Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
01 de Julho de 2009

 O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) vai oferecer, no próximo ano, o curso de Web Design de Jogos Digitais, uma licenciatura única em todo o país, desenhada na totalidade por docentes desta instituição. O curso vai ser ministrado na Escola Superior de Turismo e Comunicação de Mirandela e terá parcerias com os estúdios da Walt Disney em Madrid, Espanha e com o Brasil.

O curso de Web Design de Jogos Digitais foi aprovado com mais um conjunto de quatro licenciaturas: Inglês-Espanhol;  Arquitectura Paisagística; Guia Intérprete e Gestão de Negócios Internacionais.

O IPB deve abrir vagas para todos estes cursos já no próximo ano lectivo, com excepção do curso de Gestão de Negócios Internacionais, um curso europeu a desenvolver em parceria com o Reino Unido, Lituânia, Polónia e Alemanha.

O arranque deste curso europeu está apenas dependente da conclusão do processo nos outros países. Está previsto depois que os alunos que frequentem esta licenciatura façam o primeiro ano em Bragança e os seguintes nos diferentes países, conforme explicou Sobrinho Teixeira, presidente do IPB.

“É um curso europeu que vai obrigar à mobilidade dos alunos e cujo arranque está apenas condicionado pela conclusão do processo de aprovação da licenciatura nos outros países”.


Depois de longos anos à frente do Instituto Politécnico de Bragança, Dionísio Gonçalves regressa àquela instituição, como elemento exterior, para assumir a presidência do Conselho Geral, um órgão que com a nova legislação passa a ter outro protagonismo.

Do Conselho Geral fazem parte 25 elementos, 14 docentes das escolas do politécnico, três alunos e um funcionário, a par com sete elementos exteriores escolhidos pela relevância do seu currículo, nomeadamente Amadeu Ferreira, Manuel Alves Miranda, Manuel Campilho, Manuel Ferreira Gomes, Paulo Mendo e Teodoro Pereira. Este órgão consultivo vai ter como principal função aconselhar a direcção do IPB e aprovar os planos de desenvolvimento estratégico da instituição. Embora sem qualquer poder de decisão executivo, o Conselho Geral terá a grande responsabilidade de estabelecer a ligação entre o IPB e a comunidade. Para Dionísio Gonçalves é o regresso activo ao instituto que ajudou a criar e a afirmar no panorama nacional. À comunicação social, o antigo presidente assumiu que era “difícil” não aceitar o desafio, sobretudo numa altura em que o IPB se prepara para lançar vários projectos, assumindo-se como uma das maiores instituições politécnicas do país. Para o futuro, Dionísio Gonçalves desejou apenas “estar à altura do desafio” e “responder aos anseios de uma instituição que cresceu muito”. A tomada de posse do presidente do Conselho Geral decorreu na passada terça-feira. No mesmo dia foi realizada também a cerimónia da tomada de posse dos directores e sub-directores das escolas do IPB. Todas as escolas mantêm as direcções, havendo apenas mexidas em relação aos sub-directores.

 

Sobrinho volta a recandidatar-se à presidência do IPB

Depois de três anos de mandato, terminados na semana passada, Sobrinho Teixeira anunciou já a intenção de voltar a recandidatar-se à presidência do Instituto Politécnico de Bragança. Na base da recandidatura está a “vontade de prosseguir na continuidade do trabalho desenvolvido” e na afirmação do IPB a nível nacional e internacional. Recorde-se que Sobrinho Teixeira é também o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. As eleições deverão ser marcadas pelo novo conselho geral, presidido por Dionísio Gonçalves.

publicado por Lacra às 09:32
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 Há 25 anos atrás a pacata aldeia de Zedes, no concelho de Carrazeda de Ansiães, foi notícia a nível nacional. Não pela famosa anta funerária que ali existe, mas sim pelo discurso polémico proferido pelo então bispo da diocese de Bragança-Miranda, D. António Rafael, no âmbito da realização da II Semana Cultural. Numa análise à situação política e económica que se vivia na altura, D. António concluiu que mandar dinheiro para Portugal era metê-lo num “saco roto”.

Portugal vivia então uma crise económica alarmante que “obrigou” o governo do bloco central (PS/PSD), liderado por Mário Soares e Mota Pinto, a pedir a intervenção directa do Fundo Monetário Internacional (FMI). Foi nesse ano que se verificou uma inflação recorde de 29,3 por cento; um crescimento negativo do Produto Interno Bruto; o aumento do desemprego; o aumento das falências e um número crescente de trabalhadores com salários em atraso.

Muitos portugueses, sobretudo de Trás-os-Montes e da região Norte, encontravam-se emigrados em França, na Alemanha, na Suíça ou no Luxemburgo. Este foi um fenómeno que ocorreu em força sobretudo nos anos 60 e que afectou muito as populações rurais, que, dado os desequilíbrios regionais e o atraso da agricultura, procuraram fontes alternativas de rendimento. As remessas enviadas geravam um fluxo financeiro de grande importância, mas isso não se estava a reflectir em todo o país.

Convidado a reflectir sobre a problemática, D. António Rafael pôs o dedo na ferida: o dinheiro dos emigrantes transmontanos não chegava ao Nordeste Transmontano.

“Vedes como vamos de vias rápidas, estradas, obras públicas, e como estaria todo o distrito, se não fossem as vossas construções de habitação, o desenvolvimento promovido pelos que retornaram do Ultramar e as iniciativas e realizações das autarquias. Não é para o investimento e fomento nacional, porque vós vedes como por todo o país, os edifícios públicos estão em crescente degradação e as empresas nacionais em aceleradas descida para a falência. Os vossos milhões de contos são para financiar o esbanjamento e o lordismo nacional, ou mais exactamente a mandriagem e a corrupção generalizada e retardar a bancarrota. (...) Os emigrantes deviam pedir do Estado que investisse o seu dinheiro no Nordeste, desenvolvendo a região, criando postos de trabalho e condições de vida para o seu regresso, ou então valorizá-lo para vos o terdes à disposição e poderdes investi-lo e aplicá-lo onde quisésseis e como quisésseis. (...)

Estamos a gastar o que não temos e a consumir o que não produzimos. Custa dizê-lo, mas a verdade é esta: mandar dinheiro para Portugal é metê-lo em saco roto”.

A frontalidade e a dureza das palavras ditas quebrariam a placidez de um Verão que se esperava “politicamente frio”. Para além do Mensageiro, dois jornais diários publicariam o discurso de D. António na íntegra, enquanto que outros alimentariam a polémica do “Saco Roto” durante algum tempo.

A expressão ganharia tal força que, em 1985, o jornal Mensageiro tinha inclusive uma coluna com esse nome onde analisava a situação da região e do país.

Passados 25 anos, a Associação Cultural e Desportiva de Zedes e a Junta de Freguesia local vão evocar as memórias desse dia e desses tempos. Assim, no dia 1 de Agosto será inaugurada uma exposição com antigos jornais que deram notícia do acontecimento. A associação espera ainda conseguir outros registos, nomeadamente fotográficos, de particulares que tenham estado presentes no evento.

João Sampaio, presidente da direcção da Associação, vai também fazer uma reflexão sobre “o poder da palavra: dada e escrita”.



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