Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
20 de Dezembro de 2010

Ainda não foi lançado o concurso para avançar com a obra da nova ligação entre Vinhais e Bragança. O Secretário de Estado da tutela comprometeu-se publicamente em avançar com o estudo prévio da obra até finais de Junho de 2010 mas, até ao momento, ainda não se sabe se o mesmo foi lançado e quando poderá a obra avançar.

O deputado do PSD pelo distrito, Adão Silva, enviou, por isso, um requerimento ao Governo, questionando sobre a elaboração do estudo prévio e a fase em que este se encontra. Adão Silva considera que “já transcorreu tempo suficiente para  sua elaboração, discussão e aprovação”. O deputado diz mesmo que importa saber “para quando se prevê o lançamento do concurso entre a nova ligação”.

A nova ligação entre Vinhais e Bragança deverá ter uma extensão de 30 quilómetros e um custo estimado de 32 milhões de euros.

publicado por Lacra às 10:46
17 de Dezembro de 2010

Foi condenado a 19 anos e meio de prisão efectiva o homicida de um taxista em Vilarinho das Toucas, no concelho de Vinhais.

O tribunal deu como provados os crimes de homicídio qualificado e detenção de arma proibida.

 

Apesar de não ter conseguido apurar os motivos do crime, o tribunal deu como provado que no dia 27 de Novembro do ano passado, Fernando Pires, de 55 anos, esperou por João Gonçalves, de 63 anos, na estrada que liga Vilarinho das Toucas a Landedo para o matar a tiros de caçadeira.

Ao longo do julgamento, o arguido nunca assumiu a autoria dos factos, tendo apenas dirigido um pedido de desculpas à viúva e aos próprios familiares.

 

Um facto que acabou por causar alguma estranheza ao juiz, que considerou que “só se pede desculpa quando se pratica um acto maldoso”.

O arguido manteve-se em pé, impávido, ao longo de toda a leitura da sentença, segurando apenas um lenço com a mão direita.

Foi assim que ouviu o juiz condená-lo a 19 anos de prisão pelo homicídio e a um ano e meio pela posse de arma proibida.

O que em cúmulo jurídico resultou em 19 anos e seis meses de prisão, para além do pagamento de uma indemnização à família da vítima.

 

Na leitura da sentença, o juiz comparou o homicida a um “caçador que faz uma espera a um coelho ou um javali”.

Avisou que a pena foi de 19 anos pela ausência de arrependimento e pelos sinais de premeditação do crime.

 

O tribunal considera que Fernando Pires conhecia os trajectos da vítima, escolheu um local afastado para, já de noite, o esperar.

Abalroou-o com o tractor e disparou dois tiros de caçadeira à queima-roupa, que atingiram o taxista na cara e num pulso.

 

Segundo o acórdão, procurou ainda desfazer-se do carro, tentando empurrá-lo por uma ribanceira.

Só o facto de o tractor ter ficado danificado impediu que fosse bem sucedido a encobrir as pistas.  

O juiz considerou que houve “preparação ao pormenor, antes e depois do crime”.

 

A sala de audiências do tribunal de Vinhais encheu-se de gente, curiosa para ouvir a leitura da sentença.

No final, era voz corrente que a pena tinha sido leve.

“Não merecia cadeia, merecia uma coisa mais brava” considera José António Lousada. Já António Machado diz que “a justiça é assim mesmo. Acho que devia ter sido a pena máxima porque um crime destes foi premeditado”. A mesma opinião tem António Diegues para quem “a pena é um bocado curta, devia ser maior”.

 

Um sobrinho da vítima, confessa que esperava mais, mas não ficou surpreendido.

“Não fiquei surpreendido, acho que se fez justiça embora estivesse a contar com uma pena mais pesada” afirma Alfredo Pereira, saliento que “o que acho mais grave no meio disto tudo é que a minha tia (viúva) depende de terceiros e está numa situação um bocado caótica”.

 

O advogado de defesa, Miranda Carvalho, escusou-se a gravar declarações, mas admitiu poder vir a recorrer da sentença.

Já o advogado da família da vítima, considera que foi uma pena justa.

“A pena está dentro daquilo que prevíamos, ligeiramente abaixo daquilo que tínhamos pedido, mas parece-nos justa e aceitável” afirma Francisco Sacramento, acrescentando que “relativamente ao pedido da indemnização foi-nos concedido a totalidade daquilo que pedíamos que eram 105 mil euros, por isso não estamos a pensar recorrer”.

 

Nem a viúva nem os filhos da vítima assistiram à leitura da sentença.

 

Escrito por Brigantia

publicado por Lacra às 10:39
29 de Outubro de 2010

No próximo domingo, 31 de Outubro, a aldeia de Cidões, em Vinhais, volta a recriar a Festa da Cabra e do Canhoto, uma tradição ancestral que tem vindo a ser promovida, desde há vários anos, pela Associação Raízes d’Aldeia de Cidões como a “verdadeira noite das bruxas à transmontana”.

Sob o dito popular “quem ao canhoto se aquecer e da cabra comer, um ano de sorte vai ter”, os locais organizam um ritual de raízes celtas. A cabra “machorra” é cozinhada num pote, numa fogueira de “canhotos” de cinco toneladas e com a representação do diabo em cima de um carro de bois.

Este ano, pela primeira vez, a música celta vai ter mais destaque, com a presença do artista, Sebastião Antunes e do grupo Quadrilha, estes últimos presentes há mais de dez anos seguidos.

Os membros da Associação dizem, ainda, que esta festa que se realiza em pleno coração de Trás-os-Montes é o que resta de “mais puro e genuíno de todas as crenças e tradições”. É que, segundo explicam, em comunicado à imprensa, os celtas, que tiveram uma forte presença na região, tinham o costume de, no dia 31 de Outubro, acender uma grande fogueira, na parte mais alta da localidade, para celebrar o “Samhain”, que seria o ritual de fim e início de um novo ano para os celtas.

“Os cristãos transformaram essa data no Dia de Todos os Santos e no Dia dos Finados. Em muitas regiões do planeta, transformaram-na na noite das bruxas”, explicam.

É por irem às raízes que a festa de Cidões só começa à noite: “o povo celta, assim como outros povos de origem pagã, celebrava o começo dos dias através do anoitecer”.

A Festa da Cabra e do Canhoto, à semelhança do ancestral ritual celta evocado, visa celebrar o início de um novo ano, a recolha dos alimentos e o início dos meses de inverno, meses sem grande produção agrícola.
“É uma noite de alegria e festa, pois marca o início de um novo período nas nossas vidas, sendo comemorado com uma grande fogueira feita no cimo da aldeia, numa encruzilhada de uma clareira onde se queima o canhoto (tronco de árvore) “que representa o diabo”, com muito vinho, aguardente queimada, jeropiga, castanhas, fruta, café com brasa no pote e o tradicional repasto de cabra “machorra”, que representa a mulher infértil do diabo, confeccionada em grandes potes de ferro”, apontam.

Paralelamente decorre a Feira de Produtos da Terra, bem como o magusto, que este ano pode ser acompanhado com uma queimada especial com aguardente e café feito no pote. O local é numa encruzilhada, no cima da aldeia de Cidões, num cenário “idílico”.

Depois do jantar, os rapazes percorrem a aldeia para a “virar do avesso”. “Colocam os vasos de flores no meio da rua, rebolam com os carros de bois e carroças, deixando-os com as rodas para o ar”, descrevem. Depois, aparece o “diabo” em cima de um carro de bois que percorre toda a aldeia para “não deixar dormir ninguém”.

A festa é aberta a todos quanto queiram participar.

07 de Outubro de 2010

De uma conversa de café à realização de um projecto cinematográfico, a história de uma média metragem que retrata o despovoamento das aldeias transmontanas explicada pelo seu realizador, Rui Pilão

 

Licenciado em Bsc(Hons) Sound Technology pela University of Glamorgan, Rui Pilão, natural de Bragança, foi às raízes da sua origem para abordar o tema do despovoamento, dando sentido à frase de Fernando Pessoa - “o homem sonha, a obra nasce”. Em entrevista, o jovem conta como conseguiu dar corpo a este projecto cinematográfico, contando apenas com a boa-vontade de um conjunto de instituições e de um grupo de amigos que quis agarrar este desafio

 

Como é que nasceu o argumento desta média metragem?

 

Rui Pilão: A ideia surgiu aquando do reencontro entre mim e Aurora Morais, numa conversa de café, sobre uma exposição que ela estava a organizar com Tiago Ribeiro. Daí e depois de ter sugerido uma foto, que vem a retratar o final do filme, surgiram outras ideias. Nesta troca de opiniões que fui transmitindo à Aurora Morais, surgiu um conto, da autoria dela, no qual começa a ser “desenhado” um personagem que tem as características físicas do actor Leandro do Vale, que aparece, assim, como o actor ideal para dar vida à personagem.

Eu aceitei a sugestão de bom grado, e, sinceramente, também me convinha a mim tê-lo na equipa. Depois do conto, nasceu o argumento, escrito por mim. Tentei não fugir ao conteúdo do conto, mas organizei e alterei o necessário de modo a que se tornasse em algo “filmável” e não tão literário.

 

É a primeira vez que assume a realização de um filme e escreve o seu argumento?

 

R.P.: Oficialmente sim, é a primeira vez que assumo a realização de um filme. Sou bastante reservado e paciente, durante vários anos fui evoluindo por conta própria, fazendo curtas experimentais. Tentei evoluir até me sentir confiante de que começaria a minha carreira de forma a ser notado logo de início. Vão ter oportunidade de observar o meu empenho e dedicação neste filme.

 

Onde é que foram realizadas a maioria das filmagens?

 

R.P.: A maioria das filmagens, vou até mais longe, as cenas realmente necessárias, foram todas filmadas em Vilar d’Ossos.

Filmamos dois “take’s” num descampado em Tuizelo, onde o cão passeia, mas não posso garantir que irão ser usadas, é uma questão que só será explorada na edição.

 

Como é que a população local se envolveu neste projecto? Que reacções é que tiveram das pessoas?

 

R.P.: A escolha do local de filmagens principal, Vilar d’Ossos, não foi por mero acaso. Tive em conta os vários cenários possíveis, mas acima de tudo os contactos e influência que dispunha. Neste caso, tinha o apoio dos meus avós, Carlos Paula e Hermínia Paula, que me ajudaram a contactar as pessoas necessárias. Tudo o que obtivemos, foi graças a boa vontade da população local.

Temos que agradecer à dona da casa onde filmamos, Teresa Martins, à responsável e zeladora pela capela, Iria Ferreira, a Nuno Fernandes pelo suporte que nos deu nas filmagens com a sua retroescavadora, que foi usada como grua.

As pessoas reagiram com curiosidade e expectativa, visto que algo deste género não é usual naquela região, e estão desejosos de ver o resultado final.

 

Qual foi o apoio que a Junta local vos prestou? Sei que foi concedida licença para abrirem uma cova no cemitério apenas para efeitos cinematográficos e que tal não é fácil de conseguir...

 

R.P.: A boa vontade não partiu só da população local. A Junta de Freguesia de Vilar d’Ossos deu o apoio mais relevante. Deram total liberdade para filmarmos a aldeia, os caminhos, e deram autorização para abrirmos cova no cemitério, isso é algo que devemos agradecer especialmente ao presidente da Junta de Vilar d’Ossos, Manuel Martins, assim como ao secretário, Luís Morais.

A Junta de Tuizelo também nos recebeu de uma forma muito calorosa e ofereceram o almoço.

 

Como realizador, quais foram as principais dificuldades encontradas para levar a cabo este projecto?

 

R.P.: Sinceramente, gerir a equipa. A maior dificuldade foi mesmo essa. Tanto o Tiago Ribeiro como o Leandro Vale são conhecidos da Aurora e não meus. Mas eu conhecendo a Aurora e esta sendo a produtora como título escolhido de início, confiei na escolha dela, tal como qualquer realizador confiaria no meu lugar.

Muitas coisas estavam em jogo, não tínhamos orçamento, por isso, não podia dar-me ao luxo de exigir tanto dos elementos que formaram a equipa, como exigi de mim para compensar divergências de personalidade e também na parte técnica, visto que não dispúnhamos de material necessário.

Todos os elementos foram escolhidos porque não exigiam compensação monetária, mas também porque, no caso do Tiago Ribeiro, ele tinha a câmara necessária para as filmagens.

Com isto não quero dar a ideia que foi tudo para “desenrascar”, mas infelizmente quando não dispomos de meios suficientes, acaba mesmo por ter que se tomar decisões mais ao estilo do “desenrasca” e isso pode criar algum desconforto a nível humano, mas neste caso, felizmente, não pôs em causa a qualidade do filme.

 

Quando é que vai ser feita a edição e quando é que a média metragem estará pronta?

 

R.P.: A edição vai ser feita em Portimão, por Paulo Lourenço e Pedro Gerardo, com a minha colaboração. São dois amigos que conheci na universidade que frequentei. 

A edição vai iniciar no dia 8 de Outubro, sendo que as datas seguintes dependerão da disponibilidade de cada um. A previsão é que, no máximo, estará pronto no final de Outubro.

 

Qual é o objectivo e a grande motivação deste projecto?

 

R.P.: A minha maior motivação foi trazer aquilo que eu aprendi no estrangeiro e adaptá-lo de forma a que possa dar algo de volta a região onde eu nasci e vivi até à idade adulta.

Acho importante não nos esquecermos da nossa origem, principalmente se esta vier de uma região do interior. Já basta que o próprio país se faça de esquecido.

O tema deste filme retrata o despovoamento das aldeias, o abandono dos idosos e, infelizmente, é uma realidade. Mas a solidão não é o único problema, a grande perda é a nível cultural e, mais importante do que isso, é a perda de tradições, do que nos torna portugueses, traduções que morrem com as aldeias.

 

Sei que pensam enviar a média metragem para festivais de cinema nacionais e internacionais. Quais é que serão os festivais prioritários, aqueles que vocês vão mesmo apostar?

 

R.P.: Os festivais prioritários a nível nacional são o Fantasporto, o IndieLisboa e o Curtas Vila do Conde. A nível internacional pretendemos concorrer no "Short Film Corner" de Cannes e no Berlin Film Festival. No entanto, existem várias regras impostas pelos festivais que vamos ter em conta e isso só acontecerá na devida altura.

 

Depois deste projecto filmado, maioritariamente, em Vilar de Ossos, Vinhais, há intenção de voltar a apostar em algo similar e usar as paisagens transmontanas como cenário?

 

R.P.: Trás-os-Montes é sem duvida uma região muito rica em paisagens bonitas, só por isso acho muito provável algum outro projecto surgir no futuro.

Posso revelar que já tenho algo de maior envergadura em stand by, e que vai envolver a cidade de Bragança, se conseguir obter um maior apoio, desta vez monetário.

Sou uma pessoa motivada por natureza e não vou deixar de fazer as coisas só porque não entendem a minha visão, mas é sempre agradável ser apoiado, até porque acho que todos beneficiam quando uma certa região é valorizada a nível cultural, principalmente se for por um projecto bem conseguido, e isso requer dinheiro.

É preciso que as entidades competentes entendam que quando alguém, como eu, se esforça por trabalhar no interior está a partilhar mais do que a sua ideia, no meu caso, está a divulgar a região numa linguagem universal e actual que vai atingir um vasto público e vai atrair turismo.

Nós, interior, podemos existir, mas eu procuro que tenhamos relevância.

 

Média metragem rodada em Vilar d’Ossos

Rui Pilão foi o realizador da média metragem intitulada “Aqui jaz a minha casa”, uma produção independente que aborda o tema do despovoamento e da solidão dos idosos. Para dar corpo a este projecto o jovem reuniu-se com um conjunto de amigos que, a título gratuito, quiseram participar. A par das juntas locais de Vilar d’Ossos e de Tuizelo, o grupo contou com o apoio da câmara de Vinhais e do Cybercentro de Bragança.

São 30 minutos que retratam a solidão na primeira pessoa e que colocam o actor Leandro do Vale como personagem principal, a única do filme, a par do seu cão Tobias.

21 de Julho de 2010

Grande parte dos desempregados inscritos no Centro de Emprego de Bragança não tem a escolaridade obrigatória, ou seja, o 9º ano. O director da instituição, Alcídio Castanheira, está preocupado com este facto porque considera que estas pessoas “dificilmente” sairão da situação de desemprego, a não ser que aceitem ser qualificadas para entrar novamente no mercado de trabalho.

“Temos em mãos um trabalho árduo”, considerou, apontando que, por um lado é necessário proporcionar formação, por outro, “é preciso motivar essas pessoas”.

No entender do responsável, estes desempregados perderam empregos “não qualificados” e têm de se consciencializar que “não vão aparecer mais postos de trabalho não qualificados”.

“Estamos num mundo globalizado, com novas metas e mais exigências. Temos de competir a nível nacional e internacional e isso pressupõe que as pessoas estejam mais preparadas, que tenham formação e que adquiram nova formação ao longo da vida”, apontou.

Mesmo o esforço que foi feito através do Programa Novas Oportunidades, nas escolas, no Centro de Formação Profissional e nas várias entidades privadas, não foi suficiente para colmatar essa lacuna no distrito de Bragança, conforme constatou Alcídio Castanheira.

“Apesar do esforço que foi feito, continuamos com essa situação”.

A nível nacional, o programa Novas Oportunidades recebeu mais de um milhão de pessoas. Já pelo Centro de Formação Profissional de Bragança terão passado, em 2009, cerca de 6500 pessoas, contudo, “é pouco” porque a região continua muito “atrasada” no que diz respeito à formação.

Em causa está também uma questão de “mentalidade”, sendo agora um desafio motivar os desempregados para a formação.

 

Mais desempregados que no ano passado

Em relação ao ano passado, o número de desempregados inscritos no Centro de Emprego de Bragança aumentou, pese embora, os números tenham vindo a estabilizar nestes últimos dois meses.

O responsável aponta que o número de pedidos de suspensão do subsídio de desemprego tem aumentado, mas desconhece se se trata de uma questão sazonal ou não.

“Esperamos que não seja uma questão sazonal mas, a verdade, é que ainda estamos a atravessar uma crise”, notou.

Actualmente são 2700 os inscritos no Centro de Emprego de Bragança, instituição que engloba quatro concelhos – Bragança, Miranda do Douro, Vimioso e Vinhais. Destes 2700, 31 por cento tem entre os 35 e os 49 anos e 31,3 por cento tem entre os 25 e os 34 anos.

O director da instituição lembra que, para além da formação, o Centro de Emprego tem a decorrer programas de apoio ao empreendedorismo e à criação do auto-emprego.

14 de Junho de 2010

 

 

A noite cai trazendo consigo a escuridão. O som das folhas e das pedras pisadas amplificam-se e sente-se o eco dos animais que povoam o Parque Biológico de Vinhais. Tudo parece maior aqui com a natureza a marcar o justo compasso.

 

 A caminhada continua com passos firmes até à charca da Vidoeira, um lago artificial construído para servir de reservatório de água de rega do Viveiro Florestal e para abastecimento dos bombeiros, em caso de incêndio.

 

Ali, encontra-se um abrigo-observatório pronto a receber os visitantes. A porta encerra-se e resta agora esperar que a fauna se aproxime à vontade. A charca está iluminada e há um sistema de células que avisa automaticamente da presença de animais.

 

Basta aos visitantes aguardar pacientemente nas cadeiras de descanso para que alguns mamíferos selvagens se aproximem para beber água . Corços, gamos e javalis, assim como as aves de rapina nocturnas, animais autóctones da região. Esta é uma das muitas propostas apresentadas pelo Parque Biológico de Vinhais aos visitantes. A três quilómetros da vila, o espaço assume-se como uma verdadeira porta de entrada para o imenso Parque Natural de Montesinho. Ali é possível conhecer a fauna e flora característica da região em três pólos diferentes.

 

A visita inicia-se com um percurso devidamente assinalado com os chamados “biospots” que explicam ao visitante a colecção de animais e plantas que ali pode observar. Junto às massas de água proliferam as rãs, libélulas, libelinhas e borboletas. Também podem ver-se de perto algumas espécies de aves, como a coruja, a águia de asa redonda ou a perdiz cinzenta, uma ave já extinta em Portugal no estado selvagem. Os burros mirandeses, o boi mirandês, o porco bísaro, galináceos, o cão de gado transmontano, são outras das espécies observáveis.

 

O Parque Biológico de Vinhais tem assumido um papel de elevada importância ao ajudar na recuperação de espécies autóctones que se encontravam praticamente extintas, como é o caso da cabra preta. Este exemplar foi recuperado pelo Parque que tem estado a trabalhar na criação desta raça, entregando reprodutores a criadores que assim o pretendam.

 

À Volta do Parque

 

Deste primeiro percurso à charca da Vidoeira há um outro caminho que pode ser percorrido a pé ou de bicicleta. As margens foram renaturalizadas e é possível observar algumas das espécies do Parque, em estado selvagem.

 

Outro dos pontos visitáveis é a Barragem de Prada, uma zona de observação de aves aquáticas típicas de lagoas de altitude, como o mergulhão de crista. Também é possível observar a nidificação de aves e a beberagem de outros animais, como a lontra.

 

Continuando passeio até ao Alto da Cidadelha, um miradouro apoiado por uma pequena construção em madeira, é possível observar ao longe a vila de Vinhais e toda uma paisagem mantida intacta praticamente desde a Idade Média. Aqui o visitante pode descobrir toda a paisagem e a história local, tendo como inspiração o antigo castro romano que ali existiu. Em todos os percursos estão disponíveis os biospots que alertam para as espécies existentes.

 

Texto e Fotos: Carla A. Gonçalves   

03 de Junho de 2010

O Parque Biológico de Vinhais libertou, na semana passada, uma Águia de Asa Redonda que tinha sido recuperada pelo Centro de Recepção, Acolhimento e Tratamento de Animais Selvagens (CRATAS) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). A ave esteve em recuperação desde o mês de Novembro do ano passado depois de ter sido vítima de um disparo que lhe provocou uma lesão no cúbito. A Águia foi recolhida pelo Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR e teve de ser alimentada para atingir o peso adequado e realizar treinos de voo e de caça.

A águia-de-asa-redonda é uma das aves de rapina mais comuns em toda a Europa, sendo a águia mais frequente em Portugal. Apesar de ser uma espécie abundante, há sérios riscos que constituem uma ameaça como seja a electrocussão, o abate e cativeiros ilegais, a pilhagem de ninhos, incêndios florestais e atropelamento.

O dia da libertação desta ave foi aproveitado para uma visita da escola pré-primária de Vila Flor ao Parque Biológico de Vinhais, onde se realizou ainda uma palestra sobre a fauna e o trabalho desenvolvido pelo CRATAS.

O CRATAS recebe animais de toda a região norte de Portugal e tem como objectivo principal a reintegração destes no seu habitat natural. O Centro funciona ao longo de todo o ano, assegurando a recepção dos animais selvagens a qualquer hora do dia, garantindo assistência imediata e um acompanhamento em permanência por parte de um médico veterinário. 

publicado por Lacra às 10:23
25 de Maio de 2010

O Parque Biológico de Vinhais inaugurou uma estação de biodiversidade – um percurso devidamente sinalizado, dentro e fora do Parque Biológico, que permite aos visitantes conhecer um pouco melhor as espécies de fauna e flora que proliferam naquela zona protegida, inserida no coração do Parque Natural de Montesinho.

A iniciativa resultou de um protocolo entre a empresa municipal Turimontesinho, entidade gestora do Parque, a Tagis e o Museu de História Natural e foi apresentada ao público no dia 22 de Maio, dia da Biodiversidade.

Desde o percurso no interior do Parque, até ao Alto da Cidadelha, já no exterior, é possível encontrar oito biospots que compõe a estação da biodiversidade, ou seja, oito locais espalhados ao longo de um vasto percurso, onde proliferam determinadas espécies, sendo dada ao visitante uma explicação pormenorizada sobre essas mesmas espécies. Logo no início do percurso o visitante pode observar uma massa de água onde proliferam libélulas, libelinhas e borboletas. Já no Alto da Cidadelha, a mais de mil metros de altitude, o biospot fala da vegetação existente ao longo dos caminhos rurais.

O Parque Biológico de Vinhais é considerado uma das estações de biodiversidade mais importantes do país pelo número de espécies existentes naquele habitat. Segundo Albano Soares, representante da Tagis e do Museu de História Natural, um habitat é tanto mais saudável para os ser humano, quanto mais espécies tiver. Só para se ter uma ideia, o Parque Biológico de Vinhais tem mais de 90 por cento das espécies de borboletas existentes no país e contempla uma das maiores manchas de carvalhal negral da Europa. É uma zona que, segundo Albano Soares, se mantém praticamente igual, em termos de biodiversidade, desde a Idade Média.

O Parque Biológico tem vindo a assumir, também, um papel de grande importância na recuperação de espécies autóctones, algumas das quais se encontravam praticamente extintas, como foi o caso da cabra preta. O Parque assumiu a criação desta raça e tem estado a entregar reprodutores a criadores que pretendam trabalhar com esta raça.

Aberto há dois anos, o objectivo agora é aumentar a colecção de fauna e flora e criar novas dinâmicas que continuem a atrair visitantes a Vinhais, conforme apontou a directora, Carla Pereira.

“A nossa preocupação é aumentar as colecções pensando em todos os que nos visitam mas o Parque Biológico basta-se pelo local onde está inserido – no Parque Natural de Montesinho, uma vasta área que tem aqui uma porta de entrada explicativa e pedagógica”.

Uma das próximas apostas do Parque será a criação de um centro e de uma rota micológica que apresente aos visitantes a grande variedade de cogumelos existentes naquela área.

Já no que diz respeito às dormidas, será aumentado o número de bungalows existentes para dar resposta aos que procuram ali pernoitar. Actualmente o Parque Biológico conta com quatro bungalows com capacidade para quatro pessoas e 50 camas na Hospedaria do Parque, um solar setecentista recuperado para o efeito. A falta de dormidas tem levado a direcção a alugar também a Casa do guarda: “inicialmente não tinha esse propósito mas as pessoas gostam e como os bungalows não chegam, temos alugado esse espaço”.

O Parque Biológico de Vinhais está aberto todos os dias, das oito da manhã às dez da noite.

 

publicado por Lacra às 10:06
21 de Maio de 2010

"Sábado é o grande dia! Vamos ter o desfile, que é o maior da Europa, este ano com cerca de 500 participantes com máscaras tradicionais de toda a Península Ibérica e um grupo da Irlanda", explica Hélder Ferreira, presidente da Progestur, associação sem fins lucrativos de gestão e desenvolvimento de turismo cultural, uma das entidades organizadoras. 

O desfile de sábado começa na Praça do Município e termina no Rossio, que reúne a maior parte dos eventos - concertos, provas produtos regionais e de vinho, artesanato e ateliês para crianças - das regiões de Portugal e de Espanha representadas no festival. 

De Portugal, desfilam sete grupos - "caretos", "velhos", "chocalheiros" e máscaros" de Mogadouro, Vinhais, Macedo de Cavaleiros, Lamego e Lagoa - e de Espanha chegam nove grupos - "boiteros", "vacas", "toros", "carnavales" e "sidros" de Ourense, Zamora, León, Cantábria e Astúrias -, além da presença, pela primeira vez no festival, de um grupo não ibérico: The Mummers, da Irlanda. 



O toque de fertilidade irlandesa

"Mummers" significa "lugar da fertilidade", explica Jim Ledwith, um dos membros do grupo, que começou a animar Lisboa com um concerto de música tradicional irlandesa no Rossio, mas sem máscaras porque estava um calor insuportável, no arranque do festival, na quinta feira, e que promete também conquistar os portugueses, sobretudo as portuguesas. 

"Somos a fertilidade, o florescer da Natureza, e representamos a colheita, a generosidade da terra", prossegue o irlandês, um dos 20 membros do grupo que no sábado vai percorrer a Baixa de Lisboa com máscaras de palha. 



"Temos também um cavalo branco que ataca portugueses - porque não?" Cada mulher tocada pelo cavalo, garante Jim Ledwith, terá uma criança em seis meses. "Chamamos a isso fazer novos amigos por muito tempo..."


Ao longo dos quatro dias do Festival da Máscara Ibérica, a organização espera pelo menos repetir os números da edição do ano passado, com 300 mil pessoas, segundo números da Polícia Municipal. O presidente da Progestur, diz que são aguardados cerca de 30 órgãos de comunicação social estrangeiros, entre os quais quatro televisões espanholas e uma francesa. 

Hoje é o dia de Cáceres, com provas de queijos e azeites, o concerto do grupo Cerandeo no Rossio e gastronomia desta região no restaurante Casa do Leão, no Castelo de São Jorge. Sábado é o dia de Zamora, também com provas de produtos regionais e o espetáculo do grupo Xera, das Astúrias, no Rossio e gastronomia no restaurante Terraço, no Hotel Tivoli. 


O festival encerra no domingo, com as atuações da Banda de Gaitas de Viana do Bolo, dos Saca Sons, de Zebreira, e ainda dos Tanira e Roncos do Diabo, de Portugal. 



 

Fonte: Lusa

07 de Abril de 2010

Um homem de 34 anos foi detido em flagrante quando capturava um corço, numa altura em que esta actividade não é permitida, com um laço em aço, um meio proibido de caça. A detenção foi ontem, às 12h00, na freguesia de Fresulfe, concelho de Vinhais.

O animal foi entregue no Matadouro Municipal de Bragança, onde será submetido a inspecção veterinária com a finalidade de se determinar se está ou não próprio para consumo.

O detido foi presente a julgamento no Tribunal Judicial da Comarca de Vinhais mas a sentença ainda não é conhecida.



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