Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
23 de Novembro de 2010

Os salários dos trabalhadores do Matadouro do Cachão, em atraso desde Outubro deste ano, vão ser pagos pelas câmaras de Mirandela e de Vila Flor.

A decisão foi tomada na última Assembleia Municipal de Vila Flor, realizada extraordinariamente, por iniciativa da CDU, tendo em vista unicamente a análise e discussão da situação financeira daquela empresa.

O autarca de Mirandela, José Silvano, foi convidado a comparecer e reconheceu que “têm havido má gestão no Matadouro do Cachão”. A par com Artur Pimental, presidente da câmara de Vila Flor, os dois autarcas comprometeram-se a pagar os salários em atraso e a apresentar propostas de viabilização do Matadouro, sem comprometer os postos de trabalho existentes.

Recorde-se que os municípios de Mirandela e de Vila Flor são detentores de 98,2 por cento do capital do Matadouro do Cachão. A CDU, em comunicado à imprensa, diz “esperar que os dois municípios paguem a tempo e horas os salários do mes de Novembro e o subsídio de Natal aos trabalhadores”.

José Prudêncio, eleito da CDU para a Assembleia Municipal de Vila Flor, não deixou, no entanto, de notar que a situação financeira em que o Matadouro do Cachão se encontra é fruto “dos graves erros de gestão”, nomeadamente, “a não comparência de membros da administração na empresa, a não atribuição de responsabilidades de chefia a qualquer trabalhador, a falta de equipamento adequado para os trabalhadores da secção de abate”, entre outras.

“Sabemos que os trabalhadores desconhecem a quem se dirigir para pedir orientações sobre eventuais problemas que possam surgir no desempenho das suas tarefas. Sabemos que não se procede à cobrança de dívidas dos clientes em tempo razoável”, apontou.

A CDU diz ainda que a “solução” que a administração terá dado aos trabalhadores, caso em Dezembro deste ano continuassem sem receber os respectivos salários, seria o encerramento. José Prudêncio questiona, por isso, “se há mesmo negociações e quais os termos desse negócio”.

O deputado da CDU diz ainda que nas duas únicas vezes no ano em que a administração terá reunido com os trabalhadores, cada um dos três administradores terá recebido seis mil euros por reunião. “Haja moralidade!”, reclamou.

Ainda assim, José Prudêncio considera que ainda há tempo para salvar a empresa, “assim haja vontade política”.

Em causa estão os interesses de 43 trabalhadores, dos quais 21 deles têm mais de 50 anos.

As câmaras de Mirandela e Vila Flor já se comprometeram a resolver a situação. 

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