Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
31 de Maio de 2010

Clícia Queiroz e Carolina Cadavez (júnior), da Associação de Desportos de Combate de Macedo de Cavaleiros (ADCMC), conquistaram o título de campeãs nacionais de Kickbox, em Light-Contact, na segunda fase do Campeonato Nacional, realizado neste Sábado, em Guimarães.

A ADCMC contou com a participação de cinco atletas num campeonato que reuniu centenas de participantes de todo o país. Mais uma vez, os atletas nordestinos realizaram excelentes exibições tendo vencido quatro dos sete combates disputados.

Clícia Queiroz, (+65 kg), manteve-se, mais uma vez, invicta na modalidade de Light-Contact,  tendo vencido mais dois combates e alcançando o título de Campeã Nacional em mais duas grandes exibições em que não deu qualquer hipótese às suas adversárias.

Também Carolina Cadavez, (-60 kg), fez uma boa exibição. Com apenas sete meses de treino e a participar pela primeira vez num Campeonato Nacional, a atleta alcançou  o título de Campeã Nacional na categoria de júnior, a que se soma o título de campeã do Campeonato Regional.

Um bom desempenho teve também Hélder Ferreira, (-74 kg), que se classificou em terceiro lugar numa categoria onde se encontravam grandes nomes do Kickboxing Nacional. Ainda assim, o atleta surpreendeu pela sua versatilidade e capacidade de se bater com qualquer adversário tendo vencido os quartos de final num grande combate em que mostrou superioridade.

Hélder Ferreira foi depois eliminado nas meias finais num combate equilibrado que deixou dúvidas e que poderia ter pendido a seu favor. Apesar de ter sido o seu primeiro Campeonato Nacional e de ser o atleta mais baixo da sua categoria, Hélder Ferreira mostrou ser um “gigante” no que diz respeito à sua entrega e qualidade técnica e táctica.

A participar pela primeira vez num Campeonato Nacional esteve também Daniel Martins, (-84 kg), que realizou o seu melhor combate até ao momento. O atleta mostrou à vontade e disputou bem o combate tendo dificultado o trabalho dos árbitros na hora da decisão final. Apesar de ter sido derrotado, Daniel Martins fez uma boa exibição e alcançou o 5º lugar.

Dúvidas nos árbitros deixou também a atleta Tânia Afonso, (-55kg), que venceu o combate nos quartos de final mas, devido a protesto do treinador da sua adversária, acabou por ver a vitória pender para a sua adversária. Para quem assistiu ficou claro que continuam a existir “dois pesos e duas medidas” como explicou o mestre Luís Durão.

“O combate foi muito disputado e a adversária fez muitas faltas, empurrando durante todos os assaltos. Ainda assim, os árbitros validaram o protesto”, explicou Luís Durão, apontando que, em outras ocasiões, com situações semelhantes, os protestos da ADCMC nunca foram aceites.

Ainda assim, Tânia Afonso fez uma boa exibição e classificou-se na 5ª posição.

Com estes resultados a ADCMC conseguiu uma “época perfeita” coroada com o título máximo do Kickboxing Nacional. Nesta época desportiva, (2009/2010), pela primeira vez, a ADCMC apurou todos os atletas inscritos. Nos Campeonatos Regionais participaram seis atletas e foram obtidos quatro títulos de campeões regionais e dois vice-campeões.

Nos Nacionais, os mesmos seis atletas conseguiram três títulos de campeões nacionais, um terceiro classificado e dois quintos lugares, prova do bom trabalho técnico realizado pelo mestre Luís Durão.

 

publicado por Lacra às 10:11
29 de Maio de 2010

Freixo de Espada à Cinta vai receber, neste domingo, dia 30 de Maio, o Círculo de Agentes de Viagens (CAV), que congrega como sócios operadores turísticos e agências de viagens, para a realização de um périplo pelo concelho.

Esta é a primeira vez que os sócios da CAV visitam o concelho, numa iniciativa que resultou de uma reunião com a câmara municipal e que visa incentivar os agentes e operadores turísticos a criarem pacotes de viagens e a promoverem visitas de grupo no concelho freixenista.

O circuito contempla uma visita ao centro histórico da vila mais manuelina de Portugal, ao Museu Regional Casa Junqueiro, e ao Museu Território – Casa da Cadeia. Será ainda realizada uma viagem de barco pelas águas internacionais do rio Douro e uma deslocação ao miradouro do Penedo Durão, inserido em pleno Parque Natural do Douro Internacional e onde se podem observar algumas espécies de aves em vias de extinção, como é o caso da cegonha negra, os gripos, a águia de Bonelli ou os abutres.

O CAV, entre outros objectivos, visa motivar os associados a conhecer aquilo que vendem ou propõe aos seus clientes, dando maior segurança e credibilidade na informação turística divulgada.

 

publicado por Lacra às 14:01
28 de Maio de 2010

A nutricionista Elsa Feliciano explica por que motivo os vegetais devem fazer parte da nossa alimentação diária e elucidar sobre o que temos / podemos fazer para garantir o consumo das doses recomendadas, 3-5 doses de vegetais por dia. 

 

As ervilhas são ricas em ácido fólico. Os espinafres são apreciados devido ao elevado teor de quercitina, um fitoquímico com propriedades antioxidantes. Em comum os vegetais têm o facto de serem muito nutritivos e cheios de vitaminas, quando consumidos ou conservados pouco tempo após a sua colheita

Todos sabemos o bem que o consumo regular de vegetais faz ao organismo. Regularizam os intestinos, reforçam o sistema imunitário, ajudam a reduzir o mau colesterol… No seu todo constituem uma fonte natural de fibras, vitaminas (A, do complexo B, C, E), sais minerais e antioxidantes. Individualmente, cada vegetal tem propriedades nutricionais únicas. Por isso se aconselha o consumo regular e variado de forma a tirar partido de todos os seus benefícios nutricionais. Para além de todas estas vantagens, o facto de terem poucas calorias fazem destes alimentos uma opção saudável e colorida que se traduz em benefícios imediatos para a saúde. Já para não falar nas vitaminas, essenciais em inúmeras funções metabólicas, tais como a libertação e utilização da energia.

O problema é que a falta de tempo para ir às compras acaba por afastar estes alimentos da mesa dos portugueses, já que muitas famílias esquecem-se da alternativa dos vegetais congelados. E por que são boa opção? Quando colhidos e congelados em poucas horas, os vegetais congelados conseguem preservar uma maior quantidade de nutrientes, nomeadamente de vitaminas, nutrientes muito sensíveis que importa preservar. Tal como acontece com outros alimentos, a conservação a baixas temperaturas garante a qualidade, sabor e frescura dos vegetais durante mais tempo, e a possibilidade de consumi-los em qualquer momento.


À MESA… COM AS VITAMINAS!

No caso dos vegetais verdes-escuros, como os brócolos e os espinafres, a congelação permite fixar até 80% da quantidade de vitamina C. No caso do feijão verde, a retenção pode ir até aos 100%, quando comparados com os produtos frescos expostos nas bancas dos mercados. O mesmo se passa nos alimentos que contêm beta-caroteno (caso das cenouras, abóbora), em que a percentagem de provitamina A retida é também superior nos vegetais congelados, quando comparado com os produtos frescosOu seja, se o vegetal tiver sido congelado poucas horas depois se ter sido colhido, consegue garantir a preservação dos seus nutrientes.

E porquê? Desde que são colhidos, os vegetais frescos são expostos a inúmeros factores externos - luz, humidade, temperaturas - que interferem com a composição do alimento, conduzindo à perda gradual de alguns nutrientes, em especial as vitaminas. Isto significa que quando efectivamente os confeccionamos, podemos já não estar a usufruir de toda a sua riqueza nutricional.

Por outro lado, está  também comprovado que, mesmo quando comprados frescos, os vegetais não são consumidos de imediato e acabam por ficar, vários dias no frigorífico antes de serem consumidos. Por cada minuto, hora ou dia que passa desde o momento que são apanhados até serem consumidos, os vegetais perdem nutrientes, ficando bastante empobrecidos. É o caso das vitaminas, em especial a vitamina C, hipersensível a todos estes factores ambientais, que começa a “perder-se” logo no momento da colheita. A vitamina C acaba por ser um indicador da frescura dos vegetais e uma referência relativamente aos outros nutrientes. 
 

EXPLOSÃO DE SABOR E DE SAÚDE

Os vegetais são alimentos que ficam bem em qualquer lugar. Ou seja, permitem inúmeras combinações saborosas com o peixe, a carne, as massas ou as saladas. Se se cumprirem as recomendações nutricionais, que apontam para a ingestão de cinco peças de vegetais, por dia, percebemos que a ingestão de 3-5 doses de vegetais não atinge sequer as 100kcal. Muito pouco se pensarmos nas mais-valias para a sua saúde, por isso se afirma que os vegetais são alimentos de grande densidade nutricional.

Então, quais as vantagens dos vegetais congelados quando comparado com os produtos frescos ou refrigerados?

  •  
    • Os vegetais são colhidos apenas quando estão maduros, evitando que o alimento amadureça à força;
    • Imediatamente após a colheita, os vegetais são limpos, escaldados e congelados de forma a preservarem a maior quantidade de nutrientes
    • Podem ser consumidos em qualquer momento, com a frescura e sabor que teriam quando acabados de colher;
    • O processo de congelação, desde que executado poucas horas após a colheita, retarda a perda dos nutrientes e a acção nefasta de microorganismo; 
    • Sem aditivos para garantir a sua conservação;
    • Possibilidade de ter sempre disponíveis vegetais fora de época;
    • Fáceis de preparar (já estão prontos a cozinhar);
    • Ocupam menos espaço no frigorífico;

Como vê, não há motivo para não os consumir mais vezes! E não se esqueça, é na variedade e na cor que estão os benefícios para a sua saúde.    

 

Texto da autoria da nutricionista Elsa Feliciano


A justiça ainda é cara, não só pelas custas judiciais que, no entender de Leonel Gonçalves, presidente da delegação de Bragança da Ordem dos Advogados, são “absolutamente proibitivas”, como por todos os custos associados aos processos e que resultam, muitas vezes, num arrastar de tempo que fazem que, “quando a justiça chega, já não seja verdadeiramente justiça”. Declarações prestadas à margem das comemorações da Ordem dos Advogados, às quais a delegação de Bragança se associou, promovendo, no dia 22 de Maio, o dia da consulta jurídica aberta. Apesar da pouca adesão, a cerca de dezena de pessoas que procurou os serviços prestados, nesse dia, pela delegação da Ordem apresentou, sobretudo, questões de direitos reais e questões de natureza civil. “A maioria dos casos colocados esteve relacionado com a delimitação de propriedades, marcos, passagens, entre outras. Houve algumas questões de natureza criminal relacionadas com as injúrias, boatos, furtos”, contou. O alerta deixado por Leonel Gonçalves é para que os cidadãos procurem os advogados “numa atitude preventiva”, ao invés do que ainda acontece. “Ainda está arreigado no espírito das pessoas o ir ao advogado numa atitude reparadora, quando o mal já está feito, quando se devia pensar em ir numa atitude preventiva, de aconselhamento”. Leonel Gonçalves aproveitou ainda para lembrar que é sempre possível solicitar junto dos serviços da Segurança Social a nomeação de um advogado, nomeadamente quando as pessoas não têm posses para o fazer. Já sobre a “lentidão” da justiça, o responsável considera que a questão é “de natureza política” e de difícil resolução. O presidente da delegação de Bragança lembra que já não é a primeira vez que o Governo, através do ministro da tutela, propõe reformas ao sector que se traduzem em alterações que nem sempre são positivas. Exemplo disso é o regulamento das custas processuais, em vigor desde Abril do ano passado, e que, segundo Leonel Gonçalves, “veio aumentar exponencialmente os custos”. O advogado considera ainda que em Portugal “legisla-se por tudo e por nada”. “Sai agora um diploma e, passado uma semana, é capaz de ser revogado. Isso cria incerteza, insegurança e instabilidade nas relações jurídicas que só uma reforma de fundo poderia resolver”, afirmou. A delegação de Bragança da Ordem dos Advogados, situada junto à igreja de São Tiago, no Campo Redondo, conta com 66 profissionais inscritos, dos quais 45 estão a exercer na comarca de Bragança.
27 de Maio de 2010

José Augusto Santos podia ser o “homem dos sete ofícios”. Desde que se levanta, de manhã, até ao final do dia, não pára a não ser para comer. Com 83 anos, nada se lhe mete pela frente, haja “saúde” e “força de vontade”. Um exemplo de jovialidade para quem o rodeia, mas não para José, a quem o trabalho não o poupou e a quem, hoje, o tempo livre “é de sobra”.

Depois de 12 anos à frente da Junta de Freguesia de Rebordãos, a última actividade profissional que desempenhou, José decidiu dedicar-se ao artesanato, à escrita, à agricultura, às caminhadas, ao convívio com os amigos, à vida.

Num pequeno atelier, ao lado da casa que ele próprio construiu, dá largas à imaginação com a madeira. O próprio torno que usa foi “inventado” por ele próprio: leva o motor de uma máquina de lavar inutilizada e, a poli, que liga a correia à madeira, é o cubo de uma motorizada que também estava no lixo. José garante que “funciona bem” e é ali que vai criando os antigos moinhos da sua infância, os tradicionais carros de bois, as pequenas casas da Sagrada Família.

Tudo o que faz é apenas para oferecer aos muitos amigos que fez, e continua a fazer. Nesse mesmo atelier, José ainda guarda a documentação dos tempos em que esteve na Junta de Freguesia. Homem simples e de fé, foi com surpresa que se viu, em 1982, a encabeçar uma candidatura. Tinha regressado de Moçambique, onde viveu quase 20 anos com a mulher e os três filhos. De volta à terra natal, construiu a sua própria casa, tendo também sido da autoria dele a planta. Os vizinhos e familiares contrataram os seu serviços e foi responsável pela construção de várias moradias na povoação. Andava nesses trabalhos quando o então presidente da Junta o informou que o colocaria a encabeçar uma lista porque se queria retirar da vida política.

“Eu disse que não percebia nada de política mas ele dizia que não tinha nada que perceber, que o importante era que as pessoas me aceitavam bem”, relembrou. “Até estava receoso porque nunca me tinha metido nessas coisas, mas fiz três mandatos e ainda consegui fazer algumas obras”.

Durante os 12 anos em que esteve à frente da autarquia local, José recorda bons e maus momentos, a amizade que fez com os então presidentes da câmara de Bragança, primeiro José Luís Pinheiro, mais tarde Luís Mina; o carinho da população, mas também os problemas e a confrontação com o “poder”.

“Às vezes as pessoas pediam-me coisas que eu não podia fazer e não compreendiam quando lhes explicava que não podia. Algumas achavam até que eu podia fazer tudo e vinham ter comigo....”, contou.

Mas antes disso, José Augusto teve uma vida feita de suor e muito trabalho. Com apenas doze anos de idade, iniciou actividade como pedreiro, nos serviços florestais que então se tinham implementado na cidade, em 1935.

José vivia na aldeia de Rebordãos, com a mãe e dois irmãos e passava os dias entre a ajuda na lavoura e a construção dos seus próprios brinquedos pois, na altura, nem os havia e “nem que houvesse, não havia dinheiro para essas coisas”. Numa casa ao lado da sua vivia o “mestre dos serviços florestais” que, vendo a arte e engenho do pequeno, o aliciou a começar o trabalho.

“Gostou muito de mim e foi como um verdadeiro pai, ensinou-me a trabalhar”, recordou.

Na época “havia poucos artistas”, muitos tinham partido para as “terras do minério, como Paredes” e José Augusto era estimulado a aprender. Ascendeu a encarregado de obras e, desse tempo, há ainda recordações bem físicas: as casas florestais da serra de Montesinho, da serra da Nogueira, da Lombada, da Serra da Coroa, entre outras. Casas que, hoje em dia, José visita acompanhado de um dos três filhos.

“Poucas estão recuperadas, o que é pena. Eram casas muito boas”, lamenta.

Já maior de idade, casado e com três filhos, chegou a habitar uma dessas casas, em Gondesende. O trabalho era bom, tinha casa e algumas terras que podia cultivar. Apesar de estar longe da terra natal, gostava de ali viver e também ali fez amigos.

 

Passagem por África

Muitos aliciavam-no a aventurar-se por África onde, então, Portugal tinha colónias. Nunca pensou em partir até perder a mãe. Na correspondência com um familiar, repensou. Se continuasse em Gondesende, não teria possibilidades de colocar os três filhos a estudar.

“Naquele tempo não havia transportes como hoje e para os por aos três a estudar teria de pagar uma pensão”.

Ainda assim, a passagem de avião para Moçambique ainda era cara. Sem um contrato de trabalho, José tinha que pagar a viagem de ida e volta, como turista. Se ao fim de meio ano não conseguisse um emprego, teria de regressar.

“Diziam que aquilo era Portugal mas não era bem assim”.

Para partir, José teve então de recorrer à ajuda financeira do primo e teve de vender uma bicicleta motorizada, “um luxo, naquela época”. Chegado a Lourenço Marques, actual Maputo, empregou-se na construção civil e passou “um mau bocado”.

“Tive uma vida difícil quando lá cheguei. Encontrei um serviço de escravatura e ficava revoltado com certas coisas”, contou. Se não fosse o facto de dever dinheiro, “o único dinheiro que pediu emprestado em toda a vida”, teria regressado de imediato, mas assim não teve outro remédio que não fosse “aguentar”.

Insatisfeito, procurou ingressar nos caminhos-de-ferro e, depois de alguns pedidos e entrega de papelada, conseguiu a função de bagageiro e foi colocado no caminho de ferro da Beira, um porto de mar a quilómetros da capital. Aí conseguiu subir na carreira e chegou a condutor de primeira, ou seja, era dela responsabilidade de todos os movimentos que o comboio efectuasse.

Com a independência das colónias muitos foram os que regressaram a Portugal, mas José deixou-se ficar. “Os meus filhos andavam na universidade e não fazia sentido vir sem eles”.

Assinou então um contrato por mais dois anos, com os governos de Portugal e Moçambique. Poucos portugueses, na mesma situação, aguentaram cumprir o contrato até ao fim. É que, segundo se lembra, “havia muito ressentimento”. Quando os filhos quiseram vir para Portugal, José decidiu também regressar embora garanta que nunca lá teve problemas. Voltar a Portugal levou a que perdesse a casa para o Estado moçambicano e que, já na terra natal, fosse visto como “retornado”, um termo que nunca o ofendeu embora confesse que chegou a “ouvir cada uma...”.

Com 52 anos, José integrou os quadros portugueses da CP mas nunca foi chamado a prestar serviço. Ainda se recorda de ver passar os comboios e do sentimento de “estranheza” por ver que a terra natal pouco tinha evoluído.

“Lá os comboios levavam 500 ou 600 passageiros e os comboios de cargas tinham vagões que levavam aí umas 40 toneladas. Cá via-os passar com uma ou duas pessoas, não me pareceu que fosse viável”.

Decidido a construir a sua própria casa num local agradável, depressa começou a receber propostas de trabalho de familiares, vizinhos e amigos para que regressasse à construção civil.

“Ainda era novo, tinha que fazer alguma coisa”.

O pouco tempo livre que ia tendo, aproveitava-o a escrever os seus poemas e as suas histórias. Aproveitava ainda para ler e, se tivesse mais umas horinhas, ainda conseguia dedicar-se ao artesanato.

“À noite aproveitava para ler e escrever um bocadinho, quando me apetecia. Quando estava em Moçambique não me sobrava muito tempo porque trabalhávamos, às vezes, 20 horas. Mas lia os livros da escola dos meus filhos”, contou.

 

Um livro de poemas

A sua dedicação à literatura e à escrita só seria maior quando foi eleito presidente da junta. Escreveu sobre a sua terra natal, sobre o património existente, sobre si próprio até. Na casa paroquial encontrou o registo de baptismo e descobriu que tinha sido sopiado em criança – um uso das terras transmontanas e minhotas. Significa isto que quando nasceu, teve de ser baptizado “à pressa” por alguém católico porque corria risco de vida.

Escreveu sobre isso também e sobre os tempos de solteiro, sobre os seus sentimentos, sonhos e esperança. Quando perdeu a esposa, escreveu ainda mais, num desejo de ocupar ao máximo o tempo livre e o espaço deixado vazio.

Um dia, um dos seus filhos perguntou-lhe em que passava o tempo. Mostrou-lhe então o que escrevia. Tinha tudo passado à máquina, na primeira máquina que teve e que comprou ainda em Moçambique.

O filho, sensibilizado, decidiu então levar-lhe um computador e ensinar o pai a trabalhar com as novas tecnologias. José garante que ainda hoje “não sabe trabalhar com o computador”, mas é com destreza que mostra, orgulhoso, algumas fotos tiradas no Centro Social de Rebordãos e alguns poemas que vai escrevendo.

No Natal de 2009, José teve a grande surpresa da sua vida: os filhos ofereceram-lhe um livro com todos os seus poemas e textos que escreveu.

“Eu quando abri e vi até comentei – olha que engraçado, um autor com o mesmo nome que eu! Só depois vi que eram os meus poemas, fiquei muito emocionado”, contou.

São mais de duzentas páginas às quais José poderia acrescentar ainda mais com o que tem escrito nos últimos meses.

“É como passo tempo”, diz com a simplicidade de quem apenas se senta para comer. Nos dias em que o tempo permite, vai a pé até ao Centro Social ou aproveita para tratar da horta e dos castanheiros. Este ano ainda não pegou na bicicleta, embora confesse que já tem vontade. Recentemente terminou de ler o romance “Fúria Divina” e está já curioso com os livros que um dos seus filhos lhe prometeu trazer.

No seu pequeno atelier tem ainda em mãos duas casas da Sagrada Família e um carro de bois em miniatura para finalizar.

Embora receie que a idade lhe comece a pesar, José acredita que enquanto tiver força de vontade, o espírito permanecerá sempre jovem.

 

 

26 de Maio de 2010

As Federações do PS reuniram-se, ontem, com Sócrates para debater as presidencias. Mota Andrade, presidente da Federação da Bragança, não hesitou em afirmar estar "seguro" que as estruturas estarão ao lado da candidatura de Alegre, nas próximas eleições presidenciais. O presidente da federação de Bragança, o primeiro a organizar uma iniciativa de apoio a esta candidatura, não escondeu o seu apoio ao histórico socialista, mas nem todos no PS parecem estar do mesmo lado.

Vários dirigentes deixaram críticas duras ao candidato poeta e deixaram transparecer muitas dúvidas sobre um possível apoio.

Renato Sampaio, do PS/Porto, acusou Alegre de ter "condicionado o aparecimento de outras candidaturas" ao avançar no início do ano autonomamente.

Além de Bragança, Manuel Alegre tem a seu lado Lisboa, Beja, Açores e alguns dos mais destacados dirigentes do PS já lhe declararam apoio, como António Costa ou Francisco Assis.

 

 

Foto de Carla Gonçalves (direitos reservados)

 

publicado por Lacra às 08:54

A 27ª edição da Feira de S. Pedro, em Macedo de Cavaleiros, apresenta, à semelhança de outros anos, um cartaz de “excelência”, com alguns dos melhores artistas nacionais e internacionais a protagonizar espectáculos cuja entrada se mantém a um euro por dia.

O grande nome do fado nacional, Mariza, abre a primeira noite do certame, a 26 de Junho, seguindo-se, no dia 27, Fernando Pereira; a 28 de Junho, Herman José; e a 29 de Junho, o já tradicional Quim Barreiros. No dia 30 de Junho a noite será dedicada aos artistas da região; o dj um dos melhores da actualidade, Yves Larock, actua no dia 1 de Julho; a 2 de Julho é a vez do reggae dos Moonraisers e, por fim, no dia 3 de Julho, será prestado um tributo a Mickael Jackson.

A organização, a cargo da Associação Comercial e Industrial de Macedo de Cavaleiros, pretende assim atrair ao recinto da feira os mais variados tipos de público, conforme apontou o presidente, António Cunha.

“O cartaz foi definido tendo em conta os vários tipos de público. Assim, cada dia é dedicado a um próprio artista, na tentativa de atrair também os mais jovens”.

Numa altura em que a crise está, definitivamente, instalada, a Associação considera que só com um cartaz de excelência e com preços de entrada meramente simbólicos, será possível atrair milhares de visitantes, correspondendo aos anseios dos expositores. É também a pensar nos expositores que a organização, este ano, oferece às empresas um desconto de 10 por cento.

“São factores que, certamente, vão garantir que as empresas expositoras tenham visitantes e justifiquem a sua aposta em estar presentes no Parque Municipal de Exposições”, apontou António Cunha.

A um mês do início do certame estão já assegurados 80 por cento dos expositores para um total de 250 espaços. A maioria são de fora do concelho de Macedo de Cavaleiros mas provêem da zona norte. A componente agrícola que, no passado, foi uma das mais fortes da Feira de S. Pedro, é agora substituída pelos expositores de móveis, energias renováveis e serviços.

O investimento global é de 150 mil euros, sendo que a câmara municipal de Macedo de Cavaleiros suporta o diferencial entre a receita e a despesa. António Cunha afirma mesmo que “se não fosse o apoio da autarquia, seria difícil manter esta feira, é uma parceria muito importante”.

A dívida que a câmara tinha para com a Associação, relativa à edição do ano passado, também já foi liquidada.

A organização espera que o número de visitantes seja idêntico ao do ano passado em que mais de cem mil pessoas passaram pelo recinto do Parque Municipal de Exposições.

25 de Maio de 2010

Uma idosa que se encontrava desaparecida desde sábado em Vila Flor, no distrito de Bragança, foi encontrada esta terça-feira, ao final da manhã, aparentemente sem problemas de maior, tendo sobrevivido três noites ao relento no monte.

 

«Estava um pouco fraquinha, mas não estava molhada nem suja de terra», contou à Lusa o sobrinho e afilhado, Luís Mónico, que não esconde a alegria depois de quatro dias de buscas intensas em que a família chegou a temer o pior.

A senhora de 77 anos sofre de Alzheimer e foi encontrada no monte a cerca de «dois três quilómetros» da aldeia de Benlhevai, no concelho de Vila Flor, de onde desapareceu de casa sábado à tarde.

Bombeiros, GNR, cães pisteiros, familiares e amigos já tinham batido toda a zona, inclusive o local onde Elvira foi descoberta hoje às 11:30 depois de alguns elementos das equipas de busca terem sido alertados por «uma barulho».

«Estava de pé e juntou gestas para fazer lume, mas não tinha fósforos», segundo o sobrinho/afilhado que ainda não conseguiu perceber como e onde se abrigou ao longo deste quase quatro dias.

Quando chegou junto dos familiares reconheceu «a netinha» e o «afilhado», mas sobre o que se passou disse apenas: «a minha cabeça não está boa».

Consequência da doença, a idosa perde com frequência a noção do local onde se encontra e essa desorientação poderá ter originado o seu desaparecimento. A mulher foi encaminhada para o hospital de Mirandela, onde se encontra em observação.

 

Fonte: Lusa/Diário IOL

publicado por Lacra às 16:43

O Parque Biológico de Vinhais inaugurou uma estação de biodiversidade – um percurso devidamente sinalizado, dentro e fora do Parque Biológico, que permite aos visitantes conhecer um pouco melhor as espécies de fauna e flora que proliferam naquela zona protegida, inserida no coração do Parque Natural de Montesinho.

A iniciativa resultou de um protocolo entre a empresa municipal Turimontesinho, entidade gestora do Parque, a Tagis e o Museu de História Natural e foi apresentada ao público no dia 22 de Maio, dia da Biodiversidade.

Desde o percurso no interior do Parque, até ao Alto da Cidadelha, já no exterior, é possível encontrar oito biospots que compõe a estação da biodiversidade, ou seja, oito locais espalhados ao longo de um vasto percurso, onde proliferam determinadas espécies, sendo dada ao visitante uma explicação pormenorizada sobre essas mesmas espécies. Logo no início do percurso o visitante pode observar uma massa de água onde proliferam libélulas, libelinhas e borboletas. Já no Alto da Cidadelha, a mais de mil metros de altitude, o biospot fala da vegetação existente ao longo dos caminhos rurais.

O Parque Biológico de Vinhais é considerado uma das estações de biodiversidade mais importantes do país pelo número de espécies existentes naquele habitat. Segundo Albano Soares, representante da Tagis e do Museu de História Natural, um habitat é tanto mais saudável para os ser humano, quanto mais espécies tiver. Só para se ter uma ideia, o Parque Biológico de Vinhais tem mais de 90 por cento das espécies de borboletas existentes no país e contempla uma das maiores manchas de carvalhal negral da Europa. É uma zona que, segundo Albano Soares, se mantém praticamente igual, em termos de biodiversidade, desde a Idade Média.

O Parque Biológico tem vindo a assumir, também, um papel de grande importância na recuperação de espécies autóctones, algumas das quais se encontravam praticamente extintas, como foi o caso da cabra preta. O Parque assumiu a criação desta raça e tem estado a entregar reprodutores a criadores que pretendam trabalhar com esta raça.

Aberto há dois anos, o objectivo agora é aumentar a colecção de fauna e flora e criar novas dinâmicas que continuem a atrair visitantes a Vinhais, conforme apontou a directora, Carla Pereira.

“A nossa preocupação é aumentar as colecções pensando em todos os que nos visitam mas o Parque Biológico basta-se pelo local onde está inserido – no Parque Natural de Montesinho, uma vasta área que tem aqui uma porta de entrada explicativa e pedagógica”.

Uma das próximas apostas do Parque será a criação de um centro e de uma rota micológica que apresente aos visitantes a grande variedade de cogumelos existentes naquela área.

Já no que diz respeito às dormidas, será aumentado o número de bungalows existentes para dar resposta aos que procuram ali pernoitar. Actualmente o Parque Biológico conta com quatro bungalows com capacidade para quatro pessoas e 50 camas na Hospedaria do Parque, um solar setecentista recuperado para o efeito. A falta de dormidas tem levado a direcção a alugar também a Casa do guarda: “inicialmente não tinha esse propósito mas as pessoas gostam e como os bungalows não chegam, temos alugado esse espaço”.

O Parque Biológico de Vinhais está aberto todos os dias, das oito da manhã às dez da noite.

 

publicado por Lacra às 10:06
24 de Maio de 2010

Chegaram hoje a Bragança os três amigos que nos últimos 10 dias percorreram Portugal a correr pela Selecção Nacional de Futebol.

Começaram em Faro e o desafio terminou esta segunda-feira em Bragança.

Paulo Dias, Luís Lima e António Piedade percorreram 1055 quilómetros de, fazendo uma medida de 35 por dia, para motivar o país a torcer pela Selecção no Mundial de Futebol da África do Sul.

 

À chegada a Bragança, António Piedade exibia o testemunho assinado pelos autarcas das localidades por onde os três atletas foram passando nos últimos dias.

Querem agora entregá-lo aos jogadores e treinador da equipa das quinas.

“Este é o diploma que nós fomos assinando em determinadas autarquias que nos apoiaram e é o que nós temos estado a transportar no testemunho, enrolado aqui dentro, desde Faro” explica António Piedade, acrescentando que “gostaríamos de o entregar à Selecção, mas o nosso objectivo era unir os portugueses”.

 

 

Esta prova acabou por causar algumas mazelas a nível muscular. Para Paulo Dias, os últimos 200 quilómetros foram os mais difíceis por causa das subidas e do calor.

Este corredor chegou a perder sete quilos nos dez dias de prova. “As expectativas foram superadas e todos os objectivos concretizados, mas houve dificuldades ao nível muscular e do cansaço” confessa, pois “tínhamos de levar massagens até à uma da manhã, às seis tínhamos de nos levantar para às oito estarmos prontos para arrancar” explica.

“Foi muito cansativo, pois nós corríamos de duas em duas horas e as refeições acabavam por ficar de lado, só comíamos o essencial, mas eu perdi sete quilos” revela Paulo Dias.

 

Apesar das dificuldades Luís Lima salienta que “estávamos com a cabeça aqui em Bragança” por ser o local onde a prova terminava. Este atleta conta ainda que “houve coisas que nos marcaram pelo caminho” refere, contando que “o António ía a correr pela estrada e uma senhora começou a bater-lhe palmas. Ele deu-lhe o boné que usava para que ela guardasse como recordação e a senhora começou a chorar”. “Isso emocionou-nos muito” salienta.

 

 

 

Estes três atletas correram o equivalente a nove maratonas passando por 28 estradas nacionais e consumiram 432 garrafas de água.

 

Fonte: Rádio Brigantia

Imagem retirada do site da Rádio Brigantia

publicado por Lacra às 15:22



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