Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
10 de Novembro de 2009

 Dos telescópios de todo o país directamente para o Facebook e Twitter, ser Galileu por um dia é agora mais fácil. No próximo fim-de-semana, podemos espreitar o Sol, tal como o famoso cientista, em Bragança, Espinho, Mira, Constância e São Pedro do Estoril.

Olhar o Sol de frente, descobrir-lhe os segredos e tornar-se por momentos um cientista do longínquo século XVII, fascinado com o novo mundo que só uma luneta deixa descobrir. Este fim-de-semana, o Ano Internacional da Astronomia desafia os portugueses a ousarem passear os seus olhos pela estrela mais próxima da Terra. As 'visitas' guiadas ao Sol terão lugar nos dias 14 e 15 de Novembro em Bragança, Espinho, Mira, Constância e São Pedro do Estoril.

A iniciativa está integrada no projecto do Ano Internacional da Astronomia "E Agora Eu Sou Galileu", que desde Fevereiro tem dado a conhecer os objectos do céu observados por Galileu Galilei há precisamente 400 anos e que acabariam por torná-lo um dos mais aclamados cientistas de todos os tempos: Vénus, Lua, Saturno, Júpiter e as manchas solares.

Do século XVII directamente para o século XXI, o desafio do Ano Internacional da Astronomia pode ser acompanhado em tempo real nas redes sociais. De olho no "E Agora Eu Sou Galileu" já anda o pequeno pássaro azul do servidor de microblogging Twitter (http://twitter.com/EAESG). As últimas novidades sobre o projecto podem ainda ser encontradas online na página do Facebook (http://www.facebook.com/pages/E-Agora-Eu-Sou-Galileu-AIA09/153878579317?ref=ts).

Na próxima sexta-feira, há "voltas" ao Sol em telescópio no Centro Ciência Viva de Bragança (das 14 às 17 horas), no Centro Multimeios de Espinho (a partir das 15 horas) e no Observatório Astronómico de Mira (das 15 às 18 horas).

No mesmo dia, o Sol vai ainda estar debaixo de olho no Parque de Astronomia de Constância (das 15 às 19 horas), uma cortesia do Centro Ciência Viva local, e em São Pedro do Estoril, no Centro de Interpretação Ambiental da Ponta do Sal (Avenida Marginal), numa organização do NUCLIO - Núcleo Interactivo de Astronomia.

O Ano Internacional de Astronomia (www.astronomia2009.org) é organizado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), da Fundação Calouste Gulbenkian, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, da Agência Ciência Viva e da European Astronomical Society (EAS).

 

Fonte: Ideias Concertadas

 

publicado por Lacra às 11:08
09 de Novembro de 2009

Martim, Luís, Steve, Carlos e Eduardo - os nomes estão afixados num quadro, numa sala da Escola EB de Vinhais. São crianças que sofrem de autismo, cada uma delas com problemas diferentes dentro do espectro da doença. Na sala de ensino estruturado da Escola EB de Vinhais cada um deles tem um espaço que os ajuda a organizar o dia-a-dia em rotinas, quer seja através de números ou através de cores. Depois de completarem as tarefas indicadas devem seguir todo o “caminho” indicado através de simbologias e terminar na área da brincadeira.

É assim todos os dias e faz parte de uma metodologia americana direccionada para crianças com autismo que o Agrupamento de Escolas D. Afonso III quis aplicar, em parceria com a câmara de Vinhais e com o apoio da Direcção Regional de Educação do Norte.

O projecto é pioneiro a nível nacional e visa ajudar as crianças com autismo a desenvolver competências especificas ao nível da aprendizagem, do comportamento, da interacção social, e da comunicação compreensiva e expressiva. Como? Através da focalização dos “pontos fortes” destas crianças: pistas visuais.

“Toda a sala está estruturada de forma a que as crianças tenham pistas daquilo que vão fazer no seu dia-a-dia”, explicou Celmira Macedo, uma das docentes responsáveis.

O autismo é uma perturbação do desenvolvimento que nem sempre é detectada à nascença. Por norma, só a partir dos dois ou três anos de idade é que a doença é despistada sendo que dentro do autismo existem depois quatro patologias diferentes que “pedem” diferentes intervenções. Quanto mais cedo for feita uma intervenção, melhores serão os resultados.

Em Vinhais trabalham neste projecto duas docentes, três terapeutas e duas auxiliares de acção educativa. A escola e os pais são chamados a participar activamente e a aceitar com normalidade a diferença. As cinco crianças estão, por isso, integradas em turmas e, consoante a necessidade, frequentam a sala de ensino estruturado aonde chegam acompanhadas pelo “amigo-tutor”.

Celmira Macedo explica que o “amigo-tutor” é uma criança da mesma turma que acompanha o menino autista à sala e que regressa depois para brincar com ele.

“A brincadeira é algo muito importante para trabalhar o relacionamento porque estas crianças com autismo refugiam-se numa espécie de mundo paralelo e inacessível”.

Este “mundo” das crianças autistas representa um verdadeiro desafio para os pais, sobretudo se não houver uma intervenção precoce. Exemplo disso é o caso de uma criança de 11 anos com autismo puro cujos pais nunca tiveram qualquer tipo de apoio para lidar com este problema.

“Em casa é a criança que manda. Grita, bate palmas frequentemente, mete a roupa na máquina, desfaz as camas. São comportamentos que na escola conseguimos reduzir em 90 por cento mas que se mantém em casa”.

 

A formação e o acompanhamento dos pais é, por isso, outra das importantes vertentes deste projecto educativo e que é complementado com a Escola de Pais, já em funcionamento em Bragança.

Manuela Rocha, mãe de uma das crianças com autismo, já frequentava a Escola de Pais, um local onde pessoas com as mesmas problemáticas encontram apoio e aconselhamento. No seu entender, a sala de ensino estruturado vem dar uma resposta mais concreta e explica porquê: “estas crianças precisam de regras e também de sequências que permitam organizar o seu dia-a-dia sempre com as mesmas rotinas. Precisam de se localizar sempre no espaço e no tempo, o que vão fazer, o que fizeram... Têm essa necessidade porque caso contrário sentem-se perdidos”.

O projecto arrancou com três crianças de Vinhais e duas do concelho de Mirandela que frequentam aquele espaço ao abrigo de um protocolo estabelecido entre as duas autarquias e a escola. A autarquia local prontificou-se, desde início, a dar todo o apoio necessário, remodelando o espaço e fazendo a aquisição dos materiais necessários.

Ao todo foram investidos cerca de dez mil euros, “um valor pequeno quando comparado com os objectivos que o projecto segue”, adiantou Roberto Afonso, vereador da Educação.

Os pais concordam: “este espaço faz falta em todos os lugares onde houver um menino com autismo”, afirmam.

A criação de espaços direccionados para crianças com autismo ou para crianças com outro tipo de necessidades especiais é da competência das escolas e dos municípios. Alcídio Castanheira, coordenador da equipa de apoio às escolas do Nordeste, Terra Fria e Arribas (antigo Centro de Área Educativa), lança, por isso, o repto a outros municípios e escolas para que dêem mais atenção a este tipo de carências. “Quando estas iniciativas surgem nós apoiamos sempre”, adiantou.

O coordenador admite que no distrito há algumas carências ao nível do autismo mas, no que diz respeito à  educação especial, o coordenador regista avanços notáveis. No distrito existe já uma rede estruturada de apoio e há já um quadro de recursos humanos especializado para dar resposta a estas questões.

 

Carla A. Gonçalves

06 de Novembro de 2009

 Dois mil quilómetros é uma medida pequena para descrever a distância a que Gerthein de Visser está  do “mundo” onde vivia. Pintor, bem afirmado na cena artística internacional, escolheu Landedo para viver, depois de anos de viagens e aventuras por esse mundo fora  

Nasceu na Holanda, viveu em Berlim e actualmente está radicado em Landedo, uma pequena aldeia do concelho de Vinhais onde apenas se chega por uma estreita e sinuosa estrada que atravessa o Parque Natural de Montesinho.

Ali vivem apenas onze pessoas. Entre eles o pintor Gerthein de Visser.

Há dois anos atrás, depois de uma estadia de oito meses na Índia e de uma curta passagem pela Indonésia, o pintor quis conhecer Portugal. Bragança foi a primeira cidade onde esteve. Decidido a conhecer melhor esta terra, comprou uma bicicleta e fez-se ao caminho. Landedo foi a localidade onde se fixou.

Comprou um terreno com sete hectares e uma casa senhorial em ruínas que tem reconstruído com as suas mãos. Enquanto a casa não fica pronta, Gerthein dorme numa tenda, também construída por si, que lhe garante o mínimo de conforto: o chão é em pedra, a estrutura é de madeira e a cobertura é impermeável. 

Gerthein de Visser define-se assim: minimalista, tal como a sua pintura. Mas o que leva alguém como Gerthein a fixar-se numa localidade onde não há praticamente nada? A distância entre o “mundo” em que viveu e este é bem maior que a distância física que separam Amersfoort, na Holanda, e Landedo, mais de 1600 quilómetros.

“É um desafio”, assume.

Depois de longos anos de trabalho em Berlim, onde deu início à série de pintura “Produtos Masculinos”, retratando as formas humanas numa crítica ao comportamento consumista, Gerthein mudou-se para a Índia. Viveria nesta país durante quase um ano. Depois passou ainda pela Indonésia.

No ano 2000, Gerthein esteve no convento de S. Francisco, em Mértola, para a realização de um projecto paisagístico Zen de um jardim destinado à meditação. Daí fixou-se na cidade alemã de Dresden e, em 2007, radicou-se no Nordeste Transmontano sendo já um pintor diferente, marcado pelas diferentes experiências, como o próprio assumiu.

“O meu primeiro trabalho consistiu em muitas imagens, muitas histórias agressivas, muitas coisas que eu queria dizer. Agora é minimalista, não quero dizer nada. É como viver aqui, sentir-me bem e não precisar de muito. Esta minha filosofia de vida é um pouco idêntica ao meu trabalho: minimalista”.

Na base da decisão de se fixar em Landedo pesaram dois factores: o preço do terreno e o clima do país.

“Há países melhores, há paisagens mais belas, mas uma das coisas que gosto aqui é do clima porque têm todas as estações. Depois, eu não sou rico e este terreno foi barato e possível de comprar. É difícil comprar casas ou terrenos fora da Europa”, contou.

Com sete hectares à disposição, Gerthein pode arranjar dois burros mirandeses, criar galinhas e ter ainda espaço para dois gatos e um cão pastor. No terreno plantou árvores de fruta e alguns legumes, mas poucos que, segundo diz, “a terra não é muito boa”.

O seu estilo de vida actual é  “radicalmente diferente” mas, segundo o pintor, “está a ser uma experiência muito boa” apesar das “durezas” da vida transmontana.

É que, conforme diz, “a vida aqui não é nada fácil”. Landedo fica a quinze quilómetros de Vinhais e 50 quilómetros de Bragança, 50 quilómetros que levam quase uma hora a fazer, de carro. Ali “não vai ninguém”, só mesmo o carteiro.

As primeiras dificuldades começaram com a colocação de água e luz. Já as obras na casa, Gerthein teve de tomar a iniciativa e deixar de esperar pelos “artistas”.

A língua portuguesa foi outro dos obstáculos que o pintor tem ultrapassado com relativa facilidade, embora esteja completamente convencido do contrário.

“Essa é uma frustração minha porque sempre tive talento para línguas mas o português é muito difícil”.

Mas são essas “pequenas” dificuldades que fazem da vida um desafio. São essas dificuldades que o levam a dar valor às pequenas coisas.

Gerthein recorda sorrindo o dia em que tiveram luz em casa ou a primeira noite debaixo de um telhado: “passamos a valorizar mais as pequenas coisas a que estamos habituados”.

Ao fim de dois anos, intercalados com passagens pela Alemanha, Gerthein assume que dificilmente voltará  para uma grande cidade. Pese embora em Landedo lhe falte gente com quem falar sobre algo mais que o tempo. Ou a “movida” cultural própria de Berlim.

“Estive em Berlim há pouco tempo. Foi muito bom mas não quero mais viver lá. É tudo muito cinzento, todo o mundo vive stressado”, explicou.

É que para Gerthein não há nada melhor que a sensação de liberdade: “quando saio da tenda, posso ver toda esta paisagem e dizer isto é meu. Posso ter um burro, o que na cidade seria impossível!”.

Da modernidade só não prescindiu mesmo foi da ligação à Internet, uma das suas primeiras preocupações quando se fixou em Landedo.

“Sem Internet a vida aqui era impossível!”, brincou.

Desde que se fixou em Landedo, Gerthein de Visser não voltou a pintar. Não por falta de inspiração ou vontade, antes pela falta de um espaço adequado para desenvolver o seu trabalho.

“O atelier ainda não está pronto. Quando estiver posso voltar a pintar novamente”, contou.

Ao mesmo tempo, Gerthein confessa que o dia-a-dia é de muito trabalho.

“Não sinto falta da pintura porque tenho muito trabalho apesar de ter muitas ideias para pintar”.

De qualquer forma, ultimamente, Gerthein compara a pintura à jardinagem: é algo que lhe dá  prazer. Quando pinta já quer contar histórias, quer apenas fazer arte.

“Tenho trabalhos em que peguei num ponto e repeti-o milhões de vezes. Um ponto não é nada. Não quero dizer muito com o meu trabalho. É apenas arte com a qual espero transmitir boas sensações”, explicou.

Ainda assim, o pintor não se quis afastar completamente da vida artística e, recentemente, deu-se ao conhecimento em Bragança. Actualmente, vários dos seus trabalhos estão em exposição no Centro Cultural.

 

Carla A. Gonçalves

 


O Teatro Municipal de Bragança recebe, este Sábado, a Companhia de Dança Olga Roriz com o espectáculo “Nortadas”. Olga Roriz inspirou-se nas memórias de uma terra onde nunca viveu (Viana do Castelo), mas de onde guarda “fortes momentos de infância e de adolescência”.

As bolas de Berlim de uma típica pastelaria da terra, frequentada pelo escritor Jorge Amado, ou o vento (nortada) que se faz sentir pelas altas terras minhotas, são “sensações” e “recordações” colocadas na coreografia.

O cenário reporta a dois espaços distintos: um exterior e outro interior que está, ao longo de toda a peça, concentrado numa sala de jantar onde invariavelmente a família se junta.

“Tudo nasce e se desenvolve a partir de uma refeição para no fim voltar a ela como um círculo sem fuga e aparentemente perfeito”, diz a coreógrafa.

Olga Roriz reconhece ainda que o espectáculo não teria sido possível “sem o dedicado trabalho de observação e capacidade de análise dos bailarinos”.

A selecção musical passa pelo fado de Amália Rodrigues, mas também por Bau, Croke, Charles Trénet, Pink Martini, Klezmer Music, os contemporâneos Dead Combo, bem como o tradicional Grupo Folclórico de Santa Marta de Portuzelo.

A peça estreou em Junho deste ano em Viana do Castelo e, desde então, tem estado em digressão pelo país.

“Nortada” é uma co-produção da Companhia Olga Roriz e da Câmara Municipal de Viana do Castelo integrada no ciclo de encerramento das comemorações dos 750 anos de Foral.

05 de Novembro de 2009

A água, a gestão que fazemos deste recurso natural e as barragens são temas que dominam o primeiro festival ibérico de imagens, chamado de “Cine H2O”, que irá decorrer em Mirandela, nos dias 13, 14 e 15 de Novembro.

Este Festival visa divulgar as obras cinematográficas e televisivas relacionadas com os rios e os recursos hídricos em geral. O destaque vai para o premiado documentário “Pare, Escute e Olhe”, da autoria de Jorge Pelicano, que aborda uma das problemáticas que é cara a Mirandela e a toda a Terra Quente: a da construção da barragem de Foz Tua e consequente submersão daquele vale e da linha férrea.

 

13 de Novembro

“Cine H2O” abre oficialmente no dia 13 de Novembro, às 21h00, com o documentário espanhol “En Nombre del Interesse General”, uma obra que fala dos “interesses privados” em nome do “interesse geral”.

“Continuam a propor-se grandes obras hidráulicas, barragens e transvases que destroem comunidades locais e representam barbaridades ecológicas, económicas e sociais para as regiões e países”, lê-se na sinopse.

O documentário aborda ainda o nascimento da associação Coordenadora de Afectados pelos Grandes Barragens e Transvases (COAGRET) nos Pirenéus, uma associação que juntou académicos, ecologistas e camponeses daquela região e que hoje assume uma luta internacional pela defesa dos rios e dos interesses das populações.

Para as 21h30 está marcada a abertura oficial que contará com a presença de José Silvano, presidente da autarquia de Mirandela, e dos alcaides espanhóis de Sanábria e Ribadelago.

Ainda no dia 13 de Novembro, às 22h00, é apresentado o documentário de Luís Navas sobre a catástrofe junto ao conhecido lago da Puebla de Sanábria.

Intitulado “Catástrofe em Ribadelago 1959-2009”, este é um documentário duro sobre o dia em que as águas da barragem de Vega de Tera, próxima do rio Tera e do Lago de Sanábria, rebentaram e arrasaram a aldeia de Ribadelago. Em 14 intermináveis minutos centenas de pessoas morreram afogadas mas apenas 28 cadáveres seriam resgatados.

 

14 de Novembro

Mas porque a sensibilização para a protecção dos rios se faz mais do que com imagens, a organização do Cine H2O promove, no dia 14, sábado, uma viagem pela Linha do Tua e uma descida em canoa do mesmo rio. O almoço será no Cachão e o regresso novamente em comboio. Durante a tarde serão projectadas curtas e médias metragens.

É também neste dia, às 17h00, que é exibido o documentário “Pare, Escute e Olhe”, vencedor de seis prémios em dois festivais (Doc Lisboa e Cine Eco 2009). Este será mesmo o grande momento de todo o Festival. Em cena é colocada uma obra que dá conta das consequências do abandono da linha férrea para as populações transmontanas, destacando o despovoamento e a desertificação.

“É uma viagem por um Portugal profundo e esquecido, conduzido pela voz soberana de um povo inconformado, maior vítima de promessas incumpridas dos que juraram defender a terra”, explicou Jorge Pelicano, autor do filme.

 

 

“Margens” é o documentário que encerra a noite do Cine H2O. Da autoria de Pedro Sena Nunes, este é mais um filme, mais uma imagem do vale do Tua numa abordagem diferente. A inauguração de uma ponte que liga as duas margens do rio é momento de celebração e “representação”.

“A classe política estratificada, comandada pelo senhor presidente que “sacava” os fundos europeus para obras, a banda de música, a igreja, o povo de ambas partes” são o cenário para uma reflexão antropológica do rio na vida das comunidades humanas que o envolvem. 

Depois da sessão, o convite é para uma noite temática no “Belha Bar”, no centro de Mirandela.

 

15 de Novembro

“Vilarinho das Furnas”, de António Campos, abre a manhã de 15 de Novembro do Cine H2O. O documentário retrata uma aldeia perdida no sopé da Serra Amarela, com vista para o Gerês, onde só uma estrada romana a ligava ao mundo e que acabou “afogada” por uma barragem que a população hesitou contestar.

A manhã será preenchida ainda com um conjunto de reportagens televisivas: “Regresso a Alqueva”; “O Feitiço da Luz”; “Palhota: Aldeia Avieira”; “A mão que agrava as cheias”; “Projecto Rios”; “Percurso Alviela”; e, por fim, “Alviela”. Ao longo da tarde serão ainda projectadas curtas e médias metragens, a anunciar pela organização. No encerramento do Festival deverá ainda ser anunciada a sua segunda edição. Neste dia será ainda realizada uma reunião da Rede Nova Cultura da Água para a Bacia do Douro e outras bacias hidrográficas no Norte de Portugal.
04 de Novembro de 2009

A auto-estrada transmontana, entre o Porto e Bragança, e a concessão do Douro Interior, que engloba o IP2 e o IC5, foram “chumbadas” pelo Tribunal de Contas (TC). A notícia foi avançada pelo Expresso online que cita uma fonte interna do TC que confirma a recusa dos vistos.

As Estradas de Portugal já avançaram, no entanto, que as obras não irão parar até porque vai haver recurso desta decisão.

“A Estradas de Portugal comunicou já ao Tribunal de Contas a sua decisão de recorrer da recusa de visto prévio dos contratos de subconcessão em epígrafe, de forma a ultrapassar as objecções identificadas pelo referido Tribunal”, divulgou a empresa em comunicado.

As obras da auto-estrada transmontana foram adjudicadas à Soares da Costa por 800 milhões de euros, 25 por cento abaixo do valor de referência do estudo prévio de viabilidade. Entre Vila Real e Amarante e no túnel do Marão as obras encontram-se a decorrer a grande velocidade. O mesmo acontece com a concessão do Douro Interior, adjudicada à construtora Mota-Engil por 700 milhões de euros.

Jorge Coelho, presidente executivo da construtora, foi apanhado de surpresa pela notícia do Expresso. Ao semanário o responsável manifestou a convicção de que a concessão não estará dependente do visto do TC e avançou que, actualmente, há quatro frentes de obra e milhares de trabalhadores envolvidos. “As obras seguem a todo o vapor”, declarou.

As razões que ditaram a recusa do visto pelo Tribunal de Contas ainda não são publicamente conhecidas mas Adão Silva, deputado social-democrata por Bragança, pediu já explicações.

O deputado questiona também o “timing” do Tribunal de Contas que se pronunciou numa altura em que as obras decorrem no terreno. Como é que os trabalhos de construção estão a ser pagos ou se ainda não estão a ser pagos são algumas das dúvidas de Adão Silva que questiona ainda se esta situação não vai provocar acrescidos atrasos.

O Governo tem avançado o ano de 2012 como o limite para a conclusão das acessibilidades transmontanas.

03 de Novembro de 2009

A manutenção do pólo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) em Miranda do Douro e a ligação do IC5 entre Duas Igrejas e Espanha são duas das prioridades já avançadas pelo novo executivo socialista empossado nesta segunda-feira.

Artur Nunes pretende retomar as reuniões com os dois ministérios responsáveis pelas matérias, o Ministério da Ciência e Ensino Superior e o Ministério das Obras Públicas, mas agora como autarca eleito pelo PS.

O novo presidente da câmara de Miranda do Douro vai iniciar novamente os contactos com a reitoria da UTAD e com o Ministério da Ciência e Ensino Superior na tentativa de retroceder àquela que já foi uma decisão anunciada: o encerramento do pólo universitário. Em cima da mesa há várias possibilidades que passam até pela parceria com o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) que, por várias vezes, demonstrou disponibilidade para, em conjunto com a UTAD, encontrar uma solução que permita manter o ensino universitário na localidade.

A UTAD decidiu encerrar o pólo de Miranda do Douro devido à diminuição de alunos. A decisão foi sempre contestada, quer pela população local quer por várias entidades, pelos impactos negativos, a nível económico e social, que acreditam que tal medida terá para a cidade e para o concelho.

Artur Nunes quer conhecer o dossier interno e, em parceria com a UTAD, saber o que estava protocolado. “A partir daí, se houver outros parceiros ou mais parceiros, estaremos abertos a negociar para manter o ensino superior em Miranda do Douro”.

Outra das conversações a retomar é com o Ministério das Obras Públicas. No passado, Artur Nunes reuniu com os responsáveis da tutela para debater o reforço do IC5 entre Duas Igrejas e Espanha tendo ficado patente a necessidade efectiva dos homólogos espanhóis redefinirem o traçado.

O autarca vai encetar esforços no sentido de conhecer qual o projecto de Espanha a esse nível para depois, conjuntamente com o ministro da tutela, tomar uma posição.

Artur Nunes pretende ainda fazer uma análise da situação financeira do município mirandês. Economista de formação, o novo autarca recusa avançar com medidas específicas antes de fazer uma avaliação do estado das contas da autarquia.

“Primeiro teremos que fazer uma avaliação interna e só depois poderemos definir medidas específicas, em conformidade com a situação que encontrarmos”, explicou.

Depois da avaliação financeira, Artur Nunes admite que a questão do matadouro será também analisada, desta feita em conjunto com a câmara de Mogadouro, autarquia com a qual o anterior executivo teria compromissos. A grande questão será mesmo decidir onde ficará instalado o matadouro que deverá servir o concelho de Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso.

O novo executivo socialista tomou posse na segunda-feira já a contar com a oposição de dois vereadores eleitos pelo PSD. É que, segundo Artur Nunes, o opositor da candidatura, eleito vereador, Américo Tomé, não terá felicitado o novo executivo pela vitória. “Não sei se nos próximos dias vai haver algum entendimento mas até aqui não houve essa aproximação”.

O autarca considera “lamentável” que preparação da tomada de posse não tenha sido conjunta mas deposita esperanças que no futuro haja um “compromisso democrático de colaboração e parceria”.


 Berta Nunes já esperava encontrar a câmara de Alfândega da Fé em ruptura financeira mas, afinal, a situação é ainda pior com as dívidas a ascenderem quase aos 20 milhões de euros. Na cerimónia de tomada de posse como autarca pelo PS, Berta Nunes não se conteve em falar do anterior executivo como exemplo de “má gestão, muita incompetência e muito desperdício”. “Em oito anos era difícil fazer pior”, acrescentou.

As dívidas a curto prazo rondam os sete milhões de euros e a longo prazo os 10 milhões de euros. Para além disso, há ainda um rol de dívidas não cabimentadas na ordem dos dois milhões de euros. A situação das empresas municipais também não é a melhor. Antes de cessar funções, o anterior presidente, João Carlos Figueiredo, mandou fazer uma auditoria que apontou como melhor solução a extinção da empresa municipal EDEAF, tecnicamente falida e sem dinheiro para pagar os salários dos dez funcionários. Essa não será no entanto a solução que a presidente vai seguir. Apesar de considerar que não é “vocação” da autarquia gerir empresas que “produzem compotas ou queijo”, como é o caso da EDEAF, Berta Nunes prefere tentar primeiramente o contacto com privados, de modo a poder assegurar os postos de trabalho que foram criados. “Já há alguns contactos com privados, vamos fazer tudo para que a extinção da empresa não seja a solução porque queremos preservar o máximo de postos de trabalho”, assumiu. No que diz respeito à empresa municipal Alfandegatur, que gere o Hotel e Spa da Serra de Bornes, a situação financeira não será tão má: são 2,5 milhões de euros de dívida à banca e ao Fundo de Turismo, bem como aos fornecedores. A câmara de Alfândega da Fé tem ainda constado do relatório público da Direcção Geral das Autarquias Locais como das piores pagadoras, a nível nacional, sendo que em média demora dois anos a pagar aos fornecedores. Mas, segundo a nova presidente, há situações que contribuíram para o acumular de saldo negativo e que terão sido fruto de “despesismo”. A título de exemplo Berta Nunes referiu que o anterior executivo, já na recta final do mandato, encomendou algumas esculturas cujo valor ainda é desconhecido mas que “ilustram bem o despesismo e desperdício de uma câmara que está numa situação muito, muito difícil”. O novo executivo empossado marcou já uma Assembleia Municipal extraordinária para este Sábado, 7 de Novembro, para fazer uma revisão orçamental. Berta Nunes compromete-se a “não deitar a toalha ao chão” e a “trabalhar para resolver o problema”. No entanto, a autarca não deixou de sublinhar a “incompetência e má gestão”: “só temos dívidas, dívidas e mais dívidas. Envergonhem-se meus senhores!”. A autarca vai tentar definir um plano de reequilíbrio financeiro que permita, com a ajuda do Estado e dentro da lei, regularizar a situação no prazo de seis meses a um ano. Berta Nunes assumiu ainda o compromisso de relançar o investimento, criar emprego e riqueza, mas só depois de resolvida a situação financeira. A tomada de posse do novo executivo socialista ficou ainda marcado pela forte afluência de populares que quiseram cumprimentar e felicitar a nova presidente e que aproveitaram para criticar o presidente cessante da Assembleia Municipal pela recusa em ceder o Centro Cultural para a cerimónia. Berta Nunes foi empossada no auditório da Biblioteca Municipal o que fez com que a maioria dos populares tivesse de ficar na rua ou numa sala contígua onde acompanharam a cerimónia por vídeo-conferência. Durante o acto foi ainda eleita a mesa da Assembleia. O povo deu a vitória ao PS mas dado que a coligação PSD/CDS-PP elegeu mais juntas de freguesia os votos recaíram na lista da oposição. Assim, o presidente cessante, Júlio Cancela, foi novamente eleito presidente da mesa da Assembleia Municipal, desta feita sem os votos do povo mas com os votos de autarcas. Da parte de Júlio Cancela ficou a promessa de “isenção” e “cooperação” pelo “supremo interesse” de Alfândega da Fé.


O novo executivo camarário de Carrazeda de Ansiães pretende cultivar o diálogo e a cooperação estratégica com os três vereadores eleitos pelo PS (Augusto Faustino) e pelo Movimento Independente (Olímpia Candeias e Marco Azevedo). No discurso de tomada de posse, José Luís Correia, autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP, aproveitou para apelar aos vereadores eleitos que “ultrapassem as fronteiras partidárias e de movimentos” pelos interesses do concelho. Da sua parte ficou o compromisso de assumir os quatro anos de mandato colaborando com todas as forças vivas, “independentemente da cor partidária”, como reforçou.

Consciente das dificuldades e obstáculos que esperam todo o executivo, José Luís Correia garantiu que não desistirá e tão pouco servirá o papel de alimentar “controvérsias”.

Eugénio de Castro, presidente cessante, quis no entanto deixar alguns conselhos. Depois de 20 anos à frente da autarquia, o ex-autarca considerou que será preciso uma “congregação de esforços com os vereadores”, mas apontou para alguns “perigos”:  “Tenho esperança em si, na câmara municipal, que se rodeiem dos melhores, que contem com todos e façam desta terra o que eu não consegui. Mas os que o bajulam, que andam à sua volta, são esses que o vão trair na primeira porta”.

O novo executivo conta apostar prioritariamente em iniciativas que promovam os recursos endógenos, que criem emprego e fixem população. Para tal, José Luís Correia pretende estabelecer um programa que permita um melhor aproveitamento das potencialidades turísticas e de valorização dos produtos locais.

A construção e manutenção de equipamentos colectivos que sirvam as populações é outra das prioridades do executivo PSD/CDS-PP. Prevista está a conclusão do centro cívico, a construção do pavilhão gimnodesportivo, a requalificação urbana da vila e, entre outros, a repavimentação de algumas estradas municipais degradadas.

José Luís Correia tomou posse como presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães no passado dia 31 de Outubro. Adalgisa Barata acompanha-o como vice-presidente, ambos eleitos pela coligação PSD/CDS-PP. Do executivo fazem ainda parte dois vereadores do Movimento Independente e um vereador eleito pelo PS.

 

02 de Novembro de 2009

 De Janeiro a Setembro deste ano, militares da GNR afectos ao Grupo Territorial de Bragança, já aprenderam mais de 116 quilos de canábis, fazendo do distrito o recordista nacional. Microclimas podem ser explicação para a incidência.

O fenómeno ainda não foi estudado adequadamente e existem apenas alguns parâmetros, como por exemplo a idade dos cinco detidos durante o período em causa - compreendida entre os 27 e os 52 anos -, o que não lança grande luz sobre a questão. A GNR pensa que o número de pessoas envolvidas é ainda demasiado pequeno, "pelo que seria abusivo da nossa parte estar a atribuir traços que poderão não corresponder à realidade", explicou o major Martins Ribeiro, relações públicas do comando da GNR em Bragança.

De acordo com esta fonte policial, o distrito Bragança é também uma das regiões do país onde mais plantas de canábis foram aprendidas durante o presente ano. Isto pode ser explicado, segundo aquele oficial da GNR, pelo facto de o distrito ter condições climatéricas muito propícias para o desenvolvimento daquelas plantas, cujo cultivo é proibido por lei.

Ao que o JN apurou, regiões como a Terra Quente transmontana e o Parque Natural do Douro Internacional são locais ideais para o desenvolvimento da planta, que encontra microclimas de algum calor e humidade, dada a proximidade de alguns cursos de água importantes como o rio Douro e alguns dos seus afluentes.

Outro factor de desenvolvimento podem ser mesmo as noticias que "à medida que circulam, incentivam a vontade de experimentar o cultivo", observa o oficial da GNR.

Porém, é sempre difícil as pessoas envolvidas nestes processos assumirem que as substâncias aprendidas são para "o tráfico". Limitam-se a dizer que "são para consumo próprio", apontando vários motivos, como fins medicinais, ou, simplesmente, porque as deixa "bem dispostas".

" As molduras penais para o tráfico, ou para o consumo são diferentes. Daí que toda a gente escolha a segunda explicação. Quanto à existência de tráfico de canábis apenas se pode especular. No entanto houve uma detenção em que foram aprendidos cerca de 50 quilos da substância, o que é muita coisa só para consumo ", explicou aquele oficial GNR.

 

Fonte: Jornal de Notícias

Em 2008, a GNR de Bragança tinha apreendido "apenas" três quilos de canábis, o que corresponde a oito plantas, e identificada uma pessoa na área de Mirandela, pelo que a evolução é significativa e está a ser objecto de uma atenção especial.

 

publicado por Lacra às 11:52
últ. comentários
obrigado Cris:)
Bem vinda :))
Helder Fráguas sofreu a perda da sua companheira, ...
Para mim e para muita gente a volta às adegas para...
Estou habituado na leitura de blogs on line, adoro...
me llamo fedra soy de santa fe argentina tengo 9 ...
Carissimos,Eu não sei quem inseriu o comentário em...
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