Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
28 de Julho de 2010

As populações das freguesias de Fradizela, Franco, Lamas de Orelhão, Mascarenhas e Passos, estão agora servidas com clínicas de saúde onde podem pedir consultas, pagando apenas 2,5 euros.

Este é um projecto pioneiro do grupo CESPU, apelidado Saúde em Espaço Rural (SER), e que resultou de um protocolo entre a cooperativa de Ensino Superior, Politécnico e Universitário, câmara de Mirandela e as juntas de freguesia.

O objectivo é prestar o mínimo de cuidados de saúde às pessoas das freguesias mais recônditas do concelho de Mirandela, numa complementaridade com o Serviço Nacional de Saúde que, conforme apontou Cordeiro Tavares, vice-presidente da CESPU, “não consegue estar em todo o lado”.

“O Estado não pode estar em todo o lado e é extremamente importante conseguir aceder, em tempo útil, aos centros onde são prestados serviços de saúde”.

Na Fradizela a nova clínica funciona desde Maio e tem-se revelado um sucesso junto da população local e até da população de outras freguesias próximas. Por apenas 2,5 euros, as pessoas podem requerer consultas de diferentes especialidades, como seja, Clínica Geral, Enfermagem, Podologia, Psicologia Clínica, Reabilitação, Medicina Dentaria – Higiene Oral, Rastreios, e até marcação de exames complementares de diagnostico, recolha de analises clínicas, transporte de utentes para realização de exames complementares a título gratuito para o utente e encaminhamento para consultas da especialidade.

Num antigo espaço que já foi Posto Médico, há cerca de 20 anos atrás, e que foi remodelado pela Junta local para acolher a Nova Clínica, os utentes podem marcar as consultas, mesmo à porta de casa, evitando gastos com as deslocações, conforme apontaram.

“Para ir a Mirandela demorava muito tempo. Perdia lá o dia e aqui fica-me à porta de casa”, contou Norma Bernardo.

É que, segundo contaram, a partir do encerramento do ano lectivo, a localidade deixa de ser servida por transportes públicos, o que obriga os utentes que não têm meios próprios a procurar um táxi para irem ao Centro de Saúde de Mirandela. O preço da viagem, ida e volta, é superior a 20 euros, a que acresce o tempo de espera para atendimento.

É por isso que, no entender do presidente da Junta local, José Sousa, a implementação do serviço de saúde na freguesia foi “a coisa mais importante que já aconteceu na localidade”.

“A criação deste serviço na freguesia é das coisas mais importantes que já aconteceu na aldeia porque vem colmatar necessidades da terceira idade. A maioria das pessoas são idosas e dificilmente se deslocavam aos serviços de saúde, o mais próximo é Torre de D. Chama mas não há transportes públicos, teria de ser Mirandela”, explicou, apontando as “mais-valias” do novo serviço.

“As pessoas estão mais confiantes e vivem com mais alegria porque sentem aqui um apoio”, contou.

A parceria com a câmara de Mirandela surgiu como forma de “compensar as menos-valias que têm acontecido na saúde”. No entender de António Branco, vice-presidente da autarquia, os cuidados de saúde primários têm vindo a diminuir, o que, no seu entender, vem agravar o despovoamento e forte envelhecimento da população.

“Este é um projecto que aponta para a proximidade, para a possibilidade das pessoas poderem obter cuidados de saúde primário junto da sua residência,  e, nesse sentido, a autarquia tinha de estar envolvida”, considerou.

Ao mesmo tempo, com esta iniciativa, a CESPU dá a possibilidade aos jovens licenciados naquela Cooperativa, a possibilidade de terem o seu primeiro emprego através da realização de estágio profissional.

O objectivo é agora alargar o projecto a mais freguesias rurais e até a outros concelhos, havendo já o manifestado interesse dos municípios de Tabuaço, Vinhais, Miranda do Douro, entre outros.

“A tendência é chegar a todo o distrito mas vai depender muito da adesão das câmaras municipais e das juntas de freguesias, que preparam o espaço; bem como da juventude, que pode não querer vir para o interior”, explicou Cordeiro Tavares.

É que, segundo apontou o responsável, apesar de para muitos jovens esta ser a possibilidade de terem o seu primeiro emprego, há áreas de licenciatura onde estes preferem permanecer nas malhas urbanas de grandes cidades.

“Em algumas especialidades é difícil atrair jovens, como Fisioterapia ou Enfermagem”, apontou, frisando, no entanto, que o projecto está aberto a candidaturas de outros jovens, oriundos de outras faculdades.

publicado por Lacra às 14:00



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