Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
12 de Janeiro de 2010

 Vários populares e autarcas da zona da Lombada reclamam a necessidade dos CTT colocarem mais carteiros no serviço de distribuição das cartas. Na aldeia de Quintanilha e na aldeia de Babe são várias as pessoas que afirmam continuar a receber cartas “com dois e três dias de atraso” e queixam-se do serviço prestado em geral.

“Andam sempre a mudar de carteiro e eles chegam aqui e deixam as cartas numa caixa de correio qualquer. As pessoas é que têm de as distribuir e todos têm as caixas identificadas. As cartas registadas deixam-nas sem sequer bater à porta e já tive de ir de propósito a Bragança para levantar algumas, o que causa muito transtorno”, contou Deolinda Sousa, de Babe.

Também Arminda Tomé diz que há cartas que chegam em atraso porque há dias em que o carteiro não passa pela localidade.

“Desde 16 de Dezembro que espero uma carta de França e ainda não veio. Queria falar com o carteiro e já há uns dias que não o vejo”.

Já na altura do Natal houve idosos que se queixaram de ter recebido cartas em atraso, uma situação que os CTT afirmam ter sido provocada pelos intensos nevões que assolaram a região e que levou até a câmara municipal a alargar o prazo de pagamento da água.

No entanto, segundo José Fernandes, presidente da Junta de Quintanilha, há mais tempo que os problemas na distribuição de cartas se fazem sentir. O autarca acusa os CTT de não estarem a prestar um serviço de qualidade, com prejuízo para as populações daquela freguesia e de outras circundantes, como Babe ou Gimonde.

“A empresa só quer ter lucro, isso é nítido”, acusou, questionando o porquê da empresa não apostar nos trabalhadores que emprega, oferecendo apenas “precariedade”. Segundo contou, o carteiro que distribui as cartas na freguesia de Quintanilha tem ainda a seu cargo outras sete freguesias, num total de 17 aldeias.

“Segundo sei ainda fazia a distribuição de correio na cidade, durante a manhã, e participava na separação de correspondência. Obviamente não tinha condições nenhumas para fazer a distribuição com o mínimo de qualidade. É uma situação ridícula e obriga a que as pessoas que distribuem o correio estejam dias e dias sem ir a determinadas localidades”, apontou.

Na opinião de José Fernandes, o serviço prestado pelos CTT “foi-se degradando” não por “culpa”dos funcionários, mas antes “pela massificação” e porque os carteiros têm de percorrer “áreas demasiado abrangentes”.

Em declarações ao Mensageiro, fonte oficial dos CTT contestou que houvesse qualquer atraso na entrega de correio às populações do concelho de Bragança e assegurou que “o serviço postal universal do distrito está totalmente garantido”.

Os CTT, segundo a mesma fonte, dão emprego a 140 pessoas em todo o distrito, das quais 94 são carteiros. Em todo o distrito os carteiros fazem 98 giros, em 98 percursos diferentes, apoiados por 73 veículos ligeiros e quatro motociclos.

Numa área total de 6608 quilómetros quadrados, o que faz de Bragança o quinto maior distrito do país, os carteiros percorrem uma média de seis mil quilómetros diários, segundo fonte da empresa. Só para se ter uma ideia, seis mil quilómetros equivalem a uma distância superior à de Bragança e Moscovo (4399 quilómetros). No entanto, se os seis mil quilómetros forem percorridos pelo conjunto dos 94 carteiros, significa que cada carteiro percorre por dia cerca de 63 quilómetros.

A mesma fonte diz ainda que os CTT entregam à população de Bragança quase 68 mil objectos, entre correspondências e encomendas, sendo que em todo o distrito há um total de 57 balcões de atendimento apoiados por 14 centros de distribuição postal.

Ainda assim, os problemas continuam a fazer-se sentir. A câmara de Bragança chegou mesmo a informar algumas juntas de freguesia que as cartas passariam a ser ali entregues para depois serem distribuídas à população. A Junta de Babe foi uma das que recebeu a comunicação mas, segundo o presidente, Alberto Pais, até ao momento tal também não se tem verificado.

“A Junta foi notificada pela câmara num ofício que indicava que seria ali que as cartas passariam a ser entregues, tal ainda não aconteceu mas, de qualquer forma, considero que esse não é o melhor método de resolver a situação”.

O autarca considera que não compete à Junta de Freguesia fazer a distribuição das cartas, embora admita essa situação.

“A Junta está aqui para apoiar a população e se recebermos cartas elas serão reencaminhadas para as pessoas, mas esse não é um serviço da competência da Junta. Poderá vir a ser, desde que institucionalizado através de um protocolo entre algumas instituições”.

Alberto Pais confirma ainda que as queixas dos populares têm sido constantes e que, tal como outros autarcas, pretende esclarecer a situação junto da empresa. 

publicado por Lacra às 18:06

 A reorganização da rede escolar foi um processo contestado em todo o país pelo número de escolas que obrigou a encerrar. Um processo lento, “doloroso” até, para professores, alunos e encarregados de educação, justificado, muitas vezes, pela ex-ministra da educação com o “mau exemplo” da escola de Quintanilha: a escola acolhia apenas três alunos e um iria reprovar. A isto, acrescentava-se a acentuada degradação daquele parque escolar e a falta de condições e de conforto do edifício.

Passados quatro anos da visita da ex-ministra, pais, alunos, professores e autarcas reuniram-se no local para inaugurar o novo Centro Escolar – um edifício completamente remodelado e equipado com todo o material tecnológico que custou 200 mil euros aos cofres da autarquia, valor financiado a 19 por cento por fundos comunitários.

“A comparticipação foi baixíssima mas foi o valor possível. Em termos físicos e tecnológicos foi melhorada significativamente e é hoje uma escola diferente daquela que a ex-ministra da Educação visitou”, considerou Jorge Nunes, presidente da autarquia de Bragança.

Enquanto ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues usou vezes sem conta o exemplo da escola de Quintanilha para justificar o encerramento de escolas com menos de dez alunos. Uma referência negativa que Jorge Nunes considera que talvez tenha sido “exagerada”: “apesar da escola estar bastante degradada e de só ter três alunos, não era uma má escola”, ressalvou.

Mas são os próprios encarregados de educação dos alunos, contestatários da concentração no passado, que recordam a falta de condições e mais elogiam o equipamento.

“A situação melhorou muito”, confirma António João Fernandes, pai de uma das crianças que frequenta o Centro. O seu filho vem de São Julião de Palácios num autocarro, com mais sete crianças daquela zona da Lombada que ali ficam durante todo o dia. Apesar da distância entre as duas aldeias, António Fernandes reitera estar “muito satisfeito” com todo o processo.

 “A anterior escola não tinha condições. A cantina era na aldeia, tinham de caminhar cerca de 500 metros quer chovesse ou nevasse. Estávamos todos descontentes”, contou.

As condições do novo Centro são, por isso, elogiadas pelos encarregados de educação.

“Agora já têm aqui cantina, têm aquecimento, já têm boas condições”, apontou Elisabete Fernandes, mãe de dois alunos da freguesia de Milhão.

Mas se os “maus exemplos” se podem transformar, com o esforço conjunto da autarquia e do Governo, já os problemas como o envelhecimento e a desertificação humana parecem mais difíceis de combater.

Há quatro anos atrás, Quintanilha acolhia apenas três alunos, dois deles vinham de outras freguesias. Hoje o Centro Escolar tem 17 crianças, curiosamente o mesmo número de aldeias que a infra-estrutura serve (17 aldeias, de sete freguesias).

As novas acessibilidades colocaram a freguesia num ponto de centralidade entre Outeiro, por um lado, e a Lombada, por outro, justificando o investimento naquela infra-estrutura, explicou o presidente da junta local, José Fernandes. O autarca lamenta, porém, que a população juvenil seja tão diminuída.

“Só é lamentável que a população estudantil que abrange sete freguesias seja tão diminuída. Mas é um bom investimento tecnológico e de infra-estrutura, e permite que hoje os alunos estejam agrupados e isso socialmente é muito importante”, ressalvou.

 

Falta de crianças compromete futuro da região

Quando a primeira fase da reorganização da rede escolar estiver concluída, o concelho de Bragança vai ficar com 18 centros escolares, nove na área urbana e nove na área rural. No entanto, a diminuição acentuada do número de alunos, a par com o envelhecimento da população, pode vir a comprometer o futuro da região e a ditar novos reajustamentos. O último relatório da Direcção dos Serviços de Epidemiologia e Estatísticas de Saúde indicava que, em 2008, a taxa de natalidade no distrito de Bragança era de 6,3 nascimentos por mil habitantes, um número preocupante tendo em conta que o distrito tem mais de 35 mil idosos, (mais de 65 anos), num total de 140 mil habitantes.

Jorge Nunes considera que será pertinente, depois da abertura dos novos centros escolares, fazer uma primeira avaliação e revisão à carta escolar até porque poderá ser necessário iniciar um novo processo de concentração de alunos.

“Na área rural não gostaríamos de fazer concentração nenhuma a não ser que sejamos forçados devido à frequência dos centros escolares. Oxalá isso não aconteça mas este centro escolar com 17 alunos tem duas salas a funcionar”, constatou.

 

Bragança a negativo a nível nacional

A par da falta de crianças, o distrito de Bragança é o único do país que compara negativamente nos indicadores da educação, ou seja, é o único cuja média global é negativa.

“Há que fazer um grande esforço porque é o futuro da região que está em causa”, apontou o edil brigantino. O executivo camarário comprometeu-se já a “fazer esse esforço” ao nível do ensino pré-primário e do primeiro ciclo, áreas onde a autarquia tem, desde há alguns anos, responsabilidades ao nível dos serviços e infra-estruturas.

O autarca quer, durante este mandato, assegurar que todos os alunos possam aceder a um jardim de infância de forma a iniciar o processo de aprendizagem mais cedo. “Não queremos que haja alunos que entrem para o primeiro ciclo e sejam confrontados com colegas num nível mais avançado da formação”, explicou.

A abertura dos quatro centros escolares na cidade já vai permitir dar resposta a 100 por cento da procura.

 

Modernização Tecnológica em curso

Outra das medidas a implementar pelo executivo visa a modernização tecnológica de todos os centros escolares. Nos novos pólos a situação já está resolvida, mas há escolas que ainda necessitam de material.

A câmara vai, por isso, candidatar um projecto a fundos comunitários para modernização tecnológica das escolas do primeiro ciclo e também do próprio município, conforme explicou.

“A candidatura vai envolver toda a parte da modernização tecnológica do município, da gestão electrónica da documentação e da digitalização dos arquivos”.

O investimento rondará 1,5 milhões de euros só para a intervenção tecnológica, mas o total será muito superior uma vez que vai envolver investimento associado à intervenção física e adaptação dos edifícios.



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