Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
17 de Setembro de 2010

 

  

 

 

Agrupamentos e Conservatório foram confrontados com a informação já depois de seleccionadas as crianças para frequentar o regime articulado

 

Cerca de meia centena de crianças dos Agrupamentos Paulo Quintela e Augusto Moreno, da cidade de Bragança, vão perder o acesso gratuito ao Conservatório de Música, onde tinham ingressado pelo regime articulado depois de, em Julho, terem prestado provas.

As turmas já estavam constituídas, bem como os horários, quando as direcções dos Agrupamentos, a Câmara Municipal de Bragança e o próprio Conservatório, foram informados das novas directrizes. É que o Governo fez aprovar um Despacho a 3 de Agosto, com efeitos retroactivos, a partir de 5 de Julho, em que limita o financiamento dos cursos de iniciação e dos cursos básico e secundário em regime articulado, integrado e supletivo ministrados por estabelecimentos de ensino especializado da música da rede de ensino particular e cooperativo. Quer isto dizer que o financiamento para o ano lectivo de 2010/2011 não pode ser superior ao do ano anterior, o que limita a entrada de novos alunos. Com esta medida ficam goradas as expectativas da autarquia brigantina de ter 200 alunos a frequentar o regime articulado no Conservatório de Música.

“Fizemos a candidatura cientes que continuaria a haver financiamento correspondente ao custo com os professores, porque o município, através da Fundação Os Nossos Livros, sustenta outros encargos relacionados com a parte pedagógica, administrativa, financeira, entre outros”, explicou o presidente da câmara, Jorge Nunes. A suspensão da possibilidade de ampliação do financiamento a mais turmas em regime integrado faz com que apenas uma turma continue a funcionar nestes moldes, o que, no entender do autarca, mais uma vez vem prejudicar o interior. “O município fez todos os esforços possíveis. Chegamos a questionar a Direcção Regional de Educação do Norte se, face às orientações do Pacto de Estabilidade e Crescimento, ocorreriam eventuais restrições financeiras ao nível do ensino articulado, tendo-nos sido salientado que não. Temos pena porque era uma oportunidade muito importante para os jovens, uma vez que começamos mais tarde a este nível”, apontou.

Jorge Nunes entende mesmo que outros municípios, como a Maia ou o Porto, não terão sido tão afectados por esta medida, pois já há vários anos que tinham o Conservatório em funcionamento.

Mas mais frustrados ficaram os pais, encarregados de educação e as próprias crianças que contavam ingressar, pela primeira vez, no Conservatório e que, desta forma, poderão ver essa expectativa defraudada. A notícia apanhou todos de surpresa, inclusive as direcções dos Agrupamentos Escolares que tiveram de comunicar a informação aos encarregados de educação a poucos dias do início do ano lectivo.

“Quando tivemos a informação já o ano lectivo estava organizado, fomos surpreendidos com esta notícia muito desagradável para nós, para os pais e principalmente para os alunos que criaram expectativas e que, deste modo, não conseguem ter acesso ao regime articulado”, contou Luís Freitas, presidente do Agrupamento Escolar Paulo Quintela.

“Eu fui chamada a uma reunião na escola e pensei que seria por causa dos horários. Fomos apanhados de surpresa”, comentaram, no final de um encontro realizado na Paulo Quintela com encarregados de educação, dirigentes do Agrupamento e responsáveis do Conservatório.

José Rodrigues, outro dos encarregados de educação presentes, considerou mesmo que houve, por parte do Governo, uma “falta de respeito” por toda a comunidade educativa, sobretudo pelas crianças. “As crianças criaram expectativas e, agora, só aquelas que têm posses para pagar as propinas do conservatório é que vão poder ingressar, isto se tiverem vagas. Estão a criar elites e a desinvestir no futuro da região”. As próprias crianças que acompanhavam os pais mostraram-se desalentadas com tal novidade: “Prestamos provas para entrar no conservatório, mas parece que já não vamos ter aulas”.

Sabe-se que ainda há vagas para os alunos que se queiram inscrever no regime supletivo, mas as propinas são apenas financiadas em 50 por cento, cabendo aos pais/encarregados de educação o pagamento de 100 euros mensais. “Quem legislou, acabou com o sonho de muitas crianças e esqueceu que há quem precise”, reclamava José Rodrigues. Alguns partidos com assento na Assembleia da República já pediram explicações ao Governo, como foi o caso do PSD, do PCP ou do Bloco de Esquerda. O grupo parlamentar do PSD considera mesmo que esta medida vai fazer “ressurgir” um fosso, em termos de igualdade de acesso, entre os alunos que beneficiam da possibilidade de frequentar uma escola pública de ensino especializado em música e aqueles que, por razões diversas, nomeadamente geográficas, não o podem fazer. Uma opinião partilhada pela Federação Nacional de Professores que salienta, também, o prejuízo que esta medida traz para a região interior.

O Conservatório de Música de Bragança abriu portas há seis anos, mas só no ano lectivo de 2009/2010 é que se iniciaram os cursos em regime articulado, com um total de 27 alunos. Ainda assim, no ano lectivo anterior, a instituição foi responsável pela coordenação pedagógica das Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC’s) no ensino de Música às mais de 950 crianças do 1º ciclo do ensino básico do concelho. Ao todo, no ano lectivo passado, foram mais de mil os alunos que frequentaram o Conservatório, entre alunos das AEC’s, do regime articulado e da própria instituição.

 

 

Carla A. Gonçalves/Mensageiro Notícias

 

 
publicado por Lacra às 11:48

Este Sábado vai ser promovida uma vigília pela Linha do Tua, em Lisboa, no Largo Camões, entre as 18 e as 24 horas. As entidades promotoras desta iniciativa são: o Movimento de Cidadãos em Defesa da Linha do Tua; o Movimento Cívico pela Linha do Tua; A Associação de Amigos do Vale do Rio Tua e o Partido Ecologista “Os Verdes”. A Vigília pretende aproveitar a “Semana Europeia da Mobilidade” para reafirmar, perante o poder central, o direito das populações transmontanas à mobilidade e o importante contributo que esta via-férrea deu desde a sua inauguração há 123 anos atrás, para essa mesma mobilidade e para o desenvolvimento do Vale do Tua. Num momento em que, após uma longa luta, foi oficialmente reconhecido o valor patrimonial de excepção desta Linha, com a abertura do processo de classificação pelo IGESPAR, as quatro entidades que estão na origem da Vigília consideram que é mais que nunca importante que as populações do Vale do Tua, que os transmontanos, que todos os defensores da Linha do Tua, façam ouvir a sua voz em Lisboa, para fazer face à ameaça de submersão que continua a pesar, sobre esta via-férrea. Neste sentido, estes defensores da Linha do Tua estão a envidar esforços para que as entidades e cidadãos que têm defendido ou estão disponíveis para defender a Linha do Tua marquem presença em Lisboa, e para isso estão a organizar autocarros a partir do Distrito de Bragança.


“Remédios Santos” é a nova peça da companhia de teatro Peripécia que sobe ao palco do auditório do Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros já amanhã, Sábado, dia 18 de Setembro.

São 80 minutos de comédia e sátira sobre a incapacidade dos cidadãos renunciarem a um comprimido para curar uma leve dor de cabeça ou a um xarope especifico para uma tosse inofensiva.

O “Remédio Santo”, o remédio do povo, ou aquele que é vendido indústria farmacêutica, aparecem em histórias cómicas, com sucessivas personagens, que poderão deixar algumas interrogações.

Os canapés, o champanhe francês e as viagens paradisíacas são motivos suficientes para convencer os médicos mais cépticos a ouvirem os ensinamentos dos técnicos de vendas das grandes companhias farmacêuticas. Esta indústria, geradora a nível mundial de quase tantos lucros como a banca, é aqui ridicularizada, colocando a nu os seus jogos de bastidores.

Este espectáculo é criado e interpretado por Ángel Fragua, Noelia Domínguez e

Sérgio Agostinho, com iluminação de Paulo Neto, adereços e cenografia da

responsabilidade de Zétavares. “De Santo não tem nada, mas o Riso continuará a ser mesmo o melhor Remédio.”

O espectáculo é já este Sábado, às 21h45, no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros.

publicado por Lacra às 08:00

A autarquia de Miranda do Douro instituiu o dia 17 de Setembro como o Dia da Língua Mirandesa. Numa altura que passam mais de dez anos da oficialização do Mirandês como segunda língua oficial de Portugal, o município pretende promover o debate sobre o futuro, o presente e o passado.

Durante a tarde, o especialista Amadeu Ferreira vai abordar os mais de mil anos da Língua Mirandesa, numa palestra que deve ser muito participada.

Também os desenhos originais do livro “Mirandés – stória dua léngua i dum Pobo”, do Mestre José Ruy, vão estar em exposição, a partir de hoje e até ao dia 30 de Setembro, no pavilhão da Escola Secundária de Miranda do Douro.

São trinta pranchas em formato A3 que demonstram todo o trabalho executado pelo autor da obra em banda desenhada.

À noite, numa sessão solene, será apresentado o livro dos “Lusíadas”, de Luís Camões, traduzido para mirandês.

 

A Lhéngua Mirandesa


Ameaçada de extinção, a Língua Mirandesa conseguiu permanecer num território de 500 quilómetros quadrados, marcado pela despovoação, à conta da interioridade.

A especificidade de ser uma Língua minoritária que nunca esteve associada a movimentos independentistas, como acontece em outros países, levou a que, há onze anos atrás, todos os deputados com assento na Assembleia da República votassem favoravelmente a sua oficialização, deixando, assim, de ser designada como dialecto.

De tradição oral, foi longa e intensa a luta para conseguir chegar a uma Convenção Ortográfica que permitisse a tradução de livros para mirandês, a escrita em mirandês e o próprio ensino. Hoje, depois de tantos anos, são cada vez mais os interessados em aprender o falar de um povo orgulhoso da sua cultura. A par com os mirandeses que têm cada vez mais “proua” na “lhéngua”, chegam agora portugueses de todos os pontos do país interessados em aprender aquela que é a segunda língua oficial de Portugal.

Com um tronco linguístico comum – o Latim -, a Língua Mirandesa distingue-se do Português por provir do Asturo-leonês, enquanto que a língua mãe provém do Galaico.
A influência do antigo reinado asturo-leonês fez com que, aquando da independência de Portugal, Miranda do Douro continuasse isolada, recebendo mais influências dos caminheiros de Santiago, dos pastores dos lados de Leão, dos contrabandistas ou dos ceifeiros.

A evolução histórica e política do país manteve o isolamento do concelho o que, por seu lado, ajudou a manter a Lhéngua nas Terras de Miranda.

No entanto, foram várias as tentativas de extinção da Língua. No século XVI, com a ascensão de Miranda do Douro a cidade foram muitos os letrados que se radicaram ali e que tentaram combater o mirandês. Anos mais tarde, já no século XIX, a língua foi dada a conhecer ao mundo por José Leite Vasconcelos, um português que, no ensino superior, teve como amigo e companheiro Branco Castro, natural de Duas Igrejas. Curioso com as histórias que o amigo contava, quis ir conhecer “in loco” a realidade. José Leite Vasconcelos foi o primeiro a escrever em mirandês, baseado apenas na fonética e na pronúncia de Duas Igrejas. Foi ele que deu a conhecer ao mundo a existência de uma segunda língua em Portugal, escrevendo a obra “Dialecto Mirandês”, uma investigação premiada a nível europeu. Mais tarde, já nos anos 50 (século XX), com a construção das barragens do Douro e a vinda de milhares de trabalhadores, o Mirandês adquiriu um sentido “pejorativo”.

Ainda assim, muitos mirandeses, orgulhosos da sua cultura materna, lutaram pela dignificação e reconhecimento da Língua que aprenderam de berço. Júlio Meirinhos, era então presidente da câmara quando, nos ano 80, lançou o desafio a Domingos Raposo de apresentar ao Ministério da Educação argumentos válidos para que a disciplina constasse dos currículos escolares do concelho, como disciplina opcional. “Na altura achei utópico”, confessou Domingos Raposo, pois nunca imaginou que o Ministério da Educação abrisse uma excepção. A surpresa foi a resposta positiva e, a partir de 1986/87, o Mirandês passou a ser uma disciplina opcional dos conteúdos programáticos leccionados no concelho. Anos mais tarde, num Seminário Linguística organizado em Miranda, concluiu-se que era necessário estabelecer uma Convenção Ortográfica, eliminando as regras mais complicadas e reduzindo a variação gráfica existente, própria de uma língua que sempre foi oral. Na Convenção estabeleceu-se ainda as variantes da Língua: o Mirandês raiano; central e sendinês.

No universo de alunos que frequentam o Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro, 50 por cento frequenta a disciplina, mostrando orgulho e apego às raízes. 



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