Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
04 de Fevereiro de 2010

Uma vez por semana, Benjamim Rodrigues troca o “fato” de presidente da junta pela bata de médico, profissão que exerce há vários anos, para atender aos problemas de saúde da população local. O autarca cumpre assim uma das promessas eleitorais do seu executivo: colocar os serviços de saúde mais próximos da população, e, ao mesmo tempo, oferece qualidade de vida a uma freguesia que é constituída, maioritariamente, por idosos.

A iniciativa surgiu após ter saído vencedor das últimas eleições autárquicas como candidato do PS. O anterior executivo, PSD, tinha já estabelecido um protocolo com entidades oficiais e outras juntas de freguesia para o encaminhamento da população local para a extensão de saúde de Izeda e comprometia-se a colocar transporte à disposição dos utentes.

“Tal nunca veio a acontecer e nunca se deu solução. As pessoas tinham de se deslocar de táxi à extensão de saúde de Izeda e nem sempre podiam ser atendidas”, contou, no entanto, o actual autarca.

Benjamim Rodrigues fazia, já na altura, parte da Assembleia Municipal local, mas como elemento da oposição. Durante a campanha autárquica, confrontado com as acusações de que seria o responsável pela perda do serviço médico na aldeia, comprometeu-se a iniciar novamente as consultas na localidade, terra natal dos seus progenitores.

“Para provar que me empenhei para que as pessoas tivessem  assistência, eu próprio providenciei a instalação de um consultório com periodicidade semanal, de acordo com a disponibilidade do médico”, explicou.

Com consultório montado no edifício da Junta local e com a ajuda de um enfermeiro, o médico ouve, todas as semanas, os problemas dos utentes que ali se deslocam. No local são feitos exames à glicemia,  às tensões arteriais, entre outros. Sempre que é necessário, o médico prescreve receitas e, quando possível, alguma medicação é cedida sem qualquer custo para os utentes. Uma vez por semana vai também à aldeia uma clínica privada de análises.

Cuidados de saúde que têm resultado numa melhoria da qualidade de vida dos moradores de Talhas. Segundo Benjamim Rodrigues, com esta iniciativa já se conseguiu fazer a triagem de pessoas gravemente doentes para o Centro Hospitalar do Nordeste.

“Já houve situações em que as pessoas tinham infecções graves, como pneumonias, e andavam completamente negligenciados. Foram encaminhados para o hospital, onde ficaram internados”, contou ao Mensageiro.

Noutras situações, conseguiu-se diminuir o tempo de espera, evitar a ida de pessoas para filas de espera para a prescrição de medicamentos e conseguiu-se ainda “vigiar” de perto a medicação dos pacientes.

 

Discriminação partidária?

O médico e presidente da Junta de Talhas só lamenta a falta de apoio que diz ter vindo a sentir por parte do executivo camarário de Macedo de Cavaleiros, eleito pela coligação PSD/CDS-PP.

Como um dos poucos autarcas socialistas do concelho, Benjamim Rodrigues considera que tem havido “discriminação” no tratamento entre parceiros políticos. Em causa está a dotação orçamental que, segundo afirmou, “é praticamente nula” e contempla apenas “o mínimo obrigatório por lei para manutenção da Junta.

“Curiosamente, o concelho de Macedo de Cavaleiros tem nas duas extremidades as juntas socialistas – na zona nascente, Talhas e na zona poente Vilarinho de Agrochão, são as chamadas ilhas que não têm apoio da câmara”, considerou.

O autarca diz ter um projecto para a requalificação do largo da aldeia, cujas obras foram iniciadas no mandato do autarca anterior mas que não foram concluídas, e para a implementação de um edifício de um só piso, multifuncional, para albergar o consultório médico, bem como outros serviços. Entre outros projectos, há ainda a intenção de criar um lar na freguesia, em localização a estudar.

“Temos várias obras em projecto e vamos tentar candidatá-las a outros tipos de financiamento. Neste momento, a câmara diz que não há disponibilidade de verbas, mas só não há para o nosso caso pois para as juntas de freguesia do mesmo partido político já há verbas”, acusou.

Benjamim Rodrigues considera mesmo que “o executivo camarário tem tido algumas atitudes condenáveis”, mas garante que tal não o faz desanimar.

Habituado a trabalhar em “situações mais adversas”, nomeadamente como médico voluntário no hospital central de Maputo, em Moçambique, Benjamim Rodrigues garante que continuará a trabalhar “em prol das populações”.

 

 Carla A. Gonçalves



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