Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
04 de Maio de 2010

Cerca de duas dezenas de habitantes da aldeia de Sambade, em Alfândega da Fé, juntaram-se ontem de manhã em protesto contra o pároco da aldeia.Acusam-no de tentativa de homicídio do filho do presidente da junta de freguesia.

 

Carlos Pimentel diz que se cruzou com o pároco na estrada e que este tentou provocar um acidente.

“Chagámos a uma curva e não sei o que se passou pela cabeça do senhor padre, tentou ir contra a carrinha do meu pai que eu guiava e tive de subir por uma barranca”, conta, convencido “que foi propositado”. Por isso, garante que vai “apresentar queixa às autoridades”. Já o seu pai, Carolino Pimentel, diz mesmo que, no seu entender, “é uma tentativa de morte”.

 

Estes populares estão revoltados e pedem a substituição do pároco.

“Acho que devia respeitar o povo, juntar o rebanho e respeitar as tradições da nossa aldeia”, diz Maria do Céu, que pede que “faça as malas e vá embora”. “Queremos outro padre.” Já Ofélia Salgueiro acha “mal que faça isto à juventude”. “Com os carros, já fez a mesma partida ao meu neto”, conta. Alice Velho alega que também tem “queixas do padre”. “Eu trabalhei no centro de dia e ele tanto andou que me pôs na rua. Mas fiz uma carta e despedi-me, não lhe dei o gosto de me pôr na rua. Ele tirava-me ao vencimento e fazia o que queria e lhe apetecia. Por isso quero que vá embora”, exclama. Manuel Joaquim, habitante de Sambade, vai mais longe e deixa um repto ao bispo de Bragança-Miranda: “se as coisas assim continuarem, podemos ter problemas amanhã ou passado. Não é ele que vai pegar numa povoação. Ele fez pouco de nós e desprezou-nos”, diz.

 

As desavenças entre pároco e parte da população arrastam-se há mais de dois anos.

Ricardo Pimentel, responsável pela Comissão de Festas da Nossa Senhora das Neves de Sambade, Covelas e Vila Nova, conta como tudo começou.

 

“Em 2008 não haveria festa. Então juntámo-nos os mais novos, falámos com o senhor padre, dissemos-lhe que organizávamos a festa e lhe entregávamos todo o dinheiro. A festa realizou-se e deu 12 mil euros de lucro. Fomos ter com ele e dissemos-lhe que algum dinheiro ficava connosco e lhe daríamos metade”, já que pretendiam organizar a festa nos dois anos seguintes, prometendo acertar contas no final.

 

Ao fim de dois anos de protestos e de três reuniões com o bispo da diocese Bragança-Miranda, a população perdeu a paciência.

 

“Foi ontem que estalou o verniz, o senhor padre vem de Covelas e não rezou, vem inclusive a mexer no telemóvel, o que é uma falta de respeito, chegou à igreja e foi-se embora sem acompanhar o andor até ao altar. As pessoas revoltaram-se mas ninguém foi ter com ele porque os ânimos exaltaram-se e não queremos ir por esse caminho. Mas quando o meu irmão vem desesperado, a dizer que quase tinha um acidente, fomos a casa dele pedir explicações. Os ânimos exaltaram-se mas ninguém lhe fez mal nenhum. Apenas lhe dissemos que as coisas não estão a correr bem e que não é motivo para estar com estas chatices”, conta Ricardo Pimentel.

 

Carolino Pimentel é o presidente da junta, eleito pelo PS, e diz que o facto de o pároco da aldeia ser simpatizante do PSD originou problemas entre os dois.

 

“Quando foi das eleições fez uma campanha porca contra mim, publicou um email onde dizia mal de mim e a nossa diferença começou aí. Também ficou contra a rapaziada da comissão de festas e dizia que a culpa era minha. Foi-se arrastando e chegámos à conclusão que ele não quer nada com a população.”

 

 

Apesar de não querer gravar declarações por não ter autorização do bispo da diocese, o padre Francisco Pimparel rejeita as acusações de tentativa de homicídio. Admite que circulava com alguma pressa mas sublinha que recolheu à sua faixa de rodagem uns cem metros antes da viatura conduzida por Carlos Pimentel.

 

Remetendo mais esclarecimentos para o bispo, sublinha apenas que esta desavença se trata de uma querela político-partidária.

 

Sobre o dinheiro da comissão de festas, remete para o regulamento da diocese, que implica a entregue às paróquias do dinheiro resultante de festas religiosas.

 

O padre Francisco Pimparel desvalorizou os pedidos de afastamento da população, dizendo que são cerca de duas dezenas de descontentes num universo de 600 habitantes da freguesia.

 

A Brigantia tentou mais esclarecimentos junto do Bispo da diocese. Mas D. António Montes Moreira encontra-se ausente da região, em viagem, e esteve incontactável.

 

Escrito por Brigantia

Afinal os novos padres da diocese andam todos à deriva, esta situação é um déjá - vú de outras paróquias. Falo em concreto de Lamalonga - Macedo de Cavaleiros, chegando o padre que lá está agora a mudar a fechadura da porta da igreja à rebelia de quase toda a aldeia (digo quase toda, porque neste momento estão com o padre aqueles que nunca foram ninguém na vida e que agora o sucesso lhes subiu á cabeça, ou aqueles que intitulando-se ateus, passaram a ir à missa).
Parece-me ser sintomático de uma geração de padres a quem foram dadas todas as faculdades para estudar e evoluir, e que no final não passam de analfabetos eruditos. Não respeitam as tradições, os mais velhos, e sobretudo o mais elementar pilar de uma sociedade liberal e actual: o respeito pelos outros.
É urgente repensar a igreja actual e o papel do sacerdote na sociedade.
Desculpem-me a franqueza, mas srs. padres e sobretudo Sr. Bispo não acha que a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus?. Deixem a politica para os politicos e dediquem-se à fé e à religião, que a tarefa não é assim tão pequena.
Fernanda Vinhais a 5 de Maio de 2010 às 16:02

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