Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
15 de Dezembro de 2010

 

 

 

Depois do Hotel&Spa de Alfândega da Fé, a câmara pretende, agora, também, entregar as antigas escolas primárias que foram transformadas em unidades de turismo rural. Berta Nunes diz que estes empreendimentos não estão a dar prejuízo, no entanto, no seu entender, “podem ser melhor rentabilizados”.

Quando o Hotel&Spa foi colocado a concurso houve três concorrentes, mas nenhum deles quis ficar com estas unidades mais vocacionadas para o turismo rural, pelo que a câmara vai elaborar um concurso para o efeito.

As escolinhas estão direccionadas para outro sector do turismo que a câmara pretende promover e valorizar. Assim, quem quiser explorar estas unidades e candidatar-se ao concurso, terá que apresentar um projecto que tenha como objectivo a integração destes empreendimentos nas aldeias onde estão inseridos e na própria comunidade.

“O que se pretende é que se façam parcerias com as Juntas de freguesia locais para que possam elas ficar com a responsabilidade de fazer a limpeza exterior, a manutenção dos equipamentos ou a limpeza do interior, dando algum rendimento às próprias autarquias”, explicou.

Já no que diz respeito ao envolvimento com a comunidade, Berta Nunes aponta como possibilidades o servir refeições em casas de particulares locais, permitindo ao turista conhecer melhor a comunidade, o seu modo de vida, as tradições e cultura.

Ao mesmo tempo, a autarquia está a desenvolver uma rede de percursos pedestres e a programar actividades que possam cativar quem escolhe como destino de férias a estadia numa unidade de turismo rural.

“Estamos a pensar oferecer passeios de burro, a possibilidade de acompanhar o pastor com o seu rebanho, percursos pedestres no meio rural e várias actividades para que, quem vem para estes apartamentos turísticos, possa conhecer a cultura, as pessoas e as riquezas locais”, apontou a autarca.

Em contrapartida, quem ganhar este concurso, terá de pagar uma renda de 200 euros mensais por cada escola, valor esse que pode vir a ser negociado dependendo da ocupação e da rentabilidade de cada uma destas unidades.

Este concurso foi aprovado em reunião de câmara no início desta semana e, depois de publicitado, terá um prazo de 30 dias.

Alfândega da Fé possui seis antigas escolas primárias transformadas em alojamento rural em Sambade, Sendim da Serra, Gouveia, Colmeais, Vales, Covelas e Felgueiras.

 

Hotel&Spa vendido

Recorde-se que o Hotel&Spa de Alfândega da Fé foi vendido ao grupo que detém o hotel Alcazar, no Algarve. Estes terão apresentado uma das três melhores propostas e passam a ser os proprietários daquele espaço turístico, sedeado na serra de Bornes.

Previsto está, já, um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros, desde logo, na construção de um novo salão de eventos, na triplicação do número de quartos, na construção de uma piscina ao ar livre, de uma eco-aldeia e na recuperação infra-estrutural do próprio hotel, construído já há vários anos.

Berta Nunes, presidente da câmara de Alfândega da Fé, congratula-se com a concretização do negócio e salienta a experiência do grupo hoteleiro na área do turismo: “é um grupo com muita experiência que, ainda esta semana, recebeu um prémio de excelência PME (Pequenas e Médias Empresas) do Instituto de Turismo de Portugal, pelo trabalho desenvolvido no hotel Alcazar, onde fizeram um grande trabalho de recuperação”.

Com esta venda, a autarquia financeira fica “liberta” de tantos encargos financeiros, pois, segundo apontou Berta Nunes, o grupo terá ficado com cerca de um milhão e 650 mil euros do passivo do Hotel&Spa que, no total, ronda os dois milhões e 400 mil euros.

“Isto vai libertar a câmara de ter de cobrir, todos os anos, prejuízos da ordem dos 300 mil euros, por vezes prejuízos superiores, por vezes inferiores”, notou.

Berta Nunes entende que com esta venda, a autarquia conseguiu, por um lado, “garantir a sustentabilidade do investimento, a sua melhoria e o alargamento em termos de oferta”. Por outro lado, a prazo, prevê-se o aumento dos postos de trabalho, factor que a autarca destaca como “muito importante” para a economia do concelho.

O concurso previa apenas a venda do hotel, sendo que o Spa continua a ser propriedade da câmara. Berta Nunes revela que, o previsto, é que o grupo fique com a concessão do Spa por dois anos, a custo zero. No final dos dois anos, a câmara prevê vender também o Spa ou fazer a concessão mediante renda.

O contrato com o grupo hoteleiro deve ser assinado até ao final deste ano.

Recorde-se que o Hotel&Spa de Alfândega da Fé recebeu obras em 2008, altura em que foi dotado do primeiro Spa ao ar livre. Por várias vezes o hotel foi palco de filmagens quer para novelas nacionais, quer para programas de entretenimento.

publicado por Lacra às 08:02



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