Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
14 de Outubro de 2008

 "Durante os próximos dois meses, os consórcios liderados pela Soares da Costa e pela Mota-Engil vão discutir com a Estradas de Portugal qual deles terá as melhores condições para ficar com a subconcessão do Douro Interior, uma auto-estrada sem portagem que integra cinco lanços do IP2, entre Valebenfeito e Celorico da Beira (IP5), e de três lanços do IC5, entre Murça e Miranda do Douro.

No passado mês de Junho, altura em que foram seleccionados, entre os seis candidatos que apresentaram propostas, pediam à Estradas de Portugal o pagamento de 816 milhões de euros (a Mota-Engil) ou de 881 milhões de euros (a Soares da Costa), a pagar durante os 30 anos da concessão.

Depois de terem pedido um adiamento de duas semanas, os dois consórcios conseguiram cumprir o prazo estipulado e nas duas mais tumultuadas semanas do mundo financeiro entregaram ontem, como previsto, as suas propostas BAFO (best and final offers). A Soares da Costa conta com o apoio do Banif Investment Bank como aliado financeiro e a Mota-Engil conta com uma parceria com o BES para as concessões." Fonte: Público

 

Apesar da crise, há empresas interessadas em avançar com estas obras. Ainda bem! Resta saber se conseguirão depois financiamento e se estas serão concluídas dentro do prazo estipulado...

É que se calhar há crise, mas não é para todos...


 

"O que é que a aldeia de Palaçoulo, em Miranda do Douro, tem de diferente das outras aldeias de Trás-os-Montes? Na escola do ensino básico surgiu uma segunda turma, não há população desempregada. É um verdadeiro oásis, dizem, no reino da desertificação (...)

Chamam-lhe o "oásis" no meio da desertificação transmontana. Na aldeia de Palaçoulo, terra de fabricantes de pipas , facas e canivetes, não há desemprego. A agricultura, outrora a principal actividade, está em declínio, mas as indústrias locais, todas elas familiares, sustêm o despovoamento.

A família Gonçalves tem um século de experiência na arte de tanoaria. Da pequena oficina artesanal, passou a fábrica com a mais moderna tecnologia, que exporta "80 a 90 %" da sua produção". As pipas aqui produzidas destinam-se, refere José Gonçalves, a mercados como o dos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, França, Chile e Argentina.

A tanoaria da família Gonçalves dá emprego a 42 pessoas. O volume anual de negócios ronda os 5 milhões de euros. "Não é nada do outro mundo", refere José Gonçalves, jovem empresário, que ajudou à duplicação da turma da escola do ensino básico: um filho entrou agora para o 1.º ano, tem outro na pré-primária. "Não é nada do outro mundo, porque estamos numa aldeia. E se dizem que isto é um oásis, o que nos cerca, toda a região transmontana, é um deserto!"

Palaçoulo também nos remete para as cutelarias, com grande tradição na aldeia, que fica a cerca de 25 quilómetros de Espanha. Na mais familiar de todas, os três irmãos Pires, que aprenderam a arte com o pai, fizeram em tempos "o maior canivete do mundo". Não saberemos se é ou não o maior de todos. Um coisa é certa, vimos a réplica e tal navalhinha impõe--se: aberta mede quase quatro metros, pesa 122 quilos.

Os irmãos Pires, presença habitual nas principais feiras de artesanato do País, demoraram nove dias a fabricar o gigantesco objecto. Esta casa - aos três irmãos junta-se outro artesão - além dos canivetes, alguns com cabo de chifre de veado ou de dente de javali, fabrica facas, punhais, cutelos e machados.

Com outra dimensão são as duas fábricas de cutelarias: a de José Afonso Martins e a FilMAM. Empregam 40 trabalhadores e disputam mercado além fronteiras. "Temos tecnologia evoluída ao nível dos alemães", diz o sócio gerente da Afonso Martins. Espanha, França, Itália e Angola são alguns dos países para onde são exportadas as cutelarias de Palaçoulo.

Uma das empresas, familiares como todas as outras existentes na aldeia de Trás-os-Montes profundo, tem licenciamento para produzir, desde este ano, canivetes com os símbolos dos três grandes do futebol português: Benfica, Porto e Sporting.

A freguesia de Palaçoulo tem 700 habitantes. O presidente da junta, José Augusto Ramos, deseja preservar a memória da agricultura tradicional da sua agora industrializada aldeia. Um particular ofereceu-lhe o espólio, fruto de recolhas de anos. Falta o espaço para o museu."

Fonte DN

 

Faltou só falar das carências que esta freguesia também tem. Exemplo disso é a estrada que liga a Palaçoulo...

publicado por Lacra às 12:35
sinto-me:
13 de Outubro de 2008

O Supremo Tribunal de Justiça decidiu suspender a pena de cinco anos de prisão a que fora condenado um militar na reserva, por abuso sexual de uma menina de 12 anos, em Bragança. Considerou o Supremo Tribunal que, desde que pague 10 mil euros à criança no prazo de três meses, "a título de reparação do mal do crime", o abusador pode ficar à solta - apenas terá de prestar 200 horas de trabalho a favor da comunidade. Esta notícia, publicada num canto da última página do "Diário de Notícias" a 3 de Outubro, não parece ter causado qualquer estremecimento público. Há cinco anos, um movimento, as "Mães de Bragança", pôs o mundo em polvorosa - fez até a capa da "Time" -, por mor de umas cidadãs brasileiras que por lá andariam a desencaminhar do remanso dos lares e dos seios das legítimas esposas os maridos das ditas "Mães". Nunca percebi porque se definiriam estas mulheres como "Mães" dos homens com quem tinham casado e até cheguei a pensar que talvez fosse esta confusão de títulos a razão última da fuga dos cavalheiros para o colo das brasileiras, que não reclamavam sobre eles direitos de maternidade. Mas estranho que tão extremosas "Mães" não tenham nada a dizer sobre esta decisão legal que redime com uma mão-cheia de patacos esse crime gravíssimo que é o abuso sexual de menores. Estranho que o novo Código de Processo Penal, que permite a suspensão das penas até cinco anos, não tenha ainda provocado um movimento de revolta nacional.

As vítimas habituam-se à sua condição e acatam. Com sorte, este pedófilo pode até cumprir as tais horas de serviço comunitário numa escola. A Convenção Europeia Contra os Abusos Sexuais, assinada por Portugal a 25 de Outubro de 2007 - há um ano, portanto -, exige que "os Estados garantam que os candidatos a profissões que envolvam o contacto regular com crianças não foram condenados por crimes de abuso ou exploração sexual de crianças". O ministro da Justiça manifestou a intenção de propor ao Parlamento a aprovação desta lei, mas, volvido um ano, está tudo na mesma - o Ministério da Justiça garante que o projecto se mantém, mas não adianta datas. A segurança das crianças não parece ser assunto prioritário - pelo contrário: este novo Código de Processo Penal protege escandalosamente os praticantes de crimes, vulnerabiliza as vítimas e apela à inoperância das polícias. Para quê prender pedófilos (ou assaltantes, ou até homicidas) se a Justiça os solta imediatamente? Entre uma e outra "apresentação às autoridades", os agressores podem voltar a atacar - e muitas vezes o fazem. Ou vingar-se das vítimas. No caso específico desse crime hediondo que é a pedofilia, a reincidência é, como está mais que provado, altíssima. Ao permitir a suspensão da pena neste tipo de crimes, o Estado está a apelar directamente ao silêncio das vítimas - e a associação com a tentativa de dissolução do processo Casa Pia torna-se muito evidente. Aliás, já nem se ouve falar desse processo. O que se apurou? Quem cometeu o quê, afinal?

Há uma relação evidente entre o novo Código de Processo Penal, o aumento da criminalidade e a brandura dos juízes. Por enquanto, as forças policiais apenas se queixam de mansinho. Talvez um dia cheguem à revolta, como aconteceu na semana passada em Paris, onde a polícia de um bairro suburbano apresentou publicamente uma lista de 50 casos de grande violência em que os agressores, depois de entregues à Justiça, foram automaticamente postos em liberdade. Enquanto o procurador da República de Paris anuncia a criação de um "grupo local de tratamento da delinquência" no bairro em questão para analisar as "causas" da violência, a polícia brada contra o "laxismo judiciário" face às consequências.

Enquanto a polícia protestar, os cidadãos terão razão para sentir alguma segurança. Mas, a continuarmos nesta senda europeia de tolerância lenta, mansa, cheia de intenções paternais e caridosas a favor dos agressores - eles merecem uma segunda oportunidade, eles têm uma história que os desculpa, eles não têm culpa de não serem bons como nós -, acabaremos num caos de violência surda, inconfessada. Ao esvaziamento das prisões corresponderá, cada vez mais, o silêncio das vítimas. E, a pouco e pouco, a desistência das polícias. Regressaremos aos ilusórios tempos de paz das ditaduras - no nosso salazarismo, se se recordam (parece que a memória anda fraca), a violência era pura e simplesmente censurada: os mortos das intempéries, as crianças violadas, os presos torturados, nada disso existia, porque era proibido noticiá-lo.

Do mesmo modo, esta menina de 12 anos, violada em Bragança, afinal nunca foi violada. Como viverá ela com esta violência ilibada e com a perspectiva de se cruzar, a qualquer momento, com o homem que a agrediu, mal posso imaginar. Mas sei que este pavor não se resolve com 10 mil euros - ao proceder assim, a Justiça portuguesa trata uma criança violada como uma prostituta regiamente paga.

Inês Pedrosa, Expresso

publicado por Lacra às 11:25
sinto-me:
11 de Outubro de 2008

Nasci em 1982 em Bragança. Como grande parte das pessoas desta cidade, os meus pais tinham aldeia, o que significava que tinham nascido noutro local aonde íamos ao fim-de-semana. A aldeia era o local onde não havia nada quando comparado com a cidade. A aldeia era onde íamos buscar os legumes, a fruta, almoçar com os avós. Era onde eu podia ter cães e gatos, brincar na terra, correr o dia todo até que o sino tocasse as “Trindades”.

As casas da aldeia eram rústicas e mais frias. Gostava mais do apartamento na cidade, apesar de emparedado entre prédios.

A aldeia, a sete quilómetros da cidade era o seu oposto. Aqui podia ouvir o silêncio, algo que é impossível de explicar. Ouvia o som das árvores, dos pássaros, dos animais, ouvia o som proveniente dos postes eléctricos e isso fascinava-me.

Ao longe via as luzes cintilantes da cidade e Bragança parecia enorme.

Até aos 17 anos vivi em Bragança. Conhecia apenas meia dúzia de aldeias, vilas e cidades próximas. Espanha era o exemplo de desenvolvimento. Cada vez que íamos a Zamora ou a Salamanca era inevitável comparar como se estas duas cidades tão próximas eram tão mais desenvolvidas.

Nas férias do verão elegíamos a Puebla de Sanábria a Montesinho, ao Douro Internacional, a Soeira ou a qualquer outro local do maravilhoso Nordeste Transmontano. A sensação era que aqui não se passava nada e fora daqui ainda pior. As estradas que ligavam à Puebla eram más, como hoje em dia. Nada mudou. Mas ainda assim eram preferíveis a outras que ligavam Bragança ao resto do distrito.

Quando íamos até Lisboa, a casa de uns familiares, tinha vontade de ali ficar porque “eles tinham tudo”. Via na televisão as imagens das outras cidades e questionava-me porque é que Bragança não tinha nada, ainda longe de imaginar que o resto do distrito estava bem pior.

Aos 17 anos, a fazer 18, entrei na faculdade, no Porto. Foi aqui que eu senti o peso da interioridade. A maioria dos colegas era proveniente do Porto, Grande Porto e Minho. Do Nordeste Transmontano éramos três, curiosamente os que tinham entrado com notas mais altas.

Cheguei a ouvir comentários de outros colegas que diziam que as nossas notas não significavam nada porque éramos provenientes do interior e a exigência era diferente.

A verdade é que eu não sabia andar numa grande cidade. Nunca tinha andado de metro, comboio ou autocarro. Conhecia apenas o Museu Abade Baçal, o que então existia na cidade. Procurava ler muito, mas não tinha aconselhamento de ninguém. Lia os autores que eram obrigatórios, lia tudo o que apanhava, lia os jornais, mas havia realidades que ficavam longe do meu alcance.

Nunca tinha frequentado campos de férias, workshops nem ateliers de nada, como os colegas. Não tinha computador, nem acesso à internet, nunca tive uma playstation nem nenhum videojogo, não tinha nada do que eles tinham mas sabia coisas que eles desconheciam. As minhas vivências eram completamente opostas, mas também inesperadas.

Aos 17 anos eu sabia o que era sair à noite porque em Bragança toda a gente saía à noite. Já tinha fumado, já tinha experimentado charros, já tinha bebido, já tinha feito muita coisa não permitida para a idade. Bragança era aliás conhecida pela noite e pelas drogas, uma realidade pouco apropriada às mentes conservadoras que ainda dominam, mas que continua a persistir.

A proximidade com Espanha sempre fez desta cidade um ponto de passagem. A interioridade permite a ilegalidade também…

Vivi quase cinco anos no Porto. O que sentia e sinto continua a ser ambíguo. Não tenho aqui nada do que tive no Porto. Mas no Porto faltava-me o que o Nordeste Transmontano tem, o silêncio.

Só a partir de 2004 comecei a conhecer esta região. Carrazeda de Ansiães, Torre de Moncorvo, Vila Flor, Freixo de Espada à Cinta, Vinhais, Alfândega da Fé,Mogadouro, Vimioso e Miranda do Douro são, a par com Bragança, verdadeiros paraísos a descobrir.

O problema é que para conhecer cada um destes concelhos é necessário muito tempo e paciência. As estradas estão completamente abandonadas e degradadas, a sinalização é praticamente inexistente e há nas pessoas um sentimento de impotência que só nos leva a suspirar. Em Bragança temos o Parque Natural de Montesinho praticamente abandonado e os sinais do Governo não são positivos: desde o ano passado que este parque, a par do Parque Natural do Douro Internacional, estão sob alçada do Parque Nacional do Gerês, cuja sede é em Braga.

Todas as pessoas aqui residentes conhecem Montesinho, mas o que fazer ou ver em Montesinho. Quem ali for ficará extasiado com a paisagem, mas nada mais. Ali não há nada para ver ou fazer.

No entanto, o poder local quer ali fazer algo. Mais uma barragem, a barragem das Veiguinhas. O que é transmitido na comunicação social local é que esta é uma barragem “fundamental” para acabar com o problema de falta de água na cidade… Não vou comentar….

O Parque estende-se até Vinhais. Aqui há que dizer que a câmara tomou uma iniciativa que pode vir a dar bons frutos, criou ali o Parque Biológico de Vinhais. Situado no Viveiro Florestal de Prada, incluído no Perímetro Florestal da Serra da Coroa, em pleno Parque Natural de Montesinho, o Parque Biológico de Vinhais (PBV) foi inaugurado no passado dia 16 de Maio deste ano. Duvido que sejam muitos os portugueses que saibam que podem ali conhecer alguma da fauna e flora característica da região. Em Macedo de Cavaleiros existe a intenção de criar rotas geológicas que dêem a conhecer ao mundo que foi ali que o super-continente Gondwana chocou com o super continente Laúrissia  e com o oceano Rheic, o pai do oceano Atlântico, originando uma nova formação e disposição dos continentes. Em Carrazeda de Ansiães, Vila Flor e Torre de Moncorvo temos vinhedos que produzem dos melhores vinhos da região demarcada do Douro. Em Freixo a câmara investiu na zona da Congida, junto ao rio Douro, e criou ali um “aldeamento” simplesmente espectacular.

Vimioso quer agora criar um Parque Ibérico para potenciar, a nível turístico, a zona do Angueira.

Miranda do Douro é outra das belas cidades do interior. Assim como Mirandela. 

 

A culpa das populações

 

Depois de quase quatro anos aqui a viver e a palmilhar a região, a conclusão pessoal a que chego é que se temos uma das regiões mais despovoadas e desertificadas do país não é só por culpa do Governo central. A culpa é também do poder local e consequentemente de quem aqui vive.

Metidas em si mesmas, as pessoas criaram a ilusão de que no litoral é que é e lutam pelo desenvolvimento na sua pior forma. Reclamam pela construção de barragens, de parques eólicos em paisagens protegidas, reclamam pela construção de uma auto-estrada, pela dotação de mais serviços, querem aqui indústria para criar emprego. Duvido é que também queiram todas as consequências que esse desenvolvimento pode acarretar.

Demasiado concentradas a comparar a região ao litoral, não lutam pela melhoria das estradas nacionais, fundamentais para ligar o distrito entre si. Clamam por coesão nacional quando não há coesão regional.

Olham mais para a sua “capelinha”, para o seu “rincão”, do que para toda a região.

A meu ver, só o turismo pode salvar a região de uma morte lenta. Só o turismo pode atrair aqui mais gente. Mas para isso é fundamental criar actividades que dinamizem o território que temos (e não reclamar pela destruição desse mesmo património), é fundamental que as pessoas consigam cá chegar em estradas decentes, é fundamental que sejam atendidas por pessoas formadas, é fundamental que tenham aonde ficar.

Ao longo dos anos tivemos vários apoios europeus, meteram-se milhares de projectos. Houve ruas que foram embelezadas. Bragança ganhou o Polis. Macedo requalificou-se, Mirandela é o “oásis do Nordeste”, mas e os restantes concelhos?

Não precisamos de inúmeras ligações em auto-estrada. Já vimos que isso não desenvolveu o Alentejo. Não precisamos de indústria para criar emprego, temos a alternativa: turismo ambiental.

Não precisamos de mais barragens nem queremos parques eólicos a manchar as nossas áreas protegidas. Precisamos de preservar aquilo que temos, não só a nível ambiental, mas também a nível histórico. Temos inúmeros castelos e fortalezas, símbolos históricos de outros tempos, temos a “cidade ideal” em Picote, temos a Domus Municipalis em Bragança e tanto património que desconhecemos. A luta tem que ser pela preservação. O Estado e os seus institutos de protecção, como o extinto IPPAR, ou ICN, têm que ser chamados à razão.

Temos paisagem, cultura, tradição, história. Só queremos o que já temos, que é muito e incomparável.

Mas será mesmo isso que todos queremos ou serei eu uma voz solitária no meio destes montes isolados?

 

10 de Outubro de 2008

Local onde está sedeado o Cybercentro e a Localtv

 

Foi ontem apresentado em Bragança um projecto de televisão local que já está a gerar alguma polémica na região.

Chama-se Localvisão TV e é uma iniciativa que parte da CMTI (Comunicação, Marketing e Tecnologias de Informação) em parceria com o Cybercentro de Bragança, uma associação com participação pública, nomeadamente da câmara de Bragança e ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações) e a FDTI (Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação).

E é precisamente este aspecto que está a ser contestado por alguns órgãos de comunicação social da cidade.

Em Abril, todos os órgãos foram convidados pelo Cybercentro para agilizar parcerias de forma a criar um canal de televisão local na internet dinamizando o estúdio de televisão de lá existe.

No entanto, segundo os empresários locais da imprensa, os primeiros contactos encetados não tiveram continuidade supostamente porque pouco tempo depois surgiu a CMTI com o projecto da Localvisão TV que acabou por vingar.

Vítor Pereira, director do Jornal “A Voz do Nordeste”, explica que ao contrário de que estaca previsto inicialmente, os órgão de comunicação foram confrontados “com uma empresa que toda a gente desconhecia e com um acto consumado e isso, obviamente que nos levantou algumas dúvidas”.

No entanto, para João Campos, director do Jornal “Nordeste” há outras incertezas que se levantam, nomeadamente as relacionadas com as contrapartidas financeiras a dar ao Cybercentro pela utilização do espaço e dos meios técnicos. “Presumo que uma empresa que ocupa diariamente um estúdio de gravação que é propriedade do Cybercentro  deverá pagar um determinado montante ao Cybercentro de Bragança, mas eu fiz essa pergunta e não me foi respondida”, refere o empresário.

Sem querer especificar, Nuno Cristóvão, vereador da câmara municipal de Bragança, avança apenas que há um protocolo que estabelece as regras da parceria. De acordo com o responsável, “em contrapartida à cedência do espaço há a projecção de eventos”. Nuno Cristóvão explicou ainda que, por exemplo, “a FDTI dá formação no Cybercentro, ocupa espaços para a formação e há uma contrapartida para o CyberCentro pela ocupação desse espaço”.

Este projecto é emitido pela internet em www.localvisao.tv e está a arrancar em Bragança. Segundo Carlos Ramalho, o responsável da Localvisão TV, o objectivo é estender-se a todo o país com “308 canais autónomos, cada concelho com o seu canal”.

O facto de começar por Bragança tem que ver com questões pessoais, já que Carlos Ramalho é natural de Bragança, e “porque este é de todos os distritos do país aquele que sente mais os efeitos da interioridade”, refere.

Mário Soares de Freitas, director adjunto do conselho de administração da ANACOM, salienta a importância deste projecto para a região. “Este projecto, de características regionais, aproveita as infra-estruturas que existem no Cybercentro e fazer em parceria com outras entidades um núcleo de criação de conteúdos regionais de forma a que tenham visibilidade”, explica.

Para o distrito de Bragança está previsto que haja 12 canais, um para cada concelho. Fonte Brigantia

 

Quer dizer, uma empresa decide avançar com uma “televisão local”, usa o espaço do Cybercentro (financiado pelo Governo) e é subsidiada pela câmara. Num primeiro momento pediram a colaboração dos orgão de comunicação local, mas sem qualquer contrapartida para estes. A proposta inicial era para que os jornalistas locais fizessem a cobertura também para a webtv, mas sem que fossem pagos para tal.

Já não basta a vergonhosa situação em que se encontram os jornalistas que trabalham em órgãos regionais (sem direito às folgas devidas, às horas extra, e a todos os direitos que estão consagrados no Código do Trabalho mas que não são aplicáveis devido ao excesso de oferta no Mercado), ainda aparecem estes “marmelos” para gozar com a malta….

Ainda a agravar, é de salientar que a LocalTv está a “trabalhar” com jovens que apenas possuem formação profissional, não tendo por isso habilitações nem carteira profissional para exercer a profissão.

Eu já os vi em campo e o comentário que tenho a fazer é apenas este: palhaçada.

Mandam os miúdos a trabalhos de agenda, normalmente que envolvem autarquias (e eu não sei porquê mas “cheira-me” a publicidade), gravam com os órgãos locais, limitam-se a estar ali estilo pé de microfone e depois lá fazem a edição, como calha, e colocam online, para todo o mundo! Quanto à qualidade do produto final...pois nem comento, só vendo mesmo...

 

E a mim, ninguém me dá um subsídio por estar a informar TODO O MUNDO sobre o que se passa neste distrito?

 


 "Sem conhecimentos na área da farmacologia, Felisbina Rosa Fernandes, de Constantim, Miranda do Douro, vale-se da sabedoria popular, e da ciência que herdou da sua avó, dominando o mundo das ervas e dos chás, que são resposta para todos os males do corpo.

(...)

De olhos azuis transparentes, com o brilho de quem está a falar daquilo que sabe e gosta, Felisbina vai enumerando as ervas que tão bem conhece.

“Ainda ontem fui apanhar a alcária, chamada aqui nas Terras de Miranda de “erva loba”. Saí logo cedinho, mas encontrei pouquinha, pois não tem chovido e este sol tem comido as ervas todas. Mas é uma erva com muito valor e serve principalmente para as dores de estômago. Agora só se podem deitar três folhinhas no chá, ou faz mal.

 

Para curar uma chaga, mistura-se com poejo e aplica-se”, vai explicando. Com orgulho de ter aparecido em muitos jornais e televisões, quer nacionais quer espanholas, de ser procurada por muitos para ensinar o seu ofício, Felisbina, sentada ao sol, não está para grandes interrupções e continua a elencar: “a corriola, planta silvestre de flor branca, muito boa para desarranjos intestinais. Quando criei as minhas duas filhas cozia corriola e silva e dava-lhes, pois resultava muito bem. Tomilho negro, que com cascas de cebola é bom para os constipados. E também para os constipados, as cascas de cebola com uma rodela de limão a ferver e tomar com uma colher de mel”. “Temos o canholeiro (sabugueiro) com a flor que é boa para cortar a febre do sarampo das crianças. O chá da Índia que é muito bom para as cólicas”, continuou. E, para o sangue, Felisbina tem duas receitas, que descreveu com entusiasmo: “temos a cevada com um bocadinho de milho, a que juntamos carvão, raiz de salsa e cozemos tudo junto em água. Toma-se durante 40 dias e tem a gente que o beber quente. Outro é, num litro de vinho caseiro, cozer a raiz de salsa, raiz de urtiga, raiz de arzola, pontas de freixo, casca de carvalho e um galho de rosmaninho caseiro. Toma-se este chá ao deitar, e bebe-se frio. Já tomei e fez-me muito bem, que logo que me pus boa”.

 

(Fonte: Mensageiro Notícias)

09 de Outubro de 2008

A crise financeira global tem um peso acrescido para mais de 500 famílias do distrito de Bragança que têm filhos com necessidades especiais e que, por isso, reclamam mais apoio e articulação entre os serviços.

 
 
Segundo um estudo hoje divulgado, para minimizar as lacunas existentes, vão ser criados no distrito, ainda este ano, os primeiros grupos de apoio a estas famílias.
Os grupos vão começar a funcionar, a título experimental, em dois dos 12 concelhos do Nordeste Transmontano.
Este projecto resulta das propostas apresentadas na sequência de um estudo realizado, entre 2006 e 2208, pela enfermeira de Bragança, Celmira Macedo, no âmbito de uma tese de doutoramento, na universidade espanhola de Salamanca.
 
(RTP)

Ligações Bragança a Lisboa pela empresa Aerovip, a partir do dia 1 de Dezembro

 

Autarcas locais querem implementar uma Rota para os Castelos

 

Vimioso vai receber uma Loja do Cidadão

 

Somague e Soares da Costa garantem financiamento para a Auto-Estrada Transmontana

 

IP2, entre Bragança e Faro, novamente “encravado”/EP retirou estudos de impacto ambiental

 

Bragança quer Museu da Língua Portuguesa

 

Picote: descobertos vestígios arqueológicos

 

Vinhais: PSD vai apresentar queixa-crime contra a câmara por gestão danosa e peculato

 

Mogadouro organiza feira dos Gorazes neste fim-de-semana

 

Macedo de Cavaleiros: Freguesias rurais vão contar com médico ao domicílio

 

Moncorvo apresentou candidatura para remodelar centro histórico

 

 


 

A crise económica está a abalar o mundo e são cada vez mais os consumidores com dificuldades. 

 

Para quem tem empréstimos, alguns conselhos:

 

Aumentar o prazo de financiamento

·         Pedir um período de carência, em que durante algum tempo só paga juros

·         Solicitar uma carência de capital, deixando para o final do empréstimo uma fatia do financiamento

·         Consolidar os empréstimos, agregando-o num só

·         Amortizar o empréstimo

·         Optar por uma taxa fixa

Se puder por algum dinheiro de lado, o melhor é rentabilizá-lo através de certificados de aforro ou depósitos a prazo. No entanto, tenha atenção às letras miudinhas dos contratos, verifique qual o banco que dá as melhores condições e atenção à TAEL, ou seja, à Taxa Anual Efectiva Líquida. Os bancos, muitas vezes, anunciam taxas de rentabilidade na ordem dos 10 ou 12 por cento, que são completamente falsas. Quando muito, o cliente recebe cinco por cento, que é o correspondente à TAEL.

Relativamente à possibilidade dos bancos falirem, em Portugal o Governo garante que os depósitos estão assegurados, mas pelo sim pelo não, pode dizer-se que o banco mais fiável é a Caixa Geral de Depósitos (que é do Estado).

Algumas medidas de poupança passam também pela atitude face ao consumo. Nas compras deve ter em atenção quais os preços mais baixo, que nem sempre correspondem às marcas próprias. Em casa, desligar os electrodomésticos da tomada permite reduzir a factura de energia, assim como a opção pelo bi-horário. Há muitas medidas que se podem tomar para rentabilizar os poucos euros e assim ir apertando o cinto... 

 

publicado por Lacra às 11:25
sinto-me:
08 de Outubro de 2008

"Um erro estratégico”, é desta forma que o presidente da câmara de Bragança avalia a forma como o Governo tem levado a cabo a reorganização dos serviços da administração pública. O próximo serviço a sair de Bragança para Vila Real poderá ser o Instituto de Estradas de Portugal, uma medida que, no entender de Jorge Nunes, tem subjacente “uma lógica centralista” que tem conduzido o interior ao “despovoamento” até pela redução de postos de trabalho que acarreta. O autarca diz “compreender” e até “aceitar” a necessidade de racionalizar muitos serviços, mas considera que “não há uma linha condutora global que reequilibre o território”: “as zonas fronteiriças estão cada vez mais despovoadas e com menos serviços”. (retirado do site Mensageiro Notícias)

 

 

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