Até agora só o Metro do Porto tem aproveitado, em parte, a dotação oferecida por este programa”, contou.

A ligação à praia do Azibo é vista como “essencial” para o desenvolvimento turístico daquela área, pois possibilitaria a mobilidade das pessoas.

Segundo Daniel Conde, para avançar com esta iniciativa, a câmara de Macedo de Cavaleiros e a de Mirandela teriam que investir cerca de três milhões de euros, um número apurado com base em estudos do especialista Manuel Tão.

“Há obras camarárias que têm valores bem mais elevados”, apontou, sublinhando que este seria “um investimento corajoso” com “mais-valias” para a região.

A futura ligação a Bragança e a Espanha, tantas vezes já reivindicada, custaria algo como 150 milhões de euros, “dois estádios e meio de Aveiro”, mas, até ao momento, apenas os espanhóis terão mostrado interesse nas propostas do Movimento Cívico pela Linha do Tua.

Daniel Conde considera que isto prova a “letargia de muitos autarcas”: “há dinheiro, não há é vontade política, também por culpa de alguns autarcas da região que estão em letargia total”.

 

Foto com Direitos Reservados

05 de Agosto de 2010

Os militares do Posto da GNR de Macedo de Cavaleiros detiveram, na semana passada, um suspeito por posse ilegal de armas de fogo, em Grijó. O homem, de 39 anos, foi presente ao Tribunal da Comarca de Macedo de Cavaleiros depois de uma busca à sua residência, que resultou de uma denúncia de violência doméstica.

Os militares encontram em casa uma espingarda de calibre 14 mm, duas pistolas de calibre 6.35 mm, 101 munições de diversos calibres e três navalhas com comprimentos entre os 18 e os 19,5 centímetros.

O detido foi levado a Tribunal para aplicação da respectiva pena.

 

17 de Julho de 2010

A Albufeira do Azibo é um dos locais turísticos mais procurados no Nordeste Transmontano, pese embora, a nível nacional, ainda sejam poucos aqueles que conhecem este verdadeiro “oásis” nascido pela mão do homem num local que já foi uma espécie de “deserto”.

Construída nos anos 70, a barragem foi pensada para suprir as carências de água do concelho macedense e para servir a agricultura, através da rega por gravidade para todo o vale de Macedo de Cavaleiros, Brinço, Cortiços e Chacim. Mas quando o empreendimento foi concluído, rapidamente as populações locais começaram a acorrer ao local, atraídas pelo enorme espelho de água.

Com a criação das praias fluviais, a construção dos acessos, de um cais de embarcação e de um parque de merendas, a Albufeira tornou-se num sítio verdadeiramente aprazível e convidativo ao descanso.

Ao local já lhe chamaram até um “manual do ambiente por si só”, a que acresce ainda o facto de ter disponíveis, hoje em dia, duas praias com bandeira azul, uma delas galardoada consecutivamente desde 2003, sendo a praia que, até hoje, mais bandeiras azuis teve atribuídas em Portugal e na Europa. Factores que atraem ao local milhares de visitantes, todos os Verões, e que levam a câmara municipal a apostar no desenvolvimento turístico daquele local. Em volta do grande lago foram depositadas toneladas de areia e construídos equipamentos públicos para fruição e lazer. Vários nadadores-salvadores asseguram a segurança das praias, promovendo  as boas práticas e fornecendo conselhos e informações aos veraneantes.

Assinala-se que nas praias do Azibo nunca se registou nenhum incidente grave, motivo que, este ano, levou a que ali arrancasse, oficialmente, a nível nacional, a campanha “Verão de Campeão”, uma iniciativa da do Instituto de Socorro a Náufragos (ISN) e da Fundação Vodafone, que visa a sensibilização e o incremento da cultura de segurança nas praias.

Uma nova praia, do outro lado da margem poderá nascer, no próximo ano, de forma a possibilitar um melhor acesso a partir da cidade de Macedo de Cavaleiros e a garantir a qualidade de excelência do local.

O alojamento continua a ser uma lacuna que a autarquia pretende suprimir. Os visitantes podem ficar nas muitas unidades de turismo de habitação existentes no concelho bem como nas unidades de alojamento da cidade. Na cidade está ainda em construção um novo hotel mas Beraldino Pinto, presidente da câmara, confessa que ainda há “dificuldades em corresponder a toda a procura”.

O alargamento da oferta pode passar pela construção de um parque de campismo, uma infra-estrutura que poderá vir a ser construída por privados, desde que autorizada pelas entidades que gerem a Paisagem Protegida.

Este desenvolvimento terá que seguir os regulamentos que vierem a ser ditados pelo Plano de Ordenamento da Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo, um documento que se encontra actualmente em apreciação e discussão e que a autarquia espera que venha a compatibilizar as diferentes utilizações que têm sido dadas àquele espaço.


 

História de uma paisagem alterada pelo homem

Quando o visionário engenheiro Camilo Mendonça pensou em construir a barragem do Azibo, em Macedo de Cavaleiros, certamente não terá imaginado o potencial turístico e ambiental que estava prestes a nascer.

Localizada numa área marcadamente árida, a albufeira do Azibo veio transformar toda aquela paisagem e ajudar à criação de biodiversidade que, de outra forma, nunca existiria naquele local. Em verdade, se a construção da barragem do Azibo tivesse sido sujeita a estudos de impacto ambiental, como acontece hoje em dia, provavelmente não teria sido aprovada, pelo menos não o seria tal e qual como a conhecemos hoje.

É que, a grande massa de água, (55 milhões de metros cúbicos), alimentada pelo rio Azibo e por pequenos ribeiros, veio alterar toda uma paisagem marcada pela aridez dos verões muito quentes e invernos rigorosos, criando um microclima mais próximo do Mediterrâneo, alterando a paisagem e favorecendo o aparecimento de outros ecossistemas.

Quando o empreendimento foi concluído, em 1982, previa-se que demorasse cerca de um ano a encher completamente, mas o rigor das chuvadas que então se fizeram sentir, provocaram um rápido enchimento da albufeira, em menos três de meses, alagando uma área superior àquela que tinha sido pensada. As operações de limpeza não foram concluídas a tempo, tendo sido inundados vários campos com sobreiros, lameiros, bem como algumas corriças de animais.

Hoje sabe-se também que a barragem veio inundar alguns locais de interesse arqueológico significativo e, de uma maneira geral, perturbar o ambiente natural daquela zona. Contratempos que nunca foram contabilizados devido à ausência do estudo de impacto ambiental mas que, a longo prazo, vieram a ser ultrapassados por todo um conjunto de factores que, hoje, tornam o Azibo um local de excelência, em termos de biodiversidade e turismo, e um local que mantém os objectivos para o qual foi criado – a rega agrícola e o abastecimento público.

 


Azibo – “um laboratório de experiências”

Com a afluência de cada vez mais pessoas à Albufeira, começaram-se a realizar as primeiras abordagens cientificas ao ecossistema do local e decidiu-se avançar com a criação da Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo.

Esse passo foi fundamental para a protecção e conhecimento da biodiversidade do local e fez do Azibo uma espécie de “laboratório de experiências no que diz respeito às áreas protegidas”. É que o Azibo é uma Paisagem Protegida que só existe como tal pela construção da barragem, conforme notou Manuel Cardoso, presidente da comissão directiva da Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo.

“Não fosse o facto de ter sido construída uma albufeira e não conheceríamos a Paisagem Protegida do Azibo tal como ela é hoje. Teríamos uma paisagem na orla daquilo que é a Rede Natura 2000 do monte Morais, mas não seria com esta biodiversidade que temos hoje”.

Numa área de cerca de quatro mil hectares coexistem uma diversidade de aves migratórias que fazem ali escala e que tornam aquele espaço como um ponto privilegiado para a observação de diversas espécies. Há ainda várias espécies de mamíferos, répteis, anfíbios e peixes possíveis de observar durante todo o ano através de actividades direccionadas para o efeito. Mas se alguns mamíferos permitem a aproximação razoável do ser humano, ou são passíveis de observar ou ouvir, outros há que têm comportamentos nocturnos e que requerem maior “investigação” para serem identificados.

Já a flora é marcada pelas formações de sobreiro e manchas de carvalho negral e carvalho-cerquinho, mas não só. Para além de uma grande representatividade de espécies denominadas “Quercus” e de toda uma flora que é mais tradicional ocorrer nesta região, há ainda as orquídeas silvestres, que aparecem durante os meses de Maio e Junho, bem como os narcisos ou as tulipas bravas, a par dos fungos que aqui também têm forte expressão.

Um mundo de biodiversidade que é dado a conhecer ao visitante através de trilhos, devidamente sinalizados e interpretados, que fazem ainda a aliança entre o que é o património natural e o património humano e cultural. É o caso do trilho dos Caretos, que passa pela casa do Careto, em Podence; ou o trilho dos Fornos, que destaca a recuperação dos fornos de Salselas. Depois há ainda o trilho Ricardo Magalhães, mais voltado para a valorização natural; o trilho Quercus, onde estão presentes as espécies “quercus”, como o carvalho negral ou o sobreiro, permitindo observar onde o rio Azibo entra na paisagem protegida. O visitante pode ainda percorrer a ciclovia, entre Macedo de Cavaleiros e a Albufeira, ou circundar grande parte das margens.

 

Ecoresorts à espera do aval do ICNB

A câmara de Macedo de Cavaleiros quer apostar na construção de ecoresorts na Albufeira do Azibo e até já tem dois projectos empresariais orientados nesse sentido, com propostas muito consistentes, mas que têm “esbarrado” na falta de clarificação da abordagem que o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) quer dar à Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo.

O Plano de Ordenamento está em estudo mas, segundo Beraldino Pinto, presidente da autarquia, “não tem corrido bem” porque o ICNB tem outro “entendimento” do que deveria ser a envolvente da albufeira do Azibo.

A autarquia encomendou até um estudo de marketing territorial à Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI), orientado para as questões do turismo, e que apontou a Albufeira como um dos produtos âncora a ser trabalhado para desenvolver esta actividade no concelho. João Medina, um dos responsáveis do estudo, diz mesmo que “o Azibo é o produto turístico mais conhecido de Macedo de Cavaleiros”, motivo pelo qual ali devem ser realizados  investimentos, em consonância com o estatuto ambiental daquela área, mas potenciando o turismo.

Esse é o entendimento que tem também Beraldino Pinto que acredita que projectos como os ecoresorts têm de integrar uma componente ambiental e ser uma mais-valia para o ambiente.

“As pessoas que vêm para este tipo de equipamentos, vêm pela qualidade do ambiente e da paisagem”, considerou. “Queremos permitir que haja um usufruto por parte de quem está disposto a pagar e que tal sirva para aumentar o rendimento das famílias, através do rendimento das empresas”.

O edil não aceita que não haja possibilidade de concretizar esse tipo de investimentos e considera que vai ter de se encontrar um ponto de entendimento com o ICNB.

“Não tem sido possível, mas esperamos que a breve prazo se consigam ultrapassar esses problemas”, apontou, acrescentando que o desenvolvimento sustentável não tem de passar pelo abandono do território, mas antes pela sua ocupação correcta. “Nós já demos provas do que é preservar e hoje a Paisagem Protegida do Azibo é um território que recuperou em termos de biodiversidade”, justificou.

No plano de marketing territorial definido pela SPI são definidas várias linhas de acção que têm como objectivo aumentar a visibilidade turística do concelho. Nesse projecto, a Albufeira do Azibo é apontada como um dos três produtos âncora a trabalhar, a par com as Aldeias de Cavaleiros e o Parque Geológico de Morais.

 


Plano de Ordenamento em estudo

O Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) encomendou um estudo a uma equipa técnica que já apresentou quatro cenários distintos mas sobre os quais a câmara municipal aponta várias divergências. Em cima da mesa está a possibilidade da renaturalização total do espaço; a manutenção da situação actual (status quo); o desenvolvimento agrícola e florestal; ou o desenvolvimento do turismo.

A autarquia defende que o novo Plano de Ordenamento, que tem como horizonte 2030, venha a ser, simultaneamente, um plano de desenvolvimento, mas, segundo o presidente da autarquia, tem havido alguns “entraves a esta perspectiva”.

O autarca considera que o espaço é essencial para o desenvolvimento do turismo na região mas defende, ao mesmo tempo, a compatibilização dos usos, como tem acontecido. Uma opinião que é também partilhada por Manuel Cardoso, presidente da Comissão Directiva da Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo. O responsável pensa que é possível compatibilizar as diferentes vertentes até porque o local só se tornou naquilo que é hoje, uma paisagem protegida, pela acção directa do homem (construção da barragem). “Não podemos pensar que vamos ter aqui um santuário ambiental a preservar, retirando daqui as actividades humanas”, apontou, dizendo que tal é “impensável”. Por outro lado, Manuel Cardoso defende também que qualquer actividade, investimento ou utilização do espaço, só faz sentido enquanto este mantiver o estatuto de Paisagem Protegida. “Caso contrário perde-se a excelência sítio. O Plano tem de nascer do conjunto de diferentes visões”, considerou.

O Plano de Ordenamento está numa fase adiantada de elaboração mas a discussão técnica já se arrasta há alguns anos. Quando o ICNB entregar os documentos e depois de seguidos os trâmites normais, o Plano deve ser alvo de uma discussão pública na qual todos poderão intervir.

 

Carla A. Gonçalves

08 de Julho de 2010

A câmara de Macedo de Cavaleiros quer apostar na construção de ecoresorts na Albufeira do Azibo e até já tem dois projectos empresariais orientados nesse sentido, com propostas muito consistentes, mas que têm “esbarrado” na falta de clarificação da abordagem que o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) quer dar à Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo.

O Plano de Ordenamento está em estudo mas, segundo Beraldino Pinto, presidente da autarquia, “não tem corrido bem” porque o ICNB tem outro “entendimento” do que deveria ser a envolvente da albufeira do Azibo.

A autarquia encomendou até um estudo de marketing territorial à Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI), orientado para as questões do turismo, e que apontou a Albufeira como um dos produtos âncora a ser trabalhado para desenvolver esta actividade no concelho. João Medina, um dos responsáveis do estudo, diz mesmo que “o Azibo é o produto turístico mais conhecido de Macedo de Cavaleiros”, motivo pelo qual ali devem ser realizados  investimentos, em consonância com o estatuto ambiental daquela área, mas potenciando o turismo.

Esse é o entendimento que tem também Beraldino Pinto que acredita que projectos como os ecoresorts têm de integrar uma componente ambiental e ser uma mais-valia para o ambiente.

“As pessoas que vêm para este tipo de equipamentos, vêm pela qualidade do ambiente e da paisagem”, considerou. “Queremos permitir que haja um usufruto por parte de quem está disposto a pagar e que tal sirva para aumentar o rendimento das famílias, através do rendimento das empresas”.

O edil não aceita que não haja possibilidade de concretizar esse tipo de investimentos e considera que vai ter de se encontrar um ponto de entendimento com o ICNB.

“Não tem sido possível, mas esperamos que a breve prazo se consigam ultrapassar esses problemas”, apontou, acrescentando que o desenvolvimento sustentável não tem de passar pelo abandono do território, mas antes pela sua ocupação correcta. “Nós já demos provas do que é preservar e hoje a Paisagem Protegida do Azibo é um território que recuperou em termos de biodiversidade”, justificou.

No plano de marketing territorial definido pela SPI são definidas várias linhas de acção que têm como objectivo aumentar a visibilidade turística do concelho. Nesse projecto, a Albufeira do Azibo é apontada como um dos três produtos âncora a trabalhar, a par com as Aldeias de Cavaleiros e o Parque Geológico de Morais.

João Medina considera que para aumentar a visibilidade do concelho no exterior é necessário desenhar um plano de acção com várias estratégias complementares que permitam ocupar o turista que visite este território. No que diz respeito à Albufeira do Azibo, o responsável aponta como objectivo a diminuição da sazonalidade e aumentar a procura no Inverno alargando as actividades, como a observação de aves ou de flora, criando produtos de merchandising e toda uma estratégia que torne aquele local “interessante todo o ano”.

As aldeias rurais do concelho são outro dos produtos a desenvolver turisticamente. João Medina acredita que este universo pode ser atractivo para quem vive em meios urbanos mas, para tal, há que aproveitar e dinamizar este património.

“Temos que valorizar o património simples que existe nos meios rurais e experiencias como ser pastor por um dia ou a apanha de azeitona, que são actividades tradicionais consideradas relaxantes e que quebram a rotina de quem visite este concelho”, apontou.

Já a zona de Morais, onde se dá um fenómeno geológico sem igual e que levam os especialistas a apelidar aquela zona de “umbigo do mundo”, é outro dos produtos com o qual se pretende desenvolver um conjunto de iniciativas mais vocacionadas para o turismo geológico e que podem passar pela criação de um Centro de Ciência Viva perto do local.

 

Envolver os privados para dinamizar o turismo

Com a elaboração do plano de marketing territorial, a autarquia pretende envolver os empresários privados e sociedade no desenvolvimento do turismo sustentável, através da valorização da cultura, natureza e toda a identidade transmontana.

Com a definição dos produtos âncora, há agora que criar marcas, circuitos de comercialização, canais de informação e todo um conjunto de actividades inovadoras de marketing. Esta estratégia de desenvolvimento, para já, foi desenvolvida unicamente para o concelho de Macedo de Cavaleiros mas pode vir a alargar-se a outros concelhos do distrito de Bragança e a envolver vários parceiros privados e públicos da região.

21 de Junho de 2010

A Associação de Desportos de Combate de Macedo de Cavaleiros participou, neste domingo, em mais um torneio, desta vez a convite da escola Paulo D'Ávila Kickboxing Team, na modalidade Light Kick. O evento decorreu em Borba de Godim, na Lixa, e contou com a participação de três atletas, Clícia Queiroz (+65 kg); Franclim Fernandes (-74 kg) e Nuno Jesus (-79 kg), que, mais uma vez, se apresentaram em grande nível, apesar de terem combatido numa modalidade que não é da preferência (Light-Kick). Depois de uma época desportiva coroada por muitas vitórias, a campeã nacional de Light-Contact, Clícia Queiroz, foi vencer o combate contra uma outra atleta do Estrela Vigorosa Sport, na modalidade de Light-Kick não dando qualquer hipótese à sua adversária. Também Franclim Fernandes, que este ano arrecadou o título de campeão nacional de Light-Kick, venceu por unanimidade contra um atleta da escola Estrela Susanenses. A estreia de Nuno Jesus ficou marcada por um combate com muita entrega em que ficou patente a vontade e determinação do atleta, embora tenha saído derrotado do combate por um atleta muito mais experiente. A participação na gala organizada pela escola Paulo D’Ávila Kickboxing Team visou apenas a integração de novos atletas na equipa da ADCMC para a próxima época desportiva, bem como rodagem de alguns dos atletas mais experientes. Recorde-se ainda que, nesta época desportiva, a ADCMC participou com seis atletas nos campeonatos regionais, tendo conseguido consagradas quatro deles como campeões regionais e dois como vice-campeões. Nos campeonatos nacionais, participaram os mesmos seis atletas, tendo três deles alcançado o título de Campeões nacionais, um terceiro classificado e dois quintos lugares.

18 de Junho de 2010

A Associação de Desportos de Combate de Macedo de Cavaleiros vai participar, neste domingo, em mais um torneio, desta vez a convite da escola Paulo D'Ávila Kickboxing Team, na modalidade Light Kick.

O evento vai decorrer em Borba de Godim, na Lixa, e contará com a participação de quatro atletas. A ADCMC tinha inscrito oito dos seus atletas mas apenas quatro deles terão adversário: Clicia Queiroz (+65 kg); Leandro Ferreira (-63 kg); Franclim Fernandes (-74 kg) e Nuno Jesus (-79 kg).

Esta participação visa apenas a integração de novos atletas na equipa da ADCMC para a próxima época desportiva, bem como rodar alguns dos atletas mais experientes.

Esta será a primeira vez de Leandro Ferreira e Nuno Jesus na modalidade de Light Kick, modalidade onde a ADCMC conta com o título de campeão nacional, obtido por Franclim Fernandes nesta época desportiva.

Recorde-se ainda que, nesta época desportiva, a ADCMC consagrou Clicia Queiroz como campeã nacional de Light Contact, a par com Carolina Cadavez, na categoria de junior. Hélder Ferreira conseguiu ainda o terceiro lugar a nível nacional em Light Contact, tendo sido esta uma época excelente em termos de resultados e participações.

 

31 de Maio de 2010

Clícia Queiroz e Carolina Cadavez (júnior), da Associação de Desportos de Combate de Macedo de Cavaleiros (ADCMC), conquistaram o título de campeãs nacionais de Kickbox, em Light-Contact, na segunda fase do Campeonato Nacional, realizado neste Sábado, em Guimarães.

A ADCMC contou com a participação de cinco atletas num campeonato que reuniu centenas de participantes de todo o país. Mais uma vez, os atletas nordestinos realizaram excelentes exibições tendo vencido quatro dos sete combates disputados.

Clícia Queiroz, (+65 kg), manteve-se, mais uma vez, invicta na modalidade de Light-Contact,  tendo vencido mais dois combates e alcançando o título de Campeã Nacional em mais duas grandes exibições em que não deu qualquer hipótese às suas adversárias.

Também Carolina Cadavez, (-60 kg), fez uma boa exibição. Com apenas sete meses de treino e a participar pela primeira vez num Campeonato Nacional, a atleta alcançou  o título de Campeã Nacional na categoria de júnior, a que se soma o título de campeã do Campeonato Regional.

Um bom desempenho teve também Hélder Ferreira, (-74 kg), que se classificou em terceiro lugar numa categoria onde se encontravam grandes nomes do Kickboxing Nacional. Ainda assim, o atleta surpreendeu pela sua versatilidade e capacidade de se bater com qualquer adversário tendo vencido os quartos de final num grande combate em que mostrou superioridade.

Hélder Ferreira foi depois eliminado nas meias finais num combate equilibrado que deixou dúvidas e que poderia ter pendido a seu favor. Apesar de ter sido o seu primeiro Campeonato Nacional e de ser o atleta mais baixo da sua categoria, Hélder Ferreira mostrou ser um “gigante” no que diz respeito à sua entrega e qualidade técnica e táctica.

A participar pela primeira vez num Campeonato Nacional esteve também Daniel Martins, (-84 kg), que realizou o seu melhor combate até ao momento. O atleta mostrou à vontade e disputou bem o combate tendo dificultado o trabalho dos árbitros na hora da decisão final. Apesar de ter sido derrotado, Daniel Martins fez uma boa exibição e alcançou o 5º lugar.

Dúvidas nos árbitros deixou também a atleta Tânia Afonso, (-55kg), que venceu o combate nos quartos de final mas, devido a protesto do treinador da sua adversária, acabou por ver a vitória pender para a sua adversária. Para quem assistiu ficou claro que continuam a existir “dois pesos e duas medidas” como explicou o mestre Luís Durão.

“O combate foi muito disputado e a adversária fez muitas faltas, empurrando durante todos os assaltos. Ainda assim, os árbitros validaram o protesto”, explicou Luís Durão, apontando que, em outras ocasiões, com situações semelhantes, os protestos da ADCMC nunca foram aceites.

Ainda assim, Tânia Afonso fez uma boa exibição e classificou-se na 5ª posição.

Com estes resultados a ADCMC conseguiu uma “época perfeita” coroada com o título máximo do Kickboxing Nacional. Nesta época desportiva, (2009/2010), pela primeira vez, a ADCMC apurou todos os atletas inscritos. Nos Campeonatos Regionais participaram seis atletas e foram obtidos quatro títulos de campeões regionais e dois vice-campeões.

Nos Nacionais, os mesmos seis atletas conseguiram três títulos de campeões nacionais, um terceiro classificado e dois quintos lugares, prova do bom trabalho técnico realizado pelo mestre Luís Durão.

 

publicado por Lacra às 10:11
26 de Maio de 2010

A 27ª edição da Feira de S. Pedro, em Macedo de Cavaleiros, apresenta, à semelhança de outros anos, um cartaz de “excelência”, com alguns dos melhores artistas nacionais e internacionais a protagonizar espectáculos cuja entrada se mantém a um euro por dia.

O grande nome do fado nacional, Mariza, abre a primeira noite do certame, a 26 de Junho, seguindo-se, no dia 27, Fernando Pereira; a 28 de Junho, Herman José; e a 29 de Junho, o já tradicional Quim Barreiros. No dia 30 de Junho a noite será dedicada aos artistas da região; o dj um dos melhores da actualidade, Yves Larock, actua no dia 1 de Julho; a 2 de Julho é a vez do reggae dos Moonraisers e, por fim, no dia 3 de Julho, será prestado um tributo a Mickael Jackson.

A organização, a cargo da Associação Comercial e Industrial de Macedo de Cavaleiros, pretende assim atrair ao recinto da feira os mais variados tipos de público, conforme apontou o presidente, António Cunha.

“O cartaz foi definido tendo em conta os vários tipos de público. Assim, cada dia é dedicado a um próprio artista, na tentativa de atrair também os mais jovens”.

Numa altura em que a crise está, definitivamente, instalada, a Associação considera que só com um cartaz de excelência e com preços de entrada meramente simbólicos, será possível atrair milhares de visitantes, correspondendo aos anseios dos expositores. É também a pensar nos expositores que a organização, este ano, oferece às empresas um desconto de 10 por cento.

“São factores que, certamente, vão garantir que as empresas expositoras tenham visitantes e justifiquem a sua aposta em estar presentes no Parque Municipal de Exposições”, apontou António Cunha.

A um mês do início do certame estão já assegurados 80 por cento dos expositores para um total de 250 espaços. A maioria são de fora do concelho de Macedo de Cavaleiros mas provêem da zona norte. A componente agrícola que, no passado, foi uma das mais fortes da Feira de S. Pedro, é agora substituída pelos expositores de móveis, energias renováveis e serviços.

O investimento global é de 150 mil euros, sendo que a câmara municipal de Macedo de Cavaleiros suporta o diferencial entre a receita e a despesa. António Cunha afirma mesmo que “se não fosse o apoio da autarquia, seria difícil manter esta feira, é uma parceria muito importante”.

A dívida que a câmara tinha para com a Associação, relativa à edição do ano passado, também já foi liquidada.

A organização espera que o número de visitantes seja idêntico ao do ano passado em que mais de cem mil pessoas passaram pelo recinto do Parque Municipal de Exposições.

21 de Maio de 2010

"Sábado é o grande dia! Vamos ter o desfile, que é o maior da Europa, este ano com cerca de 500 participantes com máscaras tradicionais de toda a Península Ibérica e um grupo da Irlanda", explica Hélder Ferreira, presidente da Progestur, associação sem fins lucrativos de gestão e desenvolvimento de turismo cultural, uma das entidades organizadoras. 

O desfile de sábado começa na Praça do Município e termina no Rossio, que reúne a maior parte dos eventos - concertos, provas produtos regionais e de vinho, artesanato e ateliês para crianças - das regiões de Portugal e de Espanha representadas no festival. 

De Portugal, desfilam sete grupos - "caretos", "velhos", "chocalheiros" e máscaros" de Mogadouro, Vinhais, Macedo de Cavaleiros, Lamego e Lagoa - e de Espanha chegam nove grupos - "boiteros", "vacas", "toros", "carnavales" e "sidros" de Ourense, Zamora, León, Cantábria e Astúrias -, além da presença, pela primeira vez no festival, de um grupo não ibérico: The Mummers, da Irlanda. 



O toque de fertilidade irlandesa

"Mummers" significa "lugar da fertilidade", explica Jim Ledwith, um dos membros do grupo, que começou a animar Lisboa com um concerto de música tradicional irlandesa no Rossio, mas sem máscaras porque estava um calor insuportável, no arranque do festival, na quinta feira, e que promete também conquistar os portugueses, sobretudo as portuguesas. 

"Somos a fertilidade, o florescer da Natureza, e representamos a colheita, a generosidade da terra", prossegue o irlandês, um dos 20 membros do grupo que no sábado vai percorrer a Baixa de Lisboa com máscaras de palha. 



"Temos também um cavalo branco que ataca portugueses - porque não?" Cada mulher tocada pelo cavalo, garante Jim Ledwith, terá uma criança em seis meses. "Chamamos a isso fazer novos amigos por muito tempo..."


Ao longo dos quatro dias do Festival da Máscara Ibérica, a organização espera pelo menos repetir os números da edição do ano passado, com 300 mil pessoas, segundo números da Polícia Municipal. O presidente da Progestur, diz que são aguardados cerca de 30 órgãos de comunicação social estrangeiros, entre os quais quatro televisões espanholas e uma francesa. 

Hoje é o dia de Cáceres, com provas de queijos e azeites, o concerto do grupo Cerandeo no Rossio e gastronomia desta região no restaurante Casa do Leão, no Castelo de São Jorge. Sábado é o dia de Zamora, também com provas de produtos regionais e o espetáculo do grupo Xera, das Astúrias, no Rossio e gastronomia no restaurante Terraço, no Hotel Tivoli. 


O festival encerra no domingo, com as atuações da Banda de Gaitas de Viana do Bolo, dos Saca Sons, de Zebreira, e ainda dos Tanira e Roncos do Diabo, de Portugal. 



 

Fonte: Lusa

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obrigado Cris:)
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