Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
27 de Setembro de 2010

O processo de entrada em vigor do novo Acordo Ortográfico nos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP’s) está a ser mais demorado devido ao “atraso” de Portugal em definir uma data concreta para que o acordo vigore, também, no território português. O Ministério da Educação do Governo português adiantou o ano de 2011/2012 como aquele em que o Acordo entraria em vigor, de modo a dar tempo para que fossem feitas as alterações devidas aos manuais escolares. No entanto, no entender de Malaca Casteleiro, da Academia de Ciências de Lisboa, esta é uma questão que tem prejudicado o processo de adesão dos Palop’s.

À margem da abertura do 9º Colóquio de Lusofonia, que se realizou hoje, em Bragança, o especialista considerou que “tudo seria mais fácil, se Portugal tivesse tomado a dianteira”.

Apesar de optimista relativamente à questão do Acordo Ortográfico, Malaca Casteleiro não deixou de criticar a falta de iniciativa de Portugal em acordar com o Brasil uma data para a entrada da nova ortografia em vigor.

Assim, enquanto que no Brasil o Acordo vai “em pleno vapor”, conforme afirmou Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, já em Portugal, apenas algumas publicações tomaram a iniciativa de aderir, desde já, à nova ortografia.

Malaca Casteleiro defende, no entanto, o importante é que o Acordo entre em vigor, “mais ano, menos ano”, até porque deve ser entendido como “uma medida necessária para a promoção da Língua Portuguesa no mundo”.

“É importante que a Língua Portuguesa tenha uma única ortografia, até na perspectiva dela entrar como língua de trabalho e língua oficial em novas instituições”.

O especialista considera que Angola é o país onde esta questão está menos desenvolvida, devido à vontade daquele país elaborar um vocabulário especifico, com os termos em uso. “Em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique, é uma questão que está muito presente.

Apesar de ainda se verificar alguma “resistência” às mudanças que o Acordo vai trazer na escrita e no dia-a-dia de todos os que falam a Língua Portuguesa, o especialista considera que tais não são relevantes.

“O Acordo  ortográfico é feito para as gerações vindouras. As gerações actuais têm sempre dificuldades, porque isto implica mudanças, mas vai para a frente, tem de ir”.

 

Acordo beneficia “tradição portuguesa”

Se há país onde o Acordo Ortográfico está já a ser aplicado na sua plenitude esse país é o Brasil. Desde 2009 que todas as instituições adoptaram as novas regras ortográficas, pese embora tenham sido muitos os “hábitos a alterar”.

Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, defende mesmo que o novo Acordo “atende mais à tradição portuguesa, que é seguida pelos africanos, do que à brasileira”.

Apesar das dificuldades, o academista considera que este é “um momento histórico”, pois implica não só a “simplificação da ortografia”, mas também a posição política de um grupo lusófono que “deve-se apresentar com maturidade política e linguística”.

O 9º Colóquio Anual da Lusofonia iniciou-se hoje, em Bragança. Até dia 2 de Outubro, várias personalidades vão estar presentes na cidade para debater as questões da Lusofonia.

publicado por Lacra às 19:43



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