Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
01 de Fevereiro de 2010

 Os alunos dos politécnicos portugueses vão poder passar a escolher Macau como destino de Erasmus. Foi assinado em Bragança um protocolo entre os institutos politécnicos e o homólogo macaense para iniciar a mobilidade entre alunos e docentes de ambos os países naquilo a que Sobrinho Teixeira, presidente do IPB e do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, chamou de “Erasmus Lusófono”.

O programa de mobilidade vai permitir enviar alunos de Portugal para Macau e vice-versa, mas não só. Com esta iniciativa pretende-se ajudar a manter a Língua Portuguesa na China e chegar a uma das maiores comunidades portuguesas do sudeste asiático – Malaca, com cinco mil descendentes lusófonos.

Sobrinho Teixeira assinou ainda um protocolo para a qualificação das escolas portuguesas que ainda existem em Macau e para a disponibilização de docentes para a República Popular da China onde, segundo Lei Heong Iok, presidente do Politécnico de Macau, há grande vontade de aprender a Língua Portuguesa.

Desde há 30 anos que o ensino da Língua e Cultura Portuguesa estava praticamente extinto no território chinês. Mas, nos últimos três anos, o interesse parece ter renascido e, segundo Lei Heong Iok, já há 15 universidades chinesas, espalhadas geograficamente por todo o território, a leccionar o curso de Português.

Este “Erasmus Lusófono” é uma iniciativa pioneira que, ao contrário do conhecido programa de mobilidade europeia, não terá financiamento garantido. No entanto, Sobrinho Teixeira entende que, por vezes, “é necessário ir na frente e motivar os políticos para o que é a realidade e quais as necessidades”.

 

Parcerias para África

 

Os politécnicos querem ir mais longe para atingir os objectivos da internacionalização a que se propuseram, (no contrato de confiança estabelecido com o Governo), e assinaram já protocolos com a Caixa Geral de Depósitos para criar parcerias em África, nomeadamente nos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP’s).

Pretende-se, assim, alargar o “Erasmus Lusófono” também a África e criar mestrados e gabinetes de empreendedorismo nos PALOP’s. A Caixa Geral de Depósitos vai financiar a afirmação do sistema politécnico nestes países e, em contrapartida, o sistema politécnico português compromete-se a arranjar parcerias em África com esta instituição financeira.

A qualificação dos estudantes do espaço lusófono e dos quadros da Caixa Geral de Depósitos são outras das metas estabelecidas pelos politécnicos, que pretendem lançar dois mestrados dentro da área financeira destinados aos PALOP’s.

 

Aposta no Ensino Agrário

 

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) reuniu ainda com os responsáveis de instituições do Brasil, de Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe para estabelecer uma espécie de Associação de Ensino Agrário ao nível dos PALOP’s.

O IPB já há alguns anos que está a colaborar com o Instituto Politécnico do Kwanza Sul, em Angola, na formação de docentes e na transmissão de conhecimentos ao nível da agricultura tropical. Actualmente, Angola está a lançar-se num grande programa de incentivo agrícola e de incentivo florestal e o IPB quer dar o seu contributo, através da qualificação e do ensino, conforme explicou Sobrinho Teixeira.

“Há aqui um grande trabalho que podemos fazer na disponibilização de recursos, no intercâmbio e na transmissão dos conhecimentos ao nível da agricultura tropical. Queremos fazê-lo dentro do conceito de Lusofonia, acoplando também o Brasil”.

A experiência no Politécnico de Kwanza Sul tem-se revelado bastante positiva e proveitosa. Segundo Manuel Spínola, responsável desta instituição angolana, este ano começam a sair os primeiros graduados ao nível do bacharelato nas áreas de Agronomia, Zootecnia e Gestão Agrária.

A grande aspiração, segundo contou, é consolidar os cursos e qualificar o pessoal docente ao nível do mestrado e do doutoramento, bem como formar os funcionários administrativos e dotar o instituto de equipamentos laboratoriais.

A consolidação do ensino agrário é visto como um desafio numa altura em que várias províncias de Angola e dos PALOP’s começam a despontar para o desenvolvimento desta área.

 

Carla A. Gonçalves

 

 

publicado por Lacra às 10:15



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