Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
12 de Março de 2010

O perfil da criança traçado pelos investigadores não retrata Leandro apenas como vítima de violência escolar, mas também como agressor. Aliás, o relatório da PSP, já entregue ao Ministério Público, dá conta que a violência era uma constante na Escola EB 2,3 Luciano Cordeiro, em Mirandela.
Muitas vezes eram os próprios pais que aconselhavam os filhos a agredirem os colegas para se protegerem, optando por não denunciar os casos na escola ou às autoridades. Outras vezes, os casos eram resolvidos pelos irmãos mais velhos, que iam à escola bater nos alegados agressores. O ciclo de violência perpetuava-se.
Segundo a PSP apurou, esta não foi a primeira vez que Leandro chamou a atenção com ameaças à sua integridade física. Seria uma forma de se proteger face às agressões. Mas ele, acompanhado de familiares e amigos, também era capaz de agredir outros colegas, como aliás relatou anteontem ao PÚBLICO o pai de um deles. "O meu filho chamava-lhes "os génios", em vez de "os gémeos", andavam sempre com o primo e uma vez bateram-lhe e ele chegou com as pernas todas amassadas a casa", recordou João Mendes.
O relatório da PSP confirma as falhas no controlo das entradas e saídas da Escola Luciano Cordeiro, que ministra aulas do 5.º ao 9.º ano de escolaridade. E, nessa medida, responsabiliza a instituição, que permitiu a saída de um aluno durante o período das aulas.
Esta é, aliás, uma das preocupações demonstradas pelo director regional de Educação do Norte, António Leite, que já disse publicamente que é preciso chegar a uma conclusão sobre como esta criança saiu da escola. "É preciso perceber como acontecem estas saídas não autorizadas", disse há dias o director regional, após uma visita à escola.
O PÚBLICO sabe que o Ministério Público vai continuar a investigar este caso, passando agora a conduzir directamente as diligências. Entretanto, foi decretado o segredo de justiça ao inquérito, não estando, por isso, o mesmo acessível para consulta.
O pedopsiquiatra Pedro Monteiro insiste que a sociedade portuguesa deve abster-se de "crucificar seja quem for" e deve adoptar estratégias preventivas face ao aumento da violência nas escolas. "Os jovens não se podem continuar a relacionar nas escolas sem supervisão dos adultos. Muitas vezes são os próprios pais que não ajudam os professores a terem autoridade nas escolas", alerta o pedopsiquiatra. Ao defender que é fundamental um clima de disciplina e de amistosidade nas escolas, Pedro Monteiro salienta: "Os conselhos executivos e as associações de pais não se podem continuar a demitir de contribuir para um clima de mais dignidade entre os alunos".
Quanto ao caso de Leandro, Pedro Monteiro está convencido que houve um impulso suicidário por parte da criança, ainda que não reflectido. "As ameaças devem ser tomadas a sério", alerta, ressalvando que não conhece o relatório da PSP.


Fonte: Público

 

 

 


O director da Escola Luciano Cordeiro, em Mirandela, onde era aluno o rapaz de 12 anos que se atirou ao rio Tua, por alegadamente ser vítima de bullying, vai ser ouvido pelo inspector da Educação que está a elaborar um novo relatório sobre o que se passou no dia 2 de Março.

Depois de o Ministério da Educação ter considerado inconclusivo o relatório ao caso feito pela escola, a Inspecção-Geral da Educação foi chamada ao terreno.

Há dois dias que um inspector se encontra no estabelecimento, tendo instruções do ministério para ouvir o presidente da Direcção cão Executiva da escola, José Carlos Moreira da Silva Azevedo, e dos restantes quatro membros do executivo.

O inspector vai também ouvir os pais de Leandro, que foram ignorados no inquérito elaborado pela direcção da escola e que dizem ter alertado o estabelecimento para as agressões ao filho por parte de outros alunos.

A ministra da Educação, Isabel Alçada, terá dado instruções rigorosas para que seja apurada toda a verdade sobre o caso, querendo sobretudo resposta a duas questões ainda por esclarecer: se existiam agressões a Leandro ou outros alunos na escola, porque é que nunca foram reportadas pela direcção da Luciano Cordeiro ao ministério ou à Comissão de Protecção de Menores de Mirandela. E como é que foi possível que Leandro e outros alunos tivessem saído da escola no horário das aulas quando não estavam autorizados pelos pais a fazê-lo.

A ministra Isabel Alçada terá apontado o prazo de meados da próxima semana como a data-limite para a conclusão do relatório. Quarta-feira da próxima semana é também o dia apontado para a conclusão do inquérito ao caso que a PSP está a realizar para o Ministério Público.

Segundo fonte policial, já foram ouvidas cerca de 25 testemunhas , entre elas os responsáveis pela escola Luciano Cordeiro e os alunos que presenciaram o presumível afogamento do Leandro.

A Protecção Civil de Bragança retirou das margens do rio Tua em Mirandela a maioria dos meios que ali concentrou desde 2 deste mês, data em que Leandro de 12 anos se terá atirado à água.

Durante cerca de 10 dias, as equipas percorreram o Tua desde Mirandela até à foz. O grande caudal do rio e a pouca visibilidade das águas não permitiram que o corpo fosse localizado através dos botes e dos mergulhadores. As equipas também percorreram os treze quilómetros de margens, mas não foram encontrados vestígios do rapaz.

Para os responsáveis, o facto de o corpo se encontrar nu e pesar cerca de trinta quilos dificulta muito as buscas.

Em declarações ao DN, Melo Gomes, comandante da Protecção Civil afirmou que o grande caudal que o Tua apresenta, a temperatura muito baixa das águas impedem que as buscas tenham êxito. No entanto, adiantou, que os Bombeiros de Mirandela ao longo do dia vão monitorizando o rio e as suas margens.

Ainda segundo o responsável da Protecção Civil, quando o caudal for menor e a temperatura da água subir um pouco será lançada uma grande operação com todos os meios disponíveis numa tentativa de encontrar o corpo do rapaz.

A Protecção Civil de Bragança espera lançar a operação dentro de quinze dias se o tempo continuar seco.

 

Fonte: DN


 “Transparências/reflexões” é o novo trabalho em exposição  no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros até ao dia 8 de Abril. Da autoria de Hermano Marques, médico – fotógrafo ou fotógrafo – médico, esta é uma mostra que resulta de uma encenação de realidades, ancorada numa montra.

Hermano Marques nasceu no Porto, mas escolheu Macedo de Cavaleiros para trabalhar, exercendo funções de médico no Centro Hospitalar do Nordeste, e dar continuidade ao seu projecto de vida. 



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