Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
03 de Maio de 2010

Várias escolas do concelho de Bragança poderão encerrar já no próximo ano lectivo. A denúncia foi feita na última Assembleia Municipal pelo vereador do movimento independente Sempre Presente, Humberto Rocha.

Uma denúncia que provocou grande discussão.

Foram precisos votos do PSD para aprovar uma moção da bancada do Movimento Independente, que permitiu ao vereador Humberto Rocha usar da palavra.

Na sua intervenção, o vereador independente denunciou movimentações do Grupo de Apoio às Escolas para encerrar alguns estabelecimentos de ensino e agrupamentos no concelho.

“Tive conhecimento que teria havido uma proposta apresentada por Luís Martins de encerrar escolas com menos de 21 alunos. Essa proposta existiu. Entre outras, seriam Izeda, Zoio, Rebordãos, Salsas, Samil, Parada, Quintanilha. Pelo menos são essas as escolas de que me recordo”, explicou.

 Humberto Rocha considera mesmo que, a concretizar-se, esta medida não faz sentido.

“Parece-me que é um disparate completo e uma desumanidade total. Estamos a falar de crianças, algumas com três anos. Qual é o pai que fica tranquilo com esta decisão. E é um prejuízo para todo o concelho. Reveste-se de alguma desumanidade e alguma irresponsabilidade e que não possa vingar.”

O vereador tinha já levantado a questão em reunião de câmara. Ora, em resposta escrita, citada pelo vereador na Assembleia Municipal, o presidente da câmara de Bragança, Jorge Nunes, confirmou algumas medidas previstas, como “a fusão de escolas como o Agrupamento de Izeda com um da cidade, resultante da fusão entre o Agrupamento Augusto Moreno e a Escola Secundária Miguel Torga; extinção do ensino secundário na escola Miguel Torga; encerramento em 2012 dos segundo e terceiro ciclos do Agrupamento Vertical de Izeda”.

 Esta questão provocou mesmo uma discussão entre Humberto Rocha e Vítor Prada Pereira, do PS, que considera estas possibilidades meros “boatos”. E sugere um entendimento entre as câmaras de Bragança e Macedo de Cavaleiros.

“A autarquia de Bragança e Macedo deviam entender-se, de uma vez por todas, elaborar uma proposta à DREN, para juntar toda aquela gente do planalto de Izeda no agrupamento. Isso é que seria pensar no futuro. Porque as escolas, sem alunos, não podem funcionar.”

Vitor Prada Pereira, considera também inevitável o encerramento de uma escola secundária na cidade de Bragança e pede a reformulação da carta educativa do concelho.Sobre esta questão, o presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, começou por recusar comentários mas, viria a admitir estar contra o encerramento.

“Já tomámos uma posição no conselho geral do agrupamento de Izeda, por escrito, ditando para ata a posição do município, que se opõe ao encerramento, por razões de coesão territorial, de modelo de desenvolvimento económico e estratégia. Mas há uma reformulação da rede escolar e da carta educativa que tem de ser feita, com associações de pais, directores das escolas, conselho consultivo municipal, a câmara e a assembleia municipal e a DREN.”

Já Rosa Pires, a presidente da junta de freguesia de Izeda, considera impensável o fecho do Agrupamento e garante que ainda não tem conhecimento de nenhuma proposta oficial.

“Não tenho conhecimento de qualquer proposta escrita mas de boatos. Nem o agrupamento de Izeda. Mas não colocamos a hipótese de fecho. Se a proposta for feita por escrito, vamos lutar”, promete.

 

Equipa de Apoio confirma encerramentos de escola

 

Já antes da questão do encerramento de escolas ter sido levantado na Assembleia Municipal de Bragança, Luís Martins, coordenador do Grupo de Apoio às Escolas da Terra Fria, revelou à Brigantia que está a ser feito um estudo para perceber qual a viabilidade das escolas do distrito de Bragança.

E aponta uma solução para Izeda.

“Encerramento propriamente dito, não. Tudo poderá passar por encerrar agrupamento e não encerrar escola”, disse. “A diferença é que o agrupamento preciso de ter número suficiente de alunos, enquanto a escola não precisa de tantos alunos para que se mantenha aberta com as mesmas ofertas formativas.”

Mas o mesmo responsável diz que, no futuro, acabará por ser inevitável encerrar devido à diminuição do número de alunos.

“Neste momento têm mais de cem alunos mas deverão ter menos de cem num futuro próximo. E tecnicamente não é possível ter turmas com menos de 20 alunos. Haver turmas com menos de 20 alunos é o adiar de um problema. Se não encerrarem amanhã, poderão encerrar, por exemplo, daqui a três anos.”

Luís Martins confirmou ainda que todas as escolas com menos de 20 alunos, incluindo as do Zoio e Espinhosela, poderão encerrar já no próximo ano lectivo.

 

Fonte: Brigantia



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