Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
11 de Novembro de 2010

 

Na oficina do seu pai, ainda jovem, Francisco da Costa Andrade ouviu inúmeras histórias dos conterrâneos que, procurando uma vida melhor, iam a salto para a França. A luta que tiveram de travar para singrar na vida e a forma como ajudaram o seu país natal a equilibrar as finanças, com a vinda das divisas, foi algo que nunca nenhum Governo reconheceu e agradeceu devidamente. Fica o registo das memórias, num livro de edição de autor que Francisco da Costa Andrade dedica, em especial, aos seus conterrâneos

 

 

Na oficina do seu pai, ainda jovem, Francisco da Costa Andrade ouviu inúmeras histórias dos conterrâneos que, procurando uma vida melhor, iam a salto para a França. A luta que tiveram de travar para singrar na vida e a forma como ajudaram o seu país natal a equilibrar as finanças, com a vinda das divisas, foi algo que nunca nenhum Governo reconheceu e agradeceu devidamente. Fica o registo das memórias, num livro de edição de autor que Francisco da Costa Andrade dedica, em especial, aos seus conterrâneos

 

Francisco da Costa Andrade nasceu nos anos 40, em Carção, onde viveu até à sua juventude. Filho de sapateiro, com algumas terras e posses, não se pode dizer que era de famílias ricas, mas era o que então chamavam de “remediado”. Os seus pais, com muito esforço, conseguiram que ele e o seu irmão seguissem os estudos, não tendo que andar a trabalhar à jeira ou procurar um ofício para sobreviver. Sobreviver, sim, porque naqueles tempos sobrevivia-se. Sobretudo no Nordeste Transmontano. Trabalho não havia e era no verão que se conseguia ganhar meia dúzia de escudos nas ceifas do cereal e, depois, nas vindimas.


“Ali dizia-se que escurecia em Setembro, para amanhecer em Março. Fome e dramas pungentes...No Inverno, os mais pobres faziam o rebusco da azeitona, da castanha e roubavam umas nabiças. Garantiam assim a passagem do Natal, comendo, quase só, castanha e caldo de nabiças”, recorda Costa Andrade.

A cantina da escola primária, mandada construir e sustentada pelos beneméritos Irmãos Santos e a obra social desenvolvida pelo saudoso P. Amândio Lopes, uma das figuras mais queridas de Carção, inovação, naqueles tempos, em todo o planalto mirandês, asseguravam às  crianças, pelo menos, refeição quente por dia. O pão que acompanhava a sopa, muitas vezes, escondiam-no discretamente para partilhar à noite com os irmãos.


Com oficina no centro da aldeia e sendo regedor, o pai de Francisco da Costa Andrade cedo se tornou um conselheiro económico, social, religioso, humano e familiar. Tudo passava por ali.


Com o final da 2ª Guerra Mundial e a Europa em recuperação, começou a correr por terras lusas que em França havia trabalho e que os salários eram muito superiores à média do que se recebia em Portugal. Mas partir, não era fácil, como hoje. Com as fronteiras fechadas, partir implicava entrar numa espécie de jogo que podia ser muito perigoso. Era preciso sair pela calada das noites sem luar, atravessar a fronteira por trilhos escondidos e confiar, cegamente, em desconhecidos que, a troco de dinheiro, garantiam a viagem até França.


Mas se partir não era fácil, ficar deixava de ser opção quando as contas começavam a acumular-se e a comida a escassear. Francisco da Costa Andrade assistiu a muitos destes dramas na primeira pessoa. Era, então, um jovem de 18/19 anos. Via partir pais de famílias, homens com idades entre os 25-30, muitos deles sem saberem ler ou escrever. Do que passaram e do que sofreram inicialmente pouco se falava, havia a ilusão de mostrar que se venceu.

No entanto, à noite, no calor da oficina do seu pai, por entre um copo de jeropiga “melhor que vinho fino”, alguns abriam o coração e contavam todas as misérias sofridas.


“Inicialmente começaram a vir notícias que se ganhava muito dinheiro, mas os primeiros que foram, mentiram com quantos dentes tinham. Havia quem fosse sincero e atirasse: “ele que se cale! Estive lá tanto tempo sem comprar pão!””.


Dificuldades que, ainda hoje, poucos conhecem e que as novas gerações, algumas delas luso-descendentes já nascidas em França, nem sequer as imaginam.


Sem habilitações, sem conhecimentos, sem saber falar a língua, para onde iam os portugueses que fugiam a salto? “Para o serviço que o francês não queria: os saneamentos, as infra-estruturas da construção, a agricultura e semelhantes. Ganhavam uma miséria mas, para Portugal, era uma fortuna porque no seu país não ganhavam nada”.


A ida, por norma, era combinada no centro da aldeia. Era comum, naquele tempo, aparecer pela taberna um “passador”, um homem, muitas vezes, forasteiro, que se apresentava bem-visto e que perguntando como corria a vida, aliciava aquela gente com sonhos de fortunas fáceis. Combinava-se encontro, iam aos grupos, à noite. Primeiro passavam a fronteira de Espanha, depois a fronteira de França. Chegavam lá e viam-se no meio da rua, sem documentos, sem uma mão amiga que não fosse, por vezes, os companheiros de infortúnio.


“Houve muitos que chegaram a viver em barracas, em Paris. Dormiam em cima de paletes e quando chovia tinham que se levantar. Há quem conte que, de noite, os ratos e ratazanas se passeavam por cima deles. A situação era muito má porque sem documentos nem um simples contrato de arrendamento conseguiam, frisa Costa Andrade.


Muitos deles contaram com a boa-vontade de franceses que os empregaram e ajudaram. Outros, no entanto, foram explorados. O que é certo é que, inicialmente, muitos deles, para conseguirem amealhar algum dinheiro, tinham de se sujeitar aos mínimos dos mínimos e, se hoje nos espantamos por ver que há quem procure bens no lixo, é porque deixamos que a memória curta nos atraiçoe, porque os emigrantes portugueses também tiveram de o fazer, nas célebres “pubelas”, como nos lembrou Francisco. Na altura, a França estava a recuperar da guerra e havia incentivo ao consumo e ao desenvolvimento da indústria e do comércio,   sendo fácil encontrar no lixo muitas coisas de valor que, não raro, davam para a família toda.


Quando regressavam em Agosto “havia necessidade de provar que jogaram bem, quantas vezes, sabe Deus, o que ia por lá!”.


Com a abertura da Alemanha aos emigrantes, onde só se conseguia entrar com documentos, a França acabou por ter de apertar a legislação e os empresários começaram a fornecer documentos.


“O emigrante português não era burro e com documentos na mão, começava a exigir. As condições melhoraram e os filhos da primeira geração já não passaram nada que se parecesse com o que passaram os seus pais”.

 

Estas e outras histórias ouviu-as Francisco da Costa Andrade, algumas viveu-as. Como aquele ano em que não houve Natal em Carção. Um grupo de homens que se preparava para ir a salto para a França, acabaria detido na fronteira. Regressaram à aldeia acompanhados da GNR, roubados e humilhados, sem nada que por na mesa e com a tristeza de ver o grande sonho por terra. Foi este momento marcante que, um dia, quis abordar na revista Almocreve e daí surgiu o desafio de escrever um livro que guardasse estas memórias de histórias que se repetiram por toda a fronteira, de Valença ao Algarve.


Apercebendo-se da ignorância total das gerações seguintes, quis guardar a memória viva dos que partiram e que, com muito esforço e muita luta, acabaram por vencer na vida. E é gente que merece uma grande e reconhecida homenagem que não passa por elementos escultóricos em rotundas ou festivais de música pimba. É que foi com o suor, o trabalho e o sofrimento dos muitos emigrantes, a maioria transmontanos, que Portugal assegurou, então, o equilíbrio das finanças públicas, à custa das divisas que iam chegando e que os emigrantes portugueses iam amealhando no banco, sobretudo para construírem a sua casinha.


“Vinham carradas de dinheiro, o emigrante não pensava em investir”, recorda Francisco, com a autoridade de quem esteve ligado à banca, na sua vida profissional. “Nunca nenhum Governo reconheceu a influência que os emigrantes tiveram no equilíbrio das contas públicas. É preciso relembrar a dor e perpetuar o triunfo”, considerou.


Com mais de 150 histórias, algumas das que guarda memória, outras que foi ouvindo, Francisco da Costa Andrade decidiu avançar com a publicação do livro – “Destinos jogados em vidas a salto”, onde reúne 21 dessas memórias, sem ficção nem romance, muitas vezes em discurso directo, com o tratamento adequado e alterando apenas os nomes das pessoas em causa. Quis assim “pagar à geração” do seu tempo, respeitando religiosamente o mais absoluto anonimato.


“Se eu tive condições para estudar, acho que tenho obrigação de investir algo em favor deles. Vi-os partir e, dos que partiram, alguns, trabalharam para o meu pai, comi batatas que eles cavaram, bebi vinho que eles cultivaram. Tinha essa dívida de gratidão para com eles”, confessou.


A expensas próprias editou 500 exemplares, com apoio de algumas entidades, prefaciado por Adriano Moreira que, num texto sentido, deixa também o alerta para a necessidade de se reconhecer o valor dos que, com tanto esforço, partiram.


A venda dos livros reverte a favor do projecto “Um Sorriso para ti”, que se desenvolve no norte de Moçambique para ajudar as crianças, uma missão em que o autor se envolveu, dando continuidade à formação humanista aprendida desde cedo. 


Para ilustrar a capa e cada uma das histórias relatadas, escolheu quadros do pintor António Valença Cabral, sob a orientação artística de Isabel Dias Cabral, deixando às mãos da subjectividade de cada a interpretação de cada um deles. Vemos a falta de oportunidades de uma geração “amarrada” a uma terra rodeada de montes e vales, a fuga, o verde da esperança, o medo e a escuridão, o triunfo suado.


Hoje tudo mudou, mas há uma nova leva de juventude frustrada, altamente qualificada, que procura noutras paragens o que lhes é negado em seu país, muitos pagando à França aquilo que a França deu aos seus antepassados.

 

 

 

publicado por Lacra às 09:53
18 de Abril de 2010

Uma das figuras de grande importância para a história da arte em Portugal, sem dúvida encontra-se em um mestre, PAULO JOSÉ FERNANDES LOPES. Transmontano, nascido em Carção/Vimioso, uma vila ou aldeia milenar, o que atraiu esse ilustre mestre a encarar os estudos e concentrar-se em todas as artes seculares desde a época dos Celtas, da antiga Lusitânia, dos romanos, mouros, da era inicial do Portugal arcaico, ao Portugal moderno e deste maravilhoso e eterno Portugal do presente.

Paulo José Fernandes Lopes, nascido nessa terra maravilhosa de Carção, Trás-os-Montes, a qual traz em seu bojo histórias fantásticas desde quase 3.000 anos, vivenciadas pelos Celtas e através dos tempos por outras etnias, teve momentos históricos fantásticos, como a expulsão dos judeus e dos mouros no século XVI, no qual para ficarem em Portugal ocasionou a mudança de seus nomes, optanto essas raças por nomes de plantas, frutas e animais pelo judeus, e locais, profissões e o prefixo "AL" pelos mouros, tornando os seus nomes de nascimento em nomes conhecidos em Portugal até a data presente.

Na sua formação academica, Paulo José Fernandes Lopes tem um "currículo" extenso, mostrando a todos nós a sua vida intelectual, após passar por várias escolas, de 2000 a 2004, Escola Superior de Educação Jean Piaget/Nordeste, como em 2002 na Escola EB de Rebordãos-Bragança, curso de Prática Pedagógica, licenciatura em educação visual e tecnológica, como também na Escola EB de Vale da Porca/Macedo de Cavaleiros e de Vimioso, todos do mesmo estudo. Em 2004, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, alcançou o MESTRADO, com a dissertação de "O Barroco de estilo Nacional na Região da Terra Fria-Concelhos de Bragança, Miranda do Douro, Vimioso e Vinhais". E desde Setembro de 2008, que irá até Setembro de 2010, "Doutouramento" com as dissertações do "Barroco de estilo nacional na Diocese de Bragança, Miranda do Douro- Concelhos de Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Bragança, Miranda do Douro, Vimioso, Vinhais, Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Vila Flor".

Desde o ano de 2005, Paulo vem transmitindo a sua intelectualidade para as novas gerações, embora ele tenha tão somente 32 anos de idade, já é um conhecido mestre da história da arte em Portugal, lecionando em vários estabelecimentos escolares e nos Açores em 2005 e 2006, na Escola Básica da Lagoa, lecionou "Educação Visual e Tecnológica", e lá mesmo nos Açores de 2006 a 2007, lecionou Educação Artística e Tecnologia na Escola Secundária Domingos Rebelo, em Ponta Delgada, como também de 2007 a 2008 nos Açores na Escola EBI da Maia em São Miguel lecionou Educação Visual e Tecnológica, e agora desde Setembro de 2009, como professor e Diretor de turma, leciona também Educação Visual e Tecnologica, na Escola E.B. 1.2.3.S de Mogadouro.
Nas suas atividades literárias e sociais, Paulo José Fernandes Lopes, tem um extenso curriculo, como seja: de 2000 a 2006, foi dirigente do Centro Desportivo e Cultural de Carção, em 2002, fundou a ASSOCIAÇÃO CULTURAL DOS ALMOCREVES DE CARÇÃO, onde de 2002 a 2004 foi o seu presidente, em 2002 fundou a revista "ALMOCREVE - UM RETRATO DAS GENTES DE CARÇÃO", sempre participando em todas edições anuais dessa revista, com editoriais, artigos, crônicas e toda a arte necessária para essa fantástica revista, uma revista de primeiro mundo. Em 2003, na Escola Superior de Educação Jean Piaget/Nordeste, com as "Primeiras Jornadas de Cimema Científico", onde participou também em 2003 na "Concepção e realização dos materiais de suporte para o encontro internacional-educação, políticas educativas e multiculturismo", como também em 2004, nessa escola superior, atividades da Feira da Saúde inserida no programa "Macedo Mostra" e ainda na "Ação de Formação do profissionalismo docente-concepções e práticas de formação e em 2005, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com o VII Colóquio Luso-Brasileiro de História da Arte.

Nas suas competências técnicas, tem aptidões artísticas na Educação, Arte, História, Design, Política, Economia, Marketing, Música, Desporto, Informática e Ciências.
Como dirigente e editor da revista ALMOCREVE, escreveu artigos e editoriais sobre temas como: O culto de Judeus em Carção; Igreja de Santa Cruz; Inquisição - Poder Politico em nome de Deus; A Naveta e o Turibulo de Carção; Carção, um lugar central de comércio na segunda metade do século XX; Cultura Popular. Em Agosto de 2008, fez o Prefácio do livro Carção, a Capital do Marranismo" de António Júlio Andrade e Maria Fernanda Guimarães.

Como vemos estamos diante de um "Mestre de História da Arte em Portugal", transmitindo e criando associações e revistas culturais e participando com editoriais e artigos, crônicas, prefácios, lecionando nos mais lindos recantos desse nosso Portugal, estudando e formando-se em uma das maiores universidades do mundo, a grandiosa "Faculdade de Letras da Universidade do Porto" e nós aqui no Brasil, recebemos e transmitimos e enviamos as revistas por ele editadas para todos os recantos deste grande Brasil, como também, o nosso maravilhoso jornal Mundo Lusíada publicou e estampou fotos dessa maravilhosa revista "Almocreve", criação dessa magistral figura do mestre PAULO JOSÉ FERNANDES LOPES, para honra e glória do nosso querido e eterno PORTUGAL.

 

Adriano da Costa Filho
Membro da Casa do Poeta de São Paulo, Movimento Poético Nacional, Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Academia Virtual Poética do Brasil, Ordem Nacional dos Escritores do Brasil, Associação Paulista de Imprensa, Associação Portuguesa de Poetas/Lisboa e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.

 

Fonte: Mundo Lusíada

06 de Abril de 2010

As gentes de Carção, em Bragança, saem à rua madrugada fora em cada Quaresma a encomendar as almas, num costume que ninguém sabe como começou nem se questiona porque de ano para ano se repete religiosamente. O ritual está associado à época sagrada da morte de Cristo, mas são as pessoas do povo que intercedem directamente a Deus pelos seus que já partiram e por todas as almas que ainda não encontraram o caminho do Céu. Um ritual à revelia da Igreja e dos sacerdotes que se vai perdendo nas aldeias transmontanas mas que em Carção se repete graças à persistência dos antigos e ao incentivo da jovem associação judia Almocreve que se dedica à recolha das tradições locais. Nesta aldeia do concelho de Vimioso, às quartas e sábado, durante a Quaresma, um grupo de homens e mulheres iniciam, à meia noite, um percurso de duas horas por doze encruzilhadas da aldeia. Em cada uma cantam pelas almas do Purgatório e por aqueles que já partiram e convidam a rezar pela mesma causa quem os ouve em casa. Ao contrário de antigamente, a luz já ilumina as ruas e fez esmorecer o ambiente tenebroso que envolvia esta tradição em que ao som dos cânticos se acendiam candeias de azeite por detrás das janelas. Hoje em dia, vai aparecendo uma ou outra vela, mas já nem os xailes negros sobre as cabeças das mulheres conseguem manter o “segredo” de quem outrora encomendava as almas. Os homens abandonaram as capas de pardo com que se cobriam e são eles que fazem temer a perda da tradição, como diz à Lusa Luísa Afonso.

 

Tradições ancestrais

 

“As mulheres ainda se juntam, o que vai faltando são homens, e são precisas as vozes deles”, lamenta aquela a quem cabe no ritual “deitar o cimo”. É a voz de Luísa que sobressai nos cânticos quando é preciso puxar, enquanto as outras, “as contras”, baixam o tom. Desde pequenina que Luísa ia com a mãe encomendar as almas e quando não iam acompanhavam religiosamente a passagem do grupo, fazendo parar o tear enquanto se ouvissem as preces. “Isto já é tão antigo que talvez já nem os nosso avós se lembrem da origem”, responde Teresa Quina que não sabe quando começou nem o porquê desta tradição, uma questão que não preocupa quem a pratica. O importante “é a devoção”, garante Alcina Borges, de 77 anos, que este ano decidiu ser ela a mandar encomendar as almas para cumprir uma vontade que o marido não alcançou antes de morrer. Antes do ritual, a casa de Alcina enche-se de gente numa ceia à base de iguarias da terra que prepara os encomendadores para a caminhada que se segue. “Começa sempre à meia noite, nunca procurei à minha mãe porque era isto” observa Luísa. Paulo Lopes da associação Almocreve só tem uma certeza da recolha que têm feito sobre esta tradição: “é realmente muito antiga, tem séculos”. São tradições como esta que ainda vão prendendo à terra alguns filhos emigrantes que fazem questão de passar férias nestas ocasiões na aldeia. E embora implique algum sacrifício para quem já tem alguma idade, Gualter Prada faz questão de participar no ritual para que não faltem homens, mas sobretudo para que “não se percam as tradições”.

 

Fonte: Mundo Português

publicado por Lacra às 15:19
01 de Março de 2010

 O Rebordelo comprometeu de forma decisiva a sua condição de candidato à vitória na AF Bragança depois de, neste domingo, ter empatado a um golo com o modesto Milhão, resultado que deixa a equipa de Jorginho cada vez mais longe dos líderes argozelenses, que não jogaram devido ao mau tempo.

 

O Vinhais, que venceu em Mogadouro, por 2-1, é agora uma séria ameaça ao segundo lugar, dos vizinhos de Rebordelo, uma vez que a diferença entre as duas equipas é de apenas três pontos.

 

Em alta está também o Mirandês, que venceu em Carção, por 2-1, e já é quarto da tabela, estando a seis pontos do segundo posto e a três apenas do terceiro… Tudo é possível ainda para a equipa do Douro.

 

Em Vimioso, o Águias voltou a desiludir, perdendo com o Alfandeguense por 3-4, num jogo cheio de golos e de chuva. Igual façanha à dos de Alfândega da Fé conseguiu o Lamas, que jogou no terreno do Poiares e conseguiu um triunfo claro, por 3-1, que deixa o Lamas mais longe dos dois últimos.

 

O jogo entre o Talhas e o Vila Flor, à semelhança do que aconteceu no Sendim-Argozelo, foi adiado devido ao mau estado do terreno, pelo mau tempo que se fez sentir em todo o Nordeste. O Campeonato volta dentro de uma semana, uma vez que, este domingo, há Taça. 

 

Fonte: Mensageiro Notícias

24 de Fevereiro de 2010

O Argozelo é cada vez mais líder do Campeonato AF Bragança, depois de, no passado domingo, ter vencido o Talhas, por 4-2, no Campo da Cova, e aproveitar da melhor maneira a distracção do seu principal adversário, no confronto com o Mogadourense.

Os líderes não deram quaisquer possibilidades ao Talhas, que vive uma fase de bons resultados, depois de um início de campeonato algo agitado, conseguindo o triunfo número 14, em 16 jogos disputados: um campeonato perfeito.

 

Rebordelo não pode voltar a falhar

Quem não esteve muito bem foi o Rebordelo, que não foi capaz de ultrapassar um pouco atrevido (este ano) Mogadourense, que colecciona desilusão sobre desilusão, mas soube complicar as contas aos vinhaenses, até agora únicos e sérios adversários dos argozelenses, na luta pelo topo da tabela.

Nesta altura, há ainda 10 jogos por disputar, pelo que muita coisa ainda pode acontecer, mas o Rebordelo sabe que não poderá voltar a falhar, porque o líder tem mostrado uma consistência acima do expectável.

 

Vinhais em alta

Em alta parece estar o Vinhais, que já é terceiro classificado da tabela, deixando para trás os seus companheiros de posição, depois da goleada, por 7-1, ao Poiares, naquele que foi o resultado mais desnivelado da jornada.

Vila Flor vence o Carção e prepara terreno contra o Talhas

O Vila Flor conseguiu um triunfo tangencial em casa, frente ao Carção, por 1-0, numa partida que se esperava mais desequilibrada. Este fim-de-semana os de Gilberto Gomes visitam o terreno do Talhas, num duelo que pode dar mudança de posição na tabela.

 

Mirandês prepara-se contra o Carção

Em recuperação está, também, o Mirandês, que venceu o Milhão por 3-1, em casa, e aligeirou os danos que a derrota em Rebordelo, uma semana antes, havia produzido. Este domingo, os de Miranda têm mais um jogo para vencer, na deslocação a Carção (embora os actuais décimos da tabela tenham dado boas indicações em Vila Flor).

Alfândega prepara jogo com Vimioso

Em Alfândega da Fé, o Alfandeguense local venceu o Sendim, por 2-1, e viaja, este domingo, até Vimioso, para defrontar uma das maiores desilusões desta temporada: o Águias, que este fim-de-semana empatou, a dois, no terreno do Lamas, penúltimo da tabela classificativa.

 

 Fonte: Mensageiro Noticias

31 de Janeiro de 2010

 

O coordenador do projeto, António Amorim, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), disse à agência Lusa que a equipa de investigadores não aceita nem a decisão da FCT nem os argumentos do júri.

António Amorim realçou que este 'chumbo' pode pôr em causa a continuação de um estudo inovador sobre comunidades judaicas de Bragança, cujos resultados preliminares foram publicados recentemente no American Journal of Physical Anthropology (Revista Norte-americana de Antropologia Física).

Nesse estudo, a equipa de cinco investigadores portugueses detetou linhagens típicas do Próximo Oriente dez vezes mais frequentes do que no resto do país em comunidades do distrito de Bragança que se identificam como sendo de origem judaica.

No projeto submetido à FCT, intitulado Traçando a história dos Judeus Sefarditas pela genética: criptojudeus e a segunda diáspora, os avaliadores consideraram que a apresentação deste tipo de projetos «cria sérios problemas a todos os níveis - filosófico, ético, político, religioso e histórico».

«Um estudo genético deste tipo abre a porta a toda a espécie de manipulação ideológica», referem os avaliadores, que dizem temer também «danos morais e intelectuais» de «extensão considerável» em comunidades «rurais e frágeis».

O projeto envolveria 16 investigadores, 10 dos quais doutorados, e cinco unidades de investigação: IPATIMUP, Centro de Estudos Africanos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Centro de Estudos Sefarditas 'Alberto Benveniste', Centro de Investigação em Antropologia da Universidade de Coimbra e Society of Crypto-Judaic Studies.

 

Lusa / SOL

19 de Janeiro de 2010

Os utilizadores da Internet em aldeias do mundo rural, nos concelhos de Miranda do Douro e Vimioso, queixam-se da fraca qualidade do serviço. Há quem tenha contratado, com as operadoras, uma velocidade de quatro mega e não consiga ir além do 70 Kbytes.

Atenor, Uva, Mora, Vale de Algoso ou Vilar Seco e Palaçoulo são algumas das localidades onde o serviço ADSL não tem a velocidade desejada e até a net móvel tem fraco sinal. Profissionais de várias áreas que ali se fixaram, e a população em geral, ponderam fazer um abaixo-assinado para enviar a vários organismos públicos regionais, no sentido de os informar daquela situação, solicitando, ainda, a sua resolução, já que a consideram "vergonhosa", "pré-histórica" além de acarretar prejuízos.

De salientar o facto de naquelas aldeias estarem em funcionamento várias associações de desenvolvimento rural, empresas ligadas à promoção dos valores naturais, casas de turismo rural, diversas indústrias, além de serviços. Aquelas localidades, dado o seu valor ambiental e etnográfico, são igualmente escolhidas por estudantes, nacionais e estrangeiros, para desenvolvimento de teses de mestrado e doutoramento.

Miguel Nóvoa, secretário técnico da Associação para Estudo e Protecção do Gado Asinino, em Atenor, defende que o desenvolvimento rural também depende do bom funcionamento das novas tecnologias. "Não temos a possibilidade de abrir uma página. A gestão e consulta das bases de dados e do correio electrónico, por vezes, é difícil ou mesmo impossível de se efectuar", afiançou.

Há quem se desloque diariamente às sedes de concelho para fazer o seu trabalho ou consultar a caixa de correio electrónico. Há industriais que se queixam de ter, inicialmente, contratado com as operadoras uma velocidade de oito mega mas que, devido à deficiência do serviço, baixaram para quatro, pelos quais pagam menos. "Mesmo assim, há zonas onde não vai além dos 70 k bytes".

João Marnoto, fotógrafo e documentalista, vive em Vilar Seco e garante que tem de programar o seu dia-a-dia de forma a coincidir com uma viagem a Miranda do Douro ou Sendim, para descarregar o trabalho na rede ou fazer consultas.

Sinal muito fraco

"O sinal da net é muito fraco. Como trabalho com imagens, tenho dificuldades em desempenhar a minha profissão. O sinal da net móvel também é mau e falha constantemente", garantiu.

Já Joana Braga, engenheira do ambiente, assegura que às vezes o trabalho que desenvolve na região sofre atrasos significativos devido à falha de velocidade da net.

Na maioria das opiniões, a net é uma ferramenta "indispensável", e as deficiências na sua utilização, por vezes, afastam o investimento e as pessoas daquelas localidades do interior.

Dada a morfologia do planalto mirandês, as comunicações móveis, por vezes, também não dão resposta às necessidades, havendo zonas onde o sinal é fraco ou nulo, prevalecendo as operadoras móveis espanholas.

Essas situações criam contratempos, em caso de emergência, já que as equipas de socorro, ou até mesmo alguém que queira alertar para uma ocorrência, tem dificuldades devido à inoperância dos serviços. O JN tentou, sem sucesso, ouvir a versão das diversas operadoras, mas nenhuma respondeu.

 

Fonte: JN

10 de Dezembro de 2009

Comunidades judaicas da região de Bragança apresentam uma elevada diversidade genética, apesar das vicissitudes da sua história, segundo um estudo inovador publicado numa revista norte-americana de antropologia física.

A conclusão constituiu uma surpresa para a equipa de investigadores, coordenada por António Amorim, do Instituto de Patologia e Imunologia da Universidade do Porto (IPATIMUP), tendo em conta o esperado isolamento das referidas comunidades, que viveram longos períodos de clandestinidade.

As perseguições da Inquisição e, mais recentemente, o ambiente anti-semita vigente até ao final da Segunda Guerra Mundial fariam supor que essas comunidades mostrassem na actualidade uma diversidade genética muito baixa, resultante do seu pequeno efectivo e de uma reduzida interacção com a população circundante.

Este estudo, o primeiro realizado em Portugal nessas comunidades com base no cromossoma Y, ou seja, de linhagens exclusivamente masculinas, incidiu em 57 indivíduos de origem judaica reconhecida tanto por si próprios como pela comunidade, e residentes em Carção, Vilarinho dos Galegos, Argozelo e nas cidades de Bragança e Mogadouro.

"Para nossa surpresa, a diversidade genética dessa amostra revelou-se mesmo superior à da população portuguesa em geral", disse António Amorim à agência Lusa.

Além disso, acrescentou, "os tipos de linhagens que mostraram corresponde a uma relativa baixa frequência daquela que é típica da Ibéria e à abundância de linhagens típicas de populações do Próximo Oriente, nomeadamente de populações judaicas".

Assim, "enquanto na população portuguesa em geral há 60 por cento de indivíduos pertencentes ao mesmo grupo de linhagens a que chamamos ibéricas, ou pelo menos típicas da Europa ocidental, no caso destas comunidades judaicas não chega a 30 por cento" assinalou.

Por outro lado, prosseguiu, "as linhagens referidas como típicas do Próximo Oriente, vestigiais na população portuguesa em geral, são dez vezes mais frequentes nestas comunidades".

Segundo as conclusões do trabalho, publicado no American Journal of Physical Anthropology, "as comunidades estudadas conseguiram manter alguma identidade e não perder diversidade ao longo do tempo", graças a uma estratégia de cruzamentos que não teve efeito estrangulador na diversidade genética existente.

A situação observada contrasta com a registada noutros estudos com a participação deste investigador realizados em Belmonte, onde praticamente só subsiste uma única linhagem feminina, o que significa que houve muita endogamia e consequente redução da diversidade original.

Nesta investigação participaram também Leonor Gusmão (IPATIMUP), Verónica Gomes (IPATIMUP e Universidade de Santiago de Compostela) e Inês Nogueiro e Licínio Manco, do Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra.

Especialista em genética populacional, António Amorim coordena na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto um mestrado em genética forense e participa em programas doutorais de biologia, genética e evolução.

 

Fonte: I Online

publicado por Lacra às 12:01
26 de Agosto de 2009

A autarquia de Vimioso desafia o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) a deslocar-se ao concelho para verificar “in loco” a situação em que se encontra o rio Maçãs e o rio Angueira, as duas únicas fontes de reserva de água da localidade.

Actualmente, segundo o autarca, José Rodrigues, os dois rios encontram-se praticamente secos, o que está a conduzir a deixar sem água quase metade do concelho de Vimioso. As localidades mais afectadas, para já, são Argozelo, Carção, Santulhão, Avinhó, Matela e Junqueira. No entanto, se continuar sem chover, a situação poderá estender-se às restantes freguesias.

A câmara está, por isso, a ponderar estabelecer uma parceria com o concelho vizinho de Miranda do Douro no sentido de ir retirar água ao rio Douro. A “solução” não agrada ao executivo mas é a “possível”  face aos condicionalismos impostos pelo ICNB às alternativas já apresentadas para a resolução do problema.

A falta de água no verão é um problema que afecta Vimioso há já vários anos e que, segundo José Rodrigues, poderia ser resolvido com a construção de uma mini-hidríca no rio Angueira e com o alteamento de dois açudes no rio Angueira e no Maçãs. Os projectos já foram apresentados ao ICNB mas têm sempre sido chumbados devido aos condicionalismos inerentes a locais classificados como Rede Natura 2000. Segundo o autarca, o ICNB só aprovaria os projectos com determinadas condições que não servem os interesses das populações porque não resolveriam o problema da seca.

“O ICNB apontou limitações ao nosso projecto e, dessa forma, a situação fica na mesma. O melhor seria que viessem ao terreno ver como estão os rios Angueira e o Maçãs para terem noção da realidade”, apontou o autarca.

José Rodrigues assume mesmo estar “revoltado” com a posição do ICNB já que, para além dos prejuízos para as populações afectadas, há riscos para a fauna local, nomeadamente para a fauna piscícola.

Desde a semana passada que a vila de Argozelo e algumas aldeias estão a ser abastecidas com recurso a auto-tanques dos Bombeiros naquilo que o autarca classifica como “um verdadeiro crime ambiental”.

Recorde-se que também no concelho de Bragança há várias freguesias a ser abastecida por auto-tanques dos Bombeiros, uma situação que se repete ano após ano, por altura do Verão, um pouco por todo o Nordeste Transmontano.

22 de Abril de 2009

 De 1 a 3 de Maio a vila de Vimioso acolhe as II Jornadas de História Local sobre o tema "Judaísmo - Marranísmo, duas faces de uma identidade".

A primeira iniciativa do género foi realizada no ano passado, altura em que foi proposto criar uma Rota dos Judeus que potencie a herança judaica e marrana existente em Carção, Bragança, Chacim, Vila Flor, Mogadouro e noutras terras do distrito.

O evento é organizado pela Associação Cultural dos Almocreves de Carção e, este ano, irá abordar os seguintes temas:

1 de Maio

  •  Os cristãos-novos e o poder - século XVIII, por António Borges Coelho 
  • Sam marranos os que marram nossa fee, por José Alberto da Silva Tavim
  • Regimentos Inquisitoriais, por Lúcia Alexandra Ferreira
  • Os agentes do Santo Ofício em Trás-os-Montes (1570-1821), por Fernanda Olival
  • Judaísmo, Inquisição e sequestro de bens em Trás-os-Montes, por Isabel Braga
  • Apresentação da obra Dicionário do Judaísmo Português, da Editorial Presença

2 de Maio

  • Cristãos-novos e marranos transmontanos, por Elvira Mea
  • Vimioso anos de 1650 - Uma rede de passadores de judeus, por Maria Guimarães e António Andrade
  • Um olhar sobre o Auto da Fé - espaços e representações, por João Dias
  • Vozes que chegam ao céu: Da origem e evolução da Liturgia criptojudaica portuguesa, por Inácio Steinhard
  • O judeu na literatura e na linguagem popular, por Lúcia Mucznik
  • A diáspora judaica, por Abraham Haim
  • De Trancoso a Hamburgo, o percurso das famílias Carlos e Mendes de Brito, por Florbela Frade
  • Judeus em Portugal: os desafios da Liberdade, por Esther Mucznik
  • Porque decidi ser judeu?, por Luciano Moura
  • Les derniers marranes, filme realizado por Frédéric Brenner

3 de Maio

  • Visita a locais de presença judaica - marrana em Carção e Argozelo



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