Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
23 de Maio de 2009

 

 O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, disse hoje, em Alfândega da Fé, que "dificilmente" aparecerá uma proposta que leve o campeão nacional a alterar o seu plantel futebol.

"É muito difícil conseguir qualquer proposta boa para o FC Porto, se isso implicar a saída de qualquer um dos nossos jogadores", declarou, quando questionado sobre a eventual saída de Bruno Alves e a contratação de Maicon.

"Todos os nossos jogadores fazem parte de um projecto e queremos que continuem a fazer, não há intenção de sair nenhum", reiterou.

Para o presidente portista, "qualquer clube aspira a ter qualquer um dos jogadores" do FC Porto, mas, e mesmo constatando que "os jornais até fazem roteiros" com os jogadores do campeão nacional, o presidente garante estar "interessado em manter o seu plantel".

"Só se sair algum jogador é que teremos necessidade de contratar", concluiu, insistindo que "dificilmente a aparecerá uma boa proposta para o FC Porto".

O presidente do FC Porto falava à margem da inauguração da Casa do Porto de Alfândega da Fé, depois de depois ter sido recebido no Centro Cultural Mestre José Rodrigues, onde trocou elogios com o presidente da Câmara, João Carlos Figueiredo.

O autarca considerou o presidente portista "um exemplo de liderança e perseverança nos 27 anos que está à frente do clube".

Realçou que os 325 troféus alcançados neste período são "para o desporto deste país um exemplo daquilo que deve ser trabalhar em prol da comunidade".


O ministro da Cultura, António Pinto Ribeiro, veio ao distrito de Bragança inaugurar o Museu de Arte Sacra de Macedo de Cavaleiros e o Museu de Arte Sacra da Ordem III de S. Francisco de Vinhais.

António Pinto Ribeiro aproveitou para apelar às autarquias e direcções dos novos equipamentos culturais que integrem os reformados com qualificações, como seja, médicos, professores, advogados, nos serviços educativos dos Museus, permitindo que sejam eles a fazer visitas guiadas.

“É preciso que estes espaços sejam abertos à população local e que sinta isto como seu. Através dos serviços educativos podem aproveitar para ocupar pessoas já reformadas para fazer visitas guiadas”, apontou.

O Museu de Arte Sacra de Macedo de Cavaleiros está instalado num edifício da Casa Falcão, recuperado pela autarquia, e é resultado de um trabalho em rede desenvolvido pela câmara em conjunto com a Associação Terras Quentes e outras entidades. Ao longo de cinco anos foram inventariadas centenas de peças de arte sacra do património religioso do concelho macedense, que agora podem ser apreciadas no novo espaço cultural. Ao todo estão expostas cerca de 80 peças dos séculos XIV ao XX, divididas por quatro núcleos: Imaginária, Ourivesaria, Artes Gráficas e Pintura. A Imaginária está representada com temas marianos, de santos pregadores e evangelistas. Objectos relacionados com o incenso, a eucaristia e as procissões estão expostos na Ourivesaria. O núcleo das Artes Gráficas integra os missais romanos, produzidos nas cidades de Veneza, Antuérpia, Porto, Coimbra e Lisboa. Na Pintura é mostrado o que de melhor existe a nível local e regional, bem como parte de um importante núcleo pictórico de António Joaquim Padrão, pintor e gravador lisboeta do período barroco.

O presidente da câmara, Beraldino Pinto, explicou que o Museu vai trabalhar de forma interactiva com as populações locais, promovendo a visitação de capelas e igrejas de onde as peças são originárias. Depois, será implementado o regime de rotatividade, ou seja, as peças seguem para os seus locais de origem e serão substituídas por outras que vão ser recuperadas a curto prazo.

O Museu de Arte Sacra de Macedo de Cavaleiros representou um investimento de cerca de um milhão de euros, suportados exclusivamente pela autarquia. A falta de apoios por parte do Ministério da Cultura foi justificada por António Pinto Ribeiro que não vê qualquer necessidade de apoiar o que não necessita de apoio.

“As coisas têm de ser feitas. Não é melhor serem feitas com apoio quando não necessitam e a prova é que estão aqui feitas”, justificou.

 

Museu de Vinhais integra três igrejas

Já à passagem por Vinhais, para inaugurar o Museu de Arte Sacra da Ordem III de S. Francisco, o ministro da Cultura elogiou a recuperação do património como afirmação da identidade portuguesa.

“Se queremos atrair turistas, o argumento do bom tempo não chega. É preciso valorizar o património, recuperar a memória e afirmar a nossa identidade”.

O Museu de Vinhais foi concebido segundo o conceito de “eco-museu” que integra outros espaços culturais do concelho. O autarca vinhaense, Américo Pereira, explicou que o eco-museu é um “conceito diferente”, porque, para além das salas de exposição, são integradas três igrejas e o convento da Ordem de S. Francisco.

“Quem visitar este Museu pode circular por todo este espaço e a qualquer momento assistir até a uma missa. É um verdadeiro museu vivo”, apontou.

O Museu é já considerado a “jóia da coroa” dos equipamentos culturais de Vinhais que será completada com a inauguração da Biblioteca e Centro Cultural e do Centro de Interpretação do Porco e do Fumeiro.


Determinar com exactidão a origem do bordado de “filé”, mais conhecido como "rede de nó", é difícil até para os historiadores. Na região também não se conhece tradição da arte. No entanto, Etelvina Mariz foi aprendê-la em Baçal e hoje, que se saiba, é das únicas pessoas que continua a bordar e com vontade de passar o testemunho para futuras gerações

 

Etelvina Mariz deve ser das únicas pessoas do concelho de Bragança que sabe fazer bordados de “filé”, mais conhecidos como “rede de nó”. Aliás, Etelvina Mariz deve ser das poucas pessoas que sabe o que é a “rede de nó”, um tipo de bordado muito característico, semelhante na forma à rede de pescador, e pouco usual na região transmontana. Pesquisando sobre o assunto, encontramos autores que reivindicam para o Douro Litoral, freguesia de Pombeiro, a tradição e uso do bordado de “filé”, uma rede constituída por nós, semelhante à rede de pescador, que pode ser depois bordada de acordo com o gosto e imaginação. No entanto, é difícil atribuir com exactidão uma data ou uma origem do bordado de “filé”. Segundo Paulo Silva, na tese de mestrado em Design e Marketing da Universidade do Minho, sobre Bordados Tradicionais, já os egípcios bordavam “filé” simples com pérolas de vidro e na Pérsia o “filé” era bordado a ouro e prata sobre tecidos de seda. O mesmo autor indica ainda que, em Itália, foram encontrados bordados em “rede de nó” no espólio de D. Catarina de Médicis, que teria “grande apreço” por este tipo de bordados, assim como as suas filhas e criadas que passavam grande parte dos dias dedicadas aos quadrados de filé.

Natural de Varge, Etelvina confessa que não se recorda de alguma vez ter visto este tipo de trabalhos. “Nunca tinha visto trabalhos destes nem nunca tinha visto ninguém fazer. Não é da minha lembrança”. Foi só depois de casar que viu a sua falecida sogra, natural de Baçal, fazer bordados deste género. Na aldeia, no entanto, não havia outra pessoa que os fizesse. “Ela faleceu com 93 anos e era a única pessoa que sabia fazer estes bordados”, garantiu Etelvina.

Depois de anos e anos a apreciar o seu trabalho e constatando que poucos conheciam a arte, Etelvina quis então aprender, já tinha 40 anos.

“Na altura a minha sogra ficou muito admirada, porque já tinha tentado ensinar algumas pessoas e elas não aprenderam”.

Foi por isso com mais interesse que quis aprender e dar continuidade à tradição da arte e, desde então, aproveita todos os tempos livres para ir fazendo estes bordados.

Sem atelier ou pretensões de tecedeira, Etelvina improvisa rapidamente um local para nos ensinar a fazer “rede de nó”: prende um alfinete segurança ao sofá e passa o fio de algodão pelo meio; depois, segurando num pequeno arame com uma mão, vai tecendo, com a agulha, pontos que são nós. A prová-lo, Etelvina mostra que, se se enganar, não há volta atrás: “tem que se cortar e fazer de novo, porque isto são nós, não desfazem”. A rede pode ser feita com vários quadrados ou um só quadrado, pode ainda ser rectangular, circular ou aos bicos. Os motivos bordados em cima ficam com a criatividade de cada um. A facilidade com que borda um quadrado em “rede de nó” leva a crer que esta é uma arte acessível a quem queira aprender, embora não seja bem assim.

A prova é que Etelvina também já tentou ensinar outras pessoas e não conseguiu.

“Ainda tentei ensinar às minhas filhas, mas só a mais nova é que aprendeu, embora não se dedique muito a isto. Tem o trabalho dela”, contou.

Disposta a ensinar qualquer pessoa que tenha interesse, Etelvina avisa desde logo que é só preciso “arranjar agulhas” e essa pode ser uma grande dificuldade. A primeira agulha que teve foi feita pelo seu marido com um arame, porque em Bragança não conseguiu encontrar nada apropriado. Mais tarde, um familiar seu, sabendo do gosto de Etelvina pela “rede de nó”, procurou em casas de antiguidades, em Lisboa, e comprou-lhe a dita agulha própria para bordados de “filé”.

Desde que se dedica, nos tempos livres, a esta arte que Etelvina tem feito várias peças para decorar a sua casa e para oferecer aos familiares. Toalhas, cortinas, quadros, centros de mesa, é só dar asas à imaginação e alinhar os pontos.

“Posso fazer toalhas circulares, toalhas quadradas ou rectangulares, toalhas aos quadrados e depois bordo por cima com os motivos que eu quiser e com as cores que quiser”, apontou, mostrando algumas das peças já feitas.

 

A maior de todas, uma toalha de mesa com dois metros e meio de comprimento por metro e meio de largura, levou “tempos infinitos a fazer” e, se fosse para vender “não tinha preço”.

A dedicação e carinho que coloca em cada um dos bordados que executa explicam a dificuldade em dar um valor monetário a cada peça.

“As peças que faço são para mim e para oferecer, mas posso vender, embora isto sejam coisas que não têm preço”.

A quem oferece estes trabalhos, Etelvina dá mais do que uma simples “prenda”. São “recordações” que hão-de ficar para as filhas e para os netos, que tiveram o privilégio de ter o nome e a data de nascimento bordados em toalhas de “rede de nó”. “

Agora até podem nem dar valor, mas, mais tarde, vão recordar-se que foi a avó que fez e isso não tem preço”.

Mostrando com paciência, a execução de um quadrado em rede de nó, Etelvina vai apontando que, embora seja “muito fácil”, tem os seus segredos. Por exemplo, para conseguir fazer um quadrado em rede de nó “começa-se por um ponto e acaba-se com um ponto”. Já se quiser uma forma rectangular, quando se atinge a largura pretendida, “é preciso começar a alargar de um lado e a encolher do outro”. Ainda assim, a bordadeira considera que o mais difícil é “apanhar o jeito com a agulha” e conseguir fazer os pequenos quadrados da rede todos do mesmo tamanho. Mas, mesmo assim, “é muito fácil” e, no seu entender, basta querer aprender. A passagem do “testemunho” é mesmo o seu grande sonho “adoro fazer isto e gostava muito de ensinar às pessoas, porque são peças raras e é pena que esta arte, com o tempo, se venha a perder”.

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