Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
12 de Novembro de 2009

 Os cogumelos são agentes “protectores” das árvores, nomeadamente do castanheiro mas não só. Quando no subsolo estes fungos estão associados às raízes das plantas, estas são beneficiadas e ganham uma protecção extra contra doenças.

Anabela Martins, especialista em Biotecnologia Vegetal e Fungos, esteve envolvida  numa pesquisa que fez a aplicação na prática da associação de fungos com plantas acabadas de germinar. “Fizemos germinar castanhas, transportamos para uma quinta em Rossas, para terrenos que estavam infectados com a doença da tinta”, explicou. As conclusões foram surpreendentes: “as plantas que estavam associadas aos fungos tinham mais 25 por cento de sobrevivência do que as que não tinham nenhum fungo associado”.

O estudo foi divulgado durante o II Fórum Internacional da Castanha, um seminário onde estiveram vários especialistas de Portugal e Espanha para debater toda a fileira deste fruto.

A mensagem deixada aos agricultores é para que preservem os cogumelos, não os destruindo nem apanhando todos os que estiverem fruticados.

“É importante que as pessoas percebam que aqueles cogumelos que aparecem são fruto de um conjunto de organismos que vivem no solo e que esses organismos têm nenhuma outra função”, apontou Anabela Martins.

Mesmo os cogumelos não comestíveis são importantes e não devem ser destruídos.

A especialista recomendou também algum cuidado com as lavouras, para que não haja um “excesso” que destrua os fungos ao nível do subsolo.

“Todas as práticas são permitidas mas com conta, peso e medida porque é preciso que haja um equilíbrio ao nível dos soutos e do subsolo”.

A vida existente debaixo do solo é de tal modo fervilhante que, só para se ter uma ideia, há mais de 80 por cento de espécies vegetais com fungos associados às raízes, fungos benéficos que protegem contra as doenças.

Durante o Fórum foram ainda debatidos temas como a gestão dos soutos e a sua produtividade e sustentabilidade, ou a importância dos castanheiros no meio ambiente, nomeadamente ao nível da captura do carbono. As doenças que afectam os castanheiros, a fileira da castanha em Espanha e a situação da região foram também temáticas abordadas pelos especialistas.

Este foi o segundo ano que a autarquia, em parceria com o IPB, promoveu o Fórum Internacional da Castanha, uma iniciativa associada à Norcastanha que visa aproximar o sistema científico e tecnológico da produção e dos produtores.

Só a região de Trás-os-Montes e Alto Douro é responsável por 82 por cento da produção nacional de castanha. Desta produção, cerca de 70 por cento destina-se ao mercado externo, quer em fresco quer transformada, maioritariamente para países da União Europeia, em especial da orla mediterrânica e Reino Unido e ainda para o Brasil e Japão.

Por isso, os especialistas consideram que é útil e necessária toda uma reflexão em volta da castanha e do castanheiro, de forma a perceber a dimensão e a escala bem como a sustentabilidade futura desta fileira.

 

Mau ano de cogumelos 

 

Apesar das chuvas que caíram nos últimos dias e das temperaturas relativamente amenas para a época do ano, a produção de cogumelos continua a ser mais baixa do que aquela que seria normal ocorrer nesta altura do ano.

Os últimos anos também não foram muito produtivos e algumas pequenas empresas de exploração de cogumelos que estavam instaladas junto à fronteira, em Espanha, já se ressentiram e algumas têm mesmo aberto falência.

Anabela Martins, especialista em Biotecnologia Vegetal e Fungos, confirmou o cenário também numa outra região espanhola, em Soria, muito conhecida pela forte produção de cogumelos. Numa visita a uma empresa de exploração de cogumelos, os responsáveis terão mostrado as câmaras frigoríficas, “vazias por falta de cogumelos”.

No Nordeste Transmontano a apanha do cogumelo continua a movimentar milhares de euros e dezenas de pessoas que, todos os anos, aproveitam esta altura para fazer um “dinheiro extra”. Grupos de “apanhadores” percorrem quilómetros de floresta à procura dos chamados “míscaros”, “pinheiras”, ou as “sanchas”, entre outros. Estima-se que da região saiam cerca de 30 toneladas de cogumelos que são exportados para países como a França ou Itália mas este é um sector que ainda carece de maior organização. 

 

Carla A. Gonçalves



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