Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
24 de Março de 2010

 

 

 

No Centro Cultural Municipal estão patentes duas “insinuações artísticas” até ao final do mês de Abril. A primeira, na Sala 1, é um trabalho denominado “Calejo”, de Luís Filipe Folgado.
Trata-se de uma dúzia de fotografias, sensivelmente, a preto e branco, cujos principais protagonistas são números de portas. Leu bem, números de portas: 2-A, 30, 32, 10 e vários outros. O seu autor, ainda foi por uma frase bastante conhecida do conceituado fotógrafo húngaro André Kertész, “O que sinto, é o que faço. Isso para mim é o mais importante. Todos podem ver, mas nem sempre vêem.”, numa tentativa de associar-se ao conceito deste artista. Ou, então, desculpar a simplicidade do seu trabalho, demasiado simples, para tirarmos uma ilação ou, simplesmente, ser contemplado. Luís Filipe Folgado até pode ser um artista, mas não o seria apenas com trabalhos desta natureza.
A segunda “tentativa”, na Sala 2, é uma exposição de 38 “desenhos” intitulada “Ao redor de Pedras Rolantes do mar”, da autoria de José Pacheco aka Sileno JP. São rabiscos que não terão demorado mais de 1 minuto a ser concebidos. Desenhos tão paleolíticos, à excepção de dois ou três, que uma criança de 4 anos, provavelmente, faria melhor. No meio de tanto “traço”, encontramos cerca de 10 pedras colhidas nas praias portuguesas. Ora, quem se lembraria de chamar a isso arte? Rochas e pedras há-as em todo o lado, qualquer um pode apanhá-las, mas o acto em si não faz de ninguém um artista. Fica a homenagem aos “que ousavam enfrentar o mar para pescar”. Nada mais!
Com tantos valores transmontanos, há que sublimar espaço e protagonismo a obras mais inspiradas. Se a Câmara Municipal de Bragança quer dar o exemplo, então, deve fazê-lo pro bono, na tentativa de evitar que potenciais apreciadores, crianças, inclusive, fiquem a pensar: “Isto é o quê? Arte? Para a próxima fico em casa a jogar PlayStation!” Perdendo, assim, o gosto e o interesse irreflectido pelo fascinante mundo artístico.

 

Por: Bruno Mateus Filena/Jornal Nordeste

 


A junta de freguesia de Babe celebrou um protocolo com uma farmácia de Bragança que vai permitir à população local obter os medicamentos no mesmo dia em que é passada a receita sem terem de sair da aldeia.

No dia em que a médica vai a Babe, uma vez por mês, a junta de freguesia envia os receituários por fax e e-mail para a farmácia, que no final da tarde vai à aldeia entregar as receitas devidamente aviadas.

A possibilidade de protocolar este serviço estava em estudo desde Janeiro, conforme anunciou então o Diário de Bragança.

Pretende-se assim colmatar as dificuldades sentidas pelos mais velhos nas deslocações à sede de concelho que, apesar de estar a uma distância relativamente pequena, tem apenas transportes públicos duas vezes por dia: ao início da manhã e ao início da tarde.

 

Diário de Bragança com Lusa

publicado por Lacra às 16:27


Atravessando a ponte sobre a barragem de Saucelle, com Espanha à vista, do outro lado, é possível sentir a força e a determinação de um rio que já foi um verdadeiro muro entre as duas povoações e que serve, hoje, de elo de ligação entre as duas comunidades. Freixo de Espada à Cinta e Saucelle usam hoje o Douro e as suas arribas escarpadas, classificadas como Parque Natural em ambos os países, para ali chamar turistas e promover, assim, ambos os territórios.

Uma dinamização que assenta na cooperação territorial e que é vista como uma estratégia de combate a problemas que são comuns. Com uma população maioritariamente idosa e uma actividade preponderantemente agrícola, os autarcas locais de Freixo e Saucelle congregam esforços num mesmo sentido, deixando para trás um passado vivido de costas voltadas.

Hoje, naquele que era o antigo posto fiscal que marca a fronteira de Portugal e Espanha, nasceu um posto transfronteiriço de turismo, dinamizado pelas duas comunidades. Ao turista é oferecido um conjunto de informações, serviços, actividades e produtos regionais colocados à venda pelos produtores locais de ambos os países. São ainda promovidas provas de degustação do melhor da gastronomia de um lado e de outro da fronteira: o queijo, o mel, os vinhos e o azeite.

No local, uma vez por semana, estão presentes duas tecedeiras que mostram aos turistas o processo do fabrico da seda, uma actividade que marcou o passado de Freixo de Espada à Cinta.

A experiência de trabalho conjunto tem apenas cinco meses mas já se traduziu em mais-valias, como explicou Diego Ledesma, autarca local de Saucelle.

“O posto abriu em 2005 mas fornecia apenas informação. Com a colaboração do município de Freixo de Espada à Cinta pudemos trabalhar outras vertentes, colocar uma funcionária de cada país e alargar o horário de funcionamento. Hoje estamos abertos todos os dias, de segunda a domingo quer chova ou faça sol”, contou.

Numa altura em que a paisagem presenteia aqueles territórios com o espectáculo das amendoeiras em flor, o resultado tem sido o incremento do turismo, ainda que lentamente - em cinco anos passaram por ali 16 mil pessoas.

A criação conjunta do aldeamento Douro/Duero, renascido no antigo local que albergava os trabalhadores da barragem de Saucelle, é outra das iniciativas destacadas no âmbito desta cooperação transfronteiriça e à qual se juntam ainda outros projectos como a sociedade Congida – La Barca, cujo capital está dividido entre o município de Vilvestre e o município freixenista, para a realização de cruzeiros nas águas portuguesas e espanholas do rio Douro; a promoção do Mercado Ibérico de Freixo de Espada à Cinta que é, nada mais, nada menos que uma feira mensal que junta portugueses e espanhóis; entre outras como a Rota Internacional do Vinho, criada por Trabanca, ou a Feira Internacional do Queijo, promovida em Hinojosa del Duero, localidades do lado de lá da fronteira.

 

 

Centro de Estágios na Congida

A transformação da Congida num espaço de desportos náuticos é o próximo passo a dar pelo município de Freixo. Apoiado no aldeamento Douro/Duero, junto à barragem, a autarquia freixenista quer criar condições para a prática de remo e canoagem e, quem sabe, para vir ali a receber selecções de Portugal e Espanha.

A primeira fase de intervenção na Congida já foi concretizada sendo que, em breve, se prevê iniciar a segunda e terceira fase do projecto que inclui já a criação de uma fluvina.

A aldeia Douro/Duero seria, neste âmbito, o local de recepção dos desportistas para um alojamento condigno e à altura. Um projecto ambicioso que levará o seu tempo mas para o qual Pedro Mora, vice-presidente freixenista, augura bom futuro: “temos um micro-clima excelente, o rio tem sempre o mesmo caudal, o aldeamento tem capacidade para 190 camas, as acessibilidades vão melhorando, por isso, é fundamental que avancemos”.

 

 

Rota dos Miradouros em marcha

Outro dos projectos em desenvolvimento é a criação de uma rota de miradouros de ambos os lados dos países. Com a colaboração da Universidade de Salamanca, está a ser desenhado um roteiro sobre duas perspectivas de uma mesma paisagem – o Douro, visto de Portugal e visto de Espanha.

Pretende-se oferecer aos visitantes a possibilidade de percorrer circuitos e conhecer realidades idênticas de dois diferentes territórios.

Mas muito ainda falta fazer, nomeadamente no que diz respeito às comunicações e acessibilidades, apontadas por quem ali chega como grandes entraves ao desenvolvimento, a todos os níveis.

É que nem a mais bela paisagem, nem as melhores iguarias regionais conseguem atenuar o isolamento e a interioridade. Vindos de Barcelona para cinco dias de “aventura”, 53 turistas assinalavam isso mesmo, como contou Maria Luísa Castillo.

“Este rincão do Douro era desconhecido para todos nós, é absolutamente esplêndido. O problema é que estamos completamente isolados porque não há cobertura telefónica nem televisão”.

Uma opinião partilhada por outros, como José Maria que, apesar de “maravilhado” por “nunca ter visto nada assim”, apontava também a dificuldade dos acessos que tornavam a viagem mais longa do que os muitos quilómetros entre Barcelona e Saucelle.

 

Isolamento que persiste

A realidade é assumida por Diego Ledesma de uma forma surpreendente. O autarca espanhol considera que as condições são muito piores do lado de lá.

“Nós, em Espanha, estamos muito pior. Não temos ADSL e as telefonias móveis, nem se fala. Há uma descoordenação total, tão depressa temos rede espanhola como portuguesa e quem paga isto somos nós, coitados, que estamos aqui desamparados”.

No cargo apenas há um ano, mas a viver naquela zona desde 1987, Diego conhece bem as características das duas localidades. Com um negócio na área da hotelaria sedeado em Freixo e já “herdado” do pai, o empresário viveu as últimas duas décadas entre um lado e o outro, sentindo dificuldades comuns que, no seu entender, “já foram muito piores”.

Diego relembra o local de recepção aos turistas nos tempos em que as fronteiras permaneciam fechadas. Vir de Espanha a Portugal era “uma verdadeira aventura”. O posto fiscal abria apenas ao fim-de-semana e passar um domingo em Freixo de Espada à Cinta podia significar o regresso ao país de origem apenas na semana seguinte, quando a fronteira voltasse a abrir.

“Nessa altura, era tudo muito difícil”, recorda.

Com a entrada na União Europeia deu-se uma “revolução”. “Tivemos oportunidade de incrementar as relações económicas, sociais, pessoais. Quebraram-se muitas barreiras e preconceitos, nomeadamente dos espanhóis para com os portugueses”, contou.

Afinal o isolamento era comum a ambos os territórios e, segundo Diego, muitos espanhóis deixaram de “olhar de cima” para os portugueses.

“Se tanto Freixo como Saucelle estão afastados geograficamente das grandes capitais, se não temos boas vias de acesso, boas comunicações, estamos perdidos”, resume.

É neste contexto, perante as mesmas dificuldades e com boas potencialidades de recursos entre ambos as comunidades, que surge quase um “irmanamento” solidário que pretende traduzir-se numa luta conjunta para exigir, junto dos dois Governos, a criação de alternativas que possibilitem o desenvolvimento.



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