Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
17 de Setembro de 2008

A Escola Profissional Universal de Bragança tinha um projecto para mudar de instalações mas o plano tem vindo a ser adiado devido ao decréscimo de número de alunos com que a instituição se tem vindo a deparar desde há alguns anos para cá.

No dia em que o Ministério da Educação atribuiu um prémio de mérito ao melhor aluno daquela escola, (ao aluno Anselmo Quitério, do curso de Contabilidade), o presidente da instituição, Luís Pires, falou das dificuldades com que a escola se tem vindo a deparar.

Abertos desde 1989, desde há dois anos e meio que a Escola Prática tem vindo a assistir à diminuição do número de alunos. Primeiramente Luís Pires diz que tentou combater o fenómeno apostando na oferta de cursos de nível IV. No entanto, com a abertura dos Politécnicos a estes cursos, a escola foi perdendo alunos.

Este ano, o presidente assume que pela primeira vez não irá abrir o curso de Contabilidade, que foi aquele com que a escola se iniciou.

“Foi o curso com que a escola começou mas não vai abrir por falta de alunos”, confirmou.

Outro dos cursos que fica encerrado é o de Desenho 3D e Multimédia, abrindo apenas os cursos de Turismo e de Informática de Gestão, que é aquele que mais procura tem junto dos mais jovens.

Actualmente, a Escola tem mais cursos para oferecer do que alunos. Luís Pires tentou ainda captar alunos junto dos Países Africanos de Expressão Portuguesa (Palops), uma estratégia que foi bem conseguida. No ano passado, entraram cerca de 14 alunos de São Tomé e Príncipe e este ano havia mais pedidos, que tiveram de ser recusados. O presidente da direcção explicou que esta recusa em aceitar alunos se fica a dever à falta de capacidade financeira da instituição para apoiar convenientemente estes estudantes.

“Ainda no ano passado se gerou aqui uma onda de solidariedade muito grande entre os alunos, como nunca tinha visto. Mas não podemos aceitar mais porque não temos capacidade financeira”.

 

Oferta de cursos é superior à procura

Sem contar com uma diminuição da taxa de natalidade deste nível, a direcção tinha já projectado construir novas instalações para a escola no meio rural, mais concretamente em Rebordãos, onde o director possui um terreno que ficaria para esse efeito.

A câmara já tinha inclusive mostrado disponibilidade para avaliar o projecto. Para além da escola prática, a direcção queria no mesmo local disponibilizar um infantário, um lar para a terceira idade, uma residencial e uma área desportiva. O cruzamento de gerações poderia viabilizar o projecto ao nível da captação de fundos financeiros, mas os novos estudos de mercado realizados indicaram que esta não seria uma boa altura para investir.

“A diminuição da taxa de natalidade, o aumento do número de idosos a par de determinadas decisões políticas que foram tomadas tendo em vista a rentabilidade de recursos e a cada vez maior concorrência do ensino superior, foram factores que fizeram com que nos retraíssemos”.

Há cerca de dez anos atrás, a Escola Prática Universal abria cursos e tinha problemas em seleccionar os alunos, tal era a quantidade de estudantes que se inscrevia. Com uma oferta de cursos como Topografia, Contabilidade, Construção Civil, Medições Orçamentais, Desenho, a taxa de empregabilidade era altíssima e o número de alunos que concluía os cursos na ordem dos 95 por cento. Na região norte, segundo o director, rara era a autarquia que não pedia profissionais a esta escola.

Hoje em dia, a oferta supera já a procura, apesar de a escola ter um total de 160 alunos

A prova de que esta instituição continua a ter sucesso foi dada pelo próprio Ministério da Educação que fez deslocar ao distrito dois técnicos para atribuir o prémio de melhor aluno, no valor de 500 euros, a dois alunos de cursos profissionais da Escola Prática e da Escola Secundária Miguel Torga.

A taxa de alunos que concluem os cursos profissionais ronda os 95 por cento mas a taxa de empregabilidade caiu para os 60 por cento, um número que contabiliza também os alunos que seguem para o ensino superior mas que, ainda assim, é bastante elevado. Exemplo disso foi o aluno contemplado com o prémio de 500 euros. Anselmo Quitério, de 21 anos, foi o melhor aluno do curso de Contabilidade e vai agora ingressar no mesmo curso, no ensino superior.

publicado por Lacra às 15:53
sinto-me:
últ. comentários
obrigado Cris:)
Bem vinda :))
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Para mim e para muita gente a volta às adegas para...
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