Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
24 de Outubro de 2009

Considerado um dos melhores escultores portugueses, João Cutileiro mostra em Bragança duas das suas facetas menos conhecidas: a fotografia e o desenho.

São cerca de trinta peças, a preto e branco, de grandes figuras das artes e letras que ocupam toda a primeira sala do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais.Vieram directamente das paredes de sua casa e são o “registo espontâneo de uma geração onde sobressaem os retratos de amigos e familiares”. Ali estão Maria do Céu Guerra, o pintor Vieira da Silva ou a escritora Doris Lessin, prémio Nobel da Literatura. A primeira vez que foram expostos foi na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, em 1961. Daí até aos dias de hoje saíram apenas umas quatro vezes. Mas os comissários responsáveis quiseram destacar também o fotógrafo João Cutileiro, como explicou Jorge Costa.

"A fotografia sempre acompanhou o trabalho dele, desde cedo. Aliás, ele sempre procurou formas que acelerassem o processo criativo, mesmo na escultura, e a fotografia permite-lhe isso mesmo".

Cutileiro revela que, de facto, não foi a primeira vez que escolheram fotografias, mas adianta que “é raro”.

No piso superior as esculturas ocupam o espaço central enquanto que a figura feminina ocupa as paredes, quer nos quadros de diorito negro, quer nos desenhos a tinta da china.

Inspirado nas Vénus de Boticelli ou nas Majas de Goya, Cutileiro reinterpreta o corpo feminino a tinta da china e depois faz o mesmo exercício em grandes e pesadas placas de diorito negro polido, onde trabalha os traços lineares com as ferramentas que ele próprio introduziu na Escultura. Ao transpor para a pedra as mulheres projectadas no papel, Cutileiro faz o exercício de aproximar o Desenho da Escultura, área em que foi um verdadeiro revolucionário.

João Cutileiro será sempre recordado pelo famoso D. Sebastião, uma estátua colocada em Lagos, mandada fazer na década de sessenta. O artista, rompendo com todas as normas, criou uma representação real de D. Sebastião a quem a feição de boneco articulado retira qualquer heroísmo. Mas esse realismo é a grande marca de Cutileiro.

As arvores e os pássaros que ocupam o Centro de Arte não são mais do que isso, representam o que são em esculturas feitas através de vários blocos de granito e de pedras que diferem na sua textura e assimetrias.

O mesmo se passa com os guerreiros colocados na entrada da exposição e feitos de paralelepípedos desiguais, placas perfuradas ou outras matérias residuais, reinventadas por Cutileiro.

Até 10 de Janeiro de 2010 este “mundo” artístico de João Cutileiro está aberto a todo o público. 

Carla A. Gonçalves

 

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