Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
15 de Janeiro de 2010

 O Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros têm em exposição um acervo de escultura e artes gráficas de Cruzeiro Seixas, considerado um dos maiores expoentes do Surrealismo português e o único representante ainda vivo deste movimento artístico em Portugal.

Pintor, escultor, ilustrador, cenógrafo e poeta, Cruzeiro Seixas é autor de uma vasta obra reconhecida nacional e internacionalmente. Em Portugal, parte do seu espólio artístico está exposto em importantes galerias e museus, nomeadamente no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian e no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado.

Cruzeiro Seixas nasceu em 1920, na Amadora, e frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde fez amizade com Júlio Pomar, Mário Cesariny, Marcelino Vespeira e Fernando de Azevedo, entre outros. Em meados da década de 40 do século XX passa por uma fase neo-realista, mas acabou por aderir ao Surrealismo, a partir de 1948, entusiasmado pelos manifestos de André Breton.

Com Mário Cesariny frequentou o Grupo Surrealista de Lisboa e, mais tarde, adere ao anti-grupo Os Surrealistas, fundado por Mário Cesariny, responsável pela I Exposição dos Surrealistas em Junho-Julho de 1949, e ao qual pertenciam também Mário Henrique Leiria, Pedro Oom, Eurico da Costa, Carlos Calvet, António Maria Lisboa, Fernando José Francisco, Risques Pereira e Fernando Alves dos Santos.

No início da década de 50 alista-se na Marinha Mercante e visita África, Índia e Ásia (Hong Kong). Em 1952 fixa residência em Angola, onde organiza uma polémica mostra individual, em 1953, ao mesmo tempo que se dedica a coleccionar arte africana, a montar exposições e a criar um salão de pintura no Museu de Angola.
Regressa a Portugal em 1964 e evidencia os caminhos plurais da sua carreira. Continua a fazer trabalho de ilustração, nomeadamente para capas de livros de poesia de Mário Cesariny, mas não abandona a obra pictórica. Expõe individual e colectivamente, destacando-se a mostra que reúne obras suas e de Mário Cesariny, bem como a participação na Primeira Exposição Surrealista de São Paulo, no Brasil, e a organização de uma primeira retrospectiva do seu trabalho, na Galeria Buchholz.

Nos anos seguintes viaja pela Europa e entra em contacto com nomes do Surrealismo internacional. Em 1969 integra a Exposição Internacional Surrealista (Holanda) e, no ano seguinte, expõe na Galeria de São Mamede. Simultaneamente, trabalha como programador nas Galerias 111 e São Mamede.
Radicado no Algarve, na década de 80, Cruzeiro Seixas opera como programador de várias galerias. A sua obra é também objecto de diversas exposições, de que se destacam a da Galeria Sacramento (Aveiro), com Eugenio Granell, e a da Fundação Eugenio Granell, em Santiago de Compostela, ambas em 2001.

Em 1999 oferece a sua colecção pessoal à Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, com o objectivo de constituir um Museu do Surrealismo e de um centro de investigação do movimento.

A exposição de Cruzeiro Seixas vai estar patente ao público até 28 de Fevereiro de 2010.



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obrigado Cris:)
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