Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
14 de Outubro de 2012

Arriscamo-nos a ser Outra Grécia. (Visão...por José Luís Peixoto)

Normalmente, esta frase é dita por senhores de fato, protegidos pelo ecrã da televisão. Não estão nervosos, como os desempregados que gritam na rua ou à porta da fábrica, estão até bastante serenos; também não têm a cara pintada, nem estão a insultar ninguém, como aquela multidão de rapazes e raparigas que nunca conseguiram um emprego que durasse mais de três meses, estão compostos e falam com correção. Vestem-se como pessoas sensatas, penteiam-se como pessoas sensatas, têm carros de cilindrada sensata a esperá-los no estacionamento. 

Arriscamo-nos a ser outra Grécia.

E, no fundo, estão a dizer:

Vocês arriscam-se a transformar este país noutra Grécia.

Eles não fazem parte do "nós", eles estão a avisar-nos. Por eles, pela sua acção, este país nunca se tornaria noutra Grécia. Se assim fosse, eles não nos estariam a alertar, em tom professoral, em tom de quem sabe mais e melhor. Não são eles que estão em risco de ser uma nova Grécia, eles são apenas desinteresse e boas intenções. Somos nós, sem eles, que estamos em risco de ser outra Grécia.

A xenofobia dessa frase é desprezível. Utiliza a ignorância dos sentimentos mais rasteiros para justificar argumentos desonestos. Ao mesmo tempo, quer fazer pressupor que a Grécia está na atual situação económica porque o seu povo protesta.

Esses senhores, que até podem ter óculos, aliviam a sua consciência culpando os pobres da própria pobreza. Há bem pouco tempo, por exemplo, insurgiam-se contra o rendimento mínimo. Nunca se lhes ouviu uma palavra acerca dos paraísos fiscais.

Justificam a avareza mais reles, com a ideia de que a ajuda pública desencoraja os pobres de trabalhar, torna-os preguiçosos. Isto, com frequência, vindo da parte de pessoas que descendem de linhagens com muito a aprender acerca do que é o trabalho.

Neoliberais de merda. O Estado não deve meter-se na vida das grandes empresas ou dos bancos, a não ser para, à mínima dificuldade, lhes enfiar pazadas de dinheiro pela goela abaixo. Depois, se o Estado precisar seja do que for, não tem o direito de exigir nada. Não tem o direito de interferir na liberdade do mercado. Só tem direito de interferir na liberdade dos cidadãos.

Se calhar, temos de ser nós a ensinar-lhes que é o trabalho que cria riqueza e não aqueles que vendem o trabalho dos outros.

Arriscamo-nos a ser uma nova Grécia?

De cada vez que os portugueses saem à rua, voltam a casa com mais dignidade. Ao contrário do que aconteceu demasiadas vezes, as imagens de multidões demonstram que não está tudo certo, eles não têm legitimidade para tudo. Sobretudo, não têm legitimidade para fazer o oposto daquilo que disseram que iam fazer e, menos ainda, para serem lacaios de outros em que ninguém votou.

Ridículos: a anunciarem medidas antes de jogos de futebol, a esconderem-se no estrangeiro onde não comentam nada, a dizerem que temos o melhor povo do mundo. O mesmo povo que desrespeitam continuadamente.

Arriscamo-nos a ser uma nova Grécia?

Quando falam da Grécia nesse tom de xenofobia velada e cobarde, seria interessante perguntar-lhes qual é, afinal, o país que eles quem querem ser. Da mesma maneira que repetem que não querem ser gregos, seria bonito ouvi-los afirmar que querem ser alemães.

Então, talvez a xenofobia lhes caísse em cima. Talvez lhes fizesse bem sentir esse peso. Tenho curiosidade de ver quantos os seguiriam no dia em que tornassem explícitos os dois lados desse simplismo que coloca a Grécia e a Alemanha em polos opostos de uma guerra surda, em que um dos lados bombardeia o outro, diariamente, com humilhação.

A Grécia não é um país a evitar, os gregos não são um povo a evitar. Aqui, neste nosso país, há muitos que já são gregos porque estão desempregados e sem horizontes como tanta gente na Grécia, porque não sabem como pagar a casa ao banco, porque sofrem como tantos gregos. Quem tem verdadeiro medo de ser como os gregos são esses senhores de fato, protegidos, porque sabem que os seus homólogos da Grécia estão a ser vigiados, com pouca margem.

Seremos outra Grécia se tivermos sorte.

06 de Janeiro de 2010

A cidade de Miranda do Douro acolhe, no próximo fim-de-semana, uma das reuniões de trabalho mensais promovidas pelo Ministério da Administração Interna. Nas sessões de trabalho estarão presentes o titular daquela pasta, Rui Pereira, os respectivos secretários de Estado e os 18 governadores civis do território nacional, bem como representantes de outros serviços afectos à Administração Interna. O governador civil de Bragança, Jorge Gomes, adiantou à RBA que este tipo de descentralização é uma prática que já vem da anterior legislatura. “Em vez de se fazerem reuniões em Lisboa, o ministro entendeu por bem, e após consulta aos governadores civis, realizar uma sessão de trabalho em cada um dos distritos”, explicou o responsável. O distrito de Bragança recebe assim, e pela segunda vez, uma sessão de trabalhos de um dos mais importantes Ministérios do País. “Eu propus que a reunião fosse realizada em Terras de Miranda, uma vez que o ministro da Administração Interna nasceu neste concelho”, sublinhou Jorge Gomes. Esta poderá ser uma oportunidade única para divulgar as paisagens, a cultura, a gastronomia, o folclore e a língua deste rincão trasmontano. Quanto à agenda, sabe-se, apenas, que no final dos trabalhos haverá uma declaração pública, proferida por Rui Pereira. Fonte: RBA
29 de Abril de 2009

 Se o Governo decidir avançar com a decisão de construir a barragem de Foz do Tua, submergindo a linha férrea, então a EDP terá de construir uma linha alternativa que cumpra as mesmas funções. O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), apresentou, em conferência de imprensa, um conjunto de documentos que comprova que esse foi o compromisso assumido entre o Governo e a EDP no caderno de encargos do concurso para a atribuição de concessão da construção da barragem hidroeléctrica.

O PEV afirma ainda que, em 2006, a Refer, aquando consultada no quadro de elaboração do Estudo de Impacte Ambiental, deixou clara a sua posição: “a intervenção em causa poderá potenciar a afectação da actual linha do Tua (...), observando-se este cenário recairia na responsabilidade do promotor desta obra o desvio da linha de caminho de ferro para outro espaço canal ferroviário, albergando todos os custos daí inerentes”. Este parecer vem ainda, no entender do PEV, demonstrar que a Refer tinha conhecimento oficial da barragem, apesar de “durante muito tempo” ter negado tal facto.

«Durante muito tempo, quando reuníamos com a administração da REFER, dizia-nos que não tinha conhecimento oficial da barragem. Então o que é isto que aqui está? Afinal havia conhecimento oficial e até tinha imposto condições», referiu.

A decisão de manter a linha do Tua em funcionamento irá depender do aval do ministro do Ambiente à construção da hidroeléctrica de Foz Tua, motivo que levou o PEV a convocar a conferência de imprensa, “para que o país saiba o que o ministro do Ambiente sabia”.

O PEV decidiu, por isso, apresentar o parecer do Estudo de Impacto Ambiental e os pareceres que constam do anexo desse mesmo documento. Segundo o documento apresentado, a construção da barragem de Foz Tua apresenta como “único aspecto positivo” a produção de energia e, mesmo a nível hidroeléctrico, os benefícios serão muito reduzidos tendo em conta as medidas de minimização dos impactos negativos que terão de ser aplicadas. A dirigente do partido, Manuela Cunha, considera, por isso, que “se o ministro do Ambiente e Ordenamento do Território for uma pessoa de bem, que faça respeitar os compromissos, só pode dar um aval negativo à construção da barragem de Foz Tua”.

A nível de produção de energia, o PEV indica que bastaria fazer um reforço de potência das barragens já existentes na bacia do Douro para conseguir o mesmo ganho hidroeléctrico que a barragem de Foz Tua irá produzir. Ainda ao nível do EIA, “Os Verdes” apontaram que o estudo avalia “muito bem” todos os impactos negativos decorrentes da construção da barragem e que são “impactos transversais a várias áreas que nenhuma das medidas mitigadoras conseguirá atenuar de forma minimamente satisfatória”.

Para alem do “sentimento de perda colectivo” que a Linha poderá representar para todo o Vale do Tua, o EIA, segundo o PEV, fala, entre outras coisas, da submersão de vários terrenos agrícolas, da criação de desemprego, da afectação da mobilidade das populações, do aumento dos riscos sísmicos e das alterações ao nível do clima. Mas, segundo Manuela Cunha, o grande “impacto” da construção da barragem do Tua será “sobre o ser humano em Trás-os-Montes, já em vias de extinção”.

“A construção da barragem irá acelerar a desertificação da região, sendo que um dos concelhos mais penalizados será o de Carrazeda de Ansiães que é o mais envelhecido, o mais despovoado e aquele que tem menos acessibilidades e infra-estruturas de apoio às populações”, considerou Manuela Cunha.

Motivos que levam o PEV ainda a repudiar a proposta apresentada pela EDP para o transbordo dos passageiros em autocarro até à primeira paragem não submersa, uma “solução” que, no entender do PEV, “não vai de encontro às exigências assumidas no caderno de encargos e que irá contribuir para aumentar a viagem e torná-la mais desconfortável”.

A decisão sobre a construção da barragem de Foz Tua deverá ser tomada em breve. Até lá, o PEV irá entregar aos municípios de Bragança e do Vale do Tua o parecer elaborado sobre o assunto bem como os pareceres que constam do EIA e que, de outro modo, “seriam apenas do conhecimento do Ministério do Ambiente”. Estes documentos serão também entregues no Governo Civil de Bragança.

O PEV já assumiu como posição a não concordância com a construção da barragem de Foz Tua perante todos os impactos negativos que a mesma apresenta. Manuela Cunha alerta ainda que também o Estado “está de mãos livres para anular o concurso de concessão da barragem sem ter de pagar um único tostão de indemnização à EDP, segundo o que está determinado no caderno de encargos”.

Caso o Governo decida avançar com a construção da barragem, então “terá que fazer cumprir as suas próprias exigências de acordo com o que foi determinado”.

 

21 de Abril de 2009

O Governo quer continuar a apostar nas unidades de cuidados continuados como forma de dar resposta a uma população cada vez mais envelhecida e com necessidade de cuidados de saúde pós-hospitalares.

No distrito de Bragança já há uma rede com cerca de cem camas, um número ainda insuficiente e que deverá crescer até ao final do ano com a inauguração de mais equipamentos do género no distrito.

Na semana passada, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, visitou a unidade de cuidados continuados de Miranda do Douro, de Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo e Vila Flor, localidades onde estes equipamentos já estão em funcionamento. Em Miranda do Douro a unidade abriu em Dezembro do ano passado, com 21 camas e, desde então, tem estado sempre lotada.

No entender do autarca mirandês, Manuel Rodrigo, o equipamento não tem as camas que seriam necessárias para dar resposta às necessidades da população, no entanto, considera que “já é melhor que nada”.

Por seu lado, Francisco Ramos justifica que estas unidades são de dimensão limitada e que o Governo ainda está “longe” de ter “todas as necessidades satisfeitas”.  Ainda assim, a nível da região Norte, em três anos, foram criadas mais de mil camas e atendidas perto de 30 mil pessoas.

As unidades de cuidados continuados visam dar resposta aos doentes que, após internamento hospitalar ainda não estão em condições de ficar sozinhos em casa mas cujo internamento deixa de ser justificável. É um serviço que, no entender do secretário de Estado, “ajuda à mobilidade, autonomia e até independência das pessoas”.

Durante a visita à unidade de Miranda do Douro, o Mensageiro ouviu alguns idosos que testemunharam a importância destes equipamentos na recuperação da mobilidade. Exemplo disso mesmo é o caso de Florentina Gonçalves, com 85 anos, natural de uma aldeia do concelho, Atenor, a utente contou que desde que está nos cuidados continuados a fazer fisioterapia já conseguiu subir e descer novamente as escadas.

“De outra forma estaria sozinha em casa. aqui já me ajudaram e consegui subir e descer as escadas duas vezes”, contou satisfeita.

As unidades de cuidados continuados têm sido resultado de um trabalho conjunto entre o Ministério da Saúde e a Segurança Social, autarquias e Santas Casas da Misericórdia.

A par dos cuidados continuados, o Governo está também a apostar na criação de equipas de apoio domiciliário.

 

Respostas para cidadãos com deficiência ainda são escassas 

 

O distrito de Bragança continua a apresentar carências ao nível da criação de lares para pessoas com deficiência. A constatação foi feita pela directora da Segurança Social, Teresa Barreira, à margem da visita do secretário de Estado a Miranda do Douro.

Segundo a responsável, nesta fase têm-se sido várias as entidades a apresentar candidaturas para a construção de lares de idosos e ampliação/remodelação de outros já existentes. A aprovação irá depender do cumprimento dos critérios, um dos quais diz respeito ao índice de compósito do distrito, ou seja, ao número de lares existentes por cidadãos com mais de 75 anos.

Só no concelho de Miranda do Douro existem, pelo menos, duas candidaturas: uma para a construção de um lar em Malhadas e outra para a ampliação do lar de Picote. Teresa Barreira diz estar “expectante” com o resultado das candidaturas mas avisa que o distrito de Bragança tem um índice de compósito bastante elevado. Ou seja, apesar do distrito ser um dos que apresenta elevados índices de envelhecimento, é também um dos que tem melhor cobertura ao nível de infra-estruturas para idosos.

A grande necessidade é mesmo ao nível dos equipamentos vocacionados para cidadãos com deficiências, área em que poucas instituições têm apostado.



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