Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
05 de Abril de 2010

"Esta foi a Páscoa mais triste de sempre, porque sentimos a falta do nosso Leandro". Quem o afirma é Amália Nunes, a mãe do menino de 12 anos que desapareceu, há um mês, nas águas do rio Tua, cujo corpo foi encontrado há 12 dias.

Na pacata aldeia de Cedainhos, a cerca de dez quilómetros de Mirandela, a família tenta "levar a vida para à frente, mas não tem sido fácil", confessa Armindo Pires, o pai de Ana Catarina (9 anos) e de Márcio (12 anos), irmão gémeo de Leandro.

Enquanto aguardam os resultados dos inquéritos que o Ministério Público (MP) e a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) abriram após o trágico acontecimento, surge a informação que o MP arquivou o inquérito relativo à queixa apresentada por Amália, em Dezembro de 2008, contra três menores que terão agredido Leandro, na central de camionagem de Mirandela.

Segundo apurou o JN junto de fonte hospitalar, existe registo de um episódio de urgência no hospital de Mirandela, nessa data, revelando que Leandro terá sido agredido com "pontapés na cabeça" e teve necessidade de ficar internado no serviço de Pediatria, durante dois dias.

Apesar da decisão de arquivar o processo já ter sido tomada há cerca de meio ano, Amália Nunes diz nunca ter sido notificada. "Não recebi nada e não entendo como é possível não punir ninguém, depois do que fizeram ao meu filho", afirma. Na altura, fez queixa à direcção da escola, que terá rejeitado responsabilidades, alegando que as agressões ocorreram fora do recinto escolar.

O MP justifica a decisão com o facto de os menores denunciados terem menos de 12 anos, na altura dos factos. Como não se aplica a lei tutelar educativa, o caso foi remetido para a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Mirandela, com vista à instauração de processo de promoção e protecção. O plano de acção para os três menores terá sido "aplicado e cumprido sem problemas", garante fonte da CPCJ. De tal forma que nunca mais foi registado qualquer incidente da sua autoria, adianta a mesma fonte.

Inquéritos demorados

Concluído há quase duas semanas, o inquérito da Inspecção-Geral de Educação (IGE) ainda não foi divulgado. Recorde-se que o relatório interno da direcção da escola, não suficientemente conclusivo para a DREN, revelava que Leandro saíra pelas grades que circundam o recinto da escola e não pelo portão principal.

A confirmar-se, a situação não iliba a escola na questão da segurança, mas constitui atenuante. Porém, há relatos de várias testemunhas, ouvidas pela PSP, a confirmar que as nove crianças (incluindo Leandro) saíram da escola, à hora do almoço, sem que ninguém os tivesse impedido. Há versões que revelam a presença do porteiro, outros que a negam.

A IGE dirigiu o inquérito para apurar se existiam agressões a Leandro ou a outros alunos na escola e porque é que nunca foram reportadas pela direcção da Luciano Cordeiro ao ministério ou à Comissão de Protecção de Menores. E como foi possível que os alunos abandonassem a escola no horário das aulas, quando não estavam autorizados pelos pais.

Amália e Armindo Pires confirmaram ao JN a intenção de processar os responsáveis da escola. Um advogado ofereceu-se para tratar do caso, mas a mãe de Leandro prefere aguardar os resultados do inquérito. Mais atrasado estará o inquérito judicial, que numa primeira fase foi dirigido pela PSP de Mirandela, já que o procurador do MP ainda pretende ouvir os pais. A audiência estava marcada para o passado dia 25 de Março, mas o aparecimento do corpo do Leandro levou ao adiamento, para data ainda desconhecida.

No relatório entregue ao MP, a PSP acredita que Leandro não terá reflectido sobre as consequências do seu acto. Terá entrado nas águas do Tua com intenção de sair, mas a forte corrente acabou por ser fatal.

A investigação aponta Leandro não apenas como vítima de violência escolar, mas também como agressor. Uma conclusão contestada por Amália. "Se ele se defendesse, não era agredido tantas vezes e não acontecia esta tragédia", exclama a mãe, que deixa uma questão: "Como podia bater em alunos que têm 15 e 16 anos? O meu filho era tão pequeno!"

 

Fonte: JN

14 de Março de 2010

Mais de centena e meia de homens vão efectuar a derradeira tentativa para encontrar o corpo da criança de 12 anos, que desapareceu nas águas do rio Tua, no dia 2 de Março.

Bombeiros voluntários dos distritos de Bragança e Vila Real (entre eles 12 mergulhadores), com a ajuda de vários botes, elementos da GNR (equipas cinotécnicas incluídas) vão efectuar buscas ao longo de 50 quilómetros, entre Mirandela e a foz do Tua. "Esperamos que o corpo seja encontrado, caso contrário vamos dar por concluídas as buscas", afirma o coordenador do Gabinete Municipal de Mirandela da Protecção Civil, Marcelo Lago.

Entretanto, continuam a decorrer os dois inquéritos sobre este caso. Fonte ligada ao processo judicial diz ter ficado "perplexa" com notícias vindas a público que dão conta de alegadas conclusões sobre o inquérito judicial, quando as diligências que a PSP está a fazer ainda nem sequer terminaram. Só na próxima semana é que o relatório será entregue ao procurador e alguns dias depois é que poderá ser elaborado o despacho sobre as conclusões do mesmo.

Também o inquérito da Inspecção-Geral de Educação só deverá estar concluído a meio da próxima semana. Há três dias que um inspector se encontra no estabelecimento, depois da DREN ter considerado inconclusivo o relatório interno da escola.

 

 

Fonte: JN

12 de Março de 2010

O perfil da criança traçado pelos investigadores não retrata Leandro apenas como vítima de violência escolar, mas também como agressor. Aliás, o relatório da PSP, já entregue ao Ministério Público, dá conta que a violência era uma constante na Escola EB 2,3 Luciano Cordeiro, em Mirandela.
Muitas vezes eram os próprios pais que aconselhavam os filhos a agredirem os colegas para se protegerem, optando por não denunciar os casos na escola ou às autoridades. Outras vezes, os casos eram resolvidos pelos irmãos mais velhos, que iam à escola bater nos alegados agressores. O ciclo de violência perpetuava-se.
Segundo a PSP apurou, esta não foi a primeira vez que Leandro chamou a atenção com ameaças à sua integridade física. Seria uma forma de se proteger face às agressões. Mas ele, acompanhado de familiares e amigos, também era capaz de agredir outros colegas, como aliás relatou anteontem ao PÚBLICO o pai de um deles. "O meu filho chamava-lhes "os génios", em vez de "os gémeos", andavam sempre com o primo e uma vez bateram-lhe e ele chegou com as pernas todas amassadas a casa", recordou João Mendes.
O relatório da PSP confirma as falhas no controlo das entradas e saídas da Escola Luciano Cordeiro, que ministra aulas do 5.º ao 9.º ano de escolaridade. E, nessa medida, responsabiliza a instituição, que permitiu a saída de um aluno durante o período das aulas.
Esta é, aliás, uma das preocupações demonstradas pelo director regional de Educação do Norte, António Leite, que já disse publicamente que é preciso chegar a uma conclusão sobre como esta criança saiu da escola. "É preciso perceber como acontecem estas saídas não autorizadas", disse há dias o director regional, após uma visita à escola.
O PÚBLICO sabe que o Ministério Público vai continuar a investigar este caso, passando agora a conduzir directamente as diligências. Entretanto, foi decretado o segredo de justiça ao inquérito, não estando, por isso, o mesmo acessível para consulta.
O pedopsiquiatra Pedro Monteiro insiste que a sociedade portuguesa deve abster-se de "crucificar seja quem for" e deve adoptar estratégias preventivas face ao aumento da violência nas escolas. "Os jovens não se podem continuar a relacionar nas escolas sem supervisão dos adultos. Muitas vezes são os próprios pais que não ajudam os professores a terem autoridade nas escolas", alerta o pedopsiquiatra. Ao defender que é fundamental um clima de disciplina e de amistosidade nas escolas, Pedro Monteiro salienta: "Os conselhos executivos e as associações de pais não se podem continuar a demitir de contribuir para um clima de mais dignidade entre os alunos".
Quanto ao caso de Leandro, Pedro Monteiro está convencido que houve um impulso suicidário por parte da criança, ainda que não reflectido. "As ameaças devem ser tomadas a sério", alerta, ressalvando que não conhece o relatório da PSP.


Fonte: Público

 

 

 


O director da Escola Luciano Cordeiro, em Mirandela, onde era aluno o rapaz de 12 anos que se atirou ao rio Tua, por alegadamente ser vítima de bullying, vai ser ouvido pelo inspector da Educação que está a elaborar um novo relatório sobre o que se passou no dia 2 de Março.

Depois de o Ministério da Educação ter considerado inconclusivo o relatório ao caso feito pela escola, a Inspecção-Geral da Educação foi chamada ao terreno.

Há dois dias que um inspector se encontra no estabelecimento, tendo instruções do ministério para ouvir o presidente da Direcção cão Executiva da escola, José Carlos Moreira da Silva Azevedo, e dos restantes quatro membros do executivo.

O inspector vai também ouvir os pais de Leandro, que foram ignorados no inquérito elaborado pela direcção da escola e que dizem ter alertado o estabelecimento para as agressões ao filho por parte de outros alunos.

A ministra da Educação, Isabel Alçada, terá dado instruções rigorosas para que seja apurada toda a verdade sobre o caso, querendo sobretudo resposta a duas questões ainda por esclarecer: se existiam agressões a Leandro ou outros alunos na escola, porque é que nunca foram reportadas pela direcção da Luciano Cordeiro ao ministério ou à Comissão de Protecção de Menores de Mirandela. E como é que foi possível que Leandro e outros alunos tivessem saído da escola no horário das aulas quando não estavam autorizados pelos pais a fazê-lo.

A ministra Isabel Alçada terá apontado o prazo de meados da próxima semana como a data-limite para a conclusão do relatório. Quarta-feira da próxima semana é também o dia apontado para a conclusão do inquérito ao caso que a PSP está a realizar para o Ministério Público.

Segundo fonte policial, já foram ouvidas cerca de 25 testemunhas , entre elas os responsáveis pela escola Luciano Cordeiro e os alunos que presenciaram o presumível afogamento do Leandro.

A Protecção Civil de Bragança retirou das margens do rio Tua em Mirandela a maioria dos meios que ali concentrou desde 2 deste mês, data em que Leandro de 12 anos se terá atirado à água.

Durante cerca de 10 dias, as equipas percorreram o Tua desde Mirandela até à foz. O grande caudal do rio e a pouca visibilidade das águas não permitiram que o corpo fosse localizado através dos botes e dos mergulhadores. As equipas também percorreram os treze quilómetros de margens, mas não foram encontrados vestígios do rapaz.

Para os responsáveis, o facto de o corpo se encontrar nu e pesar cerca de trinta quilos dificulta muito as buscas.

Em declarações ao DN, Melo Gomes, comandante da Protecção Civil afirmou que o grande caudal que o Tua apresenta, a temperatura muito baixa das águas impedem que as buscas tenham êxito. No entanto, adiantou, que os Bombeiros de Mirandela ao longo do dia vão monitorizando o rio e as suas margens.

Ainda segundo o responsável da Protecção Civil, quando o caudal for menor e a temperatura da água subir um pouco será lançada uma grande operação com todos os meios disponíveis numa tentativa de encontrar o corpo do rapaz.

A Protecção Civil de Bragança espera lançar a operação dentro de quinze dias se o tempo continuar seco.

 

Fonte: DN

09 de Março de 2010

A  Escola Básica 2/3 Luciano Cordeiro de Mirandela já entregou à Direcção Regional de Educação do Norte o relatório do inquérito interno que foi levantado ao desaparecimento de Leandro, o aluno que há uma semana se atirou ao rio Tua.

No entanto, o Ministério da Educação entende que “não é totalmente conclusivo” e por isso já enviou um elemento da Inspecção Geral de Educação para o estabelecimento de ensino a fim de “recolher mais elementos”.
Segundo a agência Lusa, a Ministra da Educação, Isabel Alçada, quer ter “uma conclusão segura" e por isso, no estabelecimento de ensino já se encontra um inspector da Inspecção Geral da Educação a recolher mais elementos, que permitam “uma clarificação total do que se passou”.

A par do inquérito interno da escola está também em curso um inquérito judicial a cargo do Ministério Publico, que delegou na PSP a condução do processo.

 

 

Fonte: Brigantia


 Centenas de pessoas marcaram presença, ontem, na marcha silenciosa em solidariedade com a família do Leandro, o menino de 12 anos que está desaparecido nas águas do rio Tua, há uma semana.

Uma caminhada pelo mesmo percurso efectuado pela criança, entre a escola e a margem direita do rio.

Os pais também estiveram presentes e não esconderam a revolta para com a direcção da escola.

Amália Pires e Armindo Pires, os pais do pequeno Leandro, estão indignados com a direcção do agrupamento da escola Luciano Cordeiro.

“A escola ainda não teve uma palavra para nos dar, nunca nos disse nada” refere a mãe. “A única pessoa da escola que entrou em contacto connosco foi a directora de turma dele que me telefonou quinta-feira à noite, talvez de casa dela, a dizer que se eu precisasse de alguma coisa que estava pronta a ajudar”.

Nas primeiras declarações à comunicação social, os pais de Leandro não têm dúvidas em apontar o dedo à falta de segurança da escola.

“A escola devia ter aqui segurança. Se assim fosse o meu filho não estaria no rio” afirma Amália Pires. “Eu sempre disse que não os deixassem sair” acrescenta.

“Esta escola é muito ruim” considera, não só ao nível de segurança, mas também porque “não tem pessoas competentes para estar aí dentro”.

Tal como já tinha sido divulgado, Amália Pires confirma que o Leandro foi agredido, em Dezembro de 2008 e teve de ser internado no hospital.

Nessa altura, a mãe diz ter comunicado o caso à direcção da escola, mas nada foi feito.

“O meu filho já tinha estado no hospital por causa de uma data que lhe deram” confirma. “Eu vim à escola e o conselho executivo disse-me que por ter sido fora da escola não tinha nada a ver com o assunto” revela.

Amélia Pires conta ainda que o filho “não dizia nada em casa a não ser quando foi para o hospital”. “Ultimamente ele não tinha dito nada, mas o irmão e os primos é que dizem que ele era agredido quase todos os dias” adianta.

Balões coloridos, flores, velas, fotografias do Leandro e cartazes com muitas críticas à escola tudo serviu para simbolizar a solidariedade para com a família.

Entretanto, espera-se que hoje fique concluído o inquérito instaurado pelo Ministério da Educação, enquanto a PSP deve concluir, amanhã, o inquérito judicial que posteriormente será entregue ao Procurador do Ministério Público para as conclusões.

 

 

Fonte: Brigantia/ Escrito por CIR

08 de Março de 2010

A PSP de Mirandela, que já ouviu mais de dezena e meia de testemunhas no âmbito do inquérito ao caso da criança de 12 anos que terça-feira desapareceu no rio Tua, admitiu hoje que já existem “algumas pistas” do que aconteceu no dia 2 de Março.

“Cabe agora ao Ministério Público (MP) a decisão sobre as próximas diligências no processo”, acrescentou a fonte policial. De acordo com o comandante distrital de Bragança da PSP, Amândio Correia, existem já “algumas pistas” do que aconteceu no dia 2 de Março. O responsável não revelou, no entanto, pormenores por o caso se encontrar em segredo de justiça.
O comandante afirma ainda que a “PSP não sabe quando é o que o inquérito vai estar concluído, já que essa é uma competência do Ministério Público”. Segundo Amândio Correia explicou, a PSP participou os factos ao MP no mesmo dia em que a criança desapareceu no rio Tua. No dia seguinte o MP delegou na polícia a condução do inquérito “para se perceber os contornos do que realmente aconteceu”.
“Já foram ouvidas entre 15 e 18 pessoas entre alunos, professores, família e associação de pais”, disse o oficial da PSP. A polícia tem, segundo disse, praticamente concluído o trabalho que está a ser acompanhado em permanência pelo procurador da República, a quem competirá determinar os próximos passos do processo.
A criança de 12 anos, que frequentava a escola EB 2/3 do agrupamento Luciano Cordeiro de Mirandela, desapareceu terça-feira à hora de almoço no rio Tua, junto ao parque de merendas da cidade, para onde se deslocou na companhia de um irmão gémeo e de primos. O local é distante da escola que já abriu um processo de averiguações para apurar o que “poderá ter ocorrido no recinto da escola antes do sucedido”, segundo avançou fonte do Ministério da Educação.
O comandante confirmou também que “de facto há uma queixa” de 2008 relativamente a uma alegada agressão sofrida pela criança em causa, que a PSP comunicou ao MP, naquela ocasião. O comandante desconhece “qual o resultado” dessa participação.
A PSP de Mirandela registou também no ano lectivo anterior de 2008/2009, “três ocorrências em que foram reportadas agressões e outras tantas já neste ano lectivo a que se soma ainda o furto de um telemóvel”. “São todas situações ocorridas nas imediações, no exterior das escolas”, esclareceu o comandante.
As ocorrências dizem respeito a alunos das escolas do agrupamento Luciano Cordeiro, que integra a EB 2/3 frequentada pela criança que desapareceu no rio Tua, terça-feira à hora de almoço. A escola abriu também um inquérito interno ao caso que se espera “esteja concluído hoje e seja entregue amanhã (terça-feira) à Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), segundo disse o gabinete de imprensa do Ministério da Educação. A criança desaparecida no rio Tua tem sido referenciada como alegada vítima de violência escolar por parte de colegas da escola.

Fonte: Lusa

 


A partir de hoje vai ser reduzido o dispositivo montado em Mirandela para tentar encontrar o corpo do aluno da Escola Básica 2/3 Luciano Cordeiro, que na passada terça-feira se atirou ao rio Tua, por alegadamente ser vítima de violência, naquele estabelecimento de ensino, por parte de colegas.

Depois de seis dias consecutivos a bater as margens e o leito do rio, as autoridades decidiram reduzir o dispositivo por causa do cansaço dos elementos que estão a participar nas operações e porque não há indícios de onde possa estar o corpo.

 

Ontem estiveram envolvidos 110 homens, mas as buscas voltaram a ser infrutíferas.

“Desde 110 homens, temos 10 mergulhadores e uma equipa de canoagem constituída por seis elementos, temos cinco equipas cinotécnicas e ainda bombeiros, GNR e PSP a fazer buscas ao longo das margens do rio desde Mirandela até à foz” explica comandante distrital da protecção civil.

 

Melo Gomes assume que, a partir de hoje, vai haver uma redução drástica de efectivos nas buscas, mas assegura que as operações vão continuar, sem previsão de quando vão terminar.

“Vamos manter as buscas mas com um efectivo muito mais reduzido que será composto por equipas de bombeiros e GNR cuja área de actuação é atravessada pelo rio Tua e ainda equipas da protecção civil municipal de Mirandela” adianta, acrescentando que “vamos ainda empregar alguns elementos dos GIPS neste patrulhamento das margens”.

O responsável garante que “não vamos descurar as buscas, elas não vão terminar tão depressa vamos sim reduzir o efectivo e manter as operações durante mais algum tempo”.

 

Entretanto, surgem novos dados em torno deste caso.

Sabe-se agora que dos 150 casos sinalizados pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Mirandela, 12 são relativos à escola Luciano Cordeiro, e desses, apenas três dizem respeito a violência e não foi a direcção da escola que os comunicou, mas sim a PSP.

 

Mais um dado que aumenta a onda de protesto de pais e familiares sobre o silêncio da direcção do agrupamento.

Entretanto, para o final da tarde de hoje, está marcada uma marcha pedonal entre a escola e o local onde o Leandro terá desaparecido, em solidariedade para com a família.

Os inquéritos que estão a ser efectuados pelo Ministério Público e pelo Ministério da Educação devem ficar prontos, amanhã.

 

Fonte: Brigantia/ Escrito por CIR


A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens do concelho de Mirandela só tem conhecimento de três casos de violência física na escola Luciano Cordeiro. No entanto, todos eles foram comunicados pela PSP e não pela Direcção do agrupamento.

Apesar dos diversos relatos de episódios de violência física denunciados na última semana pelos pais de alunos da escola Luciano Cordeiro, garantindo que as ocorrências foram comunicadas à direcção do agrupamento, fonte da CPCJ de Mirandela assegura que, dos cerca de 150 casos sinalizados naquela comissão, "apenas 12 pertencem à escola em causa e desses, nove são casos relacionados com problemas familiares e sociais e apenas três dizem respeito a episódios de violência no recinto da escola". Não se sabe se o caso do Leandro está incluído. A mesma fonte revela ainda que os três casos chegaram ao conhecimento daquela comissão através da PSP de Mirandela e "nenhum foi denunciado pela direcção do agrupamento". Leandro ter-se-á lançado ao rio, em desespero pela perseguição de que era alvo da parte de outros alunos.

Estes novos dados e o silêncio dos órgãos da direcção do agrupamento, vêm aumentar a indignação de pais e da própria família do Leandro. "Quando o meu sobrinho foi agredido e teve de ser internado, há um ano, a mãe informou a direcção da escola e a PSP", garante Paula Nunes, tia do Leandro. "Não conseguimos compreender como é possível que ninguém da Direcção do agrupamento tenha dito nada sobre este caso, nem tão pouco têm estado no terreno a inteirar-se das operações de busca", diz Cecília Ferreira, mãe de uma criança da mesma idade e da mesma turma. Os pais do menino continuam sem prestar declarações, mas confessaram aos familiares a "revolta que lhes vai na alma com a situação" e não entendem "como foi possível deixarem sair da escola o Leandro e os outros meninos".

Armindo Pires e Amália Pires (pais do Leandro) são acompanhados por três psicólogos e estão sob vigilância médica. Todos os dias vão ao local das buscas e recebem informações pormenorizadas. Durante o dia, estão na casa de uma amiga, próximo do local das buscas, à noite recolhem a casa, em Cedaínhos.

O Ministério Público deve terminar amanhã o processo de averiguações sobre os acontecimentos que levaram ao desaparecimento do Leandro. Também amanhã, deve estar concluído o inquérito do Ministério da Educação sobre o que se passou no recinto da escola.

 

Fonte: JN

06 de Março de 2010

 Várias organizações de defesa dos Direitos Humanos subscreveram uma carta aberta a criticar a "inacção" dos responsáveis pela Educação no caso da criança de Mirandela, que alegadamente se suicidou após reiteradas agressões na escola.

A carta aberta dirigida ao Ministério da Educação, Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) e ao Conselho Directivo da Escola E.B. 2,3 Luciano Cordeiro é subscrita pela Amnistia Internacional Portugal, AMI - Assistência Médica Internacional, Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, Margens - Associação para a Intervenção em Exclusão Social e Comportamento Desviante e OIKOS - Cooperação e Desenvolvimento.



No documento com o título "Morreu para evitar agressão de colegas", as subscritoras convidam "todas as escolas do país a, segunda feira, às 11:00, fazerem um minuto de silêncio em homenagem ao Leandro".



"Seja essa a ocasião para recordar a todos a gravidade deste tipo de situações. Acabar com elas é a melhor homenagem que se pode prestar ao Leandro e à sua família", referem.



As organizações subscritoras explicam que se juntaram para "publicamente manifestar a sua sentida solidariedade com a família e amigos do Leandro", a criança que assumem que "optou por pôr termo à sua vida devido ao espancamento repetido por dois colegas mais velhos".


Manifestam ainda "indignação perante os factos que estão na origem de tão grave acontecimento e que, segundo familiares, já tinham tido lugar repetidas vezes, uma das quais originando o internamento hospitalar do Leandro".

A carta aberta insta os destinatários "a apurarem todas as responsabilidades por acção e por omissão na morte deste jovem e concomitantemente envolverem as autoridades policiais e judiciais".



As organizações lembram que Portugal, como parte da Declaração dos Direitos da Criança e da Convenção dos Direitos da Criança "está comprometido a respeitar e garantir os Direitos das Crianças".


Frisam ainda que cabe aos estados, neste caso ao Estado português, garantir "o funcionamento de instituições, serviços e estabelecimentos que têm crianças a seu cargo, assegurando que a sua protecção seja conforme às normas fixadas pelas autoridades competentes, nomeadamente nos domínios da segurança e da saúde, relativamente ao número e qualificação do seu pessoal, bem como quanto à existência de uma adequada fiscalização."

"Estamos perante um caso que, à luz do ordenamento jurídico nacional e internacional, tem de ser objecto de investigação objectiva e célere. A inacção e passividade dos responsáveis constituem uma grave violação de Direitos Humanos, em especial dos Direitos das Crianças", consideram.

A carta aberta termina citando Antoine de Saint-Exupéry: "Todas as grandes personagens começaram por ser crianças, mas poucas se recordam disso."

 

Fonte: JN

 



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