Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
16 de Abril de 2010

Os vales, quanto mais profundos e estreitos mais impressionantes para o Homem e belos para fotografar, mas também mais vulneráveis (apetecíveis) a ser emparedados e submersos por barragens. O rio Tua, a 100m sobre o nível do mar, é ladeado por escarpas que chegam aos 676m e pouco menos ao longo de quilómetros. Os blocos de granito das Fragas Más no Tua têm centenas de metros de diâmetro. Estar nestes ambientes magníficos proporciona-nos uma experiência única da Terra.
Presentemente o vale e do Tua encontram-se ameaçados pela construção de uma barragem.
O que a barragem põe em causa:
PAISAGEM
20Km de vale encaixado, de aspecto agreste, da Brunheda à Foz do Tua, e ainda o Rio Tinhela e a Ribeira de Barrabáz. A diferença altitude
é tão extrema que em Foz-Tua pode estar enublado, aos 300m entramos num nevoeiro denso com 5m de visibilidade, aos 650m saimos das
nuvens que se vêem agora por cima iluminadas pelo sol, cobrindo vales e ladeadas de mais cumes. 

O Tua é um dos poucos locais onde se pode ver o aspecto que Portugal tinha na pré-história, em termos de cobertura vegetal. O difícil acesso, pela inclinação, extensão e esforço físico, impediu a agricultura em muitos locais, permanecendo a flora selvagem, principalmente os zimbros, arbustos de grande porte, quase arbóreo. O ar limpo dada a pouca indústria local e a ausência de pessoas permite a muitas espécies de líquenes crescerem luxuriantemente. Castanheiros, pinheiros e sobreiros cobrem as vertentes sobranceiras ao rio Tua numa floresta densa e verdejante dada a ausência de incêndios. Eucaliptos são praticamente inexistentes.

 

FAUNA:

Nos túneis do comboio há populações de morcegos. Vê-se o esquilo, muitas espécies de aves incomuns, e ouve-se o pica-pau. Dizem-me existir águia real, bufo real, cegonha preta, e talvez falcão peregrino e abutres, e que várias espécies e sub-espécies de borboletas e libélulas em Portugal só podem ser encontradas no Tua.  
PROGRAMA:
21 de Maio (6ª feira):
Partida para Lamego em transportes particulares.
Itinerário: A1 => IP3 ou A25 => A24 e sair para Lamego
Alojamento: 1 noite na residencial de S. Paulo. 

22 de Maio (Sábado): 
9h: Partida em transportes particulares de Lamego para a aldeia de Castanheiro no concelho de Carrazeda de Ansiães.
Passagem pelo rio Douro e zona vinhateira demarcada como património mundial, onde se pode apreciar as belas paisagens tipicamente durienses.
10h30: Percurso pedestre circular de 12 km no vale do Tua na freguesia de Castanheiro do Norte.
Grau de dificuldade médio. Local de partida e chegada: Castanheiro do Norte.
Nota importante: levar farnel e água para a caminhada, pois não vai haver almoço em restaurante.

A freguesia de Castanheiro fica situada no concelho de Carrazeda de Ansiães, num planalto entre os 600 -700 metros de altitude, sendo delimitada por duas fronteiras naturais que são os rios Douro e Tua. Confina com as freguesias de Pombal, Paranhos, Linhares e Ribalonga.
Integra-se na área da “Terra Quente Transmontana”, devido ao seu clima que lhe dá um potencial económico diversificado, salientando-se o vinho generoso e porventura a melhor maçã produzida em Portugal. A data de fundação da paróquia de S. Brás de Castanheiro é desconhecida, embora o povoamento desta terra seja de origens muito antigas. Pelos vestígios arqueológicos encontrados na Freguesia pode afirmar-se que as origens remontam à pré-história e à Idade do Ferro. As influências romanas são também aqui presentes com visibilidade (Fonte Romana) “Via” Romana.

 

16h: Fim da caminhada.
16h30: Passeio de carro pela zona do vale do Tua (concelho de Carrazeda de Ansiães e Alijó).
Passagem por Foz Tua, São Mamede da Ribatua, Safres, Amieiro, Franzinhal, Carlão, Sobreira, Abreiro, Vieiro, Freixiel, Pereiros e Codeçais.
São Mamede teve o seu primeiro Foral ainda no Condado Portucalense de Dona Teresa e o seu segundo Foral, primeiro de Portugal pelo rei D. Sancho I em 1162. Teve ainda Foral dado pelo rei D. João II, altura em que foram construídos os edifícios da Câmara e do Pelourinho, ainda existentes. Pertencente ao Arcebispado de Braga, independente do Concelho de Alijó, assim permaneceu até às guerras liberais de 1850, perdendo a sua autonomia. Situado a Sueste do Concelho, é de origem muito remota como prova não só o couto que lhe foi atribuído, mas também o seu nome (São Mamede) que pertenceu a um mártir de culto muito antigo. Quanto ao património possui igreja matriz, várias fontes, pontes e calçadas romanas, pelourinhos, os antigos paços do Concelho, azenhas e belíssimas “vistas” para o vale do rio Tua.
O Amieiro é, ao que parece, uma freguesia fundadora do Concelho de Alijó, em 1226. Situa-se a 13 Km para nascente, na margem direita do rio Tua. A palavra Amieiro liga-se sobretudo às culturas agrícolas: provém da árvore do mesmo nome, características das margens dos rios ou das terras húmidas. Trata-se de uma aldeia granítica que se estende em cascata na encosta do Monte da Cunha. É particularmente impressionante a paisagem vista da Estação de Caminho de Ferro de Santa Luzia porque o relevo do terreno e a mistura de cores proporcionada pelas laranjeiras, sobreiros, vinhas, pinheiros e castanheiros, constitui, em certas alturas do ano, um espectáculo que em poucos lugares se vê.
Na margem esquerda do rio passou o comboio da Linha do Tua.
Carlão é uma freguesia de remoto povoamento com provas claras nos vestígios arqueológicos. Do Neolítico e Idade do Bronze, as pinturas rupestres da Pala Pinta, um dos três espaços com estas características em todo o país, fazem disso prova. Pelos romanos, por volta do século III d.C., forma deixadas calçadas e uma ponte. Com dois rios a banhar os seus limites, o Tinhela que a separa do Concelho de Murça e o Tua que a separa do Concelho de Carrazeda de Ansiães, “Carlon” terá sido o onomástico medieval que deu origem ao antropónimo actual. Possui umas termas com águas sulfúreas sódicas ou primitivas com excelentes propriedades para cura de doenças da pele, reumatismo, entre outras.
A aldeia de Sobreira, pertence ao Concelho de Murça. Se nos voltarmos para o passado, constata-se que a população se insere nos seus anais históricos elementos que permitem afirmar ter sido um importante povoado quer no período anterior à formação da nacionalidade quer mesmo durante a Alta Idade Média. Pelo que nos é dado a conhecer pelas inquirições de 1220, verificamos que o antigo povoado da Sobreira cujo topónimo podia estar intimamente ligado à existência de um sobreiro de grandes dimensões. A população dedica-se à agricultura. Em conjunto são duas pedras basilares no forte poder económico da zona da terra quente.A videira é plantada nos montes inclinados sobranceiros ao rio Tua, enquanto a secular oliveira, se encontra dispersa por "terras de ninguém", é o espelho da vida árdua mas salutar, das gentes deste lugar que lutam para tornar a vida menos dura e mais fácil aos seus descendentes. As belezas paisagísticas são imensas e oferecem ao visitante um deslumbre para o olhar. Tendo o ponto máximo as margens refrescantes do calmo rio Tua com a sombra dos amieiros e salgueiros, aqui desfrutam de momentos agradáveis. Olhando para o monte vê-se o castelo. O lendário "buraco dos Mouros", que é um autêntico labirinto que acolhe raposas e lobos, ainda o "forno da tia Adélia", modelo único existente no concelho e o "piado do corvo" que é um buraco profundo que existe no Tua.
Abreiro é uma freguesia que pertence ao concelho de Mirandela, localiza-se na margem direita do rio Tua. Existem vestígios que indicam que a sua origem é anterior à romanização; pensa-se que talvez da época dos godos. Quanto à origem do seu nome, dizem uns que a sua proveniência terá vindo da palavra árabe “Ábara”, que significa passear de um lado para o outro. Sustentam, outros, que poderá ter surgido do nome próprio Abrário, da Idade Média. Por sua vez, o povo acha que poderá ter surgido da expressão “Abre-te Rio”, fazendo alusão ao facto de o rio Tua alargar neste local. Abreiro teve foral em 1225, concedido por D. Sancho II.D. Afonso III confirma-o em 1250 e D. Manuel I renovou-o em 1514.
A aldeia de Vieiro pertence ao concelho de Vila Flor.
A aldeia de Freixiel fica situada no concelho de  Vila Flor a 350 metros de altitude. Os invernos são frios e os verões muito quentes.
As casas eram construídas em granito. Teve foral dado pelo Prior da Ordem do Hospital, em 1112, e foral novo dado por D. Manuel a 19 Julho de 1515. Foram donatários da vila até 1641 os Marqueses de Vila Real.
A freguesia de Pereiros, concelho de Carrazeda de Ansiães, fica a uma dúzia de quilómetros desta vila, nas encostas muito inclinadas que vão para o rio Tua, encaixada num pequeno vale abrigado por várias elevações. Como por exemplo: o Monte Carvalhal, e os Cabeços da Mata, Precavelos, Cortiçadas e Castelo. Estas elevações têm encostas declivosas e muito rochosas, com matas de sobreiros e não só, difíceis de agricultar.
Codeçais situa-se perto do rio Tua e da linha do comboio. Pertence ao concelho de Carrazeda de Ansiães.
20h: Jantar e 1 noite de alojamento no Hotel rural Flor do Monte em Pombal (concelho de Carrazeda de Ansiães).
23 de Maio (Domingo):
9h: Saída do Hotel e passeio pedestre pela calçada romana na freguesia de Pombal. São 3 km até ás termas de São Lourenço. 
Pombal fica situada na margem esquerda do rio Tua, num vale, mas que inclui encostas muito declivosas para o mesmo rio. As suas referências antigas andam ligadas ao Castelo de Ansiães e à Igreja de Marzagão de que fez parte. Contudo, podemos situar as suas origens em épocas mais remotas, que vão até à ocupação mourisca, como nos indicam os topónimos de Castelejo, Castelo dos Mouros e também a Lenda da Moura Encantada. A freguesia de Pombal com a sua Igreja é instituída depois da Formação de Portugal, e incluía a aldeia de Paradela que ainda hoje lhe está anexa. O Morgadio dos Távoras possuía bens ali no Pombal.
A aldeia de São Lourenço está muito perto da linha de Caminho de Ferro do Tua, onde teve estação de comboio, possuindo as Caldas de S. Lourenço, com águas famosas e termais.
10h30: Visita ás freguesias de Selores, Lavandeira e Beira Grande (todas pertencem ao concelho de Carrazeda de Ansiães).
A freguesia de Selores fica situada mesmo no sopé do monte onde está o Castelo de Ansiães, mas para nascente, a cerca de 800 metros de altitude. Dista 7 quilómetros a Norte da margem direita do Douro.
No sopé e encosta sul do monte onde está implantado o Castelo de Ansiães fica situada a aldeia e freguesia de Lavandeira. Há assim dois montes que influenciam o povoado: a Serra da Vila e o Castelo (este a Norte das habitações). Daí a aldeia se estender desde o vale junto ao Ribeiro que vem de Selores até perto das muralhas do Castelo, e pela encosta acima. Nos tempos áureos do Castelo e Vila de Ansiães, Lavandeira era um simples lugar da freguesia de S. Salvador daquela Vila, acabando por ficar com o mesmo padroeiro, após em 6 de Abril de 1734 ter sido extinto o concelho de Ansiães. Passou nessa data a integrar o de Carrazeda de Ansiães, então criado. É a partir daí que Lavandeira se desenvolve mais e constitui uma Paróquia e freguesia independentes. agricultura é a actividade principal com produções de vinho, trigo, milho, azeite, frutas, em especial a maçã.
Beira Grande situa-se no cimo de uma montanha sobranceira ao Rio Douro, a cerca de 5 quilómetros e na sua margem direita. 
A estrada que a serve vai ter ao rio e segue pela marginal até à Senhora da Ribeira, Quinta do Lobazim e ao termo da Lousa para os lados da Cadima, a montante do Douro.
12h30: Almoço na Foz do Tua.
13h30: Passeio de carro pelo concelho de Alijó até ao Pinhão.
Alijó é um concelho deliciosamente privilegiado pela sua localização geográfica. Situado no coração da Região Demarcada do Douro, constitui um dos mais pitorescos e aprazíveis municípios da região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Caracterizado por um lado, pela belíssima paisagem vinhateira onde o escadario de socalcos verdejantes se espelha no esplendor do rio Douro, por outro, revê-se nas suas aldeias profundamente genuínas onde predomina ainda a tradição e a ruralidade de uma região de montanha. O Concelho de Alijó, possui uma riqueza patrimonial inesgotável; desde o património natural ao arquitectónico, religioso e arqueológico, Alijó é não mais do que uma amálgama de cores, sensações e surpresas aos olhos de quem o visita. Delimitado pelos rios Douro, Tua, Pinhão e Tinhela, este Concelho tem para oferecer belas paisagens.
O Pinhão situa-se no “Coração da Região Demarcada do Douro”, é ladeado pelos rios Douro e Pinhão, encontrando-se deste modo na rota do Vinho do Porto.Devido à sua situação geográfica, Pinhão tornou-se um importante entreposto comercial, sobretudo para o transporto do Vinho do Porto, primeiro em Barcos Rabelos , depois em vagões pela Linha do Douro e finalmente em camiões cisterna, o que permitiu a esta localidade um rápido desenvolvimento, alcançando o estatuto de centro económico geográfico da Região demarcada do Vinho do Porto. Hoje, o Pinhão, visando essencialmente o comércio e o turismo, oferece aos seus visitantes costumes, usos seculares, tradições, vindimas, adegas tradicionais, artesanato e sobretudo a famosa paisagem em socalcos das vinhas durienses. Esta localidade possui a nível de património uma Estação de Caminhos de Ferro ornamentada com azulejos oitocentistas, dos mais belos de Portugal, 24 painéis com motivos vitivinícolas, documentando a labuta do trabalhos durienses. A Ponte Rodoviária sobre o rio Douro projectada por Heifel no século XIX, a Ponte Metálica Ferroviária, Ponte Romana sobre o rio Pinhão, a Igreja Matriz, Cruzeiro, Barco Rabelo, velhos solares, Quintas com visitas em veículos de todo-terreno e sobretudo as paisagens durienses que convidam os turistas a visitas sazonais com especial realce para as vindimas e lagaradas.
14h30: Passeio de barco no rio Douro.

16h: Visita á Quinta do Seixo. 
A Quinta do Seixo está localizada no Cima-Corgo,no coração da Região Demarcada do Douro. Junto ao rio Douro perto do Pinhão, 
descobre-se facilmente esta antiga Quinta e sua moderna Adega perfeitamente integrada na paisagem.
Montes e Vales, moldados pelo Homem através dos Séculos em socalcos e terraços, criam um surpreendente contraste com a magnificiência do Rio Douro e apitoresca vila do Pinhão. Uma vista de cortar a respiração,numa constante mudança de cor e luz.

 

17h30: Fim do programa.
Preços:
Por pessoa em quarto:
  • triplo: 80 €
  • Duplo ou casal: 100 €
  • Individual: 125 €
O referido preço inclui: 2 noites de alojamento, 1 jantar, passeios e caminhadas referidos no programa, visita á Quinta do Seixo e seguro.
O custo da deslocação é por conta dos participantes. Há possibilidade de se combinar boleias para partilha de custos.
Possibilidade de alimentação vegetariana para quem o solicitar.
Para inscrições e mais informações enviar mail para migcostaper@gmail.com ou contactar 914907446 / 967055233.
Fonte: A Linha é Tua

publicado por Lacra às 16:02



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