Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
17 de Dezembro de 2010

Está a causar polémica o concurso da câmara de Bragança para a contratação de um chefe da divisão de educação e desporto.

Em causa está o facto de os requisitos para o lugar não preverem sequer alguém com formação em desporto.

 

Uma situação que a deputada do Partido Popular na Assembleia Municipal de Bragança, pretende ver discutida na sessão de hoje.

“Pelas putativas ligações familiares e alguma suspeita de falta de imparcialidade quer dos critérios quer das pessoas do júri” explica, acrescentando que “qualquer membro da assembleia tem o direito de agendar assuntos que sejam do interesse publico e este é o caso porque se pode tratar de um favorecimento e até de esbanjamento de dinheiro, decidi solicitar o agendamento para a ordem do dia para que o senhor presidente da câmara esclareça essa contratação” até porque o concurso “é para a divisão de desporto e a formação específica da pessoas não tem nada a ver com isso”.

 

Segundo Cláudia Guedes de Almeida, o destinatário do concurso seria Carlos Silvestre, dirigente do SPLEU (Sindicato dos Professores e Educadores Licenciados pelas Escolas Superiores de Educação e Universidades).

Mas há outros concursos a levantar dúvidas, como o de veterinário municipal, aberto apenas a veterinários já ligados ao Estado.

Situações que Cláudia Guedes de Almeida pretende ver esclarecidas, pois “pode retirar a oportunidade e até violar o princípio da igualdade no acesso à profissão”. “Não é exemplo de agora e é recorrente que quase sempre os concursos são feitos à medida para favorecer determinadas pessoas” acrescenta.

 

Sobre este concurso, a Brigantia procurou um esclarecimento junto do presidente da câmara, mas Jorge Nunes mostrou-se indisponível para fazer comentários.

 

A deputada do PP revela ainda que o Rribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela já mostrou dúvidas quanto ao Plano Director Municipal de Bragança, o PDM, e pediu respostas à autarquia.

“A câmara recebeu uma notificação do tribunal para se pronunciar a propósito do procedimento expropriativo cuja legalidade questionei junto do Ministério Público, por isso iremos até ao fim com a prossecução da legalidade”.

 

Na sessão de hoje da Assembleia Municipal vai ainda ser discutido e votado o plano e orçamento da autarquia para 2011.

Um ponto que também promete polémica.

 

 

Escrito por Brigantia


Foi condenado a 19 anos e meio de prisão efectiva o homicida de um taxista em Vilarinho das Toucas, no concelho de Vinhais.

O tribunal deu como provados os crimes de homicídio qualificado e detenção de arma proibida.

 

Apesar de não ter conseguido apurar os motivos do crime, o tribunal deu como provado que no dia 27 de Novembro do ano passado, Fernando Pires, de 55 anos, esperou por João Gonçalves, de 63 anos, na estrada que liga Vilarinho das Toucas a Landedo para o matar a tiros de caçadeira.

Ao longo do julgamento, o arguido nunca assumiu a autoria dos factos, tendo apenas dirigido um pedido de desculpas à viúva e aos próprios familiares.

 

Um facto que acabou por causar alguma estranheza ao juiz, que considerou que “só se pede desculpa quando se pratica um acto maldoso”.

O arguido manteve-se em pé, impávido, ao longo de toda a leitura da sentença, segurando apenas um lenço com a mão direita.

Foi assim que ouviu o juiz condená-lo a 19 anos de prisão pelo homicídio e a um ano e meio pela posse de arma proibida.

O que em cúmulo jurídico resultou em 19 anos e seis meses de prisão, para além do pagamento de uma indemnização à família da vítima.

 

Na leitura da sentença, o juiz comparou o homicida a um “caçador que faz uma espera a um coelho ou um javali”.

Avisou que a pena foi de 19 anos pela ausência de arrependimento e pelos sinais de premeditação do crime.

 

O tribunal considera que Fernando Pires conhecia os trajectos da vítima, escolheu um local afastado para, já de noite, o esperar.

Abalroou-o com o tractor e disparou dois tiros de caçadeira à queima-roupa, que atingiram o taxista na cara e num pulso.

 

Segundo o acórdão, procurou ainda desfazer-se do carro, tentando empurrá-lo por uma ribanceira.

Só o facto de o tractor ter ficado danificado impediu que fosse bem sucedido a encobrir as pistas.  

O juiz considerou que houve “preparação ao pormenor, antes e depois do crime”.

 

A sala de audiências do tribunal de Vinhais encheu-se de gente, curiosa para ouvir a leitura da sentença.

No final, era voz corrente que a pena tinha sido leve.

“Não merecia cadeia, merecia uma coisa mais brava” considera José António Lousada. Já António Machado diz que “a justiça é assim mesmo. Acho que devia ter sido a pena máxima porque um crime destes foi premeditado”. A mesma opinião tem António Diegues para quem “a pena é um bocado curta, devia ser maior”.

 

Um sobrinho da vítima, confessa que esperava mais, mas não ficou surpreendido.

“Não fiquei surpreendido, acho que se fez justiça embora estivesse a contar com uma pena mais pesada” afirma Alfredo Pereira, saliento que “o que acho mais grave no meio disto tudo é que a minha tia (viúva) depende de terceiros e está numa situação um bocado caótica”.

 

O advogado de defesa, Miranda Carvalho, escusou-se a gravar declarações, mas admitiu poder vir a recorrer da sentença.

Já o advogado da família da vítima, considera que foi uma pena justa.

“A pena está dentro daquilo que prevíamos, ligeiramente abaixo daquilo que tínhamos pedido, mas parece-nos justa e aceitável” afirma Francisco Sacramento, acrescentando que “relativamente ao pedido da indemnização foi-nos concedido a totalidade daquilo que pedíamos que eram 105 mil euros, por isso não estamos a pensar recorrer”.

 

Nem a viúva nem os filhos da vítima assistiram à leitura da sentença.

 

Escrito por Brigantia

publicado por Lacra às 10:39

Desde há três anos que, na Rua do Norte, atrás antigo Cine-Teatro Torralta, é construído um gigantesco presépio que não deixa indiferente quem por ali passa. A obra nasce das mãos de José Santana, um ex-emigrante na reforma, que, ao longo do Inverno vai trabalhando as peças e figuras do seu imaginário natalício.

 

Foi num dia de neve e muito frio que encontramos José Santana, um ex-emigrante reformado, a trabalhar nas figuras e peças que dão forma ao grandioso presépio instalado na rua do Norte, num terreno junto ao antigo Cine-Teatro Torralta, cedido ao artesão para esse mesmo efeito. Quem por ali passa não fica indiferente àquela que é uma das maiores referências cristãs da época de Natal, o grande símbolo do nascimento de Jesus Cristo, em Belém, na companhia de Maria e José. É que o seu construtor não deixa nada ao acaso na tentativa de construir a Belém do seu imaginário e, para isso, mete mãos à obra bem cedo, a tempo de ter a obra pronta cerca de duas semanas antes do Natal.
Mas o que leva alguém a construir minuciosamente tal obra com o intuito apenas de a expor na rua e celebrar a época natalícia e o nascimento de Jesus Cristo? José Santana não tem resposta para esta pergunta que não seja o prazer em dedicar-se a tais trabalhos, apelando a uma tradição cristã que corre o risco de começar a cair em desuso, pelo menos nas grandes cidades.

Foi desde que se reformou que o ex-emigrante, com 70 anos, decidiu dar asas à imaginação e construir, pela altura do Natal, um grande presépio. Desde há três anos, essa é uma obra que é colocada na rua, num terreno privado que lhe é cedido especialmente para esse efeito, mesmo de frente à sua casa.

“Inicialmente fazia o presépio no quintal de casa, ali no bairro de Além do rio. Mas depois decidi fazê-lo aqui, é onde passa mais gente e onde passamos mais tempo”, conta, recordando que ele próprio nasceu naquela rua, numa casa que hoje se encontra demolida.

No tal quintal da outra casa, no bairro de Além do Rio, José Santana tem outras peças que despertam curiosidade: os monumentos da cidade de Bragança. São peças de um tamanho considerável, verdadeiras réplicas de alguns dos mais simbólicos e representativos monumentos da cidade: o castelo, a Domus Municipalis, a Igreja de São Vicente, a Sé de Bragança. Curioso, no entanto, é que foi apenas há cerca de sete anos atrás que José Santana se voltou para as artes e meteu mãos à obra. Um dom que lhe vem da imaginação e da vontade de ocupar o muito tempo livre que os dias lhe reservam.

“É uma maneira de me entreter, nunca aprendi nada com ninguém”, conta, com simplicidade. Na verdade, tudo começou por um acaso. Antigamente, na Praça da Sé fazia-se um grande presépio, (hoje substituído por um presépio de luzes já pré-feito), onde figuravam alguns monumentos da cidade.

“Eu vi desfazer o presépio e reparei nos monumentos que lá tinham. Foi aí que pensei, porque não fazer o castelo de Bragança?”.

Essa foi mesmo a primeira peça que se aventurou a fazer recorrendo a madeira, chapa e outros materiais. Bem sucedido na sua empreitada, quis fazer a Sé de Bragança, peça que, ainda hoje, considera como a “melhor e mais bonita de todas”, e nunca mais parou. Na garagem de sua casa, de portas abertas, cumprimentando quem passa, José vai dando largas à imaginação, ouvindo críticas e sugestões.

“No ano passado os Reis Magos ficaram mais pequenos do que os camelos, mas este ano já estão em condições”, mostrou. O seu empenho na perfeição é levado ao ponto de ter mandado fazer umas alforjas, “à moda antiga”, para colocar em cima dos camelos.

“Ainda pensei em aproveitar aquelas meias de Natal que se colocam nas chaminés, mas as alforjas são mais típicas, têm mais a ver”, notou, dizendo, com a humildade de quem se faz a um trabalho por dedicação, que “com a experiência” vai melhorando de ano para ano.

 

A apoiá-lo incondicionalmente está Isabel Santana, a sua esposa, que só recentemente descobriu que o marido levava jeito para estas coisas do artesanato. “Não sabia que ele tinha este dom e este jeito para fazer estas coisas”, confessou, apontando para os pormenores das peças em execução e para o material ali dispendido. É que, depois de construídas as peças e montado o presépio, José Santana ainda coloca iluminação natalícia, recorrendo, para tal, ao gerador do vizinho do lado. “O vizinho dali do lado faz-me esse favor e eu, depois, pago-lhe a luz”.

 

Um trabalho e uma despesa a que não olha, cumprindo um sonho que em criança nunca realizou. “Quando era criança não fazia presépio, mas ia sempre à Sé ver o que faziam lá”, recordou. Puxando pelas memórias, José lembra que, nos seus tempos de criança, há mais de 50 anos atrás, havia um senhor que fazia o presépio da Sé. “Chamavam-lhe o Alberto de Mirandela e eu, em garoto, ainda cheguei a trabalhar com ele e a vê-lo fazer o presépio. Talvez seja daí que me vieram algumas ideias”. Daí e da sua experiência de vida em França, onde viu, pela primeira vez, as igrejas de traço oriental que hoje recorda para dar forma no seu presépio. Foi também da experiência laboral que teve em França, trabalho enaltecido e louvado pelos seus patrões, como pudemos ver nas inúmeras cartas de louvor que recebeu, que José adquiriu conhecimentos que, hoje, lhe permitem fazer as peças e os trabalhos manuais com tanta destreza e perfeição.

“Eu lá trabalhava nas pontes e fazia um trabalho manual. Tinha de fazer as cofragens e depois colar o betão”, explicou, apontando que “isto é quase a mesma coisa”.

 

Numa comparação curiosa, José Santana vai dizendo que gosta tanto de fazer o presépio e estes trabalhos, como gostava de jogar à bola e assim descobrimos, por acaso, estar perante aquele que foi dos melhores marcadores do Grupo Desportivo do Bragança (GDB). José Santana chegou a fazer duas épocas de juniores e esteve oito anos nos seniores, onde jogou como interior esquerdo. Enquanto esteve na tropa, ainda chegou a treinar no Lusitano de Évora, mas apenas por desporto. Foi convidado a ficar, mas a sua vida já estava encaminhada noutro sentido. Casado, não quis deixar a terra natal, preferindo regressar. Entretanto, porque a vida é mesmo assim, encontrou-se com três filhas e resolveu emigrar para França para ganhar a vida. Instalado em Paris, José ainda chegou a treinar numa equipa francesa. “Tinha 30 anos e ainda me iam buscar a casa para jogar à bola”.

Depois, teve outra filha e o trabalho assumiu o primeiro plano. “Eu gostava tanto de jogar futebol, como gosto, hoje, de fazer presépios, mas a minha vida não dava para isso”, concluiu. Ainda assim, é sem arrependimentos que olha para trás. “Passei bons dias, não tenho pena do tempo que passei porque também gozei muito”.

Hoje, o tempo ocupa-o como gosta, num trabalho que expõe a quem por ali passa. Depois de dias e dias a dar forma ao seu presépio, José revela que, este ano, vai surpreender quem aprecia o seu trabalho e, na noite de Consoada, vai colocar a figura de Maria a caminho de Belém, acompanhada de José. Vale a pena ver e apreciar este trabalho que José dedica a toda a cidade.

publicado por Lacra às 10:20



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