Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
22 de Novembro de 2009

 Os resíduos provenientes da subconcessão do Douro Interior vão ser utilizados para compostagens e para biomassa.

A Resíduos do Nordeste, entidade responsável pela gestão de resíduos urbanos no distrito de Bragança e no concelho de Vila Nova de Foz Côa aliou-se, em forma de parceria, à empresa Mota-Engil, uma das empresas responsáveis pela construção da subconcessão do Douro Interior, para promover o conceito de “prevenção de resíduos”. Pretende-se assim diminuir o estigma subjacente à actividade da construção como causadora de impactos negativos e geradora de resíduos, bem como sensibilizar para a diminuição da produção de resíduos e para o seu aproveitamento através da compostagem.

Nos dois estaleiro das obras, onde se incluem a cantina e os dormitórios, (estes com uma ocupação média de 250 pessoas em cada estaleiro), vai ser implementada a compostagem sob o lema “A nossa casa – o nosso estaleiro”.

Os compostores vão ser entregues aos trabalhadores na próxima terça-feira, dia 24 de Novembro, na localidade de Trindade, Vila Flor.

Esta iniciativa ocorre numa altura em que se celebra a Semana Europeia da Prevenção dos Resíduos e pretende alertar a comunidade em geral, e as empresas em particular, para a necessidade de agir na prevenção da produção de resíduos. 


 O pólo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro em Miranda do Douro continua encerrado e à espera de uma nova dinâmica que lhe permita voltar a acolher alunos. O reanimar do ensino superior na localidade faz até parte das prioridades politicas no novo executivo camarário mas parece difícil encontrar uma solução.

Da parte do Instituto Politécnico de Bragança, o presidente, Sobrinho Teixeira, voltou a reiterar a intenção de ajudar a UTAD a desenvolver o pólo e a encontrar um caminho sustentável para a manutenção do ensino superior no concelho mirandês. No entanto, da parte da UTAD tardam a vir as respostas.

“Já falei com o reitor da UTAD mais do que uma vez acerca disso”, apontou Sobrinha Teixeira, esclarecendo que uma possível solução só será avançada pelo IPB em colaboração com a universidade.

“Será sempre em consonância com a UTAD, até por uma questão de bom relacionamento institucional”, garantiu.

Recorde-se que ainda este ano a UTAD decidiu criar uma Comissão de Acompanhamento que incluía o município mirandês e cujo objectivo proposto passava pelo esgotamento de todos os meios para encontrar uma forma de manter o pólo aberto. A criação de cursos do segundo ciclo, a realização de seminários ou congressos, e a promoção de iniciativas conjuntas com a Universidade de Salamanca, na vizinha Espanha, foram algumas sugestões apontadas mas que, até ao momento, ainda não tiverem aplicação prática.

Na tomada de posse do novo executivo camarário, Artur Nunes colocou a questão como prioritária e afirmou que faria todos os esforços para conhecer o dossier interno e o que foi protocolado para então encontrar uma solução.

A decisão da UTAD de encerrar o pólo de Miranda do Douro esteve relacionada com a diminuição do número de alunos e com a alegada baixa atractividade até ao nível geográfico. A decisão foi, desde logo, contestada pelos estudantes, pela população local e pelas várias entidades que invocaram os impactos negativos, a nível económico e social, de tal medida  para a cidade e para o concelho.

Ainda sem soluções definidas, o IPB mantém a disponibilidade para colaborar neste processo, desde que a UTAD participe até porque em causa está um alegado dispêndio de recursos.

“Sabemos que há um grande consumo de recursos a nível do corpo docente e dos funcionários e tem de haver aqui uma partilha de recursos e do esforço para um mesmo objectivo”, apontou Sobrinho Teixeira.

 

21 de Novembro de 2009

 

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Bragança, José Fernandes, considera que seria importante dar formação aos soldados da paz para aprenderem a trabalhar com desfibrilhadores, bem como fornecer alguns destes equipamentos às corporações.

“Não digo em todos mas era importante que, em certos locais, houvesse um desfibrilhador e alguém formado para actuar. Não temos uma coisa nem outra”, apontou, sublinhando que os soldados da paz, em muitos casos, são os primeiros a chegar aos acidentados.

As estatísticas nacionais indicam que as doenças cardiovasculares são uma das causas de morte mais frequentes, com uma percentagem superior a 30 por cento. Em mais de metade dos casos de paragem cardio-respiratória, as vítimas não chegam com vida aos hospitais e, grande parte dos episódios de morte súbita cardíaca resultam da ocorrência de arritmias cardíacas, nomeadamente fibrilhação ventricular. Neste último caso o único tratamento é a desfibrilhação eléctrica. A nova legislação já permite que estes aparelhos sejam utilizados por pessoal não médico, embora com

A legislação indica ainda que em mais de metade dos casos de paragem cardio-respiratória as vítimas não chegam com vida aos hospitais. Ao mesmo tempo, a maior parte dos episódios de morte súbita cardíaca resultam da ocorrência de arritmias cardíacas, nomeadamente fibrilhação ventricular, cujo único tratamento é a desfibrilhação eléctrica.

José Fernandes não tem dados que permitam afirmar se já teve casos em que o desfibrilhador era ou não necessário até porque isso seria “um acto médico”. No entanto, o comandante acredita que o fornecimento de desfibrilhadores aos bombeiros, bem como formação adequada, seria muito positivo: “os bombeiros são pessoas capazes, dedicadas e disponíveis 24 horas, 365 dias”.

A nova legislação já permite que os desfibrilhadores automáticos externos sejam utilizados por pessoal não médico, no entanto, é necessário que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) certifique o seu uso e monitorize e fiscalize a sua utilização. 


 A cidade de Macedo de Cavaleiros já tem um depositrão – um contentor de recolha de pequenos resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos. A unidade ficou instalada no Mercado Municipal e foi atribuída ao município macedense ao abrigo de um projecto chamado “Portugal Depositrão”, da ERP-Portugal (European Recycling Platform).

A ERP vai ainda colocar mais contentores deste género nos 43 municípios que integram o Projecto Eco XXI, da Associação Bandeira Azul.

No distrito de Bragança apenas existia um depositrão em Bragança, colocado junto ao Mercado Municipal. Com a colocação de mais um equipamento do género em Macedo de Cavaleiros, a ERP pretende “despertar a consciência colectiva de boas práticas ambientais” e oferecer à comunidade envolvente um local onde depositar correctamente este tipo de resíduos.

No contentor que está agora a funcionar no Mercado Municipal, poderão ser depositados electrodomésticos  e equipamentos electrónicos em fim de vida de pequenas dimensões, tais como: secadores de cabelo, máquinas de café, varinhas mágicas, batedeiras eléctricas, facas eléctricas, telemóveis, computadores, ratos, teclados, impressoras, máquinas fotográficas, balanças e relógios.

O Projecto “Portugal Depositrão” tem por missão implementar uma rede de pontos de recolha de resíduos eléctricos e electrónicos em todo o país, envolvendo, para tal, as autarquias e os munícipes. O objectivo final é despertar uma nova consciência colectiva de boas práticas ambientais que contribuam para a recolha de resíduos e ajudem a fazer de Portugal um caso de sucesso a nível europeu e mundial.

Para além de Portugal a ERP opera na Áustria, França, Alemanha, Irlanda, Espanha, Inglaterra, Dinamarca e Finlândia. 

20 de Novembro de 2009

 O projecto de resolução do PSD sobre avaliação de professores e estatuto da carreira docente foi hoje, sexta-feira, viabilizado no Parlamento, com votos favoráveis da bancada social-democrata e abstenção do PS.

O diploma do PSD, aprovado com abstenção de todas as outras bancadas, recomenda ao Governo o fim da divisão da carreira em duas categorias e a criação de um novo modelo de avaliação no prazo de 30 dias, além de defender que no primeiro ciclo avaliativo, que está a terminar, não haja professores penalizados em termos de progressão da carreira devido a diferentes interpretações da lei.

Adão Silva, deputado do PSD pelo distrito de Bragança, votou a favor mas não concorda com a proposta apresentada pelo seu partido, a única aprovada de todos os documentos postos a votação.

O deputado por Bragança votou a favor, mas apenas por uma questão de disciplina partidária, porque a direcção do grupo parlamentar não deu liberdade de voto. Na sua declaração de voto, Adão Silva fez questão de salientar que não concorda.

“Não concordo porque entendo que o PSD devia ter proposto a imediata suspensão do processo de avaliação pois o novo modelo só será devidamente clarificado se houver esta suspensão” considera.

Por outro lado, Adão Silva também não acredita que o prazo de 30 dias dado ao Governo para apresentar um novo modelo de avaliação seja cumprido.

“Sinceramente acho que este Governo não terá um novo modelo de avaliação dos professores justo, desburocratizado e exequível nem em 30, nem em 60 nem em 90 dias” refere.

Na sessão desta manhã, no Parlamento, foram chumbados sete projectos da restante oposição para suspender o actual modelo de avaliação e acabar com a divisão da carreira dos professores.

Todos os diplomas tiveram a mesma votação - votos favoráveis do CDS-PP, Bloco de Esquerda, PCP e Verdes, abstenção do PSD e votos contra do PS - à excepção do projecto de resolução do CDS-PP sobre alteração do estatuto da carreira dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário.

Este diploma teve apenas o apoio das bancadas democrata-cristã e do BE, enquanto PCP e Verdes se juntaram ao PSD na abstenção e o PS manteve o voto contra.

 

Fonte: Rádio Brigantia e JN


 O Bloco de Esquerda questionou hoje quais os critérios subjacentes à escolha dos governadores civis, indigitados ontem em Conselho de Ministros. É que grande parte dos nomeados protagonizou candidaturas socialistas às eleições autárquicas das quais saíram derrotados.

Foi também o que aconteceu em Bragança.  Jorge Gomes renunciou ao mandato a poucos meses das eleições autárquicas, para concorrer, pela segunda vez, como cabeça de lista, à presidência da câmara de Bragança. O PS saiu das eleições derrotado, com uma votação de 27,56 por cento, elegendo dois vereadores. Na tomada de posse dos órgãos autárquicos, Jorge Gomes assumiu o lugar de vereação mas admite agora ponderar uma saída por incompatibilidade de funções.

Durante cerca de cinco meses Vítor Alves, militante do PS e professor do Instituto Politécnico de Bragança, assumiu o cargo temporário afirmando, na altura, não estar disponível para se manter no lugar caso o PS vencesse as legislativas, o que veio a acontecer.

De acordo com a RBA, Vítor Alves poderá vir a assumiu outro cargo de nomeação política no distrito, nomeadamente o de director do Agrupamento dos Centros de Saúde do Nordeste, cargo exercido anteriormente por Berta Nunes, actual presidente da autarquia de Alfândega da Fé.

 O Bloco de Esquerda, através do líder da bancada parlamentar na Assembleia da Reoública, contestou o facto de muitos dos nomeados terem sido candidatos socialistas às autárquicas e considerou que o perfil geral confirma a “necessidade” de proceder à extinção do cargo.


King’s Cross fica no centro de Londres e é uma das zonas mais movimentadas daquela cidade. Ali viveu, durante quatro anos, Pedro Pires, coreógrafo e bailarino, natural de Macedo de Cavaleiros. Desses anos ficaram as imagens e emoções, transportadas para o palco através da dança, num espectáculo chamado “King’s Cross” que regressa aos palcos transmontanos já neste Sábado.

Depois de ter estreado em Macedo de Cavaleiros, no início deste ano, “King’s Cross” vai ser exibido neste Sábado, 21 de Novembro, no Teatro Municipal de Bragança.

Para além da representação física do espaço há narração de relações imaginárias entre personalidades totalmente dissociadas. São seis bailarinos que representam os “executivos que entram e saem, operários responsáveis pela reconstrução, fãs de futebol que gritam, prostitutas que enchem as ruas de sedução, mendigos refugiados no caos, turistas que sempre estão onde os outros estão”.

Os sons “caóticos” produzidos na rua londrina serão reproduzidos em palco num trabalho de composição musical a cargo da companhia artística Cre-Art Project.

Já a dimensão física do espaço será representada através de uma escultura de Hannah Terry que se inspirou no ferro usado na reconstrução da King’s Cross para criar toda uma estrutura de apoio à coreografia.

Pedro Pires nasceu em Macedo de Cavaleiros e antes de se iniciar na dança passou pelo curso de Física da Universidade do Porto. No entanto, Pedro Pires concluiu que “esta humanidade tem ciência suficiente mas nunca terá arte que chegue” e, assim, anos mais tarde, decidiu dedicar-se à Dança tendo feito formação na London Contemporany Dance School.

Em 2006 criou a companhia Código Dance Project e, no ano passado, recebeu o Prémio de Honra do “12 Internacionales Solo Tanz Theater Festival”, em Estugarda, tendo ainda sido nomeado para o Talento Português 2008 nas Artes de Palco e Cinema.

Colaborou como coreógrafo em vários projectos, destacando-se os executados com o colectivo artístico Cre-Art, a Holland Park Opera em colaboração com a London City Orchestra, e com o Gate Theatre, em Londres.

19 de Novembro de 2009

Jorge Gomes está de regresso ao Governo Civil de Bragança. O socialista que ocupou o cargo durante a última legislatura e que abandonou para se candidatar à câmara municipal de Bragança, foi nomeado hoje em conselho de ministros para o Governo Civil de Bragança. 

Em declarações à Rádio Brigantia, Jorge Gomes considerou que a escolha do Governo pode ter sido determinada pelo seu anterior desempenho.

“Para mim foi uma honra ter sido governador civil tal como é agora ser novamente convidado” afirmou. “É sinal que poderei ter tido um desempenho razoável e vou assumir o cargo com todo o emprenho, lutando sempre pelos interesses da região”.

Jorge Gomes vai agora analisar a compatibilidade do cargo de Governador Civil com o de vereador na câmara municipal de Bragança. Mas o mais certo será ele renunciar à autarquia.

“Eticamente não me parece que seja compatível e a ética tem de estar acima dos interesses políticos” referiu. “Tenho de ver porque não sei se o lugar é ou não incompatível. Se for está resolvido o problema, mas se não for com certeza que não vou exercer os dois lugares porque entendo que não é correcto” adiantou.

Jorge Gomes regressa assim ao Governo Civil de Bragança, estando agora a aguardar pela marcação da data para a tomada de posse.

 

 

Escrito por Brigantia


Um professor da Escola Superior Agrária (ESA) de Bragança denuncia a existência de uma burla que tem estado a afectar várias pessoas do Nordeste Transmontano. A situação estará a acontecer aproveitando a realização de um projecto de marcação por GPS dos animais no distrito de Bragança.

Os casos de burla detectados estão relacionados com um Projecto Internacional que envolve a Junta de Castilha e Leon, a Direcção Nacional de Veterinária e a ESA de Bragança (que faz o trabalho de campo), na marcação por GPS, dos locais onde estão os animais e quantos são. “Um processo que poderá ter grande utilidade num hipotético cenário de epidemia”, refere Álvaro Mendonça.

O objectivo da marcação é “saber exactamente quantos animais existem de cada espécie”, concelho a concelho, aldeia a aldeia. Para além disso, pretende saber o número total e a sua distribuição. “No caso de haver uma epidemia, sabe-se exactamente onde estão os animais”, conta aquele docente.

No entanto, durante a visita de várias técnicas, ao concelho de Mirandela, foram detectados alguns casos “de alguém que se faz passar por elementos do projecto e que pedem dinheiro às pessoas” para fazer este trabalho. A GNR já foi avisada. Já foi feito também um pedido à Direcção Geral de Veterinária para avisar os presidentes de Juntas do que se está a passar, “para as pessoas não serem lesadas e levarmos o nosso trabalho a bom porto”, acrescenta aquele professor da ESA de Bragança que tem receio, se as pessoas forem lesadas, “quando aparecerem os colaboradores podem ser maltratados por serem confundidos com as pessoas que fizeram a vigarice”, diz.

Álvaro Mendonça enumera três pontos essências para que as pessoas não se deixem enganar: “as técnicas estão identificadas com um crachá na lapela, com o nome e o símbolo oficial da Escola Agrária. Também não cobram dinheiro pelo serviço e são sempre acompanhadas por gente da aldeia.”

Fica o alerta de mais uma burla na região, desta vez alguém anda a fazer-se passar por técnico da Escola Superior Agrária de Bragança, e assim extorquir dinheiro às pessoas.

 

Texto de Fernando Pires in Mensageiro Notícias 

publicado por India às 15:23

 Os protagonistas do filme/documentário “Pare, escute e olhe” tiveram, pela primeira vez, a possibilidade de ver o resultado de mais de dois anos de filmagens obtidas pelo realizador Jorge Pelicano, entre Bragança e o Tua.

No passado sábado, centenas de pessoas marcaram presença nas duas sessões da película que mostra o abandono da linha do Tua, mas também quis chamar a atenção para o lado humano. Jorge Pelicano admite que se trata de um filme “parcial”, porque “acabei por ficar muito tocado com a solidão das pessoas e o abandono a que esta região tem sido votada nos últimos anos”, conta o reporter de imagem da SIC.

Fernanda vive numa estação abandonada. Abílio Ovilheiro, ex-ferroviário, vive numa estação activa, autêntico sabedor de notícias da região Pedro Couteiro, activista, um acérrimo defensor dos rios. Jorge Laginhas, escritor transmontano, conduz-nos às entranhas e beleza do vale. São apenas alguns dos vários protagonistas do filme.
Berta Cruz, utilizadora frequente do comboio, necessita do transporte para ir ao médico ou simplesmente comprar um litro de leite, gostou do filme e reitera a sua defesa da linha do Tua, porque “faz falta aos pobres”, disse.

João Batista também protagoniza, na película, uma acesa discussão sobre os benefícios da linha do Tua em detrimento da barragem do Tua. Depois de ver a sua prestação no filme, renova a sua tese: “a barragem não presta para nada só vai servir para nos tirar as nossas terras”, disse no final do filme com cerca de hora e meia.

No final das sessões, os protagonistas do filme não escondiam a satisfação de participarem activamente neste documentário, e reiteram a necessidade de reabrir a linha do Tua, que está parcialmente encerrada, entre o Cachão e o Tua, desde Agosto de 2008, altura em que um acidente causou uma morte e dezenas de feridos.

José Silvano, autarca de Mirandela e defensor da continuidade da linha do Tua, considera que o filme “é um bom instrumento” para defender esta causa, mas alerta para a necessidade de “ser prioritário conseguir que os próprios transmontanos sejam unidos na defesa deste património do vale do Tua”, explica.

Um mês depois da sua estreia, o filme/documentário “Pare, Escute e Olhe” rodou, em Mirandela. A película realizada que defende a preservação da linha do Tua já ganhou seis prémios em dois festivais de cinema e vai passar a estar em diversas salas de cinema, a partir de Janeiro do próximo ano.

 

O filme

Tendo  a  linha  do  Tua  como  fio  condutor, entre  Bragança e o Tua, “Pare, Escute, Olhe” comporta  duas  realidades: troço  desactivado e  o  troço  activo. No primeiro,  o comboio  já  não  circula,  os  autocarros  que  vieram  substituir  os comboios  há muito que  desapareceram,  aldeias  sem  um  único transporte  público, isoladas. No  troço activo,  o  anúncio  da  construção  de  uma  barragem  no  Foz  Tua, encaixada  num património  natural  e  ambiental  único,  ameaça  o  que  resta  da centenária  linha.

O  documentário  começa  com um recuo  temporal  para  ajudar  a  perceber  as  causas do despovoamento  e  as  medidas  tomadas  em  torno  da  questão  da  via-férrea  do Tua: as  promessas  políticas,  o  encerramento  da  Linha  do  Tua  entre  Bragança  e Mirandela  (1991),  o  “roubo”  das automotoras  pela  calada  da  noite  (1992),  o  fim do  serviço  público  dos  transportes  alternativos.  

Quinze  anos  depois,  em  2007,  no  troço desactivado, as  aldeias  estão  isoladas  e despovoadas.  Durante  os  dois  anos  de  filmagens  (2007  a  2009),  no  troço  activo, sucessivos  acidentes,  o  anúncio  da  barragem,  a  incúria  dos  responsáveis  na manutenção  da  linha,  marcaram  os  acontecimentos.  

“Pare,  Escute,  Olhe”,  é  um  documentário “interventivo e assume  o  ângulo  do povo para  traçar  um  retrato  profundo  de  Trás-os-Montes”, conta o realizador.  Por  isso  a história,  não tem propriamente  um  personagem  principal,  mas  vários:  utilizadores assíduos do comboio  que  necessitam  do  transporte  para  ir  ao  médico  ou simplesmente comprar  um  litro  de  leite,  um  activista  defensor  da  linha,  um escritor transmontano  que  nos  conduz  às  entranhas  do  vale  do  Tua,  um  ex-ferroviário que vive  numa  estação  activa,  uma  autêntico  sabedor  das  notícias  da região.

A  acção  desenrola-se  em  Trás-os-Montes, Lisboa (centro  de  decisões  do  poder central) e Suíça, um bom exemplo de  rentabilização  e  aproveitamento  das  vias-férreas  para  o  turismo  e  serviço  às  populações.

 

Manifesto defende vale do Tua

Os diversos movimentos e organizações que sempre defenderam a manutenção da linha do Tua renovaram a sua confiança após o recente estudo da comissão europeia que arrasa o plano de barragens a implementar pelo Governo português. Para além disso, o filme/documentário “Pare escute e olhe” pode ser um instrumento importante nesta luta. Aliás, no passado sábado, aproveitando a exibição do filme, em Mirandela, os diversos movimentos começaram a recolher as primeiras assinaturas de um manifesto pela preservação do património do Vale do Tua, onde é denunciado o abandono pelo poder central do Nordeste Transmontano, bem como as consequências nefastas para a região e as fracas contrapartidas para o país com a construção da barragem de Foz-Tua

O manifesto apresenta até propostas para o futuro sustentável daquele vale e da linha férrea que passam por melhores condições da via, introdução de comboios turísticos, aproveitamento das estações para criar lojas de produtos regionais e a reabertura da linha entre Mirandela e Bragança, bem como o seu prolongamento até Puebla de Sanábria.

 

Texto: Fernando Pires in Mensageiro Notícias

 

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