Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
05 de Abril de 2010

"Esta foi a Páscoa mais triste de sempre, porque sentimos a falta do nosso Leandro". Quem o afirma é Amália Nunes, a mãe do menino de 12 anos que desapareceu, há um mês, nas águas do rio Tua, cujo corpo foi encontrado há 12 dias.

Na pacata aldeia de Cedainhos, a cerca de dez quilómetros de Mirandela, a família tenta "levar a vida para à frente, mas não tem sido fácil", confessa Armindo Pires, o pai de Ana Catarina (9 anos) e de Márcio (12 anos), irmão gémeo de Leandro.

Enquanto aguardam os resultados dos inquéritos que o Ministério Público (MP) e a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) abriram após o trágico acontecimento, surge a informação que o MP arquivou o inquérito relativo à queixa apresentada por Amália, em Dezembro de 2008, contra três menores que terão agredido Leandro, na central de camionagem de Mirandela.

Segundo apurou o JN junto de fonte hospitalar, existe registo de um episódio de urgência no hospital de Mirandela, nessa data, revelando que Leandro terá sido agredido com "pontapés na cabeça" e teve necessidade de ficar internado no serviço de Pediatria, durante dois dias.

Apesar da decisão de arquivar o processo já ter sido tomada há cerca de meio ano, Amália Nunes diz nunca ter sido notificada. "Não recebi nada e não entendo como é possível não punir ninguém, depois do que fizeram ao meu filho", afirma. Na altura, fez queixa à direcção da escola, que terá rejeitado responsabilidades, alegando que as agressões ocorreram fora do recinto escolar.

O MP justifica a decisão com o facto de os menores denunciados terem menos de 12 anos, na altura dos factos. Como não se aplica a lei tutelar educativa, o caso foi remetido para a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Mirandela, com vista à instauração de processo de promoção e protecção. O plano de acção para os três menores terá sido "aplicado e cumprido sem problemas", garante fonte da CPCJ. De tal forma que nunca mais foi registado qualquer incidente da sua autoria, adianta a mesma fonte.

Inquéritos demorados

Concluído há quase duas semanas, o inquérito da Inspecção-Geral de Educação (IGE) ainda não foi divulgado. Recorde-se que o relatório interno da direcção da escola, não suficientemente conclusivo para a DREN, revelava que Leandro saíra pelas grades que circundam o recinto da escola e não pelo portão principal.

A confirmar-se, a situação não iliba a escola na questão da segurança, mas constitui atenuante. Porém, há relatos de várias testemunhas, ouvidas pela PSP, a confirmar que as nove crianças (incluindo Leandro) saíram da escola, à hora do almoço, sem que ninguém os tivesse impedido. Há versões que revelam a presença do porteiro, outros que a negam.

A IGE dirigiu o inquérito para apurar se existiam agressões a Leandro ou a outros alunos na escola e porque é que nunca foram reportadas pela direcção da Luciano Cordeiro ao ministério ou à Comissão de Protecção de Menores. E como foi possível que os alunos abandonassem a escola no horário das aulas, quando não estavam autorizados pelos pais.

Amália e Armindo Pires confirmaram ao JN a intenção de processar os responsáveis da escola. Um advogado ofereceu-se para tratar do caso, mas a mãe de Leandro prefere aguardar os resultados do inquérito. Mais atrasado estará o inquérito judicial, que numa primeira fase foi dirigido pela PSP de Mirandela, já que o procurador do MP ainda pretende ouvir os pais. A audiência estava marcada para o passado dia 25 de Março, mas o aparecimento do corpo do Leandro levou ao adiamento, para data ainda desconhecida.

No relatório entregue ao MP, a PSP acredita que Leandro não terá reflectido sobre as consequências do seu acto. Terá entrado nas águas do Tua com intenção de sair, mas a forte corrente acabou por ser fatal.

A investigação aponta Leandro não apenas como vítima de violência escolar, mas também como agressor. Uma conclusão contestada por Amália. "Se ele se defendesse, não era agredido tantas vezes e não acontecia esta tragédia", exclama a mãe, que deixa uma questão: "Como podia bater em alunos que têm 15 e 16 anos? O meu filho era tão pequeno!"

 

Fonte: JN


Os moradores do Bairro do Fundo da Veiga, em Bragança, exigem que a Refer reponha o pavimento da antiga ponte do comboio permitindo, assim, a passagem pedonal entre o bairro, da freguesia de Gostei, e a cidade.

Numa manifestação que juntou cerca de meia centena de pessoas, no passado sábado, os moradores exigiram dos responsáveis a reposição do pavimento e das condições de segurança do local, queixando-se do abandono a que a Refer votou aquela estrutura.

“Queremos a ponte reaberta e com condições de segurança. O que fizeram foi ainda pior”, apontava João Granadeiro, um dos organizadores do protesto. É que, há cerca de um mês, o irmão de João Granadeiro terá caído da ponte ao rio Fervença, na sequência, alegadamente, do mau estado da travessia.

A Refer terá então decidido retirar o pavimento e impedir a passagem com a colocação de umas travessas de metal à entrada da ponte. Ainda assim, há quem se arrisque a atravessar a ponte, encurtando assim o caminho entre o bairro e a cidade mas colocando a vida em perigo, como aconteceu durante o protesto.

“Há sempre quem se arrisque mas eu não passo aí porque está um perigo”, apontava Abílio Alves, um dos moradores do Bairro. O idoso contou ainda que depois do encerramento da travessia teve já de pagar um táxi para ir à cidade.

“Pela ponte demorava cerca de meia hora a chegar à farmácia. Agora, se fosse a pé, demorava aí uma hora ou mais”.

É que o bairro fica num enclave entre o Bairro dos Formarigos e a Rua Conde de Ariães, sendo que, para quem se desloca a pé, a forma mais rápida de chegar à cidade seria mesmo atravessando a ponte.

A câmara de Bragança, aquando do acidente que vitimou um morador, solicitou à Refer que garantisse as condições de segurança daquela infra-estrutura. No entanto, conforme explicou o autarca, Jorge Nunes, a câmara não pode intervir naquela travessia.

“A solução adequada, do meu ponto de vista, seria a reposição do pavimento, mas a Refer agiu de forma irracional”, acusou, recordando que o “erro” vem já desde 1997, altura em que a câmara e a empresa decidiram pelo arrancamento dos carris da ponte.

“Há um erro cometido pela Refer, em 1997, e validado, na altura, pela autarquia, que permitiu o arrancamento dos carris e da estrutura da ponte. A Refer, do muito dinheiro que desperdiça e da muita subvenção que recebe do Estado para alimentar linhas que deviam ter rentabilidade e não têm, não gastou aqui uma micro migalha para assegurar as condições de segurança na passagem daquela via”, acusou.

Ainda que admitindo que os benefícios da passagem, Jorge Nunes recomenda “paciência” e a não utilização da ponte pois “é da conta própria o risco que estão a correr”.

“A câmara não vai intervir numa infra-estrutura que é da responsabilidade da Refer e também não recomendamos às pessoas que a utilizem porque hoje têm melhores condições de acessibilidade do que tinham há algum tempo atrás”.

O autarca acusa ainda a empresa de ter “abandonado a região” e de ter “atitudes que não são recomendáveis” e que são próprias de “quem está em Lisboa e esquece o resto do país”.

Os moradores do Bairro do Fundo da Veiga prometem não desistir e, depois do protesto, está já pensada a recolha de assinaturas a exigir a reposição do pavimento da ponte. Não conformados com a decisão da Refer, os moradores prometem ainda encetar contactos com as várias entidades locais no sentido de pressionar a Refer a requalificar a via.

publicado por Lacra às 11:25

“Vai-se andando” é o nome da peça que a dupla amigável José Pedro Gomes e António Feio trazem ao Teatro de Bragança, no dia 10 de Abril, no âmbito do 27 (Festival Internacional de Teatro).

Com encenação de António Feio e textos de oito autores, como seja Nilton, Nuno Markl, Marco Horário, entre outros, esta é uma peça em que José Pedro Gomes reflecte sobre o povo português e sobre o que nos torna “tão especiais”.

O Teatro de Bragança vai aproveitar para homenagear a dupla de actores com a colocação de uma placa evocativa nas paredes do espaço cultural, a par com Eunice Muñoz e Maria do Céu Guerra.

“Wonderland”, a partir de “Alice no País das Maravilhas” é outra das peças que o 27 traz a Bragança, pelas mãos do Teatro de Marionetas do Porto. O espectáculo está agendado para o dia 17 de Abril, às 21h30, e conta o sonho de Alice “sonhado por nós”.

Destaque ainda para “Olá e adeuzinho!”, no dia 22, e “Pinóquio”, no dia 24, também em Bragança.

“Olá e adeuzinho!” é uma peça que fala de dois irmãos que adiaram a responsabilidade de serem adultos e que questionam a sua identidade quando se tornam órfãos. Com textos do autor Athol Fugard, esta é uma peça que tem a encenação de Beatriz Batarda e que conta com a interpretação de Catarina Lacerda e Dinarte Branco.

“Pinóquio” encerra o mês no que diz respeito ao teatro. O espectáculo é da Companhia Paulo Ribeiro, uma estrutura financiada pelo Ministério da Cultura e pela Direcção Geral das Artes, e está agendado para dia 24 de Abril, às 16h00.

 

Foto com Direitos Reservados

 



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