Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
15 de Outubro de 2010

A Associação de Desportos de Combate de Macedo de Cavaleiros conseguiu, pela primeira vez, a pré-selecção de três atletas para a representação de Portugal no próximo Campeonato da Europa de Light Kick, em Atenas (Grécia).

O primeiro estágio é já este Sábado, na Figueira da Foz, onde serão apurados os atletas que devem seguir em frente. A representar as cores da ADCMC estarão Tânia Afonso; Hélder Ferreira e Franclim Fernandes. Recorde-se que Franclim Fernandes terminou a época de 2009/2010 como campeão nacional de Light Kick, embora essa tenha sido a primeira vez que entrou em competição nessa modalidade.

Hélder Ferreira e Tânia Afonso são outros dois atletas com boas potencialidades e vários troféus no currículo.

Se os atletas forem seleccionados para ir a Atenas, terão de comportar uma despesa superior a mil euros para custear a viagem. A ADCMC procura, agora, patrocínios que possam ajudar estes atletas a cumprir um sonho e a levar bem longe o nome da Associação e da região onde estão sedeados.

 

 

Preparação para o AKL

Ao mesmo tempo, a ADCMC está a trabalhar a todo o ritmo para participar no Open AKL que decorre dia 30 de Outubro em Cascais. Os atletas já estão a trabalhar desde Setembro com o objectivo de competir.

14 de Outubro de 2010

João Castro, (foto em baixo), e Francisco Lopes, (foto em cima) foram chefes de estação em Bragança, numa altura em que os comboios ainda faziam parte do quotidiano da região. Num olhar voltado para o passado, estes dois ferroviários evocam memórias de uma linha de caminho de ferro que há muito parecia ter o seu destino traçado

 

Não lhes coube a eles a missão de fechar as portas da estação de Bragança pela última vez, mas ambos viveram esses tempos intensamente. Um deles, João Castro, hoje com 93 anos, foi mesmo um dos maiores contestatários contra o encerramento do troço entre Bragança e Mirandela, tendo protagonizado muitas lutas e fazendo chegar, ao Governo de então, cartas que davam conta do descontentamento geral da população, e dos ferroviários em particular.

Já Francisco Lopes tinha, na altura, assumido o cargo de inspector, em Mirandela, trabalho de grande responsabilidade que o fez calar para si o descontentamento e aceitar aquela que era já uma decisão tomada.

Passados  quase 20 anos do encerramento da Linha em Bragança, é com tristeza e “muitas saudades” que estes dois ferroviários olham para trás. Ambos fizeram carreira como ferroviários. Começaram por trabalhar no caminho-de-ferro como “praticantes” e foram subindo na carreira até chegarem a chefes de estação. Francisco Lopes, mais novo que João Castro uns bons anos, alcançou mesmo o posto de inspector, o cargo mais respeitado de então. Diz que o amor pelos comboios já nasceu consigo. O seu pai era chefe de estação em Macedo de Cavaleiros e ele viveu sempre “em cima dos carris”.

Foi como factor que se sentiu mais realizado. Gostava do movimento, da venda de bilhetes, do despacho de mercadorias, da contabilidade e de toda a interacção que o comboio tinha com a cidade.

 Não foi assim há tanto tempo que, não havendo as facilidades de hoje em dia, os bancos despachavam por comboio a sua documentação, recorda. Da estação partiam comboios com três carruagens lotadas de passageiros que em Mirandela tinham de ser reforçadas. E quando partiam comboios especiais com tropa, o povo juntava-se pelas estações fora a despedir-se.

Hoje, Francisco diz sentir muita mágoa quando vê tudo abandonado e a cair aos pedaços. Bragança, como região, perdeu gente, perdeu movimento e todo o esforço que se fez, no passado, para tentar desenvolver esta periférica terra parece ter sido em vão. Terá faltado o investimento e a vontade política, pelo menos assim o entendem estes dois ferroviários.

“O comboio era muito lento, tão lento que a 30 ou 40 km/h era perigoso circular na linha! Deixaram deteriorar de tal maneira a via que era impossível atingir velocidades de 70 ou 80 km”, notou Francisco Lopes.

Este desinvestimento não era, no entanto, recente. João Castro recorda que quando se reformou, aos 67 anos, já o comboio “não era nada”. Apesar de haver passageiros em quantidade e muitas mercadorias para despachar, as coisas não funcionavam da melhor forma. Com o tempo, algumas estações passaram a entrar no chamado “regime de eclipse”, ou seja, fechavam e deixavam as estações colaterais ligadas. Nas passagens de nível, a partir de certa hora, deixava de haver guarda. Isto significava que o comboio tinha de parar para abrir a passagem de nível e depois tinha de voltar alguém para fechar a mesma passagem.

“Isto implicava grandes atrasos”, comentou Francisco Lopes, que recordou que, na altura, chegou a vir a Portugal uma brigada de peritos franceses para estudar os atrasos do comboio, uma vez que na Europa não havia demoras tão pronunciados.

Vasculhando jornais antigos da época, é curioso notar que já em 1980, o deputado Eleutério Alves, eleito para a Assembleia da República, afirmava numa intervenção, que a CP tinha diminuído as viagens de comboio entre o Tua e Bragança, verificando-se saturação em mercadorias nas estações do Tua. “Acumulavam-se produtos essenciais que não chegavam a horas ao destino”, dizia Eleutério Alves.

 

 

Em 1987, o então presidente do Conselho de Gerência da CP afirmava, numa entrevista ao Comércio do Porto, que a CP “não devia hesitar em propor ao Governo o encerramento das vias estreitas”, com algumas excepções no Norte Litoral. No mesmo ano, o Mensageiro de Bragança, acusava a CP de abandonar a Linha do Tua, colocando pouca mão-de-obra na sua manutenção. Na altura, segundo o jornal, para 134 quilómetros de linha havia 25 operários, três subchefes e dois chefes.

A importância da linha era sublinhada por todos os quadrantes da sociedade e fazia-se notar que “quando Bragança ficou isolada pela neve, o comboio andou sempre!”. Quando, em 1987, Mário Soares, Presidente da República, visita a região, o povo saiu a rua com cartazes a pedir a manutenção do comboio.

Não surtiram grande efeito as mobilizações feitas, pois, na década de 90, a CP começou a colocar autocarros de apoio às composições ainda em circulação.

O Mensageiro dá conta da revolta da população. Na aldeia de Fermentãos, por exemplo, chegaram a tentar retirar os pneus dos autocarros e só a intervenção da GNR parou o protesto.

 

 

Este terá sido o princípio de um fim que há muito estaria anunciado. Francisco Lopes, confessa que, anos antes, quando desempenha funções de factor no Romeu e “ainda nem sonhava chegar a inspector”, teve oportunidade de ver um diagrama onde já estava previsto o encerramento da linha. Quando, por fim, a decisão foi tomada, já ele estava no cargo de inspector.

A data marcada seria o 31 de Dezembro de 1991. No entanto, um descarrilamento em Sortes precipitou o fim da linha. Uma raiz de giesta seca esteve na origem do acidente, do qual resultaram apenas feridos ligeiros.

“Nós dizíamos que havia três coisas que suportavam o peso de uma locomotiva: o corno de cabra, o diamante e a raiz de giesta seca. Ali foi a raiz da giesta seca. A oscilação que provocou foi o suficiente...”, recordou Francisco Lopes.

Como inspector, Francisco esteve no local e pode constatar a degradação a que a via tinha chegado: “os parafusos das traves de madeira podiam ser retirados com os dedos, como acontece hoje em dia”.

Notificada do acidente, a CP dá, então, ordens para recolher o material da via e suspender a circulação de comboios até ordem em contrário. Francisco já sabia que não haveria ordem em contrário.

As populações locais não tiveram outro remédio que não fosse aceitar as carreiras de autocarros alternativos ao comboio, mas, antes de acederem, houve protestos e ameaças de cortes de estradas. Nos Cortiços, os populares chegaram a apreender quatro autocarros como forma de mostrar o seu descontentamento.

João Castro relembra esses tempos com amargura. “Eu contestei sim...e eles deram bem importância a isso!”. Já estava reformado, mas não queria que a sua terra perdesse aquele que continua a considerar como “o melhor meio de transporte”e, por isso, escreveu cartas ao Presidente da República, ao ministro dos transportes, aos deputados eleitos pela região...

“Eu fazia os ofícios e mostrava ao Guedes de Almeida para ver se estava tudo bem, mas que adiantava? O Duarte Lima foi um dos que recebeu cartas minhas, enquanto deputado. Nunca me respondeu. Uma vez encontrei-o junto à Torralta e perguntei-lhe, mas ele desculpou-se que tinha muito trabalho”, contou.


 

 

 

“Noite do roubo”

A grande machadada final que ficará sempre marcada na memória colectiva é a “fatídica noite do roubo dos carris”, em Outubro de 1992. Na noite de 13 para 14 de Outubro, a CP, autorizada pelo Governo, manda silenciar os telefones e as comunicações de rádio e faz transportar, por camiões, escoltados pela GNR e PSP, o que restava das carruagens e locomotivas que estavam na estação de Bragança. Houve insultos e protestos, mas de nada adiantou.

João Castro recorda bem esses momentos, pese embora não tivesse estado presente. “O Guedes de Almeida não quis ir chamar-me a casa e disse-me porquê. É que eu era homem de me deitar no meio da estrada para que os camiões não passassem e ele não quis aborrecer-me”.

Já Francisco Lopes tinha sido chamado a Lisboa para uma reunião. Não estava em Bragança, nem podia ele impedir a decisão, mas, durante vários anos, ouviu do povo acusações de todo o tipo.

“Eu ia ouvindo algumas piadas, mas esclarecia sempre as pessoas da minha intervenção no assunto. Sempre fui contra o encerramento, a 100 por cento, mas não estava nas minhas mãos impedir a decisão, porque se estivesse...”.

Decorridos quase vinte anos, as reivindicações pela abertura da Linha do Tua entre Bragança e Mirandela continuam a fazer capas de jornais e mobilizar centenas de pessoas. Hoje, caso houvesse uma decisão favorável, o investimento seria bem maior, implicaria, quiçá, um novo traçado e o prolongamento até Espanha, como terá previsto um projecto do Governo de Salazar.

No entanto, nem João Castro, com os seus 93 anos, muito menos Francisco Lopes, acreditam nessa possibilidade. A aposta no transporte rodoviário parece ter ganho para todas as outras e, hoje, são os autocarros que tomam o lugar da antiga estação de Bragança.

 

Fotos: Direitos Reservados

13 de Outubro de 2010

Para conhecer em pormenor quanto ganha o conselho de administração do Centro Hospitalar do Nordeste, a única empresa pública não financeira do distrito de Bragança, visitamos o site da Direcção Geral do Tesouro e das Finanças.


O conselho de administração é formado por sete elementos:


Director: António Capelas, 54 anos           

 

Remuneração de 3.719,00 euros, 14 vezes por ano;

                     Despesas de Representação de 1.301,63 euros, 12 vezes por ano.

 

Pós-Graduação em Politicas da Saúde, Universidade do Minho, Licenciado em Gestão de Empresas - Universidade do Minho, Formado em Contabilidade e Administração pelo ISCAP, Pós-graduação em Alta Direcção de Instituições de Saúde, AESE/IESE (Universidade Navarra) e Programa Avançado em Gestão Empresarial Hospitalar, pelo ISCTE/INDEG.

 

Vogal Executivo: António Marçôa, 54 anos

Remuneração de 3.233,98 euros, 14 vezes por ano.

                               Despesas de Representação de 970,20 euros, 12 vezes por ano;

 

Licenciado em Economia pela Universidade do Porto.

Vogal Executivo: José Cardoso, 54 anos

Remuneração de 3.233,98 euros, 14 vezes por ano;

            Despesas de Representação de 970,20 euros, 12 vezes por ano.

 

Licenciado em Engenharia Electrotécnica.

Vogal Executivo: Isabel Barreira, 35 anos

 

Remuneração de 3.233,98 euros, 14 vezes por ano;

 

                                   Despesas de Representação de 970,20 euros, 12 vezes por ano.

 

Licenciada em Direito pela Universidade Moderna do Porto, com média de 12 valores, é ainda, segundo informação disponibilizada, formadora do IEFP de Bragança e professora no Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros.

 

Vogal Executivo: Cláudia Miranda, 31 anos

 

Remuneração de 3.233,98 euros, 14 vezes por ano;

                                   Despesas de Representação de 970,20 euros, 12 vezes por ano.

 

Doutoranda na Universidade de Salamanca em “Estrutura Económica e Desigualdade Social”, estando a concluir a parte de investigação e tendo realizado a parte curricular com a classificação de Muito Bom; Realizou com mérito o VIII Programa de Alta Direcção de Instituições de Saúde (PADIS) na AE; é Licenciada em Gestão, pela Universidade Técnica de Lisboa, no Instituto Superior de Economia e Gestão.

 

Director Clínico: Sampaio da Veiga, 63 anos

Remuneração de  2941,08 euros, 14 vezes por ano;

                  Remuneração dedicação exclusiva de  1143,76 euros, 14 vezes por ano;

                  Remuneração Horário Alargado de  1307,16 euros, 14 vezes por ano.

      Despesas de Representação de 970,20 euros, 12 vezes por ano.

 

Licenciado em Medicina pela Universidade de Luanda e especialista em Oftalmologia.

Enfermeira Directora: Maria Conceição Vieira, 52 anos

 

Remuneração de 3.233,98 euros, 14 vezes por ano;

                                  Despesas de Representação de 970,20 euros, 12 vezes por ano.

 

Licenciada em Enfermagem, com o curso de especialização em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, na Escola Superior de Enfermagem de Vila Real, em 1997, com 17 valores.

 

 Veja ainda o quadro:

 


 

publicado por Lacra às 12:20

A Associação Académica do Instituto Politécnico de Bragança vai promover, pelo segundo ano consecutivo, uma maratona solidária com o intuito de arrecadar bens alimentares para entregar às várias instituições da cidade.

A maratona tem início hoje, às 20h30, junto à cantina do IPB e todos estão convidados a participar. As inscrições são no local, ou junto da Associação Académica ou, ainda, junto das associações de estudantes das diversas escolas do politécnico. Para se inscreverem só tem que levar, no mínimo, um bem alimentar.

O percurso da maratona é de quatro quilómetros que podem ser feitos em ritmo de corrida ou em marcha.


Fenómenos idênticos têm ocorrido por todo o país

Uma perfumaria foi assaltada no centro da cidade de Bragança, na madrugada de quinta-feira da semana passada. No espaço de um ano, esta é já a terceira perfumaria a ser assaltada, com a particularidade de serem furtados sobretudo os perfumes e não dinheiro.

Ao Mensageiro, a proprietária da loja contou que os assaltantes levaram todos os perfumes que se encontravam nas prateleiras, deixando um prejuízo de milhares de euros que ainda está a ser calculado.

Apesar da loja ter sistema de alarme, o assalto ocorreu “muito depressa” e poucos foram os artigos que sobejaram.

“Levaram tudo o que se encontrava nas prateleiras”, confirmou a proprietária.

A PSP acorreu logo ao local e está, neste momento, a proceder às investigações necessárias. Esta “vaga” de assaltos a perfumarias é considerada muito “significativa” e “preocupante”, no entender do comandante, Amílcar Correia.

“Os perfumes são artigos caros, de fácil venda e difíceis de, posteriormente, serem relacionados com o local do furto”, admitiu o comandante.

Amílcar Correia confirmou ainda que este é um fenómeno que tem ocorrido um pouco por todo o país e que pode estar relacionado com alguma rede organizada que depois vende os produtos furtados noutros mercados, como sejam as feiras.

“São situações preocupantes, que têm ocorrido por todo o país e onde temos pouco sucesso no que diz respeito às averiguações”, confirmou.

 

publicado por Lacra às 09:08

Em causa está a conclusão de uma obra de abastecimento público, financiada com fundos comunitários, que alegadamente não foi executada. Autarquia contesta que a obra foi feita e que falta apenas a ligação ao sistema de abastecimento das Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro

 

Os vereadores do PS na câmara de Macedo de Cavaleiros apresentaram queixa no Ministério Público contra a autarquia. Em causa está a obra prevista para o abastecimento de água das freguesias de Vilarinho de Agrochão-Fornos de Ledra, no âmbito do projecto Sistema Integrado de Adução de Água à Zona Norte do Município”, que, segundo informação prestada à Assembleia Municipal, foi concluída no final de 2008 e financiada por fundos comunitários.

Segundo Rui Vaz, vereador do PS, aldeias como Vilarinho de Agrochão, Fornos de Ledra, Lamalonga e outras anexas, continuam a não dispor de água, pese embora todo o processo para a realização da obra de abastecimento tenha sido concluído.

O vereador recorreu a documentos da autarquia, nomeadamente à “Prestação de Contas do Município”, do ano de 2008, bem como a informações prestadas pelo presidente à Assembleia Municipal, para fundamentar a acusação. Segundo os documentos apresentados, a obra foi a concurso, tendo sido adjudicada a uma empresa por cerca de 130 mil euros e concluída no final desse mesmo ano.

Rui Vaz considera que em causa está a existência de “documentação falsa, pagamentos indevidos, sem contraprestação efectiva, beneficiando objectivamente e com dinheiros públicos a firma que ganhou o concurso, causando graves danos para o erário público”.

A câmara nega estas acusações e o vereador Carlos Barroso, também presidente da concelhia laranja, explica a situação: “é verdade que as aldeias referidas não têm água, conforme questionou o presidente de junta de Vilarinho de Agrochão, numa reunião de câmara. No entanto, a obra que foi candidatada, foi executada”.

Carlos Barroso diz que a candidatura previa a execução da rede interna, “o que foi feito”, e explica que as aldeias em causa não têm água porque estava em falta a ligação dessa rede interna ao sistema de abastecimento das Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro, que é a entidade que fornece água em alta.

“Estivemos num processo negocial com as Águas de Trás-os-Montes e vamos, agora, fazer a ligação do deposito à boca do abastecimento, que é algo que, também, não estava candidatado”, adiantou, reforçando que a candidatura aos fundos comunitários previa apenas a execução da rede interna. 

Outro entendimento têm os vereadores socialistas que já apresentaram queixa ao Ministério Público.

 

Endividamento ultrapassa limite legal

Os vereadores do PS estão preocupados com a situação financeira da autarquia. Segundo publicação, na semana passada, em Diário da República, o município ultrapassou o limite legal estabelecido para o endividamento em mais de um milhão e meio e euros, o que fará com que haja uma redução de 10 por cento nas transferências do Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF), conforme está previsto no Orçamento de Estado para 2010.

A situação é confirmada pela autarquia que acusa o PS de ter contribuído para esta situação quando, no passado, esteve no executivo camarário. Segundo Carlos Barroso foi a “má gestão” que os socialistas terão feito, no passado, que levou a uma derrapagem das contas, conforme apontou.

“Ultrapassamos o endividamento em 2008 porque nos vimos obrigados a pagar 750 mil euros ao proprietário do terreno onde foram construídas as piscinas municipais. É que o executivo socialista que estava, então, na câmara, não negociou com o proprietário uma clausula que indicava que o terreno revertia para o dono quando ali deixassem de ser feitas as feiras municipais. Quiseram construir as piscinas sem negociar a cláusula e o Tribunal obriga a câmara a pagar esse montante”.

O vereador diz ainda que o PS é que “devia pedir desculpa pelos actos de gestão danosa” do passado, bem como por, a nível nacional, “atrasar as transferências dos dinheiros comunitários”.

Por seu lado, Rui Vaz aponta que “não fosse o programa do Governo para a regularização de todas as dívidas aos fornecedores, e a câmara estaria a pagar com prazos superiores a dois anos”.

O vereador socialista considera que, tendo em conta a situação financeira “grave”, a câmara “dificilmente” irá dar prosseguimento a obras “emblemáticas” como a construção da Central de Camionagem ou o Parque Urbano da cidade.

Do rol de críticas ao executivo, Rui Vaz destaca a ingerência da autarquia em diversas instituições do concelho, bem como ao nível do relacionamento com algumas empresas, naquilo que considera como “promiscuidade instalada”.

A estas acusações, o vereador Carlos Barroso responde que “ninguém pode ser prejudicado por ser do PSD”.

 

 

11 de Outubro de 2010

A GNR de Macedo de Cavaleiros deteve, em flagrante delito, quatro cidadaos portugueses, com idades entre os 17 e os 41 anos, por furto de carris da linha férrea do Tua, propriedade da Refer.

Os quatro homens, residentes em Bragança e em Santa Comba de Rossas, foram detectados a roubar as barras de ferro no lugar do Vale do Lombo, freguesia de Castelãos, Macedo de Cavaleiros.

Os detidos foram presentes ao Tribunal Judicial de Macedo de Cavaleiros.

 

Fotos com Direitos Reservados

publicado por Lacra às 14:30

São da Colômbia, do Panamá e da Costa Rica os trinta estudantes do ensino superior que escolheram o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) para concluir os seus cursos de licenciatura ou mestrado, ao abrigo do programa “Erasmus Mundus”.

Alguns deles nunca tinham, sequer, saído do país, mas quiseram embarcar nesta “aventura” de estudar na Europa, na expectativa de terem “uma melhor oportunidade de futuro” quando ingressarem no mercado de trabalho.

O IPB deu-lhes as boas-vindas, na semana passada, e atribuiu a todos eles um certificado de aprendizagem intensiva da Língua Portuguesa, um programa gratuito, disponibilizado pelo instituto aos estudantes estrangeiros como forma de promover a sua integração na escola e na cidade.

O funcionamento do programa Erasmus Mundus em Bragança resultou de um convite directo da Universidade Autónoma de Barcelona ao Politécnico, permitindo ao instituto receber alunos de licenciatura e, também, de mestrado, o que é uma “originalidade”, conforme explicou Luís Pais, vice-presidente do IPB.

“Os alunos de mestrado não fazem apenas um semestre de mobilidade, vão ser alunos do próprio instituto financiados por este programa”.

Este alargamento, em termos de internacionalização, à América Latina é visto como uma das “apostas estratégicas” do instituto, a par com outras que já estão em desenvolvimento.

Neste momento, o IPB consegue ter mais de 500 alunos em mobilidade, por ano, e cerca de centena e meia de docentes, não só através do programa Erasmus, mas também no âmbito do programa de mobilidade com as Universidades Federais Brasileiras, um programa não financiado, suportado financeiramente pelas instituições envolvidas.

Em vias de consolidação está, ainda, a constituição de uma Rede de Ensino Superior Lusófono, através do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos, que é liderado pelo IPB. O objectivo é abarcar os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, bem como Macau, onde o interesse pela Língua Portuguesa começa a ganhar cada vez mais adeptos.

 

publicado por Lacra às 08:43
07 de Outubro de 2010

De uma conversa de café à realização de um projecto cinematográfico, a história de uma média metragem que retrata o despovoamento das aldeias transmontanas explicada pelo seu realizador, Rui Pilão

 

Licenciado em Bsc(Hons) Sound Technology pela University of Glamorgan, Rui Pilão, natural de Bragança, foi às raízes da sua origem para abordar o tema do despovoamento, dando sentido à frase de Fernando Pessoa - “o homem sonha, a obra nasce”. Em entrevista, o jovem conta como conseguiu dar corpo a este projecto cinematográfico, contando apenas com a boa-vontade de um conjunto de instituições e de um grupo de amigos que quis agarrar este desafio

 

Como é que nasceu o argumento desta média metragem?

 

Rui Pilão: A ideia surgiu aquando do reencontro entre mim e Aurora Morais, numa conversa de café, sobre uma exposição que ela estava a organizar com Tiago Ribeiro. Daí e depois de ter sugerido uma foto, que vem a retratar o final do filme, surgiram outras ideias. Nesta troca de opiniões que fui transmitindo à Aurora Morais, surgiu um conto, da autoria dela, no qual começa a ser “desenhado” um personagem que tem as características físicas do actor Leandro do Vale, que aparece, assim, como o actor ideal para dar vida à personagem.

Eu aceitei a sugestão de bom grado, e, sinceramente, também me convinha a mim tê-lo na equipa. Depois do conto, nasceu o argumento, escrito por mim. Tentei não fugir ao conteúdo do conto, mas organizei e alterei o necessário de modo a que se tornasse em algo “filmável” e não tão literário.

 

É a primeira vez que assume a realização de um filme e escreve o seu argumento?

 

R.P.: Oficialmente sim, é a primeira vez que assumo a realização de um filme. Sou bastante reservado e paciente, durante vários anos fui evoluindo por conta própria, fazendo curtas experimentais. Tentei evoluir até me sentir confiante de que começaria a minha carreira de forma a ser notado logo de início. Vão ter oportunidade de observar o meu empenho e dedicação neste filme.

 

Onde é que foram realizadas a maioria das filmagens?

 

R.P.: A maioria das filmagens, vou até mais longe, as cenas realmente necessárias, foram todas filmadas em Vilar d’Ossos.

Filmamos dois “take’s” num descampado em Tuizelo, onde o cão passeia, mas não posso garantir que irão ser usadas, é uma questão que só será explorada na edição.

 

Como é que a população local se envolveu neste projecto? Que reacções é que tiveram das pessoas?

 

R.P.: A escolha do local de filmagens principal, Vilar d’Ossos, não foi por mero acaso. Tive em conta os vários cenários possíveis, mas acima de tudo os contactos e influência que dispunha. Neste caso, tinha o apoio dos meus avós, Carlos Paula e Hermínia Paula, que me ajudaram a contactar as pessoas necessárias. Tudo o que obtivemos, foi graças a boa vontade da população local.

Temos que agradecer à dona da casa onde filmamos, Teresa Martins, à responsável e zeladora pela capela, Iria Ferreira, a Nuno Fernandes pelo suporte que nos deu nas filmagens com a sua retroescavadora, que foi usada como grua.

As pessoas reagiram com curiosidade e expectativa, visto que algo deste género não é usual naquela região, e estão desejosos de ver o resultado final.

 

Qual foi o apoio que a Junta local vos prestou? Sei que foi concedida licença para abrirem uma cova no cemitério apenas para efeitos cinematográficos e que tal não é fácil de conseguir...

 

R.P.: A boa vontade não partiu só da população local. A Junta de Freguesia de Vilar d’Ossos deu o apoio mais relevante. Deram total liberdade para filmarmos a aldeia, os caminhos, e deram autorização para abrirmos cova no cemitério, isso é algo que devemos agradecer especialmente ao presidente da Junta de Vilar d’Ossos, Manuel Martins, assim como ao secretário, Luís Morais.

A Junta de Tuizelo também nos recebeu de uma forma muito calorosa e ofereceram o almoço.

 

Como realizador, quais foram as principais dificuldades encontradas para levar a cabo este projecto?

 

R.P.: Sinceramente, gerir a equipa. A maior dificuldade foi mesmo essa. Tanto o Tiago Ribeiro como o Leandro Vale são conhecidos da Aurora e não meus. Mas eu conhecendo a Aurora e esta sendo a produtora como título escolhido de início, confiei na escolha dela, tal como qualquer realizador confiaria no meu lugar.

Muitas coisas estavam em jogo, não tínhamos orçamento, por isso, não podia dar-me ao luxo de exigir tanto dos elementos que formaram a equipa, como exigi de mim para compensar divergências de personalidade e também na parte técnica, visto que não dispúnhamos de material necessário.

Todos os elementos foram escolhidos porque não exigiam compensação monetária, mas também porque, no caso do Tiago Ribeiro, ele tinha a câmara necessária para as filmagens.

Com isto não quero dar a ideia que foi tudo para “desenrascar”, mas infelizmente quando não dispomos de meios suficientes, acaba mesmo por ter que se tomar decisões mais ao estilo do “desenrasca” e isso pode criar algum desconforto a nível humano, mas neste caso, felizmente, não pôs em causa a qualidade do filme.

 

Quando é que vai ser feita a edição e quando é que a média metragem estará pronta?

 

R.P.: A edição vai ser feita em Portimão, por Paulo Lourenço e Pedro Gerardo, com a minha colaboração. São dois amigos que conheci na universidade que frequentei. 

A edição vai iniciar no dia 8 de Outubro, sendo que as datas seguintes dependerão da disponibilidade de cada um. A previsão é que, no máximo, estará pronto no final de Outubro.

 

Qual é o objectivo e a grande motivação deste projecto?

 

R.P.: A minha maior motivação foi trazer aquilo que eu aprendi no estrangeiro e adaptá-lo de forma a que possa dar algo de volta a região onde eu nasci e vivi até à idade adulta.

Acho importante não nos esquecermos da nossa origem, principalmente se esta vier de uma região do interior. Já basta que o próprio país se faça de esquecido.

O tema deste filme retrata o despovoamento das aldeias, o abandono dos idosos e, infelizmente, é uma realidade. Mas a solidão não é o único problema, a grande perda é a nível cultural e, mais importante do que isso, é a perda de tradições, do que nos torna portugueses, traduções que morrem com as aldeias.

 

Sei que pensam enviar a média metragem para festivais de cinema nacionais e internacionais. Quais é que serão os festivais prioritários, aqueles que vocês vão mesmo apostar?

 

R.P.: Os festivais prioritários a nível nacional são o Fantasporto, o IndieLisboa e o Curtas Vila do Conde. A nível internacional pretendemos concorrer no "Short Film Corner" de Cannes e no Berlin Film Festival. No entanto, existem várias regras impostas pelos festivais que vamos ter em conta e isso só acontecerá na devida altura.

 

Depois deste projecto filmado, maioritariamente, em Vilar de Ossos, Vinhais, há intenção de voltar a apostar em algo similar e usar as paisagens transmontanas como cenário?

 

R.P.: Trás-os-Montes é sem duvida uma região muito rica em paisagens bonitas, só por isso acho muito provável algum outro projecto surgir no futuro.

Posso revelar que já tenho algo de maior envergadura em stand by, e que vai envolver a cidade de Bragança, se conseguir obter um maior apoio, desta vez monetário.

Sou uma pessoa motivada por natureza e não vou deixar de fazer as coisas só porque não entendem a minha visão, mas é sempre agradável ser apoiado, até porque acho que todos beneficiam quando uma certa região é valorizada a nível cultural, principalmente se for por um projecto bem conseguido, e isso requer dinheiro.

É preciso que as entidades competentes entendam que quando alguém, como eu, se esforça por trabalhar no interior está a partilhar mais do que a sua ideia, no meu caso, está a divulgar a região numa linguagem universal e actual que vai atingir um vasto público e vai atrair turismo.

Nós, interior, podemos existir, mas eu procuro que tenhamos relevância.

 

Média metragem rodada em Vilar d’Ossos

Rui Pilão foi o realizador da média metragem intitulada “Aqui jaz a minha casa”, uma produção independente que aborda o tema do despovoamento e da solidão dos idosos. Para dar corpo a este projecto o jovem reuniu-se com um conjunto de amigos que, a título gratuito, quiseram participar. A par das juntas locais de Vilar d’Ossos e de Tuizelo, o grupo contou com o apoio da câmara de Vinhais e do Cybercentro de Bragança.

São 30 minutos que retratam a solidão na primeira pessoa e que colocam o actor Leandro do Vale como personagem principal, a única do filme, a par do seu cão Tobias.

06 de Outubro de 2010

A barragem de Veiguinhas foi alvo de um novo estudo de impacto ambiental tendo em vista a obtenção de uma declaração favorável que permita o arranque do empreendimento, previsto há mais de vinte ano como a “solução” para os problemas de abastecimento de água no concelho.

Este novo estudo deixa em aberto três soluções para avaliação: a construção da barragem de Veiguinhas, o transporte de água do Azibo para Bragança ou a bombagem de água da barragem de Gostei para tratamento na Estação de Montesinho. De todas as soluções, a barragem de Veiguinhas surge como a opção mais viável, em termos financeiros, com um investimento avaliado na ordem dos sete milhões de euros.

No entender de Jorge Nunes, presidente da autarquia, Veiguinhas é, como há vinte anos, “a solução economicamente mais aceitável e ambientalmente mais favorável”. Segundo indicou, as outras soluções ficam na ordem dos 23 milhões de euros e os 30 milhões de euros.

“Veiguinhas continua a ser a solução mais amiga do ambiente, quer sob o ponto de vista da construção, quer sob o ponto de vista da exploração”, considerou o autarca brigantino.

O problema do abastecimento de água à cidade, caso não seja resolvido, pode vir, no futuro, a colocar Bragança numa situação de ruptura total o que, num cenário que o autarca nem quer imaginar, colocaria até vidas humanas em risco, uma vez que “não haveria meios no país para fazer face a uma situação destas”.

“Hoje as secas são mais prolongadas e frequentes, pelo que ter uma reserva estratégica de água para Bragança é uma exigência sob o ponto de vista do desenvolvimento e da sustentabilidade do futuro do concelho”, apontou.

Recorde-se que, no Inverno de 2004/2005, Bragança enfrentou uma situação de emergência, com as reservas de água a atingirem limites mínimos, obrigando a câmara a recorrer ao transporte de água por camiões - cisterna.

A expectativa do autarca é que seja tomada uma decisão que dê o parecer positivo a Veiguinhas. O processo está a ser conduzido pelas Águas de Trás-os-Montes, entidade a quem cabe a responsabilidade do financiamento da obra. No entanto, caso haja algum condicionamento, em termos de investimento público, Jorge Nunes assume que a câmara teria capacidade para assumir o projecto, através de opções que permitissem direccionar recursos para esse investimento, considerado como “prioritário”.

publicado por Lacra às 08:35
últ. comentários
obrigado Cris:)
Bem vinda :))
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