Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
04 de Março de 2009

O projecto turístico “Funzone Villages” foi abandonado depois de ter perdido a categoria PIN (Projecto de Interesse Nacional), uma atribuição dada por organismos governamentais. Em declarações ao Mensageiro, o autarca alfandeguense, João Carlos Figueiredo, apontou que o “Funzone” foi desde sempre apoiado porque o projecto chegou à autarquia pelas mãos da ex Agência Portuguesa de Investimento (API), actualmente Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

“A câmara só podia ter apoiado esta ideia. Se não o tivesse  feito estava agora a ser criticada por isso mesmo, até pela simples razão de que várias instituições governamentais o fizeram também”.

Relativamente aos terrenos adquiridos para a implementação do empreendimento turístico, e nos quais foram investidos 1,5 milhões de euros, a câmara aponta que “não faltarão ideias para os rentabilizar” uma vez que estão numa zona considerada “estratégica”.

João Carlos Figueiredo diz mesmo que tem recebido propostas “interessantes” para aquela zona, propostas que podem passar pelo turismo já que “grande parte dos terrenos estão em área reservada ao projecto do parque de campismo”.

 

Mecapisa a laboral, apesar da crise
 

 

O autarca confirmou ainda que a empresa espanhola Mecapisa apenas criou oito postos de trabalho e que os trabalhadores estão a ser deslocados para Espanha, temporariamente, para cumprir com os serviços de instalação e manutenção dos aparelhos vendidos.

O PS acusou ainda a autarquia de ter “oferecido” um pavilhão industrial à empresa espanhola mas o edil garante que o mesmo foi apenas “cedido”, continuando a ser propriedade da câmara.

Figueiredo avançou ainda que, dentro em breve, os trabalhos serão retomados em Alfândega da Fé e culpou a crise pela não criação de mais postos de trabalho.

“A conjuntura económica fez com que as previsões da empresa, em termos de necessidade de mão-de-obra, não se efectivassem”.

Apesar das dificuldades, a empresa estará a fazer a manutenção do parque solar de Ferreira do Alentejo e a desenvolver um novo projecto na área da microgeração que é apoiado pela autarquia.

Até ao final do ano, segundo o autarca, deve ainda estar concluído o parque eólico da Serra de Bornes que será “o maior parque eólico da Europa”, numa linha de aposta nas renováveis que “foi definida no início do mandato”.

Por isso, Figueiredo considera “caricato” que o PS, ao invés de se regozijar com a atracção de investimento estrangeiro para o concelho, reaja com algum “mau-estar”.

 

EDEAF “no caminho certo”


 

Também a Empresa de Desenvolvimento de Alfândega da Fé (EDEAF) “está em plena laboração” e a fazê-lo autonomamente há cerca de ano e meia. Uma garantia dada por João Carlos Figueiredo que lamenta que se “coloque tudo em causa”.

A empresa, segundo afirmou, construiu o pavilhão e comprou maquinaria com o intuito de obter financiamento do programa Agris. Com o encerramento deste programa, deixou de haver outra possibilidade de financiamento que não passasse pela câmara, uma vez que a EDEAF é ainda responsável pela gestão do Centro Cultural.

“A empresa, só por si, não tem receitas suficientes. É evidente que é necessário que a autarquia transfira verbas para lá”.

João Carlos Figueiredo recorda ainda que, até ao momento, a EDEAF criou 20 postos de trabalho “rentabilizando o saber fazer das pessoas” e “permitindo escoar muita da produção e excedentes que os agricultores tinham”.

Segundo avançou, só no ano de 2008 foram laborados 75 mil litros de leite comprado a produtores locais. A EDEAF permitiu ainda a reunião dos apicultores em agrupamento e a legalização da actividade dos produtores de enchidos.

Apesar das dificuldades ao nível do escoamento dos produtos o edil considera que agora é altura de potenciar e rentabilizar os investimentos na EDEAF, convicto de estar no “caminho certo”.

 

“Ideias claras” para o futuro

 

Sem querer avançar se será ou não candidato às próximas autárquicas, até porque “os tempos que correm não são de politiquice, mas de trabalho”, João Carlos Figueiredo assumiu apenas ter “ideias claras” para o futuro do concelho.

A situação de ruptura financeira é atribuída, em parte, ao Governo. Segundo o autarca, a “lógica” passou por esgotar todas as possibilidades oferecidas pelo último Quadro Comunitário de apoio no investimento em infra-estruturas consideradas essenciais.

“Sabíamos que o novo Quadro de Referência Estratégico Nacional não ia contemplar infra-estruturas do género, por isso foi desenvolvido tudo o que entendíamos como necessário e estratégico. Não contávamos que tivéssemos de esperar mais de dois anos pelas comparticipações financeiras relativas a obras financiadas e isso colocou-nos alguns constrangimentos”, explicou.

Um dos principais “pesos” nas dívidas da autarquia era a manutenção da Estalagem N. Srª das Neves. A transformação num Hotel SPA, apesar do investimento que envolveu, está, segundo a câmara, a permitir rentabilizar e dinamizar aquele empreendimento, para além de ter permitido manter os postos de trabalho existentes.

O objectivo da autarquia é agora potenciar os investimentos feitos no concelho: “fomos pioneiros em investimentos como a construção do Centro Escolar, a transformação de escolas abandonadas em casas de turismo rural, na aposta nos produtos regionais e mesmo nas energias renováveis”.

Actualmente, o município está ainda a preparar um conjunto de candidaturas ao QREN e a trabalhar na resolução dos problemas financeiros. A possível candidatura à câmara será definida e anunciada “na altura certa”, sendo apenas certo que “nada está hipotecado”.

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obrigado Cris:)
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