Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
20 de Novembro de 2010

 

 

 

Na Quinta de Vale dos Porros, entre Freixo de Espada à Cinta e Barca d’Alva, já no termo da freguesia de Poiares, Artur Neto Parra trata cuidadosamente de um exemplar milenar de uma oliveira. Com cerca de oito metros de perímetro, são precisas pelo menos dez pessoas de mãos dadas para abraçar o tronco deste raro exemplar.

A grandiosidade da árvore, leva o seu proprietário a concluir, embora sem certezas, que esta terá aproximadamente dois milénios de existência, anterior à era cristã, pois é conhecido o moroso crescimento de uma oliveira, mesmo quando seja de regadio.

“Mediante estudos que realizei e através da consulta a vários documentos, posso concluir que esta oliveira rondará os dois mil anos de existência”, apontou. O facto pode ser comprovado observando espécimes com 50 anos ou com séculos de existência e cuja dimensão não se aproxima sequer desta oliveira, com oito metros de perímetro. Comparável só mesmo as oliveiras milenares existentes na Palestina, algumas das quais sem a grandiosidade desta “velhinha” de Freixo de Espada à Cinta.

“É um tronco assombroso, é monstruosamente grande”, notou, apontando o exemplar como “comprovativo de uma árvore associada à força e à vida”.

Mais surpreendente é que, segundo Artur Parra, esta “obra-prima da natureza” continua a produzir azeitona negrinha em quantidade e qualidade, “ombreando brilhantemente com as suas filhas, netas, bisnetas, tetranetas...”. Só nesta campanha, esta oliveira milenar deu cerca de cem quilos da azeitona negrinha, qualidade típica de Freixo de Espada à Cinta.

Artur Parra continua a tratar e a podar esta oliveira, a par com outras da sua propriedade, algumas delas com centenas de anos.

O proprietário deixa o convite a todos os que queiram visitar in loco a grandiosidade de uma árvore que está, desde há vários séculos, considerada como um símbolo universal da paz.

25 de Setembro de 2010

O Penedo Durão, em pleno Parque Natural do Douro Internacional, Freixo de Espada à Cinta, foi, ontem, o local escolhido para devolver à liberdade várias espécies de aves selvagens, recuperadas pelo Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

As seis espécies – quatro Grifos, um Britango e um Abutre-preto – passaram longos meses em tratamento, antes de puderem regressar ao seu habitat natural.

Cada uma delas tem uma história diferente e todas elas só sobreviveram graças à colaboração das várias autoridades e do Hospital Veterinário da UTAD. Os Grifos, por exemplo, foram recolhidos por equipas do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR de Moimenta da Beira, Chaves e da Régua. Estes espécies encontravam-se fragilizados, vítimas da fome, de envenenamento ou de colisão com estruturas de abastecimento eléctrico.

Já o Britango foi recolhido em Miranda do Douro com apenas dois meses de vida, num estado “caquéctico e indefeso”, a quem valeu a intervenção do Parque Natural do Douro Internacional que lhe prestou uma rápida assistência. A espécie, agora com três anos de idade, vai voar pela primeira vez sobre o Parque onde foi recolhido.

Também o Abutre-preto precisou de dois anos de recuperação, antes de poder voltar a voar. Esta ave selvagem entrou no Hospital Veterinário extenuado e desidratado, possivelmente por se ter dispersado do seu núcleo populacional. Valeu-lhe a intervenção das equipas do Parque Natural de Montesinho, que encaminharam a ave para o hospital em tempo útil.

Estas espécies recuperadas, aves necrófagas, têm um estatuto de “ameaçadas”, “raras” ou “em perigo”. A falta de cadáveres, os envenenamentos e a diminuição do aproveitamento pecuário extensivo, a par da modernização agrícola e da perturbação das áreas de nidificação, têm sido os principais responsáveis pelo afastar destes animais do território nacional.

Embora sejam aves que são, muitas vezes, associadas à morte, os especialistas realçam o lugar especial que elas ocupam na Natureza ao representarem a primeira barreira natural à disseminação de doenças. Estas aves, ao alimentarem-se de cadáveres, impedem que estes contaminem solos, cursos de água ou outros animais carnívoros com menos resistência.

O Hospital Veterinário da UTAD tem sido, neste campo, uma mais-valia para a permanência destas espécies na região, ao ajudar a recuperar muitas destas criaturas com o objectivo final de as devolver à natureza e ao seu habitat natural.

18 de Agosto de 2010

A vila de Freixo de Espada à Cinta entra em festa já dia 19 de Agosto e até dia 22. Pelo novo Espaço Multiusos vão passar grandes nomes da música portuguesa, num programa eclético que promete agrada a públicos jovens e mais velhos.

No dia 19, depois da actuação dos Terra d’Água, a noite é de fados, com José Manuel Neto acompanhado de Ana Sofia Varela e Pedro Moutinho.

José Cid marca presença no dia 20, dia em que abre a tenda electrónica com vários dj’s. Os Perfume e Dj Fernando Alvim animam a noite de 21 de Agosto.

A terminar, é a vez dos populares Nível 6 que actuam depois das Bandas Filarmónicas. A noite de festa continua na tenda electrónica.

As festas de Freixo de Espada à Cinta são organizadas pela Comissao de Festas de Nossa Senhora dos Montes Ermos, com apoio da autarquia local.

A nível religioso, destaca-se, no 19 de Agosto, a condução de Nossa Senhora dos Montes Ermos da “capelinha” à Igreja Matriz. Dia 20 é a procissão de velas e 22 a missa solene com procissão. A terminar,  no dia 23, o povo reencaminha, novamente, Nossa Senhora dos Montes Eermos para a sua “capelinha”.

publicado por Lacra às 08:13
29 de Maio de 2010

Freixo de Espada à Cinta vai receber, neste domingo, dia 30 de Maio, o Círculo de Agentes de Viagens (CAV), que congrega como sócios operadores turísticos e agências de viagens, para a realização de um périplo pelo concelho.

Esta é a primeira vez que os sócios da CAV visitam o concelho, numa iniciativa que resultou de uma reunião com a câmara municipal e que visa incentivar os agentes e operadores turísticos a criarem pacotes de viagens e a promoverem visitas de grupo no concelho freixenista.

O circuito contempla uma visita ao centro histórico da vila mais manuelina de Portugal, ao Museu Regional Casa Junqueiro, e ao Museu Território – Casa da Cadeia. Será ainda realizada uma viagem de barco pelas águas internacionais do rio Douro e uma deslocação ao miradouro do Penedo Durão, inserido em pleno Parque Natural do Douro Internacional e onde se podem observar algumas espécies de aves em vias de extinção, como é o caso da cegonha negra, os gripos, a águia de Bonelli ou os abutres.

O CAV, entre outros objectivos, visa motivar os associados a conhecer aquilo que vendem ou propõe aos seus clientes, dando maior segurança e credibilidade na informação turística divulgada.

 

publicado por Lacra às 14:01
15 de Maio de 2010

O parque ambiental da Congida, em Freixo de Espada à Cinta, pode vir a ficar interdito durante a época balnear, de 15 de Junho a 15 de Setembro. A autarquia local teve a informação, não oficial, de que a empresa espanhola Iberdrola iria proceder a trabalhos de manutenção de duas comportas, o que irá provocar a descida do nível das águas em cerca de 15 metros.

Pedro Mora, vice-presidente da câmara, avançou que já foi pedida uma reunião à Iberdrola, conjuntamente com os municípios espanhóis de Vilvestre e de Saucelle. Pedro Mora salientou ainda que, ao contrário do que veio a público, a câmara não pondera processar a Iberdrola. O município quer antes que a Iberdrola esclareça se vai proceder, ou não, aos trabalhos de manutenção e quando é que estes serão realizados, conforme explicou.

“A câmara teve a informação não oficial que seriam realizados trabalhos de manutenção e, por esse motivo, não foi apresentada a candidatura à bandeira azul”.

Pedro Mora diz que, caso se confirme que os trabalhos vão ser realizados, vão pedir esclarecimentos à Iberdrola dado que todo o município sairá prejudicado.

“Até ao momento não nos foi comunicado nada por parte da Iberdrola mas, a confirmar-se, teremos que informar os agricultores que podem vir a ter problemas com as bombas de rega”, apontou.

Mas o grande prejuízo que o município vai sofrer é com a perda de visitantes no Parque Ambiental da Congida, onde foram investidos vários milhares de euros. A piscina fluvial, colocada junto ao rio, vai ter de ser retirada, assim como o cais.

“Precisamos de ter informações porque a Congida é um local de excelência sobretudo no verão e, sendo assim, teremos que retirar os equipamentos”.

A confirmar-se, o município irá manifestar o seu desagrado pela situação e pedir que esse tipo de informações seja veiculado com maior antecedência põr parte das entidades responsáveis.

 

Congida-La Barca pondera pedir indemnização à Iberdrola

Prejuízos terá também a sociedade Congida-La Barca que poderá ficar impedida de realizar os passeios fluviais no rio Douro numa altura em que têm maior procura de visitantes. Sem a possibilidade de realizar viagens, a sociedade perderá vários milhares de euros e os três funcionários ficarão uns cinco meses sem trabalho. Os responsáveis da sociedade Congida-La Barca ponderam mesmo avançar com um pedido de indemnização à Iberdrola mas, antes disso pretendem ouvir os responsáveis da eléctrica espanhola.

A reunião vai realizar-se na próxima semana.

 

13 de Maio de 2010

A prova que abre a competição do campeonato nacional de Parapente de 2010 vai decorrer no Douro Internacional, a partir desta Quinta-feira até ao próximo Domingo, dia16. Organizada pela WIND, Escolas de Parapente – Portugal e clube “Os Grifos do Douro Internacional”, com apoio do Inatel e do Município de Freixo de Espada à Cinta, a competição, acreditada pela Federação do Voo Livre, conta com a presença da “elite do parapente nacional”. Segundo nota informativa da organização, está prevista a presença de cerca de 100 pilotos, provenientes de Portugal, mas também de Espanha, da França, do Reino Unido e, até, da Hungria. Entre os presentes estão o Campeão e a Campeã Nacionais 2009, Nuno Gomes e Sílvia Ventura, e o nº1 do Ranking Nacional, Nuno Virgílio. As bases situam-se em Freixo de Espada à Cinta e em Torre de Moncorvo. A organização promete “grandes momentos de voo livre, em que o prazer de voar se alia à competição pelo título de campeão nacional, em voos duros que podem atingir mais de 100 quilómetros de extensão e mais de três horas de duração, num desporto em que a vitória em cada etapa e também os títulos finais se decidem, cada vez mais, por diferenças na casa do segundo, evidenciando a competitividade e a destreza enormes exigidas aos atletas”. Ainda segundo a nota informativa, os pilotos voam sem qualquer ajuda motorizada, em perfeito voo livre, pelo que têm que saber tirar o melhor das condições atmosféricas que enfrentam, aproveitando as correntes térmicas para, até à meta, conseguirem passar por todos os pontos marcados pelos comissários da prova, o que será medido e verificado pelo descarregamento dos dados do GPS que cada piloto transporta e que testemunha todo o seu percurso de voo. No final de cada um dos dias de competição, haverá uma análise do melhor voo do dia pelo piloto que o efectuou. A complementar tudo isto, durante os quatro dias de competição haverá um programa de lazer desenhado para cativar iniciados e público interessado para a prática do parapente, “mostrando que é um desporto atraente, seguro e não excessivamente caro”. Deste modo, todos os interessados e curiosos serão bem-vindos e terão acesso a um conjunto de profissionais da WIND, Escolas de Parapente – Portugal, que trabalham nesta área e que lhes poderão fornecer todos os conselhos para se iniciarem no voo livre e no parapente. Fonte: Mensageiro Notícias
25 de Abril de 2010

 

 

A Associação de Municípios do Douro Superior está a organizar o 11º Raid TT Turístico. Programado para os dias 7, 8 e 9 de Maio, o Raid arranca com a recepção dos participantes em Freixo de Espada à Cinta com o “Roteiro Manuelino” e entrega de navegação com carta militar para a prova de orientação nocturna.

Antes disso, porém, os participantes vão poder experimentar as iguarias gastronómicas da D. Mariazinha, num jantar servido na Casa do Conselheiro.

A prova nocturna termina com uma ceia repleta de muito boa disposição, servida na matriz do vinho “Montes Ermos”. As dormidas estão marcadas para Freixo de Espada à Cinta e para a Aldeaduero, do outro lado da fronteira.

No dia seguinte, está programado um percurso TT por terras de Freixo,  Mogadouro e Miranda do Douro. o início da etapa será em Freixo de Espada à Cinta, na zona histórica, uma das mais ricas em património manuelino, com referência à Igreja Matriz e ao seu pórtico e à octogonal Torre do Galo.

O percurso seguirá depois pela Mata do Palão, Quintas da Macieirinha, continuando pela aldeia de Castelo Branco, já no concelho de Mogadouro, Serra da Figueira, Zava, na plataforma topográfica da Meseta, de perto com os Picos de Mogadouro. Já na vila de Mogadouro haverá ainda tempo para uma visita ao castelo, monumento nacional do século XII, concedido, em 1297, pelo rei D. Dinis à Ordem dos Templários.

O penúltimo dia do programa é dedicado a Miranda do Douro com passagem pelas aldeias de Vilariça, visita ao miradouro da Serra da Castanheira, Sanhoane, paragem na Vila de Sendim para uma visita guiada à terra do Mirandês, ao artesanato e à Casa do Pauliteiro. Continuação por Vila Chã de Braciosa e Cércio, seguindo em direcção à cidade de Miranda do Douro, para pernoitar e jantar com um programa de animação pelos Musica Tradicional do Planalto Mirandês.

O jantar é posta à mirandesa, como não podia deixar de ser, entre outras iguarias do Planalto, servidas pelo restaurante “O Mirandês”.

O último dia é dedicado inteiramente a Miranda do Douro, com uma visita guiada ao centro histórico da cidade e ao Museu Terras de Miranda, a que se segue o cruzeiro ambiental e o almoço de encerramento na estalagem de Santa Catarina.

Miranda do Douro aderiu recentemente à Associação de Municípios do Douro Superior, podendo assim ir de encontro aos interesses defendidos por ambas as instituições e que passam por algumas acções desenvolvidas no âmbito do Douro e que só são possíveis com o Douro integrado.

 

Fotos: Direitos Reservados

 

24 de Abril de 2010

A Associação de Municípios do Douro Superior propõe, em conjunto com a Sabor, Douro e Aventura, quatro dias de aventura na natureza, nomeadamente na área do Parque Natural do Douro Internacional, uma das zonas mais agrestes e desconhecidas de Portugal.

A proposta é para, de 3 a 6 de Junho, conhecer uma zona onde o rio corre selvagem, numa fenda abrupta, ao longo de 130 quilómetros partilhados com Espanha e onde a fauna e flora fazem do local um verdadeiro “santuário” a nível europeu.

A recepção aos visitantes é no dia 3 de Junho, em Lagoaça, concelho de Freixo de Espada à Cinta. O programa do primeiro dia prevê a descida em canoa de Lagoaça à Congida, com almoço em Mazouco, junto ao rio. O jantar e dormida são em Freixo, com tempo ainda para percorrer o “Roteiro Manuelino” e conhecer o centro histórico da vila, o Museu Guerra Junqueiro e o centro de artesanato.

Mogadouro é a paragem do dia seguinte, com a realização do troço Bemposta-Peredo de Bemposta em canoa, entre as barragens de Bemposta e Aldeadavila,  num total de 8,5 quilómetros.

Depois de almoço está programado um percurso pedestre entre a vila e Faia Alta (seis quilómetros). 

Sábado é dedicado a um dos troços mais belos do Douro internacional, para conhecer em Canoa, o troço Picote-Sendim. O almoço é de “Posta Mirandesa” e a tarde é de visita à Terra do Mirandês-Sendim e à Casa do Pauliteiro. No Domingo está previsto fazer um percurso pedestre de Miranda ao S. João das Arribas, terminando num Miradouro de excelência do Douro Internacional.

O programa termina  com um almoço piquenique e entrega de lembranças aos participantes.

São quatro dias por caminhos de grande beleza paisagística e com um riquíssimo património cultural que mostram o essencial das terras de Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro e Miranda do Douro.

As inscrições podem ser feitas através da sítio na Internet da associação – www.amdourosuperior.pt; ou da empresa Sabor, Douro e Aventura – www.sabordouro.com.

O preço é de 90 euros por pessoa, sem alojamento incluído.

24 de Março de 2010


Atravessando a ponte sobre a barragem de Saucelle, com Espanha à vista, do outro lado, é possível sentir a força e a determinação de um rio que já foi um verdadeiro muro entre as duas povoações e que serve, hoje, de elo de ligação entre as duas comunidades. Freixo de Espada à Cinta e Saucelle usam hoje o Douro e as suas arribas escarpadas, classificadas como Parque Natural em ambos os países, para ali chamar turistas e promover, assim, ambos os territórios.

Uma dinamização que assenta na cooperação territorial e que é vista como uma estratégia de combate a problemas que são comuns. Com uma população maioritariamente idosa e uma actividade preponderantemente agrícola, os autarcas locais de Freixo e Saucelle congregam esforços num mesmo sentido, deixando para trás um passado vivido de costas voltadas.

Hoje, naquele que era o antigo posto fiscal que marca a fronteira de Portugal e Espanha, nasceu um posto transfronteiriço de turismo, dinamizado pelas duas comunidades. Ao turista é oferecido um conjunto de informações, serviços, actividades e produtos regionais colocados à venda pelos produtores locais de ambos os países. São ainda promovidas provas de degustação do melhor da gastronomia de um lado e de outro da fronteira: o queijo, o mel, os vinhos e o azeite.

No local, uma vez por semana, estão presentes duas tecedeiras que mostram aos turistas o processo do fabrico da seda, uma actividade que marcou o passado de Freixo de Espada à Cinta.

A experiência de trabalho conjunto tem apenas cinco meses mas já se traduziu em mais-valias, como explicou Diego Ledesma, autarca local de Saucelle.

“O posto abriu em 2005 mas fornecia apenas informação. Com a colaboração do município de Freixo de Espada à Cinta pudemos trabalhar outras vertentes, colocar uma funcionária de cada país e alargar o horário de funcionamento. Hoje estamos abertos todos os dias, de segunda a domingo quer chova ou faça sol”, contou.

Numa altura em que a paisagem presenteia aqueles territórios com o espectáculo das amendoeiras em flor, o resultado tem sido o incremento do turismo, ainda que lentamente - em cinco anos passaram por ali 16 mil pessoas.

A criação conjunta do aldeamento Douro/Duero, renascido no antigo local que albergava os trabalhadores da barragem de Saucelle, é outra das iniciativas destacadas no âmbito desta cooperação transfronteiriça e à qual se juntam ainda outros projectos como a sociedade Congida – La Barca, cujo capital está dividido entre o município de Vilvestre e o município freixenista, para a realização de cruzeiros nas águas portuguesas e espanholas do rio Douro; a promoção do Mercado Ibérico de Freixo de Espada à Cinta que é, nada mais, nada menos que uma feira mensal que junta portugueses e espanhóis; entre outras como a Rota Internacional do Vinho, criada por Trabanca, ou a Feira Internacional do Queijo, promovida em Hinojosa del Duero, localidades do lado de lá da fronteira.

 

 

Centro de Estágios na Congida

A transformação da Congida num espaço de desportos náuticos é o próximo passo a dar pelo município de Freixo. Apoiado no aldeamento Douro/Duero, junto à barragem, a autarquia freixenista quer criar condições para a prática de remo e canoagem e, quem sabe, para vir ali a receber selecções de Portugal e Espanha.

A primeira fase de intervenção na Congida já foi concretizada sendo que, em breve, se prevê iniciar a segunda e terceira fase do projecto que inclui já a criação de uma fluvina.

A aldeia Douro/Duero seria, neste âmbito, o local de recepção dos desportistas para um alojamento condigno e à altura. Um projecto ambicioso que levará o seu tempo mas para o qual Pedro Mora, vice-presidente freixenista, augura bom futuro: “temos um micro-clima excelente, o rio tem sempre o mesmo caudal, o aldeamento tem capacidade para 190 camas, as acessibilidades vão melhorando, por isso, é fundamental que avancemos”.

 

 

Rota dos Miradouros em marcha

Outro dos projectos em desenvolvimento é a criação de uma rota de miradouros de ambos os lados dos países. Com a colaboração da Universidade de Salamanca, está a ser desenhado um roteiro sobre duas perspectivas de uma mesma paisagem – o Douro, visto de Portugal e visto de Espanha.

Pretende-se oferecer aos visitantes a possibilidade de percorrer circuitos e conhecer realidades idênticas de dois diferentes territórios.

Mas muito ainda falta fazer, nomeadamente no que diz respeito às comunicações e acessibilidades, apontadas por quem ali chega como grandes entraves ao desenvolvimento, a todos os níveis.

É que nem a mais bela paisagem, nem as melhores iguarias regionais conseguem atenuar o isolamento e a interioridade. Vindos de Barcelona para cinco dias de “aventura”, 53 turistas assinalavam isso mesmo, como contou Maria Luísa Castillo.

“Este rincão do Douro era desconhecido para todos nós, é absolutamente esplêndido. O problema é que estamos completamente isolados porque não há cobertura telefónica nem televisão”.

Uma opinião partilhada por outros, como José Maria que, apesar de “maravilhado” por “nunca ter visto nada assim”, apontava também a dificuldade dos acessos que tornavam a viagem mais longa do que os muitos quilómetros entre Barcelona e Saucelle.

 

Isolamento que persiste

A realidade é assumida por Diego Ledesma de uma forma surpreendente. O autarca espanhol considera que as condições são muito piores do lado de lá.

“Nós, em Espanha, estamos muito pior. Não temos ADSL e as telefonias móveis, nem se fala. Há uma descoordenação total, tão depressa temos rede espanhola como portuguesa e quem paga isto somos nós, coitados, que estamos aqui desamparados”.

No cargo apenas há um ano, mas a viver naquela zona desde 1987, Diego conhece bem as características das duas localidades. Com um negócio na área da hotelaria sedeado em Freixo e já “herdado” do pai, o empresário viveu as últimas duas décadas entre um lado e o outro, sentindo dificuldades comuns que, no seu entender, “já foram muito piores”.

Diego relembra o local de recepção aos turistas nos tempos em que as fronteiras permaneciam fechadas. Vir de Espanha a Portugal era “uma verdadeira aventura”. O posto fiscal abria apenas ao fim-de-semana e passar um domingo em Freixo de Espada à Cinta podia significar o regresso ao país de origem apenas na semana seguinte, quando a fronteira voltasse a abrir.

“Nessa altura, era tudo muito difícil”, recorda.

Com a entrada na União Europeia deu-se uma “revolução”. “Tivemos oportunidade de incrementar as relações económicas, sociais, pessoais. Quebraram-se muitas barreiras e preconceitos, nomeadamente dos espanhóis para com os portugueses”, contou.

Afinal o isolamento era comum a ambos os territórios e, segundo Diego, muitos espanhóis deixaram de “olhar de cima” para os portugueses.

“Se tanto Freixo como Saucelle estão afastados geograficamente das grandes capitais, se não temos boas vias de acesso, boas comunicações, estamos perdidos”, resume.

É neste contexto, perante as mesmas dificuldades e com boas potencialidades de recursos entre ambos as comunidades, que surge quase um “irmanamento” solidário que pretende traduzir-se numa luta conjunta para exigir, junto dos dois Governos, a criação de alternativas que possibilitem o desenvolvimento.

15 de Março de 2010

Está cada vez mais difícil levar para Freixo de Espada à Cinta uma prova do Campeonato Europeu de Motocross. A pista está homologada para receber provas nacionais e internacionais mas, segundo Alfredo Castro, da Federação de Motociclismo de Portugal, a actual conjuntura económica tem trazido muitas dificuldades, nomeadamente aos promotores.

“Eu sou comissário europeu e as provas são cada vez mais complicadas de realizar, está cada vez mais difícil porque não se podem fazer provas do europeu sem promotores e os promotores têm cada vez mais dificuldades”, adiantou.

Ainda assim, Raúl Ferreira, presidente da junta local e promotor da prova do nacional na vila, promete que vai lutar e tentar arranjar meios e financiamento para dar mais esse passo: “não vamos desistir de ter aqui uma prova do europeu, sou homem de ir à luta, gosto de concretizar o que penso e com o apoio de outras entidades e da Federação hei-de realizar o campeonato em Freixo”.

Uma das hipóteses, ponderada pelo próprio responsável da Federação, é iniciar em Freixo de Espada à Cinta provas do campeonato europeu nas classes mais baixas – entre os 65 e os 85cc. Ainda assim, Alfredo Castro antevê dificuldades.

“Mesmo assim seria complicado. O problema aqui são as condições de hotelaria. Em termos de parque e de pista, tem todas as condições e todos os anos há melhorias, quer para o público quer para os pilotos”.

Raul Ferreira pondera, no entanto, fazer uma candidatura através do agrupamento europeu Douro/Duero, para assim conseguir financiamento: “podemos pensar em fazer uma candidatura conjunta, com os parceiros espanhóis, uma vez que estamos todos no agrupamento”.

Desistir está completamente fora de questão, como fez questão de frisar: “não vamos desistir, nunca desisti e tenho apoios para concretizar o sonho de trazer para Freixo de Espada à Cinta uma prova do campeonato europeu”.

 

Centenas na prova do Campeonato Nacional

No Campeonato Nacional, a pista de Freixo de Espada à Cinta continua a afirmar-se positivamente, levando àquela vila centenas de simpatizantes e vários pilotos da modalidade. Na última prova, realizada ontem, o piloto Luís Correia conseguiu reforçar a posição de liderança do Campeonato Nacional de Motocross, ao vencer as duas mangas da segunda jornada Elite.

Nas corridas do escalão Júnior, cuja jornada se iniciou na pista transmontana, esteve em evidência o piloto Ivo Fernandes, que assumiu a liderança nas duas corridas.

Ao todo, compareceram 32 pilotos Elite e 34 Juniores, mais 15 jovens dos Troféus de Infantis. Uma adesão que surpreendeu, pela positiva, Alfredo Castro, da Federação de Motociclismo de Portugal.

“Foi uma surpresa terem vindo aqui tantos pilotos porque a distância é muito grande e há pilotos que fazem mais de mil quilómetros para estarem presentes”.

Apesar da crise ter chegado também ao motocross, “um desporto caro”, Freixo de Espada à Cinta continua a afirmar-se nesta modalidade, pela positiva.



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