Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
10 de Dezembro de 2010

Um contraste de sabores torna o Azeite de Trás-os-Montes, Denominação de Origem Protegida, num produto único e premiado em todo o mundo

O sabor é intenso e complexo: doce, amargo, picante, com cheiro a verde e a amendoal, frutado. É um misto de sensações que traduz a essência de Trás-os-Montes: uma terra agreste de paisagens muitos diversas. Estas características fazem do Azeite de Trás-os-Montes um produto único em todo o mundo e de qualidade reconhecida, com inúmeros prémios arrecadados. Mas chegar a este patamar implica a adopção, por parte dos produtores, de novas regras e procedimentos, nomeadamente da antecipação da campanha para Novembro. Por tradição e talvez apego ao passado, há ainda quem “resista” e deixe a apanha da azeitona para a altura de Janeiro, quando as geadas são mais frequentes, e isso traduz-se numa perda de qualidade do fruto.

Para além disso, há outras regras a verificar na extracção do azeite, que deve ser feita a frio e no próprio dia da colheita, com a identificação e diferenciação dos diferentes lotes. Depois, conseguir a certificação “Azeite de Trás-os-Montes”, Denominação de Origem Protegida”, exige a comprovação de se estar perante um azeite virgem extra que, na análise sensorial e físico-química, feita por um grupo de peritos, tenha as características já enunciadas – amargo, verde, picante e frutado.

A sua produção está confinada a áreas geográficas específicas e sujeita aos cultivos tradicionais, sendo que apenas os associados da Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes (AOTAD) podem pedir a sua certificação.

Recentemente, a Cooperativa Agrícola de Alfândega da Fé decidiu envolver-se, também, neste projecto e passar a produzir Azeite DOP, uma aposta na qualidade que deve traduzir-se em mais-valias financeiras para os produtores e para a própria Cooperativa, ela própria detentora de olival.

“Aqui só se plantam cultivos tradicionais, felizmente mantivemos essa aposta. Já tínhamos o azeite biológico, agora queremos o DOP pois só o DOP se pode afirmar como Azeite de Trás-os-Montes”, explicou Eduardo Tavares, presidente da Cooperativa Agrícola.

Numa tentativa de sensibilizar os produtores para a necessidade de fazerem esta aposta na qualidade, a AOTAD tem vindo a promover uma série de sessões informativas sobre as regras e procedimentos que se devem adoptar para responder às novas exigências dos mercados e o mercado valoriza “a qualidade”.

Um dos Azeites mais premiados

A melhor “prova” de sucesso que o Azeite de Trás-os-Montes tem prestado é na obtenção de inúmeros prémios nacionais e internacionais que lhe têm dado credibilização e prestigio, sobretudo nos mercados estrangeiros, que preferem o azeite de excelência.

Ainda recentemente, o Azeite de Trás-os-Montes arrecadou mais três prémios, em três diferentes continentes, com diferentes tipos de embaladores. Foi o caso do Azeite Porca de Murça que conseguiu a distinção como “um dos melhores azeites do mundo”, com o Lote 50, da Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Murça. A medalha de prata foi obtida no prestigiado concurso internacional de azeites – “Los Angeles International Olive Oil Competition 2010”, onde estiveram presentes 477 azeites de 318 produtores de todo o mundo.

Também o Azeite João das Barbas, produzido e comercializado por Constança Doutel de Andrade venceu um prémio internacional ao classificar-se no segundo lugar da Categoria Virgem Extra DOP do “Primo Campionato del Mondo Olio Extravergine di Oliva – Expo Shangai 2010”.

A região transmontana está, ainda, representada com nove produtores no Guia Flos Olei 2011, promovido pelo famoso provador de azeite Marco Oreggia, são eles: Maria Constança Doutel de Andrade; Quinta do Crasto; Clemente Meneres, João Pinheiro Paulo; Tetribérica – Agricultura Biológica; Quinta Vale do Conde; Cooperativa de Olivicultores de Valpaços; Hernâni Verdelho; Produção e Comercialização de Vinhos e Azeites Viaz.

Uma presença que é destacada pela AOTAD, que considera que tal representa “uma enorme responsabilidade” que é preciso continuar a garantir.

Pese embora alguma “resistência” que ainda possa existir por parte de alguns produtores, estes prémios vêm provar que “os olivicultores estão a promover uma nova abordagem empresarial ao olival, adoptando boas práticas de cultivo, antecipando a campanha e entregando a azeitona em boas condições de laboração”. Um trabalho que tem contado com o apoio, informação e formação do Painel de Provadores de Azeite de Trás-os-Montes, peça fundamental para garantir e identificar os lotes de azeite de qualidade superior.

Centro Tecnológico valoriza azeite

Outra das iniciativas implementadas pela AOTAD foi a criação do primeiro Centro Tecnológico do Azeite no país. Este é um equipamento que reúne sete organização académicas e a câmara de Mirandela, e que visa a modernização e divulgação de um sector que gera 30 milhões de euros por ano.

O objectivo é congregar esforços para trabalhar projectos conjuntos que permitam captar verbas e tecnologia para o sector da olivicultura.

A Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro (AOTAD) é a chefe desta fileira numa região com 37 mil olivicultores, proprietários de 80 mil hectares de olival que produzem uma média anual de 90 milhões de quilos de azeitona.

Lacunas do sector

Ainda assim, continuam a existir lacunas que a AOTAD considera “lamentáveis”, desde logo o facto de não existir em Portugal uma “interprofissional do azeite que assuma a valorização e protecção desta qualidade e da fileira”.

Também ainda não estão publicadas nem regulamentadas as alterações ao Regulamento CE 1019 que determina a indicação do país de origem nos rótulos de azeite e há o grave problema de se continuar a usar a denominação “azeite” para o azeite refinado misturado com azeite virgem extra.

A AOTAD lamenta, ainda, que “Portugal seja o único país produtor de azeite da Europa que não participa institucionalmente em certames como a “SlowFood” de Turim”.

O sector do azeite é o segundo com maior peso económico em Trás-os-Montes, só sendo superado pelo do vinho. Para se ter uma noção da importância deste produto na região, basta dizer que 50 por cento da produção nacional de azeitona de mesa e cerca de 35 por cento do azeite produzido em Portugal é oriundo de Trás-os-Montes. Em média, produz-se na região transmontana cerca de 45 mil toneladas de azeitona e cerca de 7500 toneladas de azeite, por ano, com a particularidade de ter a sua tipicidade proveniente das variedades de oliveiras regionais mais comuns, das quais se destacam a verdeal, a cobrançosa e madural, que lhe confere um elevado grau de qualidade, simbolizado numa dezena de marcas com Denominação de Origem Protegida (DOP) que está já a ser exportado para os países nórdicos, para os Estados Unidos, Canadá e Japão.



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