Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
07 de Abril de 2010

 

 

A Inspecção-Geral de Educação (IGE) concluiu que a direcção da Escola Luciano Cordeiro, em Mirandela, não teve qualquer responsabilidade na morte do jovem Leandro Pires, de 12 anos, que há um mês saiu do estabelecimento durante o período de aulas e acabou por morrer afogado no Rio Tua. A Inspecção-Geral de Educação (IGE) concluiu que a direcção da Escola Luciano Cordeiro, em Mirandela, não teve qualquer responsabilidade na morte do jovem Leandro Pires, de 12 anos, que há um mês saiu do estabelecimento durante o período de aulas e acabou por morrer afogado no Rio Tua. O relatório considera que a direcção da Escola “presta atenção e actua” sempre que tem conhecimento de problemas com os alunos, não propondo, por isso, a instauração de “procedimento disciplinar a responsáveis na dependência directa do Ministério da Educação”, especifica a nota informativa. No entanto, a IGE deixa entender que possa haver responsabilidades a apurar junto dos funcionários, pelo que “serão extraídas certidões” dirigidas à direcção da Escola e à Câmara de Mirandela, que tem a tutela do pessoal não docente. Confrontada com esta informação do relatório, a vereadora da educação do Município de Mirandela confirma que o pessoal não docente passou para os quadros da autarquia, desde 2008, mas o município só tem responsabilidades no seu recrutamento, afectação, colocação, remuneração e homologação da avaliação de desempenho”, afirma Maria Gentil Vaz. Pelo que, o planeamento e a distribuição de funções do pessoal não docente é da exclusiva responsabilidade da direcção da Escola”, adianta. Assim sendo, o Município “vai solicitar ao director do Agrupamento escolar que averigúe as causas da eventual saída dos alunos pelo portão principal para apurar responsabilidades e cumprir com o que estipula a lei”, conclui a vereadora da educação.

 

Não houve bullying

Segundo o relatório divulgado, na passada terça-feira, pelo Ministério da Educação, Leandro saiu da escola, por volta das 13 horas, “presumivelmente através das grades da vedação”. Alguns colegas decidiram juntar-se a ele, saindo do estabelecimento de ensino pelo portão, “sem que tivessem sido impedidos”. Depois de ouvir 38 pessoas (directores da Escola, professores, alunos, funcionários, elementos da PSP e os pais), durante 12 dias, o inspector responsável pelo inquérito concluiu que Leandro Pires faltou à aula do meio dia, juntamente com dois colegas, e esteve envolvido em dois incidentes com outros alunos no interior da escola, sintetiza uma nota do Ministério da Educação divulgada hoje. Sem especificar o tipo de incidentes, a IGE não dá, no entanto, como provado que Leandro tivesse sido agredido nessa manhã ou, sequer, que o jovem fosse vítima de bullying como garantiram vários familiares e alunos da mesma turma. “Não acredito nestas conclusões, porque só dizem mentiras, é uma vergonha”. Foi esta a reacção de Amália Nunes, a mãe de Leandro, ao tomar conhecimento do relatório da IGE, revelando que vão avançar com uma acção em tribunal contra a direcção da escola. Não foi possível obter qualquer reacção por parte do director do Agrupamento, José Carlos Azevedo, que nunca chegou a falar sobre o caso, nem do presidente da Associação de Pais da Escola. No final da nota informativa, o IGE sublinha apenas “a necessidade de reforçar as condições de segurança na Escola, nomeadamente no que respeita à vedação do recinto e ao controlo de entradas e saídas”, o que já está a ser providenciado pela Direcção Regional de Educação do Norte.

Pais revoltados com ausência de responsáveis

Os pais de Leandro não conseguem disfarçar a revolta. “Deviam ter vergonha de dizer que o meu filho saiu pelas grades, quando toda a gente conta que saiu pelos portões”, diz Amália Nunes. Com a voz trémula e de mãos dadas com a filha, Amália não contém as lágrimas. “Eles só dizem mentiras, o problema é que o Leandro já não está cá para se defender”, afirma. “Todos sabem que ele era agredido constantemente e apesar de ter feito queixa na Escola, a direcção nunca se preocupou em resolver o problema”. Para Amália Nunes e Armindo Pires não restam dúvidas que a direcção da Escola é culpada pela saída do Leandro. “Quando deixamos os nossos filhos na Escola é com a ideia que eles estejam em segurança e não possam sair de lá até regressarem a casa”, refere Amália. A mãe da criança que desapareceu nas águas do rio Tua, há um mês, cujo corpo foi encontrado no dia 25 de Março, diz que vai conversar com um advogado e seguir para tribunal com a direcção da escola. “Nem que tenha de gastar o último cêntimo e até vender a casa, mas vou até às últimas consequências”, garante. Relativamente ao inquérito judicial, o Ministério Público ainda quer ouvir os pais de Leandro e só depois elaborar o respectivo despacho.

 

Fonte: Mensageiro Notícias



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