Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
26 de Março de 2009

 A REFER decidiu encerrar a Linha do Tua até ter, da parte do Governo, certezas relativamente à construção da barragem naquela zona. A decisão surge numa altura em que a REFER decidiu também encerrar a Linha do Tâmega e do Corgo.

O Movimento Cívico pela Linha do Tua está a pensar levar a discussão em volta do abandono da linha, ao Parlamento Europeu. Daniel Conde diz que não se pode continuar a admitir que o governo e a EDP, "brinquem com a vida dos transmontanos."Daniel Conde critica também o facto do governo agir, como se a barragem fosse já uma certeza, quando "ainda nem sequer foi emitida a declaração de impacte ambiental."O Movimento Cívico pela Linha do Tua, lamenta o encerramento da linha do Corgo nesta quarta-feira, pelo mesmo motivo da suspensão da linha do Tua, a falta de segurança, quando "não há investimento do governo na região transmontana e não é feita a manutenção da linhas".


Cerca de cinco mil agricultores protestam hoje, em Lisboa, contra as políticas do Governo para o sector e exigindo a concretização de medidas de apoio, como a isenção temporária de pagamentos à Segurança Social.

Os agricultores transmontanos também quiseram marcar presença. Da região partiram mais de meio milhar de agricultores.

25 de Março de 2009

 O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) vai candidatar a construção de um novo espaço para a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Mirandela ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). Sobrinho Teixeira, presidente da instituição, está convicto que, desta vez, a candidatura será aprovada até porque terá tido algumas garantias por parte da tutela, conforme avançou.

“Das conversas que tenho tido com o ministro da tutela informei-o que a nossa principal preocupação era a requalificação da escola de Mirandela e ele transmitiu-me que queria verificar, mais um ano, o número de entrada de alunos para confirmar se tinha consistência com o que se verificou em anos anteriores”.

Segundo o presidente, o número de alunos a frequentar a escola de Mirandela até aumentou, superando todas as expectativas ao ultrapassar os 1200 alunos.

Ao mesmo tempo, o responsável focou que tem sido feito um esforço “enorme” para requalificar todo o corpo docente, indo já de encontro às novas medidas que o Governo quer impor no ensino politécnico, como seja, a da entrada na carreira docente apenas com o doutoramento. Motivos que levam o responsável a acreditar que seja desta que o Ministério aprova a construção de um novo espaço para os alunos do instituto em Mirandela.

“Estou crente e irei desenvolver todos os esforços nesse sentido”, afirmou.

Sobrinho Teixeira apontou ainda que, caso tudo corra como previsto, “o Governo não gastará um tostão com a escola de Mirandela”. O presidente conta que a candidatura seja aprovada garantindo assim 70 por cento do investimento através dos fundos comunitários. Ao mesmo tempo, há a garantia, por parte da autarquia de Mirandela, do financiamento de parte da obra.

 

24 de Março de 2009

 Os estudantes do IPB vão manifestar-se, hoje, exigindo melhores condições para a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Mirandela.

 

Há vários anos que é reivindicado ao Governo a construção de um novo edifício uma vez que, actualmente, os alunos a frequentar cursos naquela cidade têm aulas repartidas por três edifícios, um deles da PT.

 

O ministro da tutela garantiu já ao presidente do IPB que o problema poderá ser solucionado ainda este ano com a atribuição de verbas no âmbito do QREN.


 O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) assinou, hoje, o primeiro “cheque-inovação” com uma empresa da Trofa para o desenvolvimento e concepção de um protótipo para uma cama hospitalar articulada.

A iniciativa surgiu no âmbito do Gabinete de Apoio ao Empreendedorismo, lançado pela instituição com o objectivo de aproximar o IPB do tecido empresarial. A “ideia” foi desenvolvida dentro do instituto e considerada aliciante pela empresa Via Actual. A partir daí, o politécnico preparou toda a candidatura que foi depois aprovada pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e Indústria (IAPMEI).

O projecto representa um investimento de 24 mil euros e vai ser todo desenvolvido pelos sectores de Engenharia Electrotécnica e de Engenharia Mecânica. Os custos serão suportados em 25 por cento pela empresa e em 75 por cento pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional.

Para o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, este protocolo com uma empresa exterior à região vem demonstrar “a capacidade do Politécnico para ajudar a tornar as empresas mais desenvolvidas, a nível tecnológico, e mais competitivas”. Motivo que levou o presidente a apelar aos empresários locais que “tenham ideias”: “depende dos nossos empresários tornar as empresas mais produtivas e competitivas. Tenham ideias e desafiem-nos que nós estamos aqui para ajudar”.

Do lado da empresa, a responsável, Isabel Castro, apontou que o IPB terá de desenvolver todo o protótipo até Setembro, cumprindo todas as normas da CEE, todos os requisitos de qualidade e, ao mesmo tempo, tornar o produto concorrencial em termos de preço. A comercialização será depois feita pela empresa.

 


 Dezenas de jovens de 12 escolas secundárias do distrito de Bragança reuniram, hoje, no Governo Civil, para debater propostas direccionadas à juventude a levar à Assembleia da República.

A iniciativa é organizada todos os anos pelo Instituto Português da Juventude (IPJ) e, este ano, conheceu um significativo aumento, em relação ao ano passado em que só participaram nove escolas.

O delegado distrital do IPJ, Vítor Prada Pereira, considerou que esta afluência de jovens vem demonstrar e provar que os estudantes defendem os seus interesses e quando são motivados exercem o direito de cidadania e o exercício do contraditório.

“Esta é uma prova que os jovens não são um vazio de ideias e não estão alheados da vida da sociedade”, apontou.

Entre as principais propostas apresentadas foi pedida a criação de uma Associação Distrital de Defesa dos Interesses da Juventude e a maior participação dos jovens nos conselhos de juventude dos órgãos autárquicos e nas assembleias do município e das juntas de freguesia. Os estudantes defenderam ainda a participação nos futuros conselhos de juventude, que serão criados pelo Governo, e a criação de movimentos que permitam o intercâmbio entre jovens de outras regiões e até de outros países.

No entender do delegado distrital, a realização desta iniciativa tem permitido conhecer melhor os problemas vividos pelos jovens e a sua realidade. Ao mesmo tempo, tem servido também para demonstrar que há entre os jovens “potenciais parlamentares e políticos”.

Agora, a proposta mais votada será apresentada em Maio à Assembleia da República, motivo pelo qual os estudantes encaram com seriedade este jogo do “Parlamento dos Jovens”.

 

 

23 de Março de 2009

Pelo quinto ano consecutivo, as cidades de Vila Real, Bragança e Chaves unem-se para celebrar o teatro. Dirigido a um público heterogéneo, o Vinte e Sete – Festival Internacional de Teatro inclui 14 produções teatrais de diferentes géneros, num total de 21 sessões.

 

Desenhado para ser um festival abrangente, o Vinte e Sete faz uma digressão pela criação contemporânea portuguesa, quer no domínio das produções dirigidas ao grande público (como “A Verdadeira Treta”), quer no que se refere a projectos mais singulares como os do Teatro da Garagem (Lisboa) e da companhia Visões Úteis (Porto).
Numa outra perspectiva, estão representadas na programação várias regiões do território nacional, do Alentejo a Trás-os-Montes, mas também diferentes países, como a Espanha, a Inglaterra e a Polónia, além de Portugal.
A realização de um festival de teatro é também o mote para apoiar a criação nacional, promovendo deste modo a diversidade estética e a descentralização das artes e fazendo do interior do território um actor a ter em conta no panorama artístico. Neste âmbito, os teatros de Vila Real e Bragança levam a cabo a propósito do Vinte e Sete duas co-produções teatrais que implicarão residências artísticas na região e significarão duas importantes estreias nacionais nos palcos das duas cidades.
A exemplo dos anos anteriores, o festival inclui também um conjunto de actividades paralelas. No domínio da música, serão apresentados nove concertos musicais por artistas de Portugal, Espanha e Estados Unidos, cujas actuações são pautadas por uma importante componente dramática.

Programação no Teatro Municipal de Bragança

27 de Março“António e Maria”, Teatro da Garagem, 21h30
28 de Março“Bela e o Menino Jesus”, Teatro da Garagem, 21h30
Estreia da Co-produção entre o Teatro da Garagem e o Teatro Municipal de Bragança. Esta é uma peça que comemora os 20 anos do Teatro da Garagem ao mesmo tempo que revisita um tema emblemático da companhia – Portugal, fazendo uma reflexão sobre o seu próprio percurso. O projecto divide-se em duas partes: “António e Maria”, peça que abre o festival, e “Bela e o Menino Jesus”.
2 de Abril Mike Doughty, Estados Unidos, 21h30
4 de Abril Amor”, Teatro Oficina, 21h30
Partindo do conto “Amor”, do brasileiro André Sant´Ana, construi-se um espectáculo onde uma mulher transforma um texto furiosamente masculino e brasileiramente português numa fuga para a frente e faz desta literatura teatro.
9 de Abril Quarteto Lacerda, 21h30
16 de AbrilMarful, Espanha, 21h30
18 de Abril “A verdadeira treta”, José Pedro Gomes e António Feio, 21h30
O regresso da dupla e dos disparates.
23 de AbrilMister Lizard, 21h30
24 de Abril“Lolita Dolly”, Teatr Nikoli (Polónia), 21h30
Baseado no célebre romance “Lolita”, de Nabokov, esta é a história de uma relação entre uma adolescente sedutora e um escritor. Premiado no 9º Festival de Teatro da Polónia, “lolita Dolly” vai contar toda a história sem utilizar palavras, um espectáculo evocativo que usa as técnicas do teatro físico através da pantomina e da dança contemporânea.
22 de Março de 2009

21 de Março de 2009

O campeão nacional, Filipe Campos, abandonou a prova numa altura em que estava a liderar, beneficiando o piloto Carlos Sousa (Mitsubishi Lancer).

Carlos Sousa consagra-se assim vencedor do Rali TT Serras do Norte, segunda prova do Nacionaol de todo-o-terreno reforçando a liderança da competição. O piloto completou a prova em 4:53:30 horas.

 

 

 


 Desde há 24 anos que José Mendes trabalha a dureza da pedra que arranca à mão nas encostas de Samil. Sempre que necessário José mete-se a caminho da aldeia, a pé, numa viagem de dez quilómetros que demora, pelo menos, uma hora.

Vai a pé, apesar de haver transportes públicos, porque não está para esperar pelo autocarro e justifica: “enquanto passa e não passa vou andado”.

A pedra é escolhida minuciosamente e transportada até Bragança numa carreta. Depois, numa pequena banca de trabalho improvisada, na Travessa da Amargura, na cidadela do castelo de Bragança, onde vive há 25 anos, José vai dando “vida” às pedras colhidas. Amarguras conhece-as bem de andar nesta vida das artes manuais se bem que vai dizendo que nem são bem amarguras pois “há dias de tudo”.

Natural de Espanha, depois de anos a viver no Alentejo, José Mendes estabeleceu-se no Nordeste Transmontano primeiramente como carpinteiro, profissão para a qual diz ter nascido mas que, por opção, recusou.

“Nasci para carpinteiro, mas escolhi a pedra”.

A escolha tem-lhe valido horas e horas de trabalho minucioso que se baseiam sobretudo em lascar pedra, limar pedra e cortar pedra até esta adquirir uma forma agradável e reconhecida para as pessoas.

“Se o material fosse madeira seria mais fácil”, diz José Mendes.

No entanto, a madeira é um material mais difícil de encontrar em perfeito estado para ser trabalhado, conforme explicou: “andava sempre à procura de material porque muitas vezes vinha madeira verde ou molhada e não servia para nada”.

Mas a pedra também tem as suas dificuldades até porque não existem duas pedras iguais, apesar de até poderem ser do mesmo tipo. Mais fácil de encontrar, cada uma delas tem de ser observada e escolhida até porque José Mendes faz todas as peças “a olho”.

Assim, o artesão apenas carrega pedras e seixos que, depois de analisados, possam transformar-se em cinzeiros, bustos, casas típicas, monumentos, personagens histórias e religiosas.

No espaço de umas horas o artesão consegue dar forma a um objecto, dependendo da criatividade e da sorte, ou da encomenda. Com paciência, utilizando as peças que conseguiu aproveitar da profissão de carpinteiro, vai “descascando”, picando e alisando as pedras, vendo nelas uma figura em criação.

“Vou olhando para a pedra, dando voltas para ver para o que serve e o que dá para fazer”, explicou.

Para quem passa e olha é mais difícil ver nas pedras algo mais que simplesmente pedras, seixos, calhaus. Por isso, não raramente se juntam às dezenas de pessoas em volta do artesão observando e contemplando aquele trabalho, aguardando pelo nascimento de algo mais.

As peças mais difíceis de fazer, no entender de José Mendes, são aquelas que contemplam mais pormenores como é o caso das figuras históricas, das figuras religiosas, como os santos, ou de monumentos, como o Castelo de Bragança. Aliás o castelo e a Domus Municipalis foram duas das peças mais difíceis e trabalhosas.  Mas, até aos dias de hoje, a que o artesão destaca como “grande obra”  a escultura de D. Afonso Henriques, uma obra com dois metros de altura que foi também a mais cara que José Mendes já vendeu.

Já a peça mais pedida pelos que apreciam a sua arte é a figura de Santo António e a de São José e é essa que está sempre em “stock”.

“Geralmente são as pessoas mais velhas que compram este tipo de objectos e o Santo António é quase sempre a peça que mais me pedem para fazer”, apontou.

 

Imperfeições artísticas

Numa mesa de exposição improvisada em plena rua, até para mostrar o seu trabalho a quem passa, José foi apresentado os seus presépios, guarda-jóias, castelos, cinzeiros, pequenas peças decorativas e até um devoto Santo António.

A perfeição é uma das características que não pode ser imputada às peças de José Mendes e ainda bem, no seu entender, pois a imperfeição, neste caso, é garantia de um trabalho 100 por cento artesanal.

“Hoje em dia as pessoas dão mais valor às peças que são feitas à mão porque se forem muito perfeitas dizem que foi feito à máquina e eu não uso máquinas. O que faço é 100 por cento artesanato”.

É também por isso que, hoje em dia, é raro envernizar ou pintar alguma das suas peças. Depois de acabadas, sãs, José passa apenas uma escova que permita retirar o pó e pequenas areias, outras vezes nem isso.

“Algumas peças são vendidas ao acabar de fazer e nem lhes passo a escova porque as pessoas as querem levar como estão. Muitas vezes ficam aqui a aguardar que eu acabe o trabalho”.

Para José Santos é que é mais complicado, em termos de saúde. São horas e horas amarrado, na mesma posição e, nos dias frios, “é mais difícil”. Ainda assim, habituado às “amarguras” da vida e a viver numa Travessa com o mesmo nome, José Santos consegue encarar o trabalho com o optimismo de quem faz aquilo que gosta, de quem exerce a profissão que escolheu ainda que possa até nem ter sido talhado para isso.

Orgulhoso por exibir a carteira de artesão, José Mendes aponta as vantagens da profissionalização de uma arte que se aprendeu com a experiência e não nos bancos da escola: “tenho ido a muitas feiras de artesanato onde só pode expor quem tem a carteira”.

Do Algarve à capital, passando pelas grandes cidades do Norte, como Porto e Braga, o artesão conta que é nas feiras temáticas, como a Feira Romana, a Feira Medieval e outras assim, que mais sucesso consegue fazer com as suas peças.

Os objectos que leva a expor podem ir dos 10 euros aos 200 euros ou mais, mas no entender de José não têm preço pois cada peça que vende “é um bocado de coração que vai embora”.

 

 

 

publicado por Lacra às 09:00
últ. comentários
obrigado Cris:)
Bem vinda :))
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