Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
12 de Outubro de 2009

 Um “rombo” para o PSD, uma “vitória” para o PS - foi desta forma que os dirigentes das estruturas distritais analisaram os resultados eleitorais das autárquicas. O PS conseguiu “conquistar” duas câmaras ao PSD, a de Miranda do Douro e Alfândega da Fé, e manter as quatro que já tinha – Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo, Vila Flor e Vinhais.

Por seu lado, o PSD reconquistou a câmara de Mogadouro, Bragança, Vimioso e Mirandela, esta última com a melhor votação de sempre. Os sociais-democratas ganharam ainda a câmara de Macedo de Cavaleiros e Carrazeda de Ansiães em coligação com o CDS-PP.

Em termos distritais, o PS sai das autárquicas com mais de seis mil votos de diferença para o PSD e o PSD com cerca de 20 mil votos a menos que nas eleições de 2005. Resultados considerados “excelentes” pelo presidente da federação socialista, Mota Andrade que atribuiu aos candidatos e ao trabalho de campanha esta “grande vitória”.

As duas surpresas da noite – a conquista de Miranda do Douro e de Alfândega da Fé – não causaram qualquer “espanto” ao dirigente rosa que contava já com uma vitória socialista. Em Miranda do Douro, o candidato Artur Nunes conseguiu ser eleito com 52,62 por cento dos votos contra 44,05 por cento dos votos do candidato do PSD, Américo Tomé. Neste concelho, o PSD decidiu apostar em Américo Tomé, vereador do anterior executivo, depois do ex presidente Manuel Rodrigo ter anunciado que não se recandidatava ao cargo.

A aposta em Artur Nunes, candidato independente apoiado pelo PS, causou alguma consternação na concelhia local mas revelou-se uma “boa aposta” de Mota Andrade, como o próprio frisou na noite eleitoral.

Já em Alfândega da Fé, Berta Nunes conseguiu, à segunda tentativa, obter a maioria dos votos pelo PS, contra o candidato do PSD/CDS-PP. Este foi mais um dos concelhos em que o anterior autarca, João Carlos Figueiredo, decidiu não se recandidatar abrindo caminho a um elemento do seu executivo, no caso Arsénio Pereira. Apesar da coligação PSD/CDS-PP, os votos caíram maioritariamente nos socialistas que ganharam com uma margem de 402 votos. Recorde-se que, nas anteriores eleições autárquicas, o PSD conseguiu reeleger-se à câmara contra a candidata Berta Nunes por uns escassos 57 votos.

O PS consegue ainda o “feito histórico” de ganhar em todas as seis freguesias do concelho de Freixo de Espada à Cinta e do concelho de Vinhais, neste último conseguindo chegar quase aos 70 por cento de votação.

Vila Flor manteve-se também rosa reelegendo Artur Pimentel para mais um mandato, o último depois de 16 anos à frente do executivo camarário. Também em Torre de Moncorvo, Aires Ferreira, autarca há 20 anos, conseguiu a sua reeleição pelo PS, mas “à tangente”, com uma perigosa margem de 163 votos a mais que a coligação PSD/CDS-PP.

 

Efeito “contaminação”

 

A explicação para estes resultados eleitorais está no “efeito contaminação”, como lhe chamou o presidente da distrital laranja. No entender de Adão Silva, se o PSD tivesse ganho as eleições legislativas, talvez os resultados das autárquicas fossem melhores para os sociais-democratas. Exemplo disso, afirma, é o caso de Miranda do Douro, Alfândega da Fé e Torre de Moncorvo, concelhos onde o PSD esteve “taco a taco” com o PS e perdeu.

Mas Adão Silva dá ainda outro exemplo deste “efeito contaminação”: o concelho de Mirandela. Neste concelho, o candidato laranja, José Silvano, conseguiu o seu melhor resultado de sempre, sendo reeleito com 52,87 por cento dos votos. Para além da “excelência do candidato”, Adão Silva considera que também que, no dia da decisão, pesou muito a política que o Governo socialista adoptou e que levou ao encerramento da maternidade.

“Nas eleições autárquicas as pessoas vivem intensamente e fazem ajustes de contas, tanto pela personalidade dos candidatos, como pelo trabalho que estes fizeram, no caso de recandidaturas, como pelo que foi feito pela família política que representam”, apontou.

O dirigente laranja encontra a mesma razão para a subida do PS em Mirandela que, apesar de derrotado, conseguiu ultrapassar o CDS-PP, que era neste concelho a segunda força política. É que, conforme relembrou Adão Silva, a candidata socialista por Mirandela, Júlia Rodrigues, sempre se destacou pela crítica contra as políticas adoptadas pelo Governo naquele concelho, reagindo contra o encerramento de serviços. Uma posição de relativo afastamento que, no entender de Adão Silva, a “beneficiou” com dois mandatos quando em 2005 não tinham conseguido nenhum.

No entanto, o “efeito contaminação” poderá não explicar tudo. Em Bragança, por exemplo, o PSD ganhou com maioria mas perdendo três mil votos e um mandato a favor da candidatura independente de Humberto Rocha.

Também em Macedo de Cavaleiros, apesar da “estrondosa” vitória da coligação PSD/CDS-PP, com 53,96 por cento, a junta de freguesia urbana passou para as mãos do PS, que ganhou com uma escassa margem de 94 votos.

Já em Carrazeda de Ansiães, a candidata independente saída da fileira social-democrata, Olímpia Candeias, ia “estragando” a festa aos companheiros de partido. O PSD coligado com o CDS/PP conseguiu ganhar com uma margem inferior a 1,5 pontos percentuais, igualando com a candidata independente em número de mandatos, (dois para cada um).

Contas feitas, o PS ganha seis câmaras e o PSD outras seis, um cenário politico que certamente se alterará daqui a quatro anos, já que dos nove presidentes que se recandidataram, apenas dois poderão voltar a concorrer -  José Santos, de Freixo de Espada à Cinta, e Américo Pereira, de Vinhais -, devido à lei da limitação de mandatos.

 

Alfândega da Fé

PS: 52,56 por cento

PSD 43,72 por cento

CDU 0,97 por cento

 

Bragança

PSD 48,19 por cento

PS 27,56 por cento

XIII 16,14 por cento

CDS-PP 2,37 por cento

CDU 1,62 por cento

BE 1,25 por cento

 

Carrazeda de Ansiães

PSD/CDS-PP 35,41

III 34,07 por cento

PS 23,44 por cento

BE 2,29 por cento

CDU 0,52 por cento

PPM 0,46 por cento

 

Freixo de Espada à Cinta

PS 55,44 por cento

PSD/CDS-PP 40,72 por cento

CDU 0,79 por cento

 

Macedo de Cavaleiros

PSD/CDS-PP 53,96 por cento

PS 38,73 por cento

CDU 2,98 por cento

 

Miranda do Douro

PS 52,62 por cento

PSD 44,05 por cento

CDU 0,78 por cento

 

Mirandela

PSD 52,87 por cento

PS 25,25 por cento

CDS-PP 16,6 por cento

CDU 1,82 por cento

BE 0,91 por cento

 

Mogadouro

PSD 54,25 por cento

PS 25,24 por cento

CDS-PP 15,74 por cento

CDU 1,14 por cento

 

Torre de Moncorvo

PS 48,71 por cento

PSD/CDS-PP 46,27 por cento

CDU 1,69 por cento

 

Vila Flor

PS 57%

PSD 28,15 por cento

CDU 6,16 por cento

CDS-PP 4,01 por cento

 

Vimioso

PSD 55,75 por cento

PS 38,06 por cento

CDU 0,65 por cento

 

Vinhais

PS 68,4 por cento

PSD 20,33 por cento

CDS-PP 6,24 por cento

CDU 1,26 por cento

 

publicado por Lacra às 18:25

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