Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
03 de Abril de 2010

Projecto de mobilidade inviabiliza substituir a linha que vai ficar submersa pela barragem.

A EDP não apresentará qualquer proposta de alternativa ferroviária ao troço da linha do Tua que ficará inundado com a construção da barragem de Foz--Tua. As alternativas vão passar pelos transportes fluviais (para o turismo) e rodoviários (mobilidade quotidiana).

Em causa está o estudo de alternativas de transporte às populações servidas pela linha do Tua, imposto pela Declaração de Impacto Ambiental, emitida há quase um ano pelo Ministério do Ambiente que aprova a construção da barragem "fortemente condicionada" com a cota de nível de pleno armazenamento mais baixa (170 metros), das soluções alternativas em avaliação.

Com essa decisão, a linha do Tua será inundada em cerca de 16 quilómetros dos cerca de 54 da sua extensão, ficando submersos cinco apeadeiros e desactiva automaticamente os primeiros quatro quilómetros da ferrovia, entre o Tua e Tralhariz, para os trabalhos do projecto.

Uma das imposições é o estudo das alternativas de transporte, incluindo a alternativa ferroviária, que a EDP afastou de imediato pela relação custo/benefício. "No total, orçaria entre os 130 e os 140 milhões de euros, valor muito desproporcionado face aos benefícios expectáveis", lê-se no documento, em consulta até ao dia 19.

Para chegar a esses valores, o Gabinete de Estudos e Geotecnia teve em conta que "a extensão necessária da linha para vencer o desnível seria de cerca de oito quilómetros e que, mesmo essa solução, só seria possível à custa de um atravessamento para a margem direita do rio e um regresso à margem esquerda, por forma a findar o traçado na actual estação do Tua, o que teria impactos ao nível paisagístico e ambiental". Sendo assim, a EDP apresenta duas propostas paralelas, cada uma adaptada a cada segmento de procura, embora articuladas.

A solução turística combina a alternativa ferroviária entre Mirandela e Brunheda, com a alternativa fluvial entre Brunheda e a barragem e a alternativa rodoviária entre a barragem e o Tua.

Requalificação

O restabelecimento da ligação ferroviária entre Mirandela e Brunheda implica uma requalificação numa extensão de 33 quilómetros, que permitiria a extensão do serviço regular de passageiros e potencia a organização de serviços ocasionais turísticos, bem como recupera parte do património ferroviário da linha do Tua. No entanto, o investimento, estimado em cerca de 15 milhões de euros, não deve ser da responsabilidade nem encargo da EDP, mas da REFER. Ainda no segmento turístico, é proposta a alternativa rodoviária entre a barragem e o Tua, através de um minibus. Outra proposta passa pela transformação da linha entre a barragem e o Tua em via pedonal. Essa solução envolve um envelope financeiro, da responsabilidade da EDP, entre 3,5 e cinco milhões.

Na solução para a mobilidade quotidiana, a EDP propõe a combinação do serviço de transporte ferroviário entre Mirandela e Brunheda, com um serviço assente na rodovia e na utilização de autocarros entre Brunheda e o Tua. Esta hipótese teria um encargo para a EDP de 600 mil euros, mais os 15 milhões da requalificação da linha, da responsabilidade da REFER, da qual não foi possível obter qualquer reacção às propostas.

Uma das contrapartidas da EDP para os concelhos que vão ser abrangidos pela construção da barragem do Tua é a sua participação, através de um fundo financeiro, no nascimento de uma Agência Regional de Desenvolvimento.

 

Fonte: JN

publicado por Lacra às 12:16

A centenária estação de Mirandela da Linha do Tua votada ao abandono há mais de duas décadas poderá encher-se novamente de vida transformando-se num centro de artes, cultura, lazer e de memória do caminho de ferro.

A Câmara local tem pronto o projeto da autoria do arquiteto Belém Lima, e o modelo de financiamento dos onze milhões de euros necessários para dar novo uso à estação de comboio com uma dinâmica cultural que passa por um centro de artes, escola de música e espaço museológico.

"Como temos uma escola de música e tradição nas artes em Mirandela, porque não transformar aquele edifício numa escola das artes as condições que o Ministério da Educação exige", disse hoje à Lusa o autarca local, José Silvano.

De acordo com Silvano, já foi constituída uma parceria público privada entre a autarquia e várias empresas para a execução do projeto que aguarda apenas luz verde da proprietária do edifício, a Refer.

A estação que deu nome à alheira de Mirandela esteve para ser arrasada e no seu lugar crescer um loteamento de prédios com cinco andares que não vingou, mas ditou o início de um processo de abandono e degradação.

O edifício é dos mais imponentes e emblemáticos do património ferroviário da linha do Tua, no Nordeste Transmontano, e embora não seja classificado tem um valor simbólico.

A ele se deve o facto de a alheira de Mirandela ter sobressaído entre os enchidos congéneres que há séculos se produzem em toda a região e que mesmo chegando de outros pontos eram despachadas naquela estação e chegavam ao litoral com o carimbo "Mirandela".

 "É uma tristeza saber que um edifício do Estado, neste caso da Refer, esteja nesse estado de abandono", refere o autarca de Mirandela, realçando que "o abandono nesta estação é mais evidente porque ainda passa ali o comboio, tem uma dimensão diferente e está numa cidade".

O ar fantasmagórico dos vidros partidos e madeiras consumidas pelo tempo destoa da arrumação da "cidade jardim".

A degradação, segundo o autarca social-democrata, começou antes de a autarquia ter decidido criar, há 20 anos, o Metropolitano Ligeiro de Superfície de Mirandela que acabou por salvar o que restou da linha do Tua e passou a fazer o transporte de passageiros ao serviço da CP.

A antiga estação foi substituída por uma outra, mesmo ali ao lado, das novas que o metro batizou com os nomes dos pais da Europa.

Foi a União Europeia que garantiu o financiamento para o novo transporte.

Recuperar o velho edifício era incomportável para o município que naquela ocasião aprovou um acordo em que a CP vendia a estação e terrenos adjacentes para um empreiteiro local construir um loteamento de prédios com r/c e cinco andares.

Em troca, o município recebia as três carruagens do metro de Mirandela, uma espécie de permuta avaliada em um milhão de euros.

Quando chegou à presidência da autarquia, há 14 anos, José Silvano diz ter reprovado o projeto do antecessor José Gama e desde então a estação está ao abandono e o Metro com um passivo crescente de ano para ano devido às amortizações da dívida das automotoras.

O autarca acredita que o novo projeto, que contempla a ampliação do atual edifício, irá resolver todos estes problemas e que a REFER aceitará a proposta pelo valor de 750 mil euros, ficando as partes quites.

Questionada pela Lusa sobre a nova proposta da autarquia, a REFER respondeu por escrito que "aguarda enquadramento por parte da direção de Património" da empresa.

 

Fonte: Lusa

publicado por Lacra às 12:12



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