Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
18 de Março de 2009

A possível saída de meio milhar de professores do distrito de Bragança vai provocar um aumento de desemprego comparável com ao que provocaria o encerramento da Auto-Europa em Palmela. Quem o diz é Carlos Silvestre, dirigente do Sindicato dos Educadores e Professores Licenciados pelas Escolas Superiores de Educação e Universidades (SEPLEU), que lançou novamente o alerta para a situação.

 

Numa reunião realizada com os docentes da região, o dirigente sindical apontou para a existência de apenas 186 vagas em todo o distrito para professores, desde o jardim-de-infância ao secundário. A situação dificilmente poderá melhorar pois segundo Carlos Silvestre já existem vagas negativas, ou seja, “só quando o número voltar a zero é que poderá entrar alguém, são vagas que dificilmente serão recuperadas”.

Para os docentes isto significa que, independentemente do número de anos de serviço, possivelmente terão de sair do distrito e mudar toda a sua vida.

“O factor financeiro é o pior, estou a pagar casa aqui, tenho empréstimo para habitação e vou ter de arrendar outra casa para o local onde for”, desabafou Fátima Pereira. Docente há 20 anos e depois de 18 anos a leccionar em Coimbra, Fátima prepara-se agora para mais uma mudança. Há dois anos foi colocada em Bragança. Agora provavelmente tem de voltar a sair.

 

“É uma mudança que terá de ser feita num curto espaço de tempo que envolve toda a família e que causa muitos transtornos”.

 

Também Maria Emília Guedes, professora há 23 anos, está preocupada com o facto de ter de sair da região: “a minha vida vai ser toda alterada e ao ir embora nunca mais posso pensar que tenho lugar aqui”.

Para a região, este será “um êxodo dramático” comparável, no entender de Carlos Silvestre, ao encerramento da Auto-Europa em Palmela.

“Vai haver um boom de desemprego que, até Dezembro de 2009, será escamoteado por causa das eleições, mas a partir daí será o caos”, apontou o sindicalista.

 

Os concursos de colocação arrancaram na passada sexta-feira com apenas quatro quadros de zona pedagógica: Coimbra, Lisboa Ocidental, Porto e Viana do Castelo.  As novas regras dos concursos passam sobretudo pela transformação dos lugares de quadros de zona pedagógica em lugares de quadro de agrupamento ou de escola.

 

Já para os jovens professores as dificuldades são ainda maiores. Os concursos são apenas para quem estiver profissionalizado e os contratados só podem concorrer depois de todos os professores de quadro de zona pedagógica serem colocadas. Pelas contas da Fenprof, a nível nacional, poderão ser mais de 15 mil os professores a ir parar ao desemprego.

No entender de Carlos Silvestre, o problema poderia ser atenuado se o Governo optasse por reduzir o número de alunos por turma.

 

“Tendo em conta a mão-de-obra existente e a sua profissionalização deviam reduzir o número de alunos por turma contribuindo assim para uma maior qualidade de ensino, à semelhança da Finlândia e de outros países nórdicos que o Governo gosta de ter como exemplo”.

 

A redução do número de alunos por turma permitiria manter mais professores no local onde vivem e permitiria ainda que desempenhassem a função para a qual estão preparados: leccionar.

 

“Os professores sem componente lectiva são professores do quadro, mesmo que os lugares sejam extinto não podem ser colocados na rua. Mudam de quadro de zona e ficam a fazer serviço não lectivo, acabam por ser administrativos. Para isso andaram anos a formar pessoas noutras áreas, são recursos humanos que são desaproveitados”.

 

O dirigente sindical deposita agora esperanças nas entidades locais, nomeadamente no Governador Civil que “ainda está a tempo de fazer chegar ao Governo as consequências desta saída de docentes para o distrito”.

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obrigado Cris:)
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